8 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 5

A CONVIVÊNCIA

Não adianta alguém querer armar ou organizar mecanismos de felicidade fora dos outros. 

Isso é uma tremenda ilusão. Não funciona. Não adianta querer se alienar e criar um reduto particular. A nossa felicidade está em linha direta de interação com o nosso círculo de relacionamento. Esse é o grande segredo da vida e que a gente, aliás, está custando a entender. Está custando a entrar na nossa cabeça.

O gostoso da vida é isso, o homem ser um elemento social. Vai ser muito difícil ser feliz sozinho. Nós podemos, sem exagero algum, até ser mais objetivo: Não há como ser feliz sozinho.

Agora, quando nós ficamos muito exigentes, achando que somos bons demais, e começamos a espinhar as pessoas, a espetar as pessoas mais próximas de nós, começamos a entrar em um ponto que chamamos isolamento. E esse isolamento não é porque estamos machucando as pessoas não, viramos delinquentes não. Entramos num isolamento em razão da nossa inabilidade em conviver com os outros. Deu uma ideia? E isso cria um desconforto para a nossa vida íntima.

Quer dizer, o grande problema do isolamento hoje surge em razão da nossa deficiência de conviver. Nós entramos no sistema de querer que todo mundo faça aquilo que os nossos conceitos revelam para nós. Com isso, nos tornamos pessoas chatas, intransigentes, difíceis e que as outras pessoas não querem ficar perto.

O evangelho nos propõe o quê? A caridade. E se ele propõe caridade, sai do plano da vivência para entrar no plano da convivência. Logo, precisamos saber conviver o melhor possível com todos, embora grande parte dos que compõe o nosso círculo de relacionamento sejam verdadeiras pedras no sapato. Você concorda? Infelizmente, tem pessoas que ninguém consegue conviver perto delas, porque o oxigênio que elas oferecem é intoxicado, é carbono no campo negativo.

Não tem gente assim? É uma dureza conviver. 

Outras são acentuadamente inconformadas, acham que vieram ao mundo para receber da gente. 

Mas vamos ser sinceros? Cada qual só visualiza o negativo fora dele. É muito fácil se manter nesse sistema: "Ah, o papai é assim, meu irmão é assim, minha irmã faz isso." Quer dizer, ele é o único que salva, o único santo lá na casa. No entanto, vamos cortar essa de achar que nós somos os bonzinhos. Vamos deixar de ser pretensiosos, nós temos feito muita coisa que nem sempre tem sido adequada e tem muita gente na vida que também custa a nos aguentar. Nós achamos que os outros é que são as peças complicadas, mas às vezes o mais complicado é a gente mesmo. Não pode acontecer? Nós temos sido pedra também nos sapatos de muitos que estão convivendo conosco. E não atinamos para isto.

No plano espiritual, a linha de aglutinação e de união dos seres se dá em termos de afinidade.

Isso mesmo, muito mais afinidade do que sintonia.

Agora, quando se trata da imersão na vida física a história muda. Quer dizer, passa a vigorar uma proposta de acentuada heterogeneidade. Em outras palavras, aqui embaixo, no plano físico, o campo de realização se dá em meio à chamada lei dos contrários. É a heterogeneidade que mantém o processo experimental. Ela é uma constante no universo e nós temos dificuldade nessa convivência.

Temos dificuldade em conviver com as diferenças. 

Então, repare bem, a consanguinidade define para nós uma linha de relação passada direta. Sabe aquelas situações em que se fosse uma pessoa estranha e, se pudesse, a gente não fazia, mandava às favas e coisa e tal? No entanto, como é nosso irmão, nosso filho, nossa mãe, nosso pai, a gente faz? Deu uma ideia? A família tem dessas coisas. Somos obrigados a administrar até mesmo por se tratar de uma realidade que nós não podemos refutar, que não podemos fugir.

E nós custamos a entender isso. Custamos a descobrir isso. Levamos muito tempo para descobrir isso.

Falta uma capacidade de auto-análise. Falta, inclusive, um pouco de humildade da nossa parte.

