21 de nov de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 3

A RECONCILIAÇÃO

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA SEU PAI, E A FILHA CONTRA SUA MÃE, E A NORA CONTRA SUA SOGRA; 36E ASSIM OS INIMIGOS DO HOMEM SERÃO OS SEUS FAMILIARES.” MATEUS 10:34-36

Uma coisa é fato, mais cedo ou mais tarde toda criatura reconhece que para seguir adiante na jornada evolutiva precisa reconciliar-se com a própria consciência. E para isso, tantas vezes precisa buscar os adversários de outro tempo a fim de resgatar as suas faltas.

O que isso nos ensina? Que frequentemente, pela imposição da consanguinidade, grandes inimigos são obrigados ao abraço diário debaixo do mesmo teto, durante certo tempo. Com vistas a quê? Ao aperfeiçoamento de cada um.

Quando o evangelho fala em amar o inimigo ele está tratando, entre outras coisas, da família. À primeira vista, parece estranho, mas vamos clarear. Pense comigo, o que o estudo do evangelho tem ensinado? Que não existe inimigo gratuito. Não existe inimizade surgida de graça. Embora não se perceba, o inimigo de hoje é aquele que foi um amigo profundo nosso ontem. E que nós o decepcionamos ou ele nos decepcionou dentro de um plano de inabilidade para a convivência, seja da nossa parte ou da parte dele.

Vamos entender que o inimigo não é aquele declarado que falou que se encontrar com a gente vai nos pegar. Não! Sabe quem é o verdadeiro inimigo? O inimigo é esse que nos abraça de manhã, que nos beija, que nos envolve de carinho, que joga bola, passeia no parque e toma açaí conosco no final de semana. Esse é que é o inimigo.

Por isso, atrás daqueles indivíduos que se repelem, atrás daqueles que vivenciam um plano de antipatia e resistência recíproca, costuma haver almas que viveram amplamente o amor lá atrás. Será que deu uma ideia? É por essa razão que o amor ao inimigo representa uma vitória grande sobre nós mesmos.

O grande segredo nas relações é saber aproveitar as oportunidades.

Tem muita coisa nesse aspecto que nós não estamos sabendo lidar e ficamos deixando, até de forma inconsciente, para as reencarnações futuras. Não acontece isso? "Ah! Não tem reencarnação? Na próxima eu resolvo!" E só Deus sabe quando vai ser a próxima. Que, aliás, pode nem ser tão próxima assim. Porque o futuro, segundo o que estamos aprendendo, pertence a Deus, não pertence a gente, e não sabemos se vamos encontrar com essas criaturas no futuro próximo.

O evangelho nos sugere aproveitar as oportunidades da convivência. Nós podemos até laborar no plano das propostas e das causas. Sabemos que efeitos virão. Agora, entrar nos detalhes dessas expressões, desses momentos em que o futuro irá trazer os frutos, isso não tem como nós sabermos com tranquilidade.

Quando a gente começa uma tarefa em que tentamos fazer algo no campo do auxílio, como uma atividade realizada em um hospital ou em qualquer outra área da comunidade atendendo aos necessitados, embora não pareça, em muitos casos em meio a dez, vinte ou trinta necessitados é interessante entender que um ou dois desses necessitados são indivíduos que estão ligados a nós desde o passado e  com os quais nós temos compromissos relevantes com eles. Ou você acha que nós podemos fazer o bem amplamente aos desconhecidos?

Está dando para perceber? O assunto é muito profundo. É assim que a misericórdia faz, em meio a uma tarefa sistematizada coloca um, dois ou três que estão diretamente ligados a nós.

