1 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 4

INTERDEPENDÊNCIA E HETEROGENEIDADE

A heterogeneidade é um componente que não pode estar ausente no processo evolutivo. É nela que vigoram os patamares em que cada qual pode e deve atuar no campo do seu crescimento.

Repare bem, tem pessoas que se isolam. Podem até ficar cercadas de muita gente, mas não cultivam amigos. Não entendem que a heterogeneidade é que garante o terreno operacional para todos indistintamente nas mais variadas expressões.

Então, o escalonamento no campo heterogêneo do mundo é necessário ainda. Imaginemos se todo o universo fosse perfeito. Imaginou? O que aconteceria? Simplesmente haveria uma coagulação no universo. O universo pararia, não evoluiria, ele seria estático.

Outro ponto interessante é que cada individualidade possui sua carga de conceitos, de concepções, de experiências, de entendimento e de ótica de vida. Vamos notar uma coisa para ser ponderada e refletida. Na hora em que se penetra com mais aprofundamento em certas questões no âmbito das relações, aparecem o quê? Aparecem diferenças da maior expressão. Não acontece?

Os lares, o ambiente social, o campo em que nós estamos operando, tudo isto não representa uma espécie de campo minado? Ou isso não tem acontecido? Os planos de interdependência propiciam essas coisas. É campo de choque em que nós vamos recebendo um sorriso agradável daqui e uma cara feia de lá. Concorda? Alguém apresenta uma ótica em determinado terreno totalmente diversa da ótica de um outro indivíduo, e daí por diante. Uma ótica que nunca passou pela cabeça daquele outro, porque ele tinha um outro ângulo de percepção.

Em suma, a interdependência define o ponto ativador dos padrões que não se expressaram ainda. Ela faz emergir muitas coisas das relações que ela propicia.

E uma coisa é fato, sem heterogeneidade não existe progresso espiritual. É no plano de contato que nós vamos criando o piso para a concretização.

Imagine se nós encarnássemos em uma espécie de fortaleza, em um ambiente totalmente livres das influências. Dá para imaginar? Se nós vivêssemos em ambientes totalmente livres das influências não teríamos condição de progresso.

Se houvesse uma unicidade vigorante em nosso plano de ação nós não teríamos como avançar, porque o avanço de cada um de nós no contexto da vida é decorrente desse plano diversificado. É na diversidade que se encontra a unidade. É na combinação de sons divergentes que resultam as melodias sublimes. A diversificação nos planos evolucionais é que define a razão do laboratório fantástico chamado família. Observe que se em nossa casa todos os integrantes pensassem de maneira igual a relação seria uma perda de tempo. Para não dizer que poderia ocorrer a desagregação. E a gente custa a entender isso.

Os pais são um bom exemplo disso. Vez por outra ficam apavorados porque seus filhos não pensam exatamente como eles gostariam que pensassem. E nas várias atividades que todos nós elegemos e participamos a questão não é diferente. Nelas comumente aparecem vários fatores discordantes, todavia o interessante é que nas coletividades vigoram caracteres fortes, vigorosos, que mantém a unidade do grupo. Predominam fatores conjugados que constituem a razão da vinculação dos indivíduos a esses núcleos. Por exemplo, em um grupo de estudo vigora o quê? O desejo de crescer, a vontade de aprender, entre outros. E nos grupos sociais as diferenças vão sendo apuradas na medida em que vai ocorrendo a aproximação dos elementos no campo da análise e do aprofundamento.

Tem muita gente nas mais diversas áreas da vida tomando decisões pessoais e doa a quem doer. Ou seja, o indivíduo faz o que quer, faz só o que acha que deve fazer. Só vê o seu benefício, e ponto final. Toma atitudes que podem, a princípio, dentro de uma visão imediatista, resolver o problema dele, mas não avalia outros ângulos e a consequência. Toma atitudes que podem, no futuro, até resultar sabe em quê? Em resultados menos felizes. Para depois, lá na frente, ele ter que voltar àquele ponto e atender alguma outra área. Porque, às vezes, ele nem agiu com falta de caridade, mas deixou de dar o atendimento naquilo que era competência dele realizar com uma outra pessoa, por exemplo. Percebeu? Então, nós não podemos esquecer a nossa responsabilidade em relação aos outros.

Na medida em que os corações se aproximam uns dos outros naquele relacionamento com respeito, naquela permuta positiva ao nível de afeto, passamos a observar que começa a se expressar em nosso campo de ação novas vibrações e novos momentos. Nós saímos do casulo do amor egoístico e começamos a entrar na gama mais ampliada do amor a nível universal. Todos nós, espíritos encarnados ou desencarnados, estamos conjugados a centenas de outros elementos em um fluxo normal. Daí, precisamos entender que em toda cooperação verdadeira o personalismo não pode existir.

