21 de nov de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 3

A RECONCILIAÇÃO

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA SEU PAI, E A FILHA CONTRA SUA MÃE, E A NORA CONTRA SUA SOGRA; 36E ASSIM OS INIMIGOS DO HOMEM SERÃO OS SEUS FAMILIARES.” MATEUS 10:34-36

Uma coisa é fato, mais cedo ou mais tarde toda criatura reconhece que para seguir adiante na jornada evolutiva precisa reconciliar-se com a própria consciência. E para isso, tantas vezes precisa buscar os adversários de outro tempo a fim de resgatar as suas faltas.

O que isso nos ensina? Que frequentemente, pela imposição da consanguinidade, grandes inimigos são obrigados ao abraço diário debaixo do mesmo teto, durante certo tempo. Com vistas a quê? Ao aperfeiçoamento de cada um.

Quando o evangelho fala em amar o inimigo ele está tratando, entre outras coisas, da família. À primeira vista, parece estranho, mas vamos clarear. Pense comigo, o que o estudo do evangelho tem ensinado? Que não existe inimigo gratuito. Não existe inimizade surgida de graça. Embora não se perceba, o inimigo de hoje é aquele que foi um amigo profundo nosso ontem. E que nós o decepcionamos ou ele nos decepcionou dentro de um plano de inabilidade para a convivência, seja da nossa parte ou da parte dele.

Vamos entender que o inimigo não é aquele declarado que falou que se encontrar com a gente vai nos pegar. Não! Sabe quem é o verdadeiro inimigo? O inimigo é esse que nos abraça de manhã, que nos beija, que nos envolve de carinho, que joga bola, passeia no parque e toma açaí conosco no final de semana. Esse é que é o inimigo.

Por isso, atrás daqueles indivíduos que se repelem, atrás daqueles que vivenciam um plano de antipatia e resistência recíproca, costuma haver almas que viveram amplamente o amor lá atrás. Será que deu uma ideia? É por essa razão que o amor ao inimigo representa uma vitória grande sobre nós mesmos.

O grande segredo nas relações é saber aproveitar as oportunidades.

Tem muita coisa nesse aspecto que nós não estamos sabendo lidar e ficamos deixando, até de forma inconsciente, para as reencarnações futuras. Não acontece isso? "Ah! Não tem reencarnação? Na próxima eu resolvo!" E só Deus sabe quando vai ser a próxima. Que, aliás, pode nem ser tão próxima assim. Porque o futuro, segundo o que estamos aprendendo, pertence a Deus, não pertence a gente, e não sabemos se vamos encontrar com essas criaturas no futuro próximo.

O evangelho nos sugere aproveitar as oportunidades da convivência. Nós podemos até laborar no plano das propostas e das causas. Sabemos que efeitos virão. Agora, entrar nos detalhes dessas expressões, desses momentos em que o futuro irá trazer os frutos, isso não tem como nós sabermos com tranquilidade.

Quando a gente começa uma tarefa em que tentamos fazer algo no campo do auxílio, como uma atividade realizada em um hospital ou em qualquer outra área da comunidade atendendo aos necessitados, embora não pareça, em muitos casos em meio a dez, vinte ou trinta necessitados é interessante entender que um ou dois desses necessitados são indivíduos que estão ligados a nós desde o passado e  com os quais nós temos compromissos relevantes com eles. Ou você acha que nós podemos fazer o bem amplamente aos desconhecidos?

Está dando para perceber? O assunto é muito profundo. É assim que a misericórdia faz, em meio a uma tarefa sistematizada coloca um, dois ou três que estão diretamente ligados a nós.

Em uma escola, por exemplo, a professora pode ter trinta crianças na sala dela. Mas no meio daquele grupo de trinta tem duas ou três que estão ligadas diretamente a ela. Está acompanhado? Ela, às vezes, quer ficar livres dessas duas ou três porque são alunos bagunceiros, que lhe criam problemas ou coisa e tal, no entanto eles são a razão básica da presença dela naquela turma. Está dando para acompanhar? Daí, sabe o que acontece? Em nossa jornada, vigora um processo constante e inconsciente de busca daquelas conexões necessárias. Existe, no âmbito das circunstâncias, uma semeadura abrangente mediante um processo de pesca, de avocação daqueles elementos que estão ligados ao nosso passado.

E o interessante na questão da reconciliação é que é inútil a fuga dos credores que respiram debaixo do mesmo teto. Pois o tempo invariavelmente aguardará cada qual, implacável, constrangendo-o à liquidação de todos os seus compromissos.

Para se ter ideia de que não há como fugir, diariamente inúmeros indivíduos envolvidos nas mais diversas dificuldades familiares, saem de casa e vão para as igrejas e para os núcleos espirituais mais diversificados para aprenderem, entre outras coisas, sabe o quê? Que o lugar deles é dentro de casa.

E nós não precisamos nem ir longe para elucidar. Basta nos lembrarmos do que Jesus disse aos discípulos por ocasião da multiplicação dos pães: "Se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe." Ficou claro? Dentro das nossas necessidades imediatas, cada criatura vai a Jesus para se abastecer. E depois de se abastecer, depois de aprender, eles tem que voltar sabe para onde? Para as suas casas. 

É nas dificuldades provadas em comum, nas dores e experiências recebidas na mesma estrada de evolução redentora, que se esquecem as amarguras do passado longínquo transformando-se todos os sentimentos inferiores em expressões regeneradas e santificantes.

Na hora em que eu desativo um problema sério do passado com alguém que veio como meu filho, meu irmão, meu vizinho, meu colega ou meu chefe, eu estou desconectando e saneando um ponto da retaguarda que, até então, está pesando acentuadamente no denominador comum do meu dia a dia. Ficou claro? É por este motivo que os pais humanos recebem muitas vezes, por filhos e filhas no instituto doméstico, os mesmos laços do passado com quais atendem ao resgate de antigas contas, purificando emoções, renovando impulsos, partilhando compromissos e aprimorando relações afetivas, de alma para alma.

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