23 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 7

NÃO RESISTAIS II

O desafio está lançado. Para entrarmos em um estágio melhor de erguimento espiritual nós temos que criar condição de desarmar as nossas resistências e administrar com carinho cada momento da nossa vida. Temos que aprender a desarmar o coração, saber olhar todo o ambiente e entender o ambiente. Sem resistência.

A situação à nossa volta pode estar difícil, o ambiente difícil, as pessoas difíceis, mas nada ocorre por acaso. A situação tem a sua razão de ser. Tudo tem a sua razão de ser e uma finalidade, embora possamos não entender de princípio. Compete a nós saber aproveitar as circunstâncias que nos chegam com carinho.

Nós estamos tentando fazer luz, ou não é isso que estamos tentando fazer aqui?

Luz interior. Agora, a luz, qual é a finalidade dela? Dissipar as trevas. E o que a gente faz? A gente briga com a treva.

Então, veja bem, se diante de uma agressão recebida eu respondo com a minha reserva de intolerância, se eu solto os cachorros na outra pessoa, o que acontece? Eu estou dando um atestado: atesto para os devidos fins que, por enquanto, eu estou precisando melhorar esse ponto na minha intimidade. Percebeu? Eu estou precisando ter mais isso, mais aquilo ou mais aquilo outro. 

Se eu jogar de volta na cara da outra pessoa a ofensa recebida, aí eu mostrei que estou muito mais necessitado diante daquela situação do que ela própria que me deu a bofetada.

Está dando para entender? Pode ser aquele indivíduo intragável, aquele insuportável do outro lado do telefone, mas se ele me fizer soltar um palavrão do lado de cá do aparelho, ele, como um instrumento, conseguiu me mostrar que eu estou muito longe de ter a calma e a serenidade precisa. E nessa hora o que acontece? Reduz um bocado o meu alcance. Minha síntese e a oportunidade de viver de forma adequada o que eu aprendi foi por água abaixo. Porque eu estou aprendendo o valor novo, mais ainda agindo com o padrão velho, e vou ter que ficar mais um tempo na cultivação daquele valor. Então, vamos ter esse cuidado. Se resistimos acaba a nossa autoridade educativa.

A nossa autoridade de cooperação cai na hora em que nos emocionamos, porque entramos num plano de resistência.

E não resistir, muitas vezes, equivale a silenciar.

Até parece que fica difícil evoluir, mas é por aí que nós temos que seguir. Eu tenho aprendido isso comigo. Temos que buscar dentro do coração uma serenidade muito grande para engolir os fatos, metabolizar os fatos e manter, como dizem alguns, a elegância diante de certas agressões a que ficamos sujeitos vez por outra ao longo do cotidiano. Concorda? Tem pessoas que seguem criando dificuldades em tudo e nós voltamos a bater no ponto: temos que silenciar determinadas situações no plano de convivência.

Então, guarde isso: refreie a sua vontade de criticar ou de agredir, mesmo que se trate de uma agressão indireta. Muitas vezes, é bem mais importante uma lição silenciosa no tempo do que um verbalismo apressado na hora da ocorrência.

O que recebemos da outra pessoa é o que ela tem para oferecer. Você já pensou nisso? Ainda que seja uma colocação mal definida, uma palavra de agressão ou outra atitude menos feliz qualquer, o que ela emite representa o que ela tem a oferecer. 

E dentro dessa atitude, desse comportamento que define a emissão dela, abre-se uma válvula em seu psiquismo para que ela receba de retorno a expressão de auxílio que Jesus define no plano de interação: "Se alguém te agredir numa face, oferece-lhe a outra." Está dando para entender? Aproveite o momento em que ela te agrediu, porque nesse momento abriu a comporta dela para que seja lançado algo de natureza diferente. Quando uma onda longa de agressão sai de alguém a abertura nesse alguém se dá. A emissão se faz por essa abertura. Ela abre para emitir. E a luz de quem ama, que é uma onda sutil e curta, é capaz de chegar no compartimento íntimo desse agressor antes que ele feche a sua comporta. De modo a poder sensibilizá-lo.

