30 de out de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 11

COMEÇANDO A INTERPRETAR II

Na medida em que o estudo se aprofunda, que ele se encaminha para ângulos mais subjetivos, passamos a observar que os aspectos de fundamentação metafórica, de modo alegórico, compõem uma linguagem figurada que aborda na sua intimidade assuntos da maior transcendência e da maior importância. 

Na medida em que vamos avançando no estudo, nós vamos observando alguns ângulos que vão definindo para nós uma análise mais substanciosa, mais essencial.

É como se vigorasse um processo em que vamos partindo inicialmente de pontos mais sintéticos e depois vai surgindo um sistema de abertura e aprofundamento.

Então, é preciso nos atermos ao fato de que entre o componente revelado, direcionado de cima para baixo, e a identidade nossa com as bases da revelação, vigora um terreno enorme a palmilhar, um caminho longo a trilhar.

E para começar, vamos entender o seguinte: todo o conteúdo bíblico é um conteúdo que vai permanecer. Ok? Vamos até repetir porque isso é muito importante: todo o conteúdo bíblico é um conteúdo que vai permanecer inalterado.

Ele não tem que ser renovado ou mesmo alterado de maneira objetiva como muitas pessoas gostariam. De forma alguma os textos precisam ser alterados. O que pesa muito na parte interpretativa não é a questão do fato analisado parecer estranho ou difícil, mas a nossa capacidade maior ou menor de compreender. Ficou claro? Assim, o componente chamado figura, ou melhor, letra, vai permanecer de forma natural, exigindo de nós uma melhor reflexão. Em outras palavras, se não entendemos algo o erro não está no texto, ele é puramente nosso de interpretação. Nós é que temos que nos renovar e passar a penetrar e percebê-lo de forma mais aprofundada.

Quando passamos a penetrar de modo mais intensivo e profundo na intimidade da letra do evangelho, é comum sentirmos que por mais aprofundada que seja essa linha de busca, nós nunca conseguimos alcançar a luz no seu fulcro irradiante. 

Deu para compreender? Nós sempre vamos pegar a luz refletida segundo o piso em que estamos ajustados, segundo o grau de conhecimento que possuímos, o grau de sensibilidade que conquistamos ao longo dos séculos. O evangelho é eterno, e se ele é eterno é infinito. Concorda? O evangelho é uma mensagem que se estende ao infinito. Não é preciso ser estudioso para perceber que ele é uma fonte de recursos que não se esgotam.

A coisa não funciona de forma final, assim: vamos caminhando, caminhando, entendemos, fechou, chegamos ao céu que procurávamos. Não! Não tem nada disso. Não fecha. Aliás, é mais profundo, não fecha nunca. O conhecimento não finda. O entendimento vai sempre abrindo novos parâmetros. Cada vez mais. Nós assimilamos, investimos e o entendimento vai precipitando novas indagações. A coisa funciona mais ou menos como as nossas metas e os nossos objetivos. Chegamos lá e o que acontece? Abrem-se outros. Nós chegamos ao monte que queríamos. O que tem depois? Outros montes, com certeza. É desse jeito.

A linguagem, tanto do velho como do novo testamento, trabalha de maneira extensiva.

Quer dizer, no campo de registro vai se adequando ao desenvolvimento da própria humanidade. Basta pensar, a humanidade não segue se desenvolvendo em todas as áreas? Nas áreas tecnológica, filosófica, científica, religiosa, médica, espiritual, em todo o tipo, enfim, a evolução e o progresso não é uma constante? Logo, em cada momento que vamos percorrendo o conteúdo, que ele apresenta para nós uma amplitude de metáforas e de figuras, é como se o ensinamento transcrito a nível figurado reservasse uma soma grande de elementos que vão sendo abertos, que vão sendo decodificados na proporção em que cada um de nós, segundo o patamar evolutivo, vai conseguindo penetrar e perceber.

Está dando para acompanhar? Nós vamos estudando e cada vez mais o saber se expressa e se verticaliza. Na medida em que evoluímos e que o conhecimento nos atinge, o texto passa a  abrir novas nuances para nós, até mesmo dentro de uma mesma terminologia. Pecado, por exemplo, se a gente pensar bem, se a gente entrar a fundo na questão, é um conceito novo para nós. Resultado: vamos ascendendo e ampliando nossos conhecimentos e vão surgindo conceitos novos.