Em uma escola, por exemplo, a professora pode ter trinta crianças na sala dela. Mas no meio daquele grupo de trinta tem duas ou três que estão ligadas diretamente a ela. Está acompanhado? Ela, às vezes, quer ficar livres dessas duas ou três porque são alunos bagunceiros, que lhe criam problemas ou coisa e tal, no entanto eles são a razão básica da presença dela naquela turma. Está dando para acompanhar? Daí, sabe o que acontece? Em nossa jornada, vigora um processo constante e inconsciente de busca daquelas conexões necessárias. Existe, no âmbito das circunstâncias, uma semeadura abrangente mediante um processo de pesca, de avocação daqueles elementos que estão ligados ao nosso passado.

E o interessante na questão da reconciliação é que é inútil a fuga dos credores que respiram debaixo do mesmo teto. Pois o tempo invariavelmente aguardará cada qual, implacável, constrangendo-o à liquidação de todos os seus compromissos.

Para se ter ideia de que não há como fugir, diariamente inúmeros indivíduos envolvidos nas mais diversas dificuldades familiares, saem de casa e vão para as igrejas e para os núcleos espirituais mais diversificados para aprenderem, entre outras coisas, sabe o quê? Que o lugar deles é dentro de casa.

E nós não precisamos nem ir longe para elucidar. Basta nos lembrarmos do que Jesus disse aos discípulos por ocasião da multiplicação dos pães: "Se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe." Ficou claro? Dentro das nossas necessidades imediatas, cada criatura vai a Jesus para se abastecer. E depois de se abastecer, depois de aprender, eles tem que voltar sabe para onde? Para as suas casas. 

É nas dificuldades provadas em comum, nas dores e experiências recebidas na mesma estrada de evolução redentora, que se esquecem as amarguras do passado longínquo transformando-se todos os sentimentos inferiores em expressões regeneradas e santificantes.

Na hora em que eu desativo um problema sério do passado com alguém que veio como meu filho, meu irmão, meu vizinho, meu colega ou meu chefe, eu estou desconectando e saneando um ponto da retaguarda que, até então, está pesando acentuadamente no denominador comum do meu dia a dia. Ficou claro? É por este motivo que os pais humanos recebem muitas vezes, por filhos e filhas no instituto doméstico, os mesmos laços do passado com quais atendem ao resgate de antigas contas, purificando emoções, renovando impulsos, partilhando compromissos e aprimorando relações afetivas, de alma para alma.

15 de nov de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 2

A FAMÍLIA

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA SEU PAI, E A FILHA CONTRA SUA MÃE, E A NORA CONTRA SUA SOGRA; 36E ASSIM OS INIMIGOS DO HOMEM SERÃO OS SEUS FAMILIARES.”  MATEUS 10:34-36

Guarde uma coisa no início deste capítulo: o confronto é lei no plano corpóreo. Ok? É fator indutor e fundamental do progresso.

Temos uma família terrena, carnal, que, por sua vez, nem sempre se liga pela afinidade. Para ser sincero, é difícil encontrarmos num lar indivíduos que se ligam em mesma pauta vibratória. Basta reparar que em uma família muitos estão ligados no plano físico, estão fisicamente próximos, mas dissociados no plano espiritual.

Exemplo disso é que é comum durante o desprendimento temporário do espírito, por ocasião do sono físico, cada qual ir para um lugar diferente. O que define que as ligações consanguíneas ficam na maioria das vezes restritas à sua verdadeira função que é a união temporária de espíritos geralmente devedores. Na maioria dos casos a ligação é circunstancial. No plano material que nos encontramos a equipe doméstica atende à consanguinidade e, geralmente, essas ligações terrenas são de vínculo obrigatório, são de natureza transitória.

É certo que preponderam no instituto divino da família os elos de amor, fundidos nas experiências de outras épocas, todavia aí ocorrem igualmente os ódios, os conflitos e as perseguições do pretérito obscuro, a fim de se transfundirem em solidariedade fraternal com vistas ao futuro. Antes de qualquer coisa, a linha de consanguinidade deixa a entender uma linha de relação passada direta.

Quer dizer, embora não pareça princípios sutis da lei se expressam embutidos nessas ligações.