De maneira que nós temos que ter essa ótica com paciência. Da mesma forma que eu tenho lances negativos nas minhas atitudes e na minha personalidade, e que os outros me olham com generosidade e paciência porque sabem que eu vou demorar a mudar nesses aspectos, eu tenho que ter paciência com as outras pessoas também no que reporta às dificuldade delas. Isso não é um sistema barato de psicologia, é método científico de vida que o evangelho nos ensina a utilizar se quisermos ser feliz.

Por que estamos estudando o evangelho? Por que falamos em caridade, em amor, em reforma íntima? Por que falamos no bem? Por que falamos no entendimento, no perdão? Para modificar o nosso íntimo para melhor, para nos tornarmos pessoas melhores a cada dia. 

E se estamos buscando melhorar o nosso íntimo para a bondade, se estamos buscando essa melhoria é porque analisamos a nossa forma de agir e de reagir e identificamos que em nosso íntimo existem componentes e vários que no nosso campo aferidor atual sentimos que precisam ser alterados, modificados, porque não estão sendo bons para nós, não tem sido os melhores para a nossa vida. Percebeu? Isso tem que ser entendido porque estamos falando de coisa muito profunda.

E quando sentimos que eles não são os melhores para nós é porque não fizemos essa descoberta do nada, à toa. Quem nos fez descobrir isso? Geralmente são os outros. Está acompanhando? Fizemos essa identificação porque inúmeras outras pessoas observaram esses pontos negativos em nós. E descobrimos, muitas vezes, não porque elas nos falaram. Porque geralmente elas não falam. Sabe como descobrimos? Observamos as atitudes modificadas delas no trato com a nossa pessoa. Ficou claro?

Com humildade e conhecimento nos tornamos pessoas mais observadoras e selecionamos melhor.

O papel do seguidor do evangelho não é colocar a bíblia debaixo do braço e sair para pregar, mas sim o de viver situações de apaziguamento. Nós estamos estudando o evangelho com todo o carinho porque estamos nos candidatando a lidar com as pessoas, ou não é isso que estamos fazendo? Estamos engajados nesse processo, alguns no campo profissional, outros no âmbito familiar, outros no terreno social. Mas na essência nós estamos aprendendo a lidar.

Você pode viver só. É um direito que você tem. No entanto, se você cultivar a solidão, por um capricho, você está a caminho do desajuste. E tem muitas criaturas que vivem assim. Descobrem situações novas, perseguem padrões novos, todavia não sabem ainda manter um mecanismo de convivência. Elas querem se isolar.

E a verdade é que não é fácil, às vezes, operar em nome do amor. É fácil? Seja sincero. Não é.

Para crescermos de forma efetiva nós temos um campo imenso que se abre para podermos operar, fazer e auxiliar e compete a cada um de nós saber viver vencendo os desafios que nos chegam. Saber viver com sabedoria junto de todos, sejam de parentes difíceis, de chefes exigentes ou de quaisquer outros com quem nos defrontamos no cotidiano. No mundo heterogêneo em que vivemos temos que agir com prudência. Manter uma capacidade sabe de que natureza? Administrativa.

Temos que ter um discernimento: saber o que a gente deve valorizar e o que deve administrar.

Nós selecionamos as companhias. E está errado? Não. Não está. Mas um fator interessante e uma lição fundamental é aprendermos a administrar a deficiência dos nossos semelhantes. 

Entendeu essa parte? Aprender administrar, sem dar ênfase. Às vezes, sem comentar as dificuldades deles, até mesmo com as pessoas mais queridas à nossa volta. É comum comentários do tipo: "Você viu fulana? Nossa, como é presunçosa." Podemos dar uma dica? Corta isso. Corta esse tipo de coisa. Você pode ter sido feliz se descobriu a presunção naquela criatura e silenciou. Sua capacidade de identificar a presunção define instrumento de efetiva cooperação. E mais, também demonstra que a sua instrumentalidade observadora está ótima, está nos trinques.

Não estamos aqui para criar receitas de relacionamento, mas buscando apropriar componentes positivos de referência capazes de nos auxiliar nesse ponto. Vamos colocar tudo no seu devido dimensionamento, saber dimensionar cada coisa, pois se fosse fácil o mecanismo da vida e da convivência não estaríamos aqui.

