23 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 7

NÃO RESISTAIS II

O desafio está lançado. Para entrarmos em um estágio melhor de erguimento espiritual nós temos que criar condição de desarmar as nossas resistências e administrar com carinho cada momento da nossa vida. Temos que aprender a desarmar o coração, saber olhar todo o ambiente e entender o ambiente. Sem resistência.

A situação à nossa volta pode estar difícil, o ambiente difícil, as pessoas difíceis, mas nada ocorre por acaso. A situação tem a sua razão de ser. Tudo tem a sua razão de ser e uma finalidade, embora possamos não entender de princípio. Compete a nós saber aproveitar as circunstâncias que nos chegam com carinho.

Nós estamos tentando fazer luz, ou não é isso que estamos tentando fazer aqui?

Luz interior. Agora, a luz, qual é a finalidade dela? Dissipar as trevas. E o que a gente faz? A gente briga com a treva.

Então, veja bem, se diante de uma agressão recebida eu respondo com a minha reserva de intolerância, se eu solto os cachorros na outra pessoa, o que acontece? Eu estou dando um atestado: atesto para os devidos fins que, por enquanto, eu estou precisando melhorar esse ponto na minha intimidade. Percebeu? Eu estou precisando ter mais isso, mais aquilo ou mais aquilo outro. 

Se eu jogar de volta na cara da outra pessoa a ofensa recebida, aí eu mostrei que estou muito mais necessitado diante daquela situação do que ela própria que me deu a bofetada.

Está dando para entender? Pode ser aquele indivíduo intragável, aquele insuportável do outro lado do telefone, mas se ele me fizer soltar um palavrão do lado de cá do aparelho, ele, como um instrumento, conseguiu me mostrar que eu estou muito longe de ter a calma e a serenidade precisa. E nessa hora o que acontece? Reduz um bocado o meu alcance. Minha síntese e a oportunidade de viver de forma adequada o que eu aprendi foi por água abaixo. Porque eu estou aprendendo o valor novo, mais ainda agindo com o padrão velho, e vou ter que ficar mais um tempo na cultivação daquele valor. Então, vamos ter esse cuidado. Se resistimos acaba a nossa autoridade educativa.

A nossa autoridade de cooperação cai na hora em que nos emocionamos, porque entramos num plano de resistência.

E não resistir, muitas vezes, equivale a silenciar.

Até parece que fica difícil evoluir, mas é por aí que nós temos que seguir. Eu tenho aprendido isso comigo. Temos que buscar dentro do coração uma serenidade muito grande para engolir os fatos, metabolizar os fatos e manter, como dizem alguns, a elegância diante de certas agressões a que ficamos sujeitos vez por outra ao longo do cotidiano. Concorda? Tem pessoas que seguem criando dificuldades em tudo e nós voltamos a bater no ponto: temos que silenciar determinadas situações no plano de convivência.

Então, guarde isso: refreie a sua vontade de criticar ou de agredir, mesmo que se trate de uma agressão indireta. Muitas vezes, é bem mais importante uma lição silenciosa no tempo do que um verbalismo apressado na hora da ocorrência.

O que recebemos da outra pessoa é o que ela tem para oferecer. Você já pensou nisso? Ainda que seja uma colocação mal definida, uma palavra de agressão ou outra atitude menos feliz qualquer, o que ela emite representa o que ela tem a oferecer. 

E dentro dessa atitude, desse comportamento que define a emissão dela, abre-se uma válvula em seu psiquismo para que ela receba de retorno a expressão de auxílio que Jesus define no plano de interação: "Se alguém te agredir numa face, oferece-lhe a outra." Está dando para entender? Aproveite o momento em que ela te agrediu, porque nesse momento abriu a comporta dela para que seja lançado algo de natureza diferente. Quando uma onda longa de agressão sai de alguém a abertura nesse alguém se dá. A emissão se faz por essa abertura. Ela abre para emitir. E a luz de quem ama, que é uma onda sutil e curta, é capaz de chegar no compartimento íntimo desse agressor antes que ele feche a sua comporta. De modo a poder sensibilizá-lo.

Sabe de que maneira nós costumamos atingir os que estão próximos de nós? Resguardando o nosso interesse e jogando a confusão para fora. Fazemos isso com naturalidade. Agora, não adianta nós retermos conosco o manjar, a essência preciosa, e soltar confusão para os outros porque isso acaba deteriorando o que temos e criando situações ambientes que irão dificultar e embaraçar os nossos passos. Temos que usar a sabedoria combinada com o amor na atividade de cada dia.

Temos o dever de tratar os outros melhor do que os outros nos tratam. E sempre, não apenas de vez em quando!

Em algumas situações atravessamos períodos de dificuldades. Isso é normal e faz parte da vida, no entanto, mesmo nas circunstâncias difíceis urge endereçarmos aos outros à nossa volta o melhor ao nosso alcance. Temos que buscar dentro de nós, na intimidade da alma, o que temos de melhor e lançar. Afinal, o que sai da gente significa o quê? Semente. E semente tem que ser bem selecionada para que a gente possa colhê-la onde? Á frente. Ficou claro? Afinal, segundo as leis da vida vamos colher invariavelmente o que tivermos semeado.

E vamos entender uma coisa: temos que aplicar o que aprendemos no plano em que a gente vive, não no plano em que a gente idealiza viver. Entendeu isso ou precisa que repete?

Ficou claro? É dentro do contexto que estamos posicionados que podemos dar um colorido diferente às próprias cargas. E não basta apenas ficarmos posicionados na defesa como um time de futebol trancado no seu campo só preocupado em não tomar gol. Precisamos adotar uma atitude positiva. Para termos tranquilidade e segurança nós precisamos arregimentar valores informativos, saber dimensioná-los adequadamente e vivê-los no plano prático da vida.

Saber amortecer, temperar o que recebemos e devolver melhor do que veio. Devolver com sabedoria e amor. 

E fique tranquilo, no dia em que tivermos condições de recolher os impactos da vida, amortecendo-os e devolvendo o componente para a continuidade da vida em seu plano mais abrangente, poderemos ter a certeza de que estamos nos erguendo diante desses valores que marcam positivamente o nosso crescimento consciente.

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