8 de dez de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 15

O PODER DA DECISÃO

Os valores informativos nos chegam ao plano perceptivo de fora para dentro por assimilação, e esse conhecimento se dá de várias formas. Para isso, existe uma enormidade de instrumentos e não há dúvida.

Agora, o que comumente acontece é que nós ficamos postergando decisões e atitudes, jogando para a frente padrões que necessitamos implementar. Todavia, cedo ou tarde chega o momento da decisão.

Vamos pensar no seguinte: Zaqueu decidiu ver Jesus e não hesitou. O que ele fez? Quis ver e foi ver. O jovem rico também teve contato com Jesus, não teve? E qual foi a decisão dele? Quando Jesus lhe disse que vendesse suas coisas ele não fez. Sua decisão foi permanecer como estava. Nós estamos dizendo isso apenas para entender que temos desses momentos na vida. Momentos de decisão.

E a decisão, sem dúvida, é algo decisivo.

É algo que em muitas situações pode mudar todo o contexto da caminhada. Aliás, até dizemos mais: tudo na vida depende da decisão. O êxito consiste na capacidade de se realizar o que está proposto e tudo depende de uma postura de decisão nossa. Todos nós, sem exceção, vivemos esses momentos importantes.

A decisão representa o coroamento daquilo que já temos condições de realizar. Essa palavra define o ápice daquilo que podemos realizar, sintetiza o ponto de ousadia. E resulta, indubitavelmente, da determinação e da fé.

Dizem os amigos espirituais que na hora que esses momentos surgem, sabe o que acontece? Os guias espirituais, os anjos da guarda, os santos, saem tudo de perto. Ninguém de fora atua no momento da decisão. Nós investimos e assimilamos, todavia, no momento da aplicação do padrão assimilado os espíritos começam a sair de perto e nós vamos ter uma decisão sem qualquer interferência exterior.

Eu não sei se você já reparou, mas tem momentos na vida em que nós estamos com determinada coisa para resolver. Abre um livro de auto-ajuda, lê e fecha, abre o evangelho, fecha. Fica no abre e fecha. Nas leituras tem um punhado de valores para nos ajudar a decidir, mas decisão mesmo não tem. Não acontece? Parece que até o amigo espiritual mais próximo desapareceu da gente.

E nessa hora a gente costuma pensar: o que é que eu faço? É a hora da nossa decisão.

Então, vamos ter em conta que nos momentos difíceis, diante das dificuldades mais expressivas da nossa vida, nós costumamos ter a sensação de estarmos sozinhos e não há como ser diferente. Acontece assim com todos. Isso não é um privilégio de poucos. Nos momentos de culminância nos achamos só. Não pode ter ninguém por perto. Nem o guia espiritual. Por isso, lembre-se: mesmo ante a porta estreita, buscando conquistas eternas, iremos também só. E com outro detalhe interessante: durante uma prova o professor está presente, mas está em silêncio.

Isso que eu estou dizendo não é para nos deixar inquietos, mas tem momentos na vida que vamos precisar decidir sem a proteção ostensiva. É dessa forma que a coisa funciona.

Por quê? Por uma razão simples: a decisão é um momento sagrado do espírito. Ninguém pode interferir.

No momento da manifestação pessoal não tem empurrão, não tem cordinha para ajudar, não tem amparo. No plano do nosso crescimento espiritual os espíritos não empurram um centímetro sequer. É problema de nossa opção, a individualidade tem que ir pelos seus próprios passos. E isso não sou eu que estou dizendo, são eles, os espíritos superiores, que dizem. Em suma, no plano decisório espírito nenhum pode interferir, porque tem que ser uma eleição pessoal e intransferível.

E por quê eles não podem interferir? Porque na área das propostas e das escolhas a espontaneidade é componente básico. E se é espontaneidade, tem que haver o quê? Uma decisão livre de dentro para fora. Por isso, a ajuda espiritual nunca vai ter um caráter constrangedor. Está percebendo? A misericórdia divina, para se ter ideia, em hipótese alguma projeta seres ao nível do empurrão. A vida pode empurrar algumas vezes, e empurra; o criador, jamais.

Na hora da decisão o que vigora é a decisão pessoal. Nessa hora a responsabilidade é pessoal. Na hora da aplicação do valor assimilado a decisão é puramente nossa.

Vai ser uma postura totalmente efetuada com base na espontaneidade do ser. Espírito nenhum vai assumir. Está claro? Aquele é um momento de decisão pessoal e na decisão cada qual tem que escolher por si mesmo, sem qualquer interferência.

