15 de nov de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 2

A FAMÍLIA

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA SEU PAI, E A FILHA CONTRA SUA MÃE, E A NORA CONTRA SUA SOGRA; 36E ASSIM OS INIMIGOS DO HOMEM SERÃO OS SEUS FAMILIARES.”  MATEUS 10:34-36

Guarde uma coisa no início deste capítulo: o confronto é lei no plano corpóreo. Ok? É fator indutor e fundamental do progresso.

Temos uma família terrena, carnal, que, por sua vez, nem sempre se liga pela afinidade. Para ser sincero, é difícil encontrarmos num lar indivíduos que se ligam em mesma pauta vibratória. Basta reparar que em uma família muitos estão ligados no plano físico, estão fisicamente próximos, mas dissociados no plano espiritual.

Exemplo disso é que é comum durante o desprendimento temporário do espírito, por ocasião do sono físico, cada qual ir para um lugar diferente. O que define que as ligações consanguíneas ficam na maioria das vezes restritas à sua verdadeira função que é a união temporária de espíritos geralmente devedores. Na maioria dos casos a ligação é circunstancial. No plano material que nos encontramos a equipe doméstica atende à consanguinidade e, geralmente, essas ligações terrenas são de vínculo obrigatório, são de natureza transitória.

É certo que preponderam no instituto divino da família os elos de amor, fundidos nas experiências de outras épocas, todavia aí ocorrem igualmente os ódios, os conflitos e as perseguições do pretérito obscuro, a fim de se transfundirem em solidariedade fraternal com vistas ao futuro. Antes de qualquer coisa, a linha de consanguinidade deixa a entender uma linha de relação passada direta.

Quer dizer, embora não pareça princípios sutis da lei se expressam embutidos nessas ligações.

A família consanguínea entre os homens, essa que nós chegamos nela, que nascemos nela, pode e deve ser considerada como o centro essencial de nossos reflexos. Nem sempre os laços de sangue reúnem almas essencialmente afins. Como disse Jesus: "Os inimigos do homem serão os seus familiares." (Mateus 10:36)

O pai, por exemplo, pode ser aquele que representa o carinho que nós almejamos. Afinal de contas, de uma forma ou de outra ele não se encontra presente dentro da nossa relação? Ele pode representar a expressão que merecemos em razão das nossas confusões criadas lá atrás, com a rispidez dele, com toda a brutalidade que ele traz. Não pode? Como também pode representar uma indiferença para nós. Gerando o quê? Carências. Está percebendo?

De forma alguma devemos esquecer que o planeta Terra é ainda uma escola de lutas regeneradoras ou expiatórias. O casamento é um exemplo claro disto. Aqui vigoram casamentos de amor, de fraternidade, de provação e de dever. Já pensou nisso? O ser humano pode consorciar-se várias vezes sem que a união matrimonial se efetue com uma alma ligada à sua. Embora todas essas ligações sejam sagradas, o matrimônio espiritual liga alma com alma. As demais definem simples conciliações indispensáveis à solução de necessidades ou processos retificadores.

Ou seja, onde não prevalecem as afinidades do sentimento o casamento terrestre é serviço meramente redentor, nada mais. Quantos casos desses a gente presencia a todo tempo?

A família consanguínea é o centro essencial dos nossos reflexos. Todos os lares, com raras exceções, estão visitados por múltiplos desafios e cada membro familiar é um espírito com as suas dificuldades.

O mundo é um campo de perfeito equilíbrio onde as pessoas que se desentenderam em reencarnações passadas hoje se congregam dentro da mesma família, buscando resgate e harmonização diante das leis sábias do criador. Se forjamos problemas e inquietações nos outros, nada mais justo do que solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados do destino, entre as paredes domésticas, todos aqueles que constituímos credores de nosso amor e de nossa renúncia, atravessando para isso, muitas vezes, padecimentos extremos para poder assegurar-lhes o refazimento preciso. 

Por misericórdia, dificilmente se recordam dos acontecimentos desagradáveis do passado em função do véu do esquecimento, embora vigore nessas relações a manifestação de antipatias, desconfianças, ódios e ciúmes, a ponto de ocorrerem durante o período de convivência várias separações, perseguições e até mortes.

Você já notou isso? Que existem laços fortes de simpatias dentro da grande massa de pessoas? "Nossa, conheci fulano semana passada, mas não sei porque, parece que o conheço a tanto tempo. Não sei explicar, mas naquele grupo todo eu me identifiquei demais com ele. Gosto demais dele." Um pai diz: "Eu tenho um menino lá em casa que você tem que ver. Quando ele abre a boca a gente tem que ouvir." Quer dizer, o filho é superior ao pai. Superior em moralidade, em conhecimentos, mais evoluído que o pai. Veio, com toda a certeza, para ajudar o pai.

É preciso entender que em se tratando de lar o parâmetro é mais ampliado. Quer dizer, estende-se a amigos, companheiros de atividades, chefes de serviço e pessoas com as quais somos obrigados, pelas circunstâncias que se apresentam, a interagir.

Ficou claro? Então, de uma vez por todas, quando usamos a expressão "dentro de casa" nós não nos referimos unicamente aos indivíduos circunscritos às paredes do lar. Esta é uma referência que engloba aquelas pessoas e aqueles grupos que estão mais próximos de nós durante a nossa vida inteira. O ambiente em que nós nos ajustamos constitui o reflexo das nossas necessidades íntimas.

Porquê? Porque tudo o que nos ocorre se dá em conformidade com as nossas carências pessoais. O grupo mais próximo de nossa relação é sempre a representação direta das nossas necessidades essenciais e dos nossos potenciais também.

É por isso que quando eu vivo em um ambiente familiar e reclamo da família eu estou dando um atestado nítido, ao reclamar, da minha incompetência informativa.

Porque a família, voltamos a repetir, de algum modo é um ambiente, é um meio, que expressa a nossa necessidade, seja direta ou indireta. No mecanismo dinâmico da aprendizagem, os fatos, as pessoas e as circunstâncias menos felizes que chegam e nos alcançam negativamente não constituem o problema. Isso precisa ser entendido, e bem entendido. A sujidade e deficiência é íntima nossa. Eles são os instrumentos que levantam a poeira. Porque o problema é íntimo. Nós vamos trabalhar esse assunto com profundidade mais à frente, em outra oportunidade.

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