A família consanguínea entre os homens, essa que nós chegamos nela, que nascemos nela, pode e deve ser considerada como o centro essencial de nossos reflexos. Nem sempre os laços de sangue reúnem almas essencialmente afins. Como disse Jesus: "Os inimigos do homem serão os seus familiares." (Mateus 10:36)

O pai, por exemplo, pode ser aquele que representa o carinho que nós almejamos. Afinal de contas, de uma forma ou de outra ele não se encontra presente dentro da nossa relação? Ele pode representar a expressão que merecemos em razão das nossas confusões criadas lá atrás, com a rispidez dele, com toda a brutalidade que ele traz. Não pode? Como também pode representar uma indiferença para nós. Gerando o quê? Carências. Está percebendo?

De forma alguma devemos esquecer que o planeta Terra é ainda uma escola de lutas regeneradoras ou expiatórias. O casamento é um exemplo claro disto. Aqui vigoram casamentos de amor, de fraternidade, de provação e de dever. Já pensou nisso? O ser humano pode consorciar-se várias vezes sem que a união matrimonial se efetue com uma alma ligada à sua. Embora todas essas ligações sejam sagradas, o matrimônio espiritual liga alma com alma. As demais definem simples conciliações indispensáveis à solução de necessidades ou processos retificadores.

Ou seja, onde não prevalecem as afinidades do sentimento o casamento terrestre é serviço meramente redentor, nada mais. Quantos casos desses a gente presencia a todo tempo?

A família consanguínea é o centro essencial dos nossos reflexos. Todos os lares, com raras exceções, estão visitados por múltiplos desafios e cada membro familiar é um espírito com as suas dificuldades.

O mundo é um campo de perfeito equilíbrio onde as pessoas que se desentenderam em reencarnações passadas hoje se congregam dentro da mesma família, buscando resgate e harmonização diante das leis sábias do criador. Se forjamos problemas e inquietações nos outros, nada mais justo do que solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados do destino, entre as paredes domésticas, todos aqueles que constituímos credores de nosso amor e de nossa renúncia, atravessando para isso, muitas vezes, padecimentos extremos para poder assegurar-lhes o refazimento preciso. 

Por misericórdia, dificilmente se recordam dos acontecimentos desagradáveis do passado em função do véu do esquecimento, embora vigore nessas relações a manifestação de antipatias, desconfianças, ódios e ciúmes, a ponto de ocorrerem durante o período de convivência várias separações, perseguições e até mortes.

Você já notou isso? Que existem laços fortes de simpatias dentro da grande massa de pessoas? "Nossa, conheci fulano semana passada, mas não sei porque, parece que o conheço a tanto tempo. Não sei explicar, mas naquele grupo todo eu me identifiquei demais com ele. Gosto demais dele." Um pai diz: "Eu tenho um menino lá em casa que você tem que ver. Quando ele abre a boca a gente tem que ouvir." Quer dizer, o filho é superior ao pai. Superior em moralidade, em conhecimentos, mais evoluído que o pai. Veio, com toda a certeza, para ajudar o pai.

É preciso entender que em se tratando de lar o parâmetro é mais ampliado. Quer dizer, estende-se a amigos, companheiros de atividades, chefes de serviço e pessoas com as quais somos obrigados, pelas circunstâncias que se apresentam, a interagir.

Ficou claro? Então, de uma vez por todas, quando usamos a expressão "dentro de casa" nós não nos referimos unicamente aos indivíduos circunscritos às paredes do lar. Esta é uma referência que engloba aquelas pessoas e aqueles grupos que estão mais próximos de nós durante a nossa vida inteira. O ambiente em que nós nos ajustamos constitui o reflexo das nossas necessidades íntimas.

Porquê? Porque tudo o que nos ocorre se dá em conformidade com as nossas carências pessoais. O grupo mais próximo de nossa relação é sempre a representação direta das nossas necessidades essenciais e dos nossos potenciais também.

É por isso que quando eu vivo em um ambiente familiar e reclamo da família eu estou dando um atestado nítido, ao reclamar, da minha incompetência informativa.