Tem que vigorar o legítimo plano da espontaneidade. E se alguma entidade espiritual ou qualquer um de nós interferir nessa escolha, o indivíduo que está vivendo esse momento de decidir pode ir no embalo das forças e influências exteriores e não ter o mérito que cabe a ele. Sem contar também que a interferência dos espíritos pode em certas ocasiões cercear a oportunidade do passo à frente.

No instante do testemunho estaremos sempre sozinhos com as nossas aquisições íntimas.

Por isso, não fique triste nem tampouco desanimado, mas vai ter momentos em que nós vamos decidir sem arrimo, sem proteção ostensiva. No entanto, esses momentos de solidão, esses momentos em que nos achamos só, são experiências imprescindíveis nas provas de afirmação para capacitação mais nítida em relação ao trabalho que vamos aceitar e que vai vir por aí. Deu uma ideia?

É um pouco difícil, para não dizer muito difícil, mas é por aí que se opera a mudança definitiva de vida do indivíduo. É essa decisão que possibilita mudar a rota do próprio destino.

Porque sempre iremos evoluir em função da nossa determinação pessoal. Esse é o momento em que a gente realmente é emancipado, em que a gente passa a andar com as próprias pernas. Essa prova de nos sentirmos sozinhos e desamparados é a prova que costuma nos conceder o autocertificado. Daí, pode ter certeza, é exatamente essa sensação de estar só que nos projeta para um plano mais avançado no campo da segurança. Igual aquela criança aprendendo a andar de bicicleta, que em determinado momento o pai ou a mãe tira as rodinhas de apoio.

De forma que é preciso passar bem pelo teste. É preciso manter um certo grau de confiança, pois é por aí que aferimos a maior ou menor extensão de nossa fé.

E mais uma coisa importante. Quantas vezes nesses momentos de culminância nós vivemos sozinho o processo e em volta tem uma equipe de espíritos nos observando, orando e torcendo por nós?! Você já pensou nisso? De fato tem momentos em que a criatura vive a prova dela sozinha e os espíritos se mantém relativamente próximos olhando. Às vezes, pertinho. Observam e torcem. Só não podem interferir.

Porém, quando a criatura vence a etapa, quando ela se sai bem daquela experiência difícil, identifica de pronto o sorriso daqueles corações que estavam junto dela o tempo todo e ela achava que estava sozinha. Logo, vamos ficar tranquilos, manter a serenidade e a confiança, porque isso acontece demais da conta.

23 de nov de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 14

DUAS FORMAS DE CRESCIMENTO

O evangelho tem ensinado, e nós temos aprendido, que o que almejamos acabamos por conquistar ao longo do tempo, seja este menor ou maior, dependendo do grau de intensificação que investimos na proposta que queremos atingir.

Em outras palavras, quando nutrimos um ideal, seja ele qual for, dois fatores nós precisamos: tempo e determinação.

Quer dizer, existem duas formas para chegarmos aos nossos objetivos. A primeira é utilizando um tempo mais longo, mais extenso, por meio de um investimento menor efetivado mediante a repetição. E a segunda em um tempo menor, todavia adotando um investimento maior chamado de intensificação.

Deu para acompanhar ou ficou complicado? De qualquer forma, calma que nós vamos explicar. Mas uma coisa já ficou claro para nós: o processo exige paciência e a paciência pressupõe perseverança, porque é pela perseverança que nós conquistamos o componente que temos como meta. Daí, vamos ter que usar a continuidade e a intensificação que, por sua vez, definam as duas formas.

E se o progresso exige a presença da paciência, fica fácil concluir que todo ele opera em função de um componente chamado tempo. Ok? Eu acho que essa parte está clara e não há nenhuma dúvida. Os caracteres que eu assimilo precisam ser repetidos no tempo em uma extensão longa, o que indica que a assimilação e o progresso ocorrem na linha horizontal aplicativa do conhecimento.

O que assegura o aproveitamento positivo desses padrões é a continuidade aplicativa desses valores assimilados. Certo? Só que o crescimento não se faz de forma abrangente, na totalidade, mas em parcelas que vão se realizando pela linha de continuidade. A fixação desses valores que arregimentamos é o tempo que vai definir, e não tem outra. O tempo faz uma papel profundo de assimilação.

A formação de um reflexo condicionado em nossa personalidade é exemplo do que estamos tratando. Porque, afinal de contas, ela surge pela repetição durante longo tempo. Ou seja, esses reflexos conquistados por nós, e isso se aplica a todos, decorrem da repetição sistemática no tempo. De forma que a formação dos padrões que nós precisamos, ao nível de virtudes, ocorre pela extensão repetitiva.