Sabe de que maneira nós costumamos atingir os que estão próximos de nós? Resguardando o nosso interesse e jogando a confusão para fora. Fazemos isso com naturalidade. Agora, não adianta nós retermos conosco o manjar, a essência preciosa, e soltar confusão para os outros porque isso acaba deteriorando o que temos e criando situações ambientes que irão dificultar e embaraçar os nossos passos. Temos que usar a sabedoria combinada com o amor na atividade de cada dia.

Temos o dever de tratar os outros melhor do que os outros nos tratam. E sempre, não apenas de vez em quando!

Em algumas situações atravessamos períodos de dificuldades. Isso é normal e faz parte da vida, no entanto, mesmo nas circunstâncias difíceis urge endereçarmos aos outros à nossa volta o melhor ao nosso alcance. Temos que buscar dentro de nós, na intimidade da alma, o que temos de melhor e lançar. Afinal, o que sai da gente significa o quê? Semente. E semente tem que ser bem selecionada para que a gente possa colhê-la onde? Á frente. Ficou claro? Afinal, segundo as leis da vida vamos colher invariavelmente o que tivermos semeado.

E vamos entender uma coisa: temos que aplicar o que aprendemos no plano em que a gente vive, não no plano em que a gente idealiza viver. Entendeu isso ou precisa que repete?

Ficou claro? É dentro do contexto que estamos posicionados que podemos dar um colorido diferente às próprias cargas. E não basta apenas ficarmos posicionados na defesa como um time de futebol trancado no seu campo só preocupado em não tomar gol. Precisamos adotar uma atitude positiva. Para termos tranquilidade e segurança nós precisamos arregimentar valores informativos, saber dimensioná-los adequadamente e vivê-los no plano prático da vida.

Saber amortecer, temperar o que recebemos e devolver melhor do que veio. Devolver com sabedoria e amor. 

E fique tranquilo, no dia em que tivermos condições de recolher os impactos da vida, amortecendo-os e devolvendo o componente para a continuidade da vida em seu plano mais abrangente, poderemos ter a certeza de que estamos nos erguendo diante desses valores que marcam positivamente o nosso crescimento consciente.

15 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 6

NÃO RESISTAIS I

No âmbito familiar, nossos inimigos, nem sempre manifestos de forma direta e ostensiva, vez por outra agem e reagem de modo a impedir, ainda que inconscientemente, que vivamos compreendidos e amados como nós realmente gostaríamos.

Os conflitos são inevitáveis e vez por outra acontecem.

Podemos estar ligados em uma nova proposta de crescimento interior, podemos estar lutando para silenciar os nossos gritos interiores talvez pouco felizes, mas estamos, muitas vezes, lidando de fora com aqueles elementos que foram os nossos companheiros ou nossos comparsas do ontem e que não mudaram ainda. Percebeu? Nós podemos ter mudado, mas eles ainda não mudaram.

E todas as vezes que nos defrontamos com esses casos mais emergentes, mais diretos da nossa linha de relação, costumamos cultivar uma soma grande de resistências motivadas por processos da retaguarda. E o que fazemos? Resistimos! Resistimos demais.

Reagimos à pancada recebida porque sentimos que é melhor doer no outro do que em nós mesmos.

Ficamos com a nossa intimidade emotiva à flor da pele e andamos como se estivéssemos no velho oeste. Um duelo se instaura por qualquer coisa. Quem é que saca o revólver mais rápido!?

Isso sem contar que entramos numa de querer consertar as coisas do nosso modo. 

E intrometemos em tudo. E emitimos dardos na voz. E haja agressividade, direta ou velada. Porque quando a nossa agressão não é direta, o método que usamos é o tradicional sistema de tirar casquinha nos outros. E fazemos isso sem piedade alguma.

E até sem palavras a gente agride. Emitimos dardos até no silêncio que, por sinal, é um sistema de comunicação em que a voz fala de maneira estrondosa. Porque o silêncio às vezes dói tanto quanto uma agressão física. E às vezes dói até mais.

E não admitimos estar errados. De maneira alguma. O outro erra, o erro está no outro. Nós não erramos.

