15 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 6

NÃO RESISTAIS I

No âmbito familiar, nossos inimigos, nem sempre manifestos de forma direta e ostensiva, vez por outra agem e reagem de modo a impedir, ainda que inconscientemente, que vivamos compreendidos e amados como nós realmente gostaríamos.

Os conflitos são inevitáveis e vez por outra acontecem.

Podemos estar ligados em uma nova proposta de crescimento interior, podemos estar lutando para silenciar os nossos gritos interiores talvez pouco felizes, mas estamos, muitas vezes, lidando de fora com aqueles elementos que foram os nossos companheiros ou nossos comparsas do ontem e que não mudaram ainda. Percebeu? Nós podemos ter mudado, mas eles ainda não mudaram.

E todas as vezes que nos defrontamos com esses casos mais emergentes, mais diretos da nossa linha de relação, costumamos cultivar uma soma grande de resistências motivadas por processos da retaguarda. E o que fazemos? Resistimos! Resistimos demais.

Reagimos à pancada recebida porque sentimos que é melhor doer no outro do que em nós mesmos.

Ficamos com a nossa intimidade emotiva à flor da pele e andamos como se estivéssemos no velho oeste. Um duelo se instaura por qualquer coisa. Quem é que saca o revólver mais rápido!?

Isso sem contar que entramos numa de querer consertar as coisas do nosso modo. 

E intrometemos em tudo. E emitimos dardos na voz. E haja agressividade, direta ou velada. Porque quando a nossa agressão não é direta, o método que usamos é o tradicional sistema de tirar casquinha nos outros. E fazemos isso sem piedade alguma.

E até sem palavras a gente agride. Emitimos dardos até no silêncio que, por sinal, é um sistema de comunicação em que a voz fala de maneira estrondosa. Porque o silêncio às vezes dói tanto quanto uma agressão física. E às vezes dói até mais.

E não admitimos estar errados. De maneira alguma. O outro erra, o erro está no outro. Nós não erramos.

E mais, começamos a encontrar argumentos e ver falhas lamentáveis na pessoa com a qual nos desentendemos. Não faltam argumentos que justificam a nossa conduta indevida, a nossa postura menos feliz: "Ele só quer abusar de mim, é um preguiçoso e coisa e tal. Ele só faz isso porque sabe que eu detesto." Muitas vezes não estamos errados na análise não. Às vezes a criatura só quer mesmo aproveitar da gente, no entanto a questão é que nós pinçamos um pontinho negativo no outro. E o nosso sentimento vai fazendo esse pontinho aumentar. Daí a pouco, se bobear não vemos somente um pontinho falho, vemos um quadro inteiro, um painel completo. E essa conduta pode gerar um sentimento duro de antipatia.

E o que a gente conclui? Que uma análise abrangente precisa ser feita.

E você acha que essa análise mais ampla deve partir de quem? Como os dois não estão estudando o evangelho, não estão interessados no evangelho, o que conhece tem sempre que buscar agir de forma diferente. Aliás, se a gente pensar bem, o que conhece tem a obrigação de agir de maneira diferente do que aquele que não conhece. Ficou claro? Isso é raciocínio puramente natural e lógico.

Quer dizer, tem que agir com inteligência e carinho.

Nós temos que avaliar esses ângulos com atenção. A teoria nos direciona o conhecimento e a vida nos oferece a oportunidade da prática. Em situações de controvérsia, se nós soubermos administrar com humildade e paciência, com base no conhecimento que estamos adquirindo, a dificuldade passa a ser reduzida, quando não desativada.

Além do que, não temos que nos preocupar com a atitude do outro. Percebeu? Não importa a ingratidão que venhamos a receber. O reconhecimento que devemos buscar nas relações, antes de qualquer coisa, é o da nossa própria consciência.

E preste atenção em uma coisa: se você conspurca o ambiente em que respira, infelizmente você não está nem querendo fazer o bem, não está querendo auxiliar, e nem está querendo viver de forma harmônica, não está querendo sobreviver com harmonia.

Você não está querendo cooperar com o seu próximo e também não está querendo manter o equilíbrio no ambiente em que se situa. Quer dizer, está igual a um barco sem navegador, sendo levado pelo sabor das circunstâncias, sem nenhuma atitude positiva. Não está sabendo conduzir-se adequadamente no ambiente difícil. Não está sabendo abrir o coração e caminhar as duas milhas ou largar a capa na oportunidade.

E porque estamos dizendo assim? Porque isso acontece demais. Tem muitas pessoas que são religiosas, todavia, vivem uma vida complicada. Uma vida que puxa vida. Haja paciência!

Então, nós temos que ter muito cuidado com as nossas atitudes. Ainda hoje ficamos muito tristes quando nosso comportamento não condiz com o grau de conhecimento alcançado. A gente fica chateado. Discutimos com os outros por causa de bobagem, e quem fica aborrecido somos nós. Quem perde a paz somos nós. E quando isso acontece nós sentimos que determinadas conquistas estão muito distantes do nosso campo aplicativo. E nos resta a opção de repetir o estudo, aprimorar o estudo, aprofundar o estudo e aguardar o momento da próxima oportunidade.

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