O estudo tem aberto para nós continuamente uma série de reflexões. E a evolução é assim mesmo. O registro figurado insere uma soma grande de informações que nós vamos conseguindo abranger conforme o nosso próprio crescimento.

Os ensinamentos são dinâmicos e crescem em sabedoria à medida que cresce a capacidade da inteligência para melhor penetrá-los. Você já deve ter notado, hoje aprendemos o que ontem não entendíamos e amanhã entenderemos o que agora se nos mostra incompreensível. É que para uma infinidade de valores ainda nos faltam "ouvidos de ouvir e olhos de ver". Existem coisas que nós estamos aos poucos começando a entender. 

Para se ter ideia, às vezes temos que ficar anos arquivando uma informação, uma proposta, brigando dentro da gente com ela. Quer um exemplo? Uma vez, e isso já faz alguns anos, eu ouvi em uma reunião de estudo que participei uma frase bonita, sintética, profunda. Achei a frase interessante e a arquivei em meu computador. Vou confessar, levei aproximadamente quatro anos para entendê-la. E apenas a título de curiosidade, quer saber qual era a frase? "O filho do homem é a instauração do Cristo na sua segunda vinda". Profunda, sintética, objetiva.

O conhecimento não cessa, não finda!

Porque a evolução não para. Nunca. O processo funciona como se fosse uma espécie de espiral. Isto é, vamos até um ponto e retornamos e daí vão se abrindo novos lances que voltam a nos projetar para faixas mais à frente. Percebeu? A gente avança e retorna trazendo o que captou. E vai mais à frente depois. Constantemente vamos passando por um processo de reciclagem. Nós vamos reciclando elementos e caminhando para processos mais ampliados, mais definidos, mais detalhados, mais sutilizados à medida que prosseguimos. Vivemos muitos momentos no estudo que são reciclagens e aprofundamento de lances anteriores, ao mesmo tempo em que vão se abrindo novas frentes, expressões mais analíticas, mais específicas. E se voltarmos lá na frente a um assunto estudado hoje, e isso é muito comum, notamos que existem alguns ângulos que não foram devidamente compreendidos em nossa primeira abordagem.

As profecias e as mensagens das escrituras, todas elas, mantém certa linha de correlação.

Todos os documentos religiosos da bíblia se identificam entre si, razão pela qual precisam ser trabalhados dentro de um contexto. Vamos clarear esta questão? Repare que a simbologia vai se estendendo à medida em que vamos evoluindo. Certo? Isto já ficou claro para nós lá atrás. O sentido do símbolo vai se estendendo para além da sua faixa literal e a essência vai continuando. E normalmente, dentro da simbologia, as mensagens obedecem uma certa coerência, guardam proximidade interessante quanto ao plano essencial da mensagem.

Vai havendo certa coerência atrás dos textos em que as mensagens aparecem. O que eu quero dizer é que analisando uma parte do evangelho, e encontrando a linha de coerência, fica fácil perceber que ela se interliga com todas as outras partes do evangelho bem como dos outros livros do velho testamento. O texto começa a se expressar dentro de uma linha natural de suavidade e de alta expressão em termos de esperança, consolação e segurança na medida em que vamos encontrando essas linhas de relação entre elas. E nós ganhamos muito quando, no trabalho interpretativo, vamos sabendo relacionar e reciclar os fatos, os acontecimentos, os feitos. Está dando uma ideia? Nós vamos tendo condições de abrir e aprofundar sempre e cada vez mais. Como o evangelho apresenta linhas nítidas de coerência, ele tem que ser trabalhado sempre numa área coerente.

Se você pegar um versículo específico do evangelho, de forma isolada, você pode simplesmente não achar o que procura. Deu uma ideia? Analisando um versículo só, por exemplo, você é capaz de provar que existe reencarnação e em outro você pode concluir que não tem. Ficou claro agora? Na linha interpretativa, entre outras coisas, é fundamental saber trabalhar dentro do contexto.

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