E mais, começamos a encontrar argumentos e ver falhas lamentáveis na pessoa com a qual nos desentendemos. Não faltam argumentos que justificam a nossa conduta indevida, a nossa postura menos feliz: "Ele só quer abusar de mim, é um preguiçoso e coisa e tal. Ele só faz isso porque sabe que eu detesto." Muitas vezes não estamos errados na análise não. Às vezes a criatura só quer mesmo aproveitar da gente, no entanto a questão é que nós pinçamos um pontinho negativo no outro. E o nosso sentimento vai fazendo esse pontinho aumentar. Daí a pouco, se bobear não vemos somente um pontinho falho, vemos um quadro inteiro, um painel completo. E essa conduta pode gerar um sentimento duro de antipatia.

E o que a gente conclui? Que uma análise abrangente precisa ser feita.

E você acha que essa análise mais ampla deve partir de quem? Como os dois não estão estudando o evangelho, não estão interessados no evangelho, o que conhece tem sempre que buscar agir de forma diferente. Aliás, se a gente pensar bem, o que conhece tem a obrigação de agir de maneira diferente do que aquele que não conhece. Ficou claro? Isso é raciocínio puramente natural e lógico.

Quer dizer, tem que agir com inteligência e carinho.

Nós temos que avaliar esses ângulos com atenção. A teoria nos direciona o conhecimento e a vida nos oferece a oportunidade da prática. Em situações de controvérsia, se nós soubermos administrar com humildade e paciência, com base no conhecimento que estamos adquirindo, a dificuldade passa a ser reduzida, quando não desativada.

Além do que, não temos que nos preocupar com a atitude do outro. Percebeu? Não importa a ingratidão que venhamos a receber. O reconhecimento que devemos buscar nas relações, antes de qualquer coisa, é o da nossa própria consciência.

E preste atenção em uma coisa: se você conspurca o ambiente em que respira, infelizmente você não está nem querendo fazer o bem, não está querendo auxiliar, e nem está querendo viver de forma harmônica, não está querendo sobreviver com harmonia.

Você não está querendo cooperar com o seu próximo e também não está querendo manter o equilíbrio no ambiente em que se situa. Quer dizer, está igual a um barco sem navegador, sendo levado pelo sabor das circunstâncias, sem nenhuma atitude positiva. Não está sabendo conduzir-se adequadamente no ambiente difícil. Não está sabendo abrir o coração e caminhar as duas milhas ou largar a capa na oportunidade.

E porque estamos dizendo assim? Porque isso acontece demais. Tem muitas pessoas que são religiosas, todavia, vivem uma vida complicada. Uma vida que puxa vida. Haja paciência!

Então, nós temos que ter muito cuidado com as nossas atitudes. Ainda hoje ficamos muito tristes quando nosso comportamento não condiz com o grau de conhecimento alcançado. A gente fica chateado. Discutimos com os outros por causa de bobagem, e quem fica aborrecido somos nós. Quem perde a paz somos nós. E quando isso acontece nós sentimos que determinadas conquistas estão muito distantes do nosso campo aplicativo. E nos resta a opção de repetir o estudo, aprimorar o estudo, aprofundar o estudo e aguardar o momento da próxima oportunidade.

8 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 5

A CONVIVÊNCIA

Não adianta alguém querer armar ou organizar mecanismos de felicidade fora dos outros. 

Isso é uma tremenda ilusão. Não funciona. Não adianta querer se alienar e criar um reduto particular. A nossa felicidade está em linha direta de interação com o nosso círculo de relacionamento. Esse é o grande segredo da vida e que a gente, aliás, está custando a entender. Está custando a entrar na nossa cabeça.

O gostoso da vida é isso, o homem ser um elemento social. Vai ser muito difícil ser feliz sozinho. Nós podemos, sem exagero algum, até ser mais objetivo: Não há como ser feliz sozinho.

Agora, quando nós ficamos muito exigentes, achando que somos bons demais, e começamos a espinhar as pessoas, a espetar as pessoas mais próximas de nós, começamos a entrar em um ponto que chamamos isolamento. E esse isolamento não é porque estamos machucando as pessoas não, viramos delinquentes não. Entramos num isolamento em razão da nossa inabilidade em conviver com os outros. Deu uma ideia? E isso cria um desconforto para a nossa vida íntima.