Hoje nós somos continuamente desafiados pela convivência.

E dispomos de possibilidades amplas de nos sairmos bem. Já temos muitos padrões introjetados em nosso psiquismo, uma verdadeira cartilha viva de ensinamentos. Agora, é no plano de relação ou linha de interrelação que vamos conseguir fazer a luz brilhar. A convivência tem uma série de valores que emergem dela educando a nossa capacidade de equilíbrio, entrosamento e relação.

A alegria de sabermos entender os outros com as suas lutas, com as suas deficiências, com as suas fragilidades e, porque não, apropriando sempre os potenciais que cada um tem sabido trazer no momento adequado, é algo fundamental. Dentro do processo normal de relação na vida vai havendo os choques, as linhas de contato, no entanto vamos entender que é por aí, por essas relações que vamos sulcando a nossa alma e formando uma nova personalidade.

É comum a gente querer resolver o caso do outro sabe de que forma? Tocando o nosso dedo na ferida dela. Não é assim? E sem anestesia. E o que acontece? Ela foge da gente que nem o diabo foge da cruz. E dessa forma nós vamos criando um encastelamento junto das pessoas com quem vivemos. E recebemos o quê? Recebemos vibrações não muito boas dessa pessoa, vibrações de entidades ligadas a essa pessoa, que vem em cima da gente e nós não aguentamos.

É preciso usarmos o discernimento e a inteligência. 

Se não tivermos uma abertura nesse particular nós vamos ficar sempre debaixo do jugo da aflição, debaixo do jugo da contrariedade, do juto da inconformação e das dificuldades. 

Somente vivendo certas experiências com mais aprofundamento é que passamos a nos entender melhor. 

Passe a agir de forma diferente, experimente nova postura e ficará surpreso com os resultados. Antes evidenciar a presunção do semelhante, experimente fazer um diagnóstico profundo e descobrir os focos de luz presentes nessa individualidade. Pontos positivos nela.

É muito bom sentir que quando acaba aquela reunião espiritual de estudo do evangelho da qual a gente participou, ou quando nós encerramos um capítulo de um livro que a gente está lendo e gostando nós concluímos que aprendemos alguma coisa. Não é bom? Dá uma sensação gostosa. É algo realmente fantástico e motivador. Nós sentimos uma coisa boa, certo preenchimento íntimo.

No entanto, não adianta nada eu estudar, aprender, ficar bem informado, querer ter uma vida excelente se eu não estiver preparado e educado para um processo mais agradável de convivência. Percebeu? Nós estamos investindo no evangelho, entre outras coisas, para poder melhorar o nosso campo de relação.

Sabe aquelas pessoas que tem muitos amigos? Muitos amigos verdadeiros? O Chico Xavier é um exemplo e referência bonita nesse aspecto. Sabe por que ele teve muitos amigos? Porque ele sempre soube evidenciar os corações junto dele.

Evidenciava que ângulo? O ângulo positivo que ele via nas pessoas. Os olhos dele enxergavam o lado positivo das pessoas. Ele via o positivo. E venhamos e convenhamos, a melhor coisa que tem para nós é quando alguém vê o nosso positivo e fala assim: Você tem potencial, tem condições, investe no que você quer que vai dar certo! Concorda? Não há quem não se sensibilize com isto. A gente sente confiança, investe e com o decorrer do tempo conquista aquelas posições.

Resumindo: vamos vez por outra nos colocar no lugar dos outros. 

Se gostamos de ser valorizados as outras pessoas também gostam. Cada pessoa gosta e precisa disso. Vamos ter mais atenção no trato com os nossos semelhantes, vamos tirar de cada indivíduo o componente positivo que ele pode nos oferecer.

Todas as criaturas tem elementos de alta expressão que podem estar irradiando coisas boas e nós, de algum modo, estamos nos relacionando com elas. Ninguém vive o evangelho desfazendo de quem quer que seja. Ninguém. Muito pelo contrário. Vamos pensar nisso. Vamos pensar, mas não de uma forma superficial, apressada, aleatória, indiferente. Vamos pensar com carinho. Afinal de contas, o pensamento é o primeiro passo para a realização de uma ação em novo ângulo.

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