Porque a família, voltamos a repetir, de algum modo é um ambiente, é um meio, que expressa a nossa necessidade, seja direta ou indireta. No mecanismo dinâmico da aprendizagem, os fatos, as pessoas e as circunstâncias menos felizes que chegam e nos alcançam negativamente não constituem o problema. Isso precisa ser entendido, e bem entendido. A sujidade e deficiência é íntima nossa. Eles são os instrumentos que levantam a poeira. Porque o problema é íntimo. Nós vamos trabalhar esse assunto com profundidade mais à frente, em outra oportunidade.

9 de nov de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 1

O MAGNETISMO

O magnetismo vai ser no futuro, no futuro não muito distante por sinal, um elemento imprescindível de força.

Você já deve ter notado isso de alguma maneira. Já deve ter reparado que nossas palavras alcançam uma importância grande na medida em que nós crescemos e evoluímos. Concorda? Em muitas ocasiões, elas passam a ser dotadas de uma carga de magnetismo que define uma modulação diferenciada chamada autoridade. E a gente é ouvido. Já observou isto? Daí, sabe o que acontece? Começamos a exercer um certo domínio sobre ou ter autoridade sobre.

E um problema se instaura quando nós usamos inadequadamente essas forças de cunho magnético.

Pense para você ver, existem basicamente dois componentes na estrutura das relações pessoais que constituem verdadeiros desafios e que tem causado sofrimento cármico a muitas individualidades. Quando nós jogamos, por exemplo, ideias pré elaboradas na cabeça de alguém visando apenas aspectos caprichosos da nossa personalidade, nós podemos inclusive nos tornar copartícipes ou corresponsáveis pelas linhas traçadas. Você já parou para pensar nisso?

O mundo está cheio de casos assim. Quantos à nossa volta não se armam com as mais diversas formas para envolver os outros em sua órbita de ação de modo negativo, de maneira infeliz? Não é comum conhecermos casos dessa natureza?

O primeiro aspecto é aquela postura indevida de chantagear corações, iludindo corações na esfera do sentimento e entregando-os ao léu, como se diz na linguagem popular. Quer dizer, a criatura chega de mansinho, vem como quem não quer nada. Trabalha o coração de alguém no plano do sentimento e depois larga pra lá. Alcança com isso algum benefício e depois deixa pra lá. Sai como se nada tivesse acontecido. Sorrateiramente, da mesma forma como entrou. E a outra pessoa? Ah, na ótica dela que a outra pessoa se vire, o problema é dela.

O segundo ponto faz referência à utilização de estratégias amplas no campo magnético. O elemento utiliza a força magnética na área do comando, da persuasão e influenciação no sentido meramente pessoal. O indivíduo utiliza o magnetismo e brinca com essa força, usando-a no interesse apenas pessoal. Trabalha o nível do egocentrismo, trabalha os padrões da revelação visando apenas o seu reconforto.

E precisamos analisar essa questão com certa atenção. Sabe por quê? Porque todas as vezes que nós começamos a brincar com esses elementos mencionados nós costumamos encontrar uma série de sofrimentos, dificuldades e desajustes muito ressonantes depois, com quadros complicados que, às vezes, demoram muito tempo para o saneamento. 

A verdade é que muitos companheiros estão vivendo hoje as ressonâncias dessas dificuldades porque usaram esses padrões visando exclusivamente o interesse próprio. Tanto que tem muita gente falando hoje que é endividada do passado, que em termos de relacionamentos tem mais dívidas do que mérito de crescimento e amor.

Tem muitas pessoas que nós influenciamos no passado, mais próximo ou mais distante, que foram por nós influenciadas e instigadas a fazerem certas coisas ou viverem determinadas situações que, na época, constituíam parte de nossa vida, que adorávamos e talvez hoje não nos interessem mais. E o que aconteceu? Nós conseguimos nos safar e nos livrar daquele faixa de influência que alimentávamos e elas não tiveram tanto êxito nessa desvinculação. Ou seja, elas permanecem na experiência menos feliz que lhes despertamos o interesse.