Quer dizer, o grande problema do isolamento hoje surge em razão da nossa deficiência de conviver. Nós entramos no sistema de querer que todo mundo faça aquilo que os nossos conceitos revelam para nós. Com isso, nos tornamos pessoas chatas, intransigentes, difíceis e que as outras pessoas não querem ficar perto.

O evangelho nos propõe o quê? A caridade. E se ele propõe caridade, sai do plano da vivência para entrar no plano da convivência. Logo, precisamos saber conviver o melhor possível com todos, embora grande parte dos que compõe o nosso círculo de relacionamento sejam verdadeiras pedras no sapato. Você concorda? Infelizmente, tem pessoas que ninguém consegue conviver perto delas, porque o oxigênio que elas oferecem é intoxicado, é carbono no campo negativo.

Não tem gente assim? É uma dureza conviver. 

Outras são acentuadamente inconformadas, acham que vieram ao mundo para receber da gente. 

Mas vamos ser sinceros? Cada qual só visualiza o negativo fora dele. É muito fácil se manter nesse sistema: "Ah, o papai é assim, meu irmão é assim, minha irmã faz isso." Quer dizer, ele é o único que salva, o único santo lá na casa. No entanto, vamos cortar essa de achar que nós somos os bonzinhos. Vamos deixar de ser pretensiosos, nós temos feito muita coisa que nem sempre tem sido adequada e tem muita gente na vida que também custa a nos aguentar. Nós achamos que os outros é que são as peças complicadas, mas às vezes o mais complicado é a gente mesmo. Não pode acontecer? Nós temos sido pedra também nos sapatos de muitos que estão convivendo conosco. E não atinamos para isto.

No plano espiritual, a linha de aglutinação e de união dos seres se dá em termos de afinidade.

Isso mesmo, muito mais afinidade do que sintonia.

Agora, quando se trata da imersão na vida física a história muda. Quer dizer, passa a vigorar uma proposta de acentuada heterogeneidade. Em outras palavras, aqui embaixo, no plano físico, o campo de realização se dá em meio à chamada lei dos contrários. É a heterogeneidade que mantém o processo experimental. Ela é uma constante no universo e nós temos dificuldade nessa convivência.

Temos dificuldade em conviver com as diferenças. 

Então, repare bem, a consanguinidade define para nós uma linha de relação passada direta. Sabe aquelas situações em que se fosse uma pessoa estranha e, se pudesse, a gente não fazia, mandava às favas e coisa e tal? No entanto, como é nosso irmão, nosso filho, nossa mãe, nosso pai, a gente faz? Deu uma ideia? A família tem dessas coisas. Somos obrigados a administrar até mesmo por se tratar de uma realidade que nós não podemos refutar, que não podemos fugir.

E nós custamos a entender isso. Custamos a descobrir isso. Levamos muito tempo para descobrir isso.

Falta uma capacidade de auto-análise. Falta, inclusive, um pouco de humildade da nossa parte.

De maneira que nós temos que ter essa ótica com paciência. Da mesma forma que eu tenho lances negativos nas minhas atitudes e na minha personalidade, e que os outros me olham com generosidade e paciência porque sabem que eu vou demorar a mudar nesses aspectos, eu tenho que ter paciência com as outras pessoas também no que reporta às dificuldade delas. Isso não é um sistema barato de psicologia, é método científico de vida que o evangelho nos ensina a utilizar se quisermos ser feliz.

Por que estamos estudando o evangelho? Por que falamos em caridade, em amor, em reforma íntima? Por que falamos no bem? Por que falamos no entendimento, no perdão? Para modificar o nosso íntimo para melhor, para nos tornarmos pessoas melhores a cada dia. 

E se estamos buscando melhorar o nosso íntimo para a bondade, se estamos buscando essa melhoria é porque analisamos a nossa forma de agir e de reagir e identificamos que em nosso íntimo existem componentes e vários que no nosso campo aferidor atual sentimos que precisam ser alterados, modificados, porque não estão sendo bons para nós, não tem sido os melhores para a nossa vida. Percebeu? Isso tem que ser entendido porque estamos falando de coisa muito profunda.

