9 de out de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 9

JESUS COMO MESTRE

“E ELE DISSE-LHE: POR QUE ME CHAMAS BOM? NÃO HÁ BOM SENÃO UM SÓ, QUE É DEUS. SE QUERES, PORÉM, ENTRAR NA VIDA, GUARDA OS MANDAMENTOS” MATEUS 19:17

“VÓS ME CHAMAIS MESTRE E SENHOR, E DIZEIS BEM, PORQUE EU O SOU.” JOÃO 13:13

É muito comum alguém entrar em uma igreja e logo de início, no primeiro lance, visualizar no altar a imagem de Jesus crucificado: semblante abatido, cabeça baixa, queixo caído sobre o peito, olhos fechados.

Sem dúvida nenhuma, nos altares ainda predomina a figura de Jesus Cristo morto. Passam-se os anos e mantém-se o mesmo hábito, diante das emergências da vida o Cristo morto está sempre presente. Nos lares também não é muito diferente. Muitos indivíduos, inclusive, levam consigo, por onde passam, a mesma imagem no crucifico em correntes diversas penduradas no pescoço.

O tempo passa e as religiões, entra ano e sai ano, se mantém apegadas à mesma ideia.

Algumas não mantém imagens em seus núcleos, apenas a ideia do Cristo na cruz e da redenção surgida do seu sangue.

São memórias comumente trazidas do passado longínquo como se ainda estivéssemos na fase da infância espiritual, que provavelmente ainda devemos estar.

Em suma, é para a cruz e para o sofrimento que as pessoas apelam. Pense para você ver, aqui e ali se enfatiza Jesus pendente na cruz. Ficamos presos a isto. Tem igrejas que não apenas rememoram o sacrifício. Vão além. Fazem do sofrimento o objeto máximo do culto, esquecendo todo o ideal divino que o originou. Até parece que o sacrifício e a morte superam em muito o ideal divino. Assim fazem como se a morte representasse o valor supremo da obra de Jesus e a sua missão tivesse sido iniciada na manjedoura e finalizada no topo do calvário.

E dá para pensar: o que os religiosos realmente pretendem com o instrumento da sua morte?

Afinal, qual foi o maior, a sua morte ou o seu ensinamento que deveria ficar para sempre? Ao vir até aqui, Jesus teve por objetivo morrer na cruz ou nos ensinar o caminho da verdadeira vida? Sim, porque a sua crucificação foi um crime decorrente da cegueira dos homens. Um crime, aliás, previsto por ele mesmo.

E o que foi feito do Cristo ressuscitado? A gente tem que perguntar, porque afinal não ficamos órfãos do seu amor. Ele mesmo disso isto. Então, por que veneramos tanto o Cristo morto ao invés do Cristo vivo que prometeu manifestar-se e fazer morada em nossos corações? Por que buscá-lo na cruz, impotente e morto, quando podemos tê-lo vivo e forte a cada dia em nossas almas, ajudando-nos na superação dos nossos problemas e na conquista da vida eterna?

O fato de Jesus ter sido martirizado não representou necessidade. De forma alguma. Foi uma pedra que o egoísmo dos homens lançou para interromper-lhe os passos.

Todavia, o que o mestre fez? Ele simplesmente a removeu. E pronto. Aceitou passar por ela para nos ensinar o valor da ressurreição, ensinar que a vida plena exige sacrifício.

Assim, a humanidade não deve a sua salvação e redenção à cruz. Deve ao ensinamento e amor do Cristo. Nada justifica a adoração ou veneração à cruz. Nada. Não é na morte de Jesus que está a nossa libertação, é na sua vida, nos seus ensinos, nos seus exemplos. Aliás, hoje até nos abomina a lembrança de Jesus pregado na cruz.

O evangelho vem sendo trabalhado na essência no sentido de descaracterizar essa imagem triste. E graças a Deus que a cada dia um número maior de pessoas passa a visualizar um Jesus operante e dinâmico fora daquela condição. Depois daquela imagem triste, muitos já o estão descendo da cruz e alcançando os parâmetros de uma verdade nova. Uma verdade irradiante que traz conhecimento mais amplo e profundo, que possibilita-nos o entendimento acerca das revelações divinas, dos aspectos científicos e essenciais do evangelho.

Milhões de pessoas já descobriram Jesus. Isso é ótimo, porém observam Jesus em expressões ou óticas diferenciadas.