Percebeu? Nós conseguimos sair mas elas permaneceram. Possivelmente, porque foram levadas por uma curiosidade inicial, por um impacto ou por uma linha de indução e estão ainda percorrendo o terreno da indução de acordo com o grau de interesse que aplicamos a elas lá atrás. Deu uma ideia da responsabilidade e do compromisso que nós arregimentamos para nós mesmos com essa atitude?

Nós conseguimos nos livrar, nos desvinculamos daquelas faixas que adorávamos naquela época, largamos aquilo que éramos apaixonados e que hoje nos soa como algo negativo, maléfico à nossa harmonia e que já está superado. E elas, não. Elas continuam atreladas àquelas posições, imantadas àquelas situações negativas.

Como resultado, adivinha quem é que vai ter que resgatar essas pessoas? Quem é que vai ter que buscar essas pessoas e tirá-las dessas situações menos felizes em que se encontram?

Quem vai ter que buscar é o Cristo, mas nós é que somos os instrumentos dessa busca. Afinal de contas, não foram nós que ajudamos a despertar nelas o interesse, com nossas ideias e nosso entusiasmo? Somos os copartícipes da queda delas. Lá atrás fomos nós que levamos, agora somos nós que temos que ir buscar.

E qual a conclusão a gente tira disso tudo?

Que a cada dia que passa nós mexemos mais com os outros. E quanto mais nós mexemos com os outros mais sensível fica o nosso grau de responsabilidade.

Vamos pensar nisso. Compete a cada um de nós um cuidado na avaliação. Examinar a cada instante qual a legítima intenção que vigora em nosso coração, qual o nosso objetivo em determinadas ações, o que de fato nós estamos pretendendo. 

Isso não quer dizer que devamos ficar preocupados ou intranquilos com cada pensamento que nos surja, em função do descobrimento dessas forças potenciais e latentes que dirigem a nossa vida. Também não é por aí. Mas que devemos ficar atentos, devemos.

Lembrando que a nossa autoridade sobre o campo ambiente, as pessoas, as coisas, as situações e os fatos só pode nos propiciar um benefício quando ela é exercida e aplicada em cima dos pilares seguros da caridade, do amor e do respeito.

4 de nov de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 12 (Final)

A LETRA E O ESPÍRITO

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

Para entender o evangelho, que constitui o alimento das almas, vamos pegar o exemplo da natureza.

Repare para você ver, as frutas quase sempre são envolvidas por uma camada protetora que é a casca. Certo? E essa casca, que é o envoltório externo, serve para quê? Para conservar a essência do que ela envolve, ou seja, para conservar doce e saborosa a polpa dos frutos, preservando-a das contingências exteriores a que se acha exposta.

O que a gente percebe disso? Que se a natureza não tivesse protegido dessa forma os frutos desde o princípio o homem jamais chegaria a utilizar-se deles. Deu uma ideia? Daí, é possível termos uma vaga ideia do trabalho desenvolvido pela espiritualidade ao longo dos séculos para preservar a mensagem espiritual.

E nos dias de hoje, ante uma infinidade de acontecimentos que nos chegam, nós ainda costumamos receber muitas coisas em bloco, de uma forma compactada, sintetizada. E com a nossa inaptidão e insensatez é muito comum a gente não ter a paciência necessária para poder descompactar e metabolizar todo esse conteúdo que nos chega. Está percebendo? Assim, tem muitas pessoas que desprezam o espírito que vivifica e ficam restritos apenas à letra que mata.

Em outras palavras, comem qualquer fruta com a casca. E o que é pior, ainda procuram convencer os outros, e muitas vezes conseguem, de que é assim que devem comê-la. Infelizmente, essa é a grande verdade. A grande massa de pessoas ingere o material didático como se fosse o conteúdo, a essência. Comem sem mastigar.