E quando sentimos que eles não são os melhores para nós é porque não fizemos essa descoberta do nada, à toa. Quem nos fez descobrir isso? Geralmente são os outros. Está acompanhando? Fizemos essa identificação porque inúmeras outras pessoas observaram esses pontos negativos em nós. E descobrimos, muitas vezes, não porque elas nos falaram. Porque geralmente elas não falam. Sabe como descobrimos? Observamos as atitudes modificadas delas no trato com a nossa pessoa. Ficou claro?

Com humildade e conhecimento nos tornamos pessoas mais observadoras e selecionamos melhor.

O papel do seguidor do evangelho não é colocar a bíblia debaixo do braço e sair para pregar, mas sim o de viver situações de apaziguamento. Nós estamos estudando o evangelho com todo o carinho porque estamos nos candidatando a lidar com as pessoas, ou não é isso que estamos fazendo? Estamos engajados nesse processo, alguns no campo profissional, outros no âmbito familiar, outros no terreno social. Mas na essência nós estamos aprendendo a lidar.

Você pode viver só. É um direito que você tem. No entanto, se você cultivar a solidão, por um capricho, você está a caminho do desajuste. E tem muitas criaturas que vivem assim. Descobrem situações novas, perseguem padrões novos, todavia não sabem ainda manter um mecanismo de convivência. Elas querem se isolar.

E a verdade é que não é fácil, às vezes, operar em nome do amor. É fácil? Seja sincero. Não é.

Para crescermos de forma efetiva nós temos um campo imenso que se abre para podermos operar, fazer e auxiliar e compete a cada um de nós saber viver vencendo os desafios que nos chegam. Saber viver com sabedoria junto de todos, sejam de parentes difíceis, de chefes exigentes ou de quaisquer outros com quem nos defrontamos no cotidiano. No mundo heterogêneo em que vivemos temos que agir com prudência. Manter uma capacidade sabe de que natureza? Administrativa.

Temos que ter um discernimento: saber o que a gente deve valorizar e o que deve administrar.

Nós selecionamos as companhias. E está errado? Não. Não está. Mas um fator interessante e uma lição fundamental é aprendermos a administrar a deficiência dos nossos semelhantes. 

Entendeu essa parte? Aprender administrar, sem dar ênfase. Às vezes, sem comentar as dificuldades deles, até mesmo com as pessoas mais queridas à nossa volta. É comum comentários do tipo: "Você viu fulana? Nossa, como é presunçosa." Podemos dar uma dica? Corta isso. Corta esse tipo de coisa. Você pode ter sido feliz se descobriu a presunção naquela criatura e silenciou. Sua capacidade de identificar a presunção define instrumento de efetiva cooperação. E mais, também demonstra que a sua instrumentalidade observadora está ótima, está nos trinques.

Não estamos aqui para criar receitas de relacionamento, mas buscando apropriar componentes positivos de referência capazes de nos auxiliar nesse ponto. Vamos colocar tudo no seu devido dimensionamento, saber dimensionar cada coisa, pois se fosse fácil o mecanismo da vida e da convivência não estaríamos aqui.

Hoje nós somos continuamente desafiados pela convivência.

E dispomos de possibilidades amplas de nos sairmos bem. Já temos muitos padrões introjetados em nosso psiquismo, uma verdadeira cartilha viva de ensinamentos. Agora, é no plano de relação ou linha de interrelação que vamos conseguir fazer a luz brilhar. A convivência tem uma série de valores que emergem dela educando a nossa capacidade de equilíbrio, entrosamento e relação.

A alegria de sabermos entender os outros com as suas lutas, com as suas deficiências, com as suas fragilidades e, porque não, apropriando sempre os potenciais que cada um tem sabido trazer no momento adequado, é algo fundamental. Dentro do processo normal de relação na vida vai havendo os choques, as linhas de contato, no entanto vamos entender que é por aí, por essas relações que vamos sulcando a nossa alma e formando uma nova personalidade.