Como assim? Para um, Jesus é um revolucionário, para outro é o salvador, para um terceiro é um filósofo, para outro mais adiante é o sábio por excelência e, assim, sucessivamente. Cada qual o avalia e define segundo o contexto evolucional em que se encontra. 

Mas de uma coisa a gente não tem como discordar: até hoje o Cristo é considerado mais médico do que mestre. Concorda? Nós ainda consideramos Jesus como sendo aquela criatura colocada à nossa frente para sanar a nossa dificuldade e o nosso desconforto.

E não podemos mais ficar apenas no Jesus pregador.

Jesus se apresenta no cenário terreno como mestre. Foi dessa forma que ele mesmo se definiu. E não abriu mão disso. De maneira alguma. Este foi o único título com que ele se adornou, e nenhum outro: "Vós me chamais mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou". (João 13:13) Certa vez, quando o chamaram bom, ele retrucou: "Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus." (Mateus 19:17) Quando o definiram rei, repeliu de forma imediata. Lembra? Declarou que o seu reino não é deste mundo. Resultado: ele apenas quis ser mestre, e disso fez toda a questão. Ele se definiu como Mestre.

Por isso teve discípulos. Arrogou para si a denominação de mestre, considerando aqueles que o acompanhavam como discípulos. E ocupou-se em ensiná-los. De que forma? Pela palavra e pelo exemplo. E advertiu-lhes que só a ele o considerassem como mestre. Percebeu? Que a ninguém mais fosse concedida essa prerrogativa.

Falar de Jesus no seu sentido histórico parece fácil: como mestre, Senhor, como pão da vida. No entanto, falar na essencialidade dele é tão difícil. E não é nossa pretensão aqui querer avaliar Jesus. Primeiro, porque não temos capacidade para isso. Não temos sequer condição de saber até onde chega a sua estrutura. Compete-nos entender, por enquanto, que ele é a perfeição moral que a humanidade pode aspirar. É a expressão mais pura da lei do Senhor e veio ao mundo investido de uma missão. Renunciou em nosso benefício deixando-nos o padrão de altura espiritual que nos compete atingir. Para não deixar qualquer dúvida suas mensagens não se basearam em ponto de vista, mas em um trabalho sedimentado na cartilha prática. Sua didática foi a do exemplo e palavra alguma poderá superar essa exemplificação, que o seguidor sincero deve sempre ter como roteiro supremo da vida. De fato, expandir conhecimento é a tarefa de Jesus.

A palavra do evangelho é clara demais ao proclamar a necessidade do Cristo em nossa vida. Não de forma superficial, externa, e, sim, movendo nossos sentimentos, ideias, ações e conduta. O evangelho objetiva clarear o nosso entendimento, como se todas as mensagens anteriores fizessem o papel de despertamento.

Jesus opera especificamente com a essência. Você já pensou nisso? Ele não deixou ao mundo um compêndio de princípios escritos por suas próprias mãos. Aliás, ele não escreveu nada. Foi preciso que outros escrevessem. Os recursos humanos seriam insuficientes para revelar toda grandeza eterna de sua mensagem.

Jesus é aquele que responde ao nosso apelo por ajuda e orientação no que diz respeito ao melhor caminho para o destino que o nosso coração busca. Percebeu? Pense com carinho nisso. Da mesma forma que conhecemos certos caminhos, seguros e confiáveis, pelos quais já passamos tantas vezes, ele também conhece, e conhece muito bem, a estrada para as nossas esperanças despontadas e ambições frustradas.

Precisamos encontrar no excelso amigo não apenas o benfeitor que nos garanta a segurança, mas igualmente o mestre ativo que nos oferece a lição preciosa em troca de conhecimento e a luta íntima como preço da paz. Clareando nosso campo de ação, seus ensinos tocam todos os corações aguardando a ressonância de cada qual.

Sendo assim, precisamos deixar a velha concepção que nutrimos de encarar os núcleos do evangelho, sejam as igrejas, os templos, os grupos espíritas, como sendo hospitais, para enxergá-los sob uma nova ótica, um novo prisma: como escolas da alma.

O carpinteiro divino continua em ação. Sua missão está em plena atividade. Já podemos vê-lo hoje trabalhando: um Jesus dinâmico, sublime, forte, poderoso. Ele vive e viverá no coração de todos aqueles que tem fome e sede de justiça. E é óbvio que em nenhum de nós se abriga a pretensão de copiá-lo, todavia uma coisa nós precisamos entender: a necessidade de nos inspirarmos em suas lições.

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