E por insistirem em comer qualquer fruta com a casca, não experimentam a legítima essência dos ensinamentos, tão cheios de vitalidade, sabedoria, encantamento e profundidade.

A letra, sem dúvida alguma, é instrumento que pode criar dificuldades aos nossos passos. Estreitas interpretações do plano divino obscurecem muitos horizontes mentais. Por esta razão, todas as vezes que levamos o assunto para o plano literal nós costumamos ter problemas. E equívocos na interpretação muitas vezes ocorrem por tomar-se ao pé da letra expressões que são figuradas.

O maior percentual de pessoas é cristã. Isso é ótimo. É uma maravilha, porém essa maioria não estuda o evangelho, estuda a letra do evangelho. E a bíblia simplesmente não pode ser trabalhada em cima da letra como muita gente propõe.

Na atualidade, vigora a necessidade de uma evangelização não mais sob a pregação sistemática milenar de um evangelho periférico trabalhado só na base da letra. 

Repare o que acontece em nosso mundo escolar hoje. Nos primeiros movimentos da educação infantil, como a coisa funciona? Os educadores precisam utilizar-se da colaboração de figuras e desenhos. Para que a criança inicie o despertar dos primeiros conhecimentos, o processo tem que ser assim. Então, figuras são usadas. E não são poucas figuras. São muitas. E dentro de um plano de analogia, vamos depreender que aquele que quiser estudar as escrituras em cima da periferia da letra vai trabalhar contra a própria natureza. Porque a gente sabe bem: a didática é uma coisa e o conteúdo é outra.

A letra é material didático, não é a essência do conhecimento. Repetindo: a letra bíblica é material didático sem o qual não há aprendizado, mas ela não é a essência do conhecimento.

É preciso entender que toda a transcrição, tanto do velho como do novo testamento, é instrumento didático. A letra é um recurso didático por meio do qual a sabedoria de Jesus nos ensina a aprofundar no conteúdo. Porque simplesmente não há como transmitir grandes verdades fora dos elementos de natureza metafórica ou simbólica. Está acompanhando? Com os ensinamentos do evangelho, que contém verdades essenciais, o processo é o mesmo dos frutos, isto é, tem que sair do periférico e buscar a essência. E se a sabedoria do maior instrutor e guia da humanidade não tivesse envolvido seus sublimes ensinamentos no manto dos símbolos e parábolas, com certeza não teriam chegado até nós.

Em muitas ocasiões, Jesus fechava os seus discursos com a frase "quem tem ouvidos de ouvir, ouça".

Não era assim? Com isso, ele sugeria que quem fosse capaz de penetrar que buscasse o sentido essencial de suas palavras, porque o seu ensinamento não se encontra na letra que mata, e sim no espírito que vivifica. O resultado é um só: que em todas as traduções dos ensinamentos divinos a gente se lembre sempre de separar a letra do espírito, buscando a essência para além da letra que a transporta.

Tem muita gente que alega que o uso de simbologia e de parábolas gera confusão e dificulta a aprendizagem da verdade.

Fazer o quê? É assim e sempre foi assim. O que é que nós podemos dizer? O que nos vem à mente é uma coisa muito simples: praticamente não existe fruto sem casca. Concorda? E você vê alguém reclamar de ter que descascar a fruta para poder se alimentar? Não. Ninguém reclama. Afinal de contas, o trabalho de descascar é bastante recompensado pelo proveito que se obtém com o alimento, portador de nutrientes essenciais à vida do corpo. Todo mundo concorda com a necessidade de um pequeno esforço para isso. E se para saborearmos os frutos temos que nos despojar dos seus envoltórios, para acessarmos as verdades maiores nada mais justo do que despojarmos da letra que as envolvem.

Preste atenção em uma coisa interessante. Tem gente que vai fazer uma palestra ou uma pregação sobre o evangelho e utiliza recursos. Não que isso seja um problema, de forma alguma. O que estou me referindo é uma outra coisa. 