É comum a gente querer resolver o caso do outro sabe de que forma? Tocando o nosso dedo na ferida dela. Não é assim? E sem anestesia. E o que acontece? Ela foge da gente que nem o diabo foge da cruz. E dessa forma nós vamos criando um encastelamento junto das pessoas com quem vivemos. E recebemos o quê? Recebemos vibrações não muito boas dessa pessoa, vibrações de entidades ligadas a essa pessoa, que vem em cima da gente e nós não aguentamos.

É preciso usarmos o discernimento e a inteligência. 

Se não tivermos uma abertura nesse particular nós vamos ficar sempre debaixo do jugo da aflição, debaixo do jugo da contrariedade, do juto da inconformação e das dificuldades. 

Somente vivendo certas experiências com mais aprofundamento é que passamos a nos entender melhor. 

Passe a agir de forma diferente, experimente nova postura e ficará surpreso com os resultados. Antes evidenciar a presunção do semelhante, experimente fazer um diagnóstico profundo e descobrir os focos de luz presentes nessa individualidade. Pontos positivos nela.

É muito bom sentir que quando acaba aquela reunião espiritual de estudo do evangelho da qual a gente participou, ou quando nós encerramos um capítulo de um livro que a gente está lendo e gostando nós concluímos que aprendemos alguma coisa. Não é bom? Dá uma sensação gostosa. É algo realmente fantástico e motivador. Nós sentimos uma coisa boa, certo preenchimento íntimo.

No entanto, não adianta nada eu estudar, aprender, ficar bem informado, querer ter uma vida excelente se eu não estiver preparado e educado para um processo mais agradável de convivência. Percebeu? Nós estamos investindo no evangelho, entre outras coisas, para poder melhorar o nosso campo de relação.

Sabe aquelas pessoas que tem muitos amigos? Muitos amigos verdadeiros? O Chico Xavier é um exemplo e referência bonita nesse aspecto. Sabe por que ele teve muitos amigos? Porque ele sempre soube evidenciar os corações junto dele.

Evidenciava que ângulo? O ângulo positivo que ele via nas pessoas. Os olhos dele enxergavam o lado positivo das pessoas. Ele via o positivo. E venhamos e convenhamos, a melhor coisa que tem para nós é quando alguém vê o nosso positivo e fala assim: Você tem potencial, tem condições, investe no que você quer que vai dar certo! Concorda? Não há quem não se sensibilize com isto. A gente sente confiança, investe e com o decorrer do tempo conquista aquelas posições.

Resumindo: vamos vez por outra nos colocar no lugar dos outros. 

Se gostamos de ser valorizados as outras pessoas também gostam. Cada pessoa gosta e precisa disso. Vamos ter mais atenção no trato com os nossos semelhantes, vamos tirar de cada indivíduo o componente positivo que ele pode nos oferecer.

Todas as criaturas tem elementos de alta expressão que podem estar irradiando coisas boas e nós, de algum modo, estamos nos relacionando com elas. Ninguém vive o evangelho desfazendo de quem quer que seja. Ninguém. Muito pelo contrário. Vamos pensar nisso. Vamos pensar, mas não de uma forma superficial, apressada, aleatória, indiferente. Vamos pensar com carinho. Afinal de contas, o pensamento é o primeiro passo para a realização de uma ação em novo ângulo.

1 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 4

INTERDEPENDÊNCIA E HETEROGENEIDADE

A heterogeneidade é um componente que não pode estar ausente no processo evolutivo. É nela que vigoram os patamares em que cada qual pode e deve atuar no campo do seu crescimento.

Repare bem, tem pessoas que se isolam. Podem até ficar cercadas de muita gente, mas não cultivam amigos. Não entendem que a heterogeneidade é que garante o terreno operacional para todos indistintamente nas mais variadas expressões.

Então, o escalonamento no campo heterogêneo do mundo é necessário ainda. Imaginemos se todo o universo fosse perfeito. Imaginou? O que aconteceria? Simplesmente haveria uma coagulação no universo. O universo pararia, não evoluiria, ele seria estático.

Outro ponto interessante é que cada individualidade possui sua carga de conceitos, de concepções, de experiências, de entendimento e de ótica de vida. Vamos notar uma coisa para ser ponderada e refletida. Na hora em que se penetra com mais aprofundamento em certas questões no âmbito das relações, aparecem o quê? Aparecem diferenças da maior expressão. Não acontece?