Constantemente, temos essa linha de relação e somatória para ampliar o processo e quem coopera cede sempre algo de si, dando o testemunho de sua abnegação.

Sem isso, a fraternidade não se manifestaria no mundo em que vivemos de forma alguma. Quem conhece a história do apóstolo Paulo, por exemplo, sabe que ele foi componente fundamental na irradiação dos padrões do evangelho, todavia, o trabalho não foi elaborado unicamente por ele. Se ele não tivesse tido o auxílio de companheiros abnegados como o do casal Áquila e Prisca, com quem ele conviveu no deserto, como seria? E se não tivesse tido o amparo de Ananias? Não é isso? E se não fosse a amizade e a lutas vividas com Barnabé? E se não tivesse o Gamaliel? Se não houvesse Abgail, se não tivesse o Estevão? Está percebendo? Sabe por que estamos dizendo isto? Porque tantas vezes, na elaboração de algum projeto ou tarefa, alguém acha que pode fazer sozinho. Que nada. Não dá.

Para alcançarmos a vida abundante que objetivamos, e que o evangelho nos ensina a conquistar, vai depender não apenas da nossa capacidade de saber viver, mas, sobretudo, de conviver. E para nos sairmos bem nessa linha de relação com os outros, de maneira positiva e sem complicação, só tem uma forma: temos que ser humildes.

Para início de conversa, nós temos que aprender a conviver com as criaturas e com as suas dificuldades. Repare que cada individualidade que esteve de alguma forma com Jesus tinha um ponto fraco. O Zaqueu tinha a sua dificuldade, havia a dureza do coração de Levi, Simão Pedro aprontou, Tomé era difícil, e daí por diante. No entanto, o que o Cristo fez? Amparou a todos. Percebeu? Porque se for eliminar cada um por causa da sua dificuldade, cadê o povo? Some. E as nossas dificuldades? Nós também temos. E muitas. Então, temos que saber valorizar cada um. É muito bom saber valorizar as pessoas, sejam elas quais forem. Podemos ter em um grupo alguém que conhece profundamente de história, por exemplo. Outro não conhece história, mas conhece algum ponto de geografia. Notou? Um está precisando caminhar por uma área, ao passo que outro em outra área. Isso é heterogeneidade. Ela auxilia o grupo.

Eu não posso evoluir achando que sou o maior! Não tem como. Eu posso ser o mais bem informado em um terreno, mas em outro não. A interdependência e a cooperação funcionam na extensão de todo universo. Não tem como alguém evoluir esquecido dos outros.

Qualquer pessoa que aprende alguma coisa se vale de outros que já passaram antes dela. Guarde isso. E mais, ela não consegue seguir além se não houver o interesse de outras, ainda que mínimo.

As pessoas que nos cercam podem se dividir didaticamente na faixa que estamos tentando trabalhar em dois aspectos: elas podem ser as criaturas que nos tocam, que nos atingem no plano aferidor da conquista delas, ou podem ser aquelas que se abrem oferecendo campo à nossa capacidade de cooperação legítima. Deu para acompanhar? De um lado, estão as que estão acima canalizando valores para nós e de outro as que estão abaixo esperando a nossa cooperação.

De algumas criaturas nós podemos obter valiosos apontamentos e com outras nós podemos ser até pontos de auxílio e segurança para elas. Precisamos entender isso.

E mais que entender, sentir essa verdade no coração. À medida em que se abrem as nossas linhas perceptivas, também precisamos aprender a buscar componentes que facilitem a decodificação dos nossos valores conquistados no intuito de que o nosso pensamento possa abranger camadas outras que não estão no mesmo nível de realização que nós. Ficou claro essa parte? Que podem estar no mesmo nível de interesses, mas não no nível de realização que já estamos.

E nós temos que confiar nas pessoas para evoluir.

Confiar em todas, porque senão não conseguimos progredir. Porém, confiar em todas sabendo identificar o limite da confiança, óbvio. Sabendo das confusões e dos problemas que uma criatura pode criar se dermos muito campo a ela, por exemplo, nós temos que saber dosar essa confiança. Em outras palavras, nós temos que confiar em todo mundo desconfiando de todo mundo. Confiar não numa desconfiança contrária ao evangelho, mas num plano de atenção, de cautela evolucional.

Perfeito? Necessitamos saber os limites da confiança que devemos dispensar a cada criatura. E um fator fundamental para isso é a experiência. A experiência adquirida nos ensina a avaliar o grau de confiança que nós devemos conceder.

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