Ela faz um poema para começar, utiliza desenhos, leva gravuras belíssimas. A cada período de tempo uma música bonita envolve as pessoas. É uma beleza. Se o assunto é a pesca maravilhosa, por exemplo, ela começa falando da paisagem. Fala dos peixes, descreve os barcos, se emociona ao falar de Simão Pedro. Fica tudo muito bonito. No final, muita gente emocionada até bate palma: "Nossa, mas que lindo. Como fala bem!" Tudo muito bonito. Com um único detalhe, ficou apenas na periferia do assunto. Entendeu? Foi muito bonito, falou bonito, só que de conteúdo e aprendizado que é bom, nada. Não teve nenhum. Isso, sem contar que se questionar o orador, se alguém da platéia apertar um pouquinho, e nem precisa ser muito, não sai nada.

Jesus não transmitiu nenhuma lição ao acaso. No evangelho tudo tem uma razão de ser. Todas as expressões contidas nele apresentam uma história viva entre nós. Todo ato do divino mestre e todo símbolo tem significação. Nada é superficial.

O mestre serviu-se da forma empregando-a para designar pensamentos transcendentes, dos quais a forma, em si mesma, não pode dar uma ideia precisa e clara. Isso é para ficar bem guardado. O que estamos falando aqui é muito mais importante do que parece. Nós temos que procurar dentro do material didático a mensagem que ele trouxe, porque atrás de cada simbologia que o texto apresenta sempre encontramos as mensagens de que precisamos. Outro detalhe: não sabemos o que podemos tirar ou colocar no evangelho, o que importa é que se está contido nele nós temos que encontrar alguma coisa positiva.

O que estamos falando é muito bonito. Quem tem estudado tem notado que dentro da letra está embutida a essencialidade. O evangelho é uma mensagem direcionada ao espírito, certo? Todo ele. A linguagem de Jesus é toda espiritual. É roteiro das almas, e por ser roteiro das almas é com a visão espiritual que deve ser lido.

Isso é critério básico de estudo e interpretação do evangelho de Nosso Senhor Jesus.

Daí, o grande lance é a gente saber analisar as partes básicas que o evangelho abre para nós. Está entendendo? Pense para você ver, evangelho está repleto de símbolos e temos que compreender o símbolo e dele tirar a ressonância para a nossa caminhada de vida. Saber tirar o espírito da letra e situar-se na mensagem, no tempo e no espaço. Não tem outra, nós temos que ir além da forma. Saber utilizar a letra, que é a vestimenta da linguagem, e buscar o espírito.

Toda a parte de fora do evangelho é a letra e o que estamos fazendo é ver o que tem dentro da letra. 

O estudo visa retirar a essência das reentrâncias da letra, pois somente a essência, o valor espiritual intrínseco, é capaz de nos fazer penetrar a mente e o coração de Jesus. É por isto que interpretar é pegar a letra e ver o que tem lá dentro. Continuamente temos que nos lembrar de buscar o conteúdo espiritual, porque é este que dá vida, universalidade e eternidade. Então, a dica é esta: quem quiser entender o evangelho de Jesus deve buscar sempre o sentido dos ensinamentos sob o prisma puramente espiritual.

Se a gente analisar bem, o evangelho é simples na sua essência. E para compreendermos a essência lá no fundo da letra, vai depender inicialmente da nossa simplicidade e do nosso carinho. É preciso buscar na intimidade da letra o que Jesus quis apresentar, o que ele quis de fato nos ensinar. E vale mais um lembrete interessante: não vamos deixar que o conhecimento novo que nós temos alcançado, e que ás vezes falta aí fora para a grande maioria das pessoas, em tempo algum venha criar em nós algum tipo de presunção. De forma alguma.

Sejamos sempre simples, solícitos, fraternos, integrativos, humildes e alegres. A vida, entre outras coisas, gosta de gente humilde e bem humorada. Agindo assim ela com certeza continuará nos abençoando com novos e maiores entendimentos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...