Os lares, o ambiente social, o campo em que nós estamos operando, tudo isto não representa uma espécie de campo minado? Ou isso não tem acontecido? Os planos de interdependência propiciam essas coisas. É campo de choque em que nós vamos recebendo um sorriso agradável daqui e uma cara feia de lá. Concorda? Alguém apresenta uma ótica em determinado terreno totalmente diversa da ótica de um outro indivíduo, e daí por diante. Uma ótica que nunca passou pela cabeça daquele outro, porque ele tinha um outro ângulo de percepção.

Em suma, a interdependência define o ponto ativador dos padrões que não se expressaram ainda. Ela faz emergir muitas coisas das relações que ela propicia.

E uma coisa é fato, sem heterogeneidade não existe progresso espiritual. É no plano de contato que nós vamos criando o piso para a concretização.

Imagine se nós encarnássemos em uma espécie de fortaleza, em um ambiente totalmente livres das influências. Dá para imaginar? Se nós vivêssemos em ambientes totalmente livres das influências não teríamos condição de progresso.

Se houvesse uma unicidade vigorante em nosso plano de ação nós não teríamos como avançar, porque o avanço de cada um de nós no contexto da vida é decorrente desse plano diversificado. É na diversidade que se encontra a unidade. É na combinação de sons divergentes que resultam as melodias sublimes. A diversificação nos planos evolucionais é que define a razão do laboratório fantástico chamado família. Observe que se em nossa casa todos os integrantes pensassem de maneira igual a relação seria uma perda de tempo. Para não dizer que poderia ocorrer a desagregação. E a gente custa a entender isso.

Os pais são um bom exemplo disso. Vez por outra ficam apavorados porque seus filhos não pensam exatamente como eles gostariam que pensassem. E nas várias atividades que todos nós elegemos e participamos a questão não é diferente. Nelas comumente aparecem vários fatores discordantes, todavia o interessante é que nas coletividades vigoram caracteres fortes, vigorosos, que mantém a unidade do grupo. Predominam fatores conjugados que constituem a razão da vinculação dos indivíduos a esses núcleos. Por exemplo, em um grupo de estudo vigora o quê? O desejo de crescer, a vontade de aprender, entre outros. E nos grupos sociais as diferenças vão sendo apuradas na medida em que vai ocorrendo a aproximação dos elementos no campo da análise e do aprofundamento.

Tem muita gente nas mais diversas áreas da vida tomando decisões pessoais e doa a quem doer. Ou seja, o indivíduo faz o que quer, faz só o que acha que deve fazer. Só vê o seu benefício, e ponto final. Toma atitudes que podem, a princípio, dentro de uma visão imediatista, resolver o problema dele, mas não avalia outros ângulos e a consequência. Toma atitudes que podem, no futuro, até resultar sabe em quê? Em resultados menos felizes. Para depois, lá na frente, ele ter que voltar àquele ponto e atender alguma outra área. Porque, às vezes, ele nem agiu com falta de caridade, mas deixou de dar o atendimento naquilo que era competência dele realizar com uma outra pessoa, por exemplo. Percebeu? Então, nós não podemos esquecer a nossa responsabilidade em relação aos outros.

Na medida em que os corações se aproximam uns dos outros naquele relacionamento com respeito, naquela permuta positiva ao nível de afeto, passamos a observar que começa a se expressar em nosso campo de ação novas vibrações e novos momentos. Nós saímos do casulo do amor egoístico e começamos a entrar na gama mais ampliada do amor a nível universal. Todos nós, espíritos encarnados ou desencarnados, estamos conjugados a centenas de outros elementos em um fluxo normal. Daí, precisamos entender que em toda cooperação verdadeira o personalismo não pode existir.

Constantemente, temos essa linha de relação e somatória para ampliar o processo e quem coopera cede sempre algo de si, dando o testemunho de sua abnegação.

Sem isso, a fraternidade não se manifestaria no mundo em que vivemos de forma alguma. Quem conhece a história do apóstolo Paulo, por exemplo, sabe que ele foi componente fundamental na irradiação dos padrões do evangelho, todavia, o trabalho não foi elaborado unicamente por ele. Se ele não tivesse tido o auxílio de companheiros abnegados como o do casal Áquila e Prisca, com quem ele conviveu no deserto, como seria? E se não tivesse tido o amparo de Ananias? Não é isso? E se não fosse a amizade e a lutas vividas com Barnabé? E se não tivesse o Gamaliel? Se não houvesse Abgail, se não tivesse o Estevão? Está percebendo? Sabe por que estamos dizendo isto? Porque tantas vezes, na elaboração de algum projeto ou tarefa, alguém acha que pode fazer sozinho. Que nada. Não dá.

Para alcançarmos a vida abundante que objetivamos, e que o evangelho nos ensina a conquistar, vai depender não apenas da nossa capacidade de saber viver, mas, sobretudo, de conviver. E para nos sairmos bem nessa linha de relação com os outros, de maneira positiva e sem complicação, só tem uma forma: temos que ser humildes.

Para início de conversa, nós temos que aprender a conviver com as criaturas e com as suas dificuldades. Repare que cada individualidade que esteve de alguma forma com Jesus tinha um ponto fraco. O Zaqueu tinha a sua dificuldade, havia a dureza do coração de Levi, Simão Pedro aprontou, Tomé era difícil, e daí por diante. No entanto, o que o Cristo fez? Amparou a todos. Percebeu? Porque se for eliminar cada um por causa da sua dificuldade, cadê o povo? Some. E as nossas dificuldades? Nós também temos. E muitas. Então, temos que saber valorizar cada um. É muito bom saber valorizar as pessoas, sejam elas quais forem. Podemos ter em um grupo alguém que conhece profundamente de história, por exemplo. Outro não conhece história, mas conhece algum ponto de geografia. Notou? Um está precisando caminhar por uma área, ao passo que outro em outra área. Isso é heterogeneidade. Ela auxilia o grupo.

Eu não posso evoluir achando que sou o maior! Não tem como. Eu posso ser o mais bem informado em um terreno, mas em outro não. A interdependência e a cooperação funcionam na extensão de todo universo. Não tem como alguém evoluir esquecido dos outros.

Qualquer pessoa que aprende alguma coisa se vale de outros que já passaram antes dela. Guarde isso. E mais, ela não consegue seguir além se não houver o interesse de outras, ainda que mínimo.

As pessoas que nos cercam podem se dividir didaticamente na faixa que estamos tentando trabalhar em dois aspectos: elas podem ser as criaturas que nos tocam, que nos atingem no plano aferidor da conquista delas, ou podem ser aquelas que se abrem oferecendo campo à nossa capacidade de cooperação legítima. Deu para acompanhar? De um lado, estão as que estão acima canalizando valores para nós e de outro as que estão abaixo esperando a nossa cooperação.

De algumas criaturas nós podemos obter valiosos apontamentos e com outras nós podemos ser até pontos de auxílio e segurança para elas. Precisamos entender isso.

E mais que entender, sentir essa verdade no coração. À medida em que se abrem as nossas linhas perceptivas, também precisamos aprender a buscar componentes que facilitem a decodificação dos nossos valores conquistados no intuito de que o nosso pensamento possa abranger camadas outras que não estão no mesmo nível de realização que nós. Ficou claro essa parte? Que podem estar no mesmo nível de interesses, mas não no nível de realização que já estamos.

E nós temos que confiar nas pessoas para evoluir.

Confiar em todas, porque senão não conseguimos progredir. Porém, confiar em todas sabendo identificar o limite da confiança, óbvio. Sabendo das confusões e dos problemas que uma criatura pode criar se dermos muito campo a ela, por exemplo, nós temos que saber dosar essa confiança. Em outras palavras, nós temos que confiar em todo mundo desconfiando de todo mundo. Confiar não numa desconfiança contrária ao evangelho, mas num plano de atenção, de cautela evolucional.

Perfeito? Necessitamos saber os limites da confiança que devemos dispensar a cada criatura. E um fator fundamental para isso é a experiência. A experiência adquirida nos ensina a avaliar o grau de confiança que nós devemos conceder.

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