Ficou claro? Essa é a primeira opção que temos e que nos propicia a conquista. Nós ganhamos pela linha contínua de ação, ganhamos na ação continuada, na horizontal aplicativa do tempo. Então, a repetição em um tempo mais extenso de fato cria marcas indeléveis em nosso íntimo, a definir que se deixarmos correr com naturalidade pode ser que nós levemos um tempo maior para a conquista.

Agora, tem um detalhe interessante: se até ontem o tempo vinha operando o encaminhamento dos nossos destinos no plano de cumprimento da lei de ação e reação, se o nosso crescimento se fazia na linha da repetição pela ação continuada e extensa, hoje nós temos a oportunidade de adotar um novo sistema de avanço no campo da evolução. Porque toda mudança de órbita, e a gente sabe, implica em um salto de qualidade. Em outras palavras, nós podemos ganhar valores extraordinários em um tempo mais curto, podemos conquistar em um período de tempo menor. Como? Por um processo de intensificação a curto prazo. Em função de um trabalho mais intenso ao nível da vontade.

Se eu utilizar a vontade eu posso, em um tempo menor, ganhar o mesmo percentual pela linha de intensificação. Isso mostra que os pontos implementados pela instrumentalidade psíquica decorrem de um tempo cuja extensão se reduzir na medida em que eu faço mais investimento. Está dando para acompanhar?

O que estou dizendo é que nós podemos, em um prazo relativamente curto, investir mais.

E o que significa investir? Investir é trabalhar no plano da prioridade em cima dos padrões.

Fazemos assim de modo a ganhar por um interesse mais aprofundado o que antes era ganho no tempo. Pela intensificação da ação, pelo aumento do nosso grau de entusiasmo, de determinação e investimento, podemos ganhar de modo mais rápido, conquistar o que queremos em um prazo bem mais curto. Os padrões passam a ser trabalhados em um tempo menor, mas de modo mais aprofundado.

Nós implementamos a vontade e, como uma consequência natural, ganhamos no tempo.

Assim, passamos a ganhar, pela intensidade e aproveitamento, o que levaríamos um tempo considerável para conquistar nos caminhos da extensão do tempo.

E cá para nós, quem não se alegraria com a ideia? Você não gostaria disso? De realizar mais, de conquistar mais em menos tempo? Este é o momento em que a gente vive.

É o mundo moderno. Hoje somos convocados a melhorar a qualidade de nossos pensamentos e de nossas ações. Somos convocados a realizar, por exemplo, em três anos, o que no campo natural do automatismo nós realizaríamos, quem sabe, em dez anos.

E esse dois processos ao qual nos referimos se assemelham de certa forma à promoção no serviço público.

No primeiro caso, em que nos referimos à linha extensiva do tempo, temos a chamada promoção do servidor público pelo critério de antiguidade. É aquele que se processa pela linha horizontal de continuidade, pela extensão do tempo, pela repetição.

No segundo, nós podemos simplesmente suplantar esse critério por uma dinâmica de intensificação. Neste, a conquista é na linha vertical ao nível das virtudes, e por esse novo método a promoção vem mais rápida. Ela se dá por merecimento. Ganhamos na verticalização do aproveitamento do tempo pela intensidade operada.

E o que a gente nota, sem nenhuma ideia fanatizante, óbvio, é que hoje estamos sendo convocados a trabalhar com o aproveitamento do tempo, com o aproveitamento dos minutos. Não quer dizer que temos que sair da paciência e entrar na linha da precipitação. Não. Nada disso. Mas o momento agora espera e exige investimento.

E para que isso ocorra é preciso que nós utilizemos de maneira ampla e determinada um componente fundamental chamado vontade. Porque a autenticidade da vontade é que é capaz de proporcionar a alteração fundamental em toda a proposta do nosso crescimento rumo a um futuro melhor. Vamos pensar nisso com carinho. Só a vontade passa a alimentar e impulsionar toda a nossa estrutura íntima. O sistema que estamos elegendo é um sistema em que a vontade tem que assumir o comando da nossa proposta de crescimento.

Aliás, a vontade e o entusiasmo nos dão condições de selecionarmos melhor os fatores e trabalharmos melhor, por meio do qual obtemos a realização de verdadeiros milagres na vida. De forma que vale a pena experimentar. E a conclusão é a seguinte: o aprendiz interessado e aplicado pode ganhar muito tempo e conquistar imensos valores se, de fato, procurar conhecer as lições e pô-las em prática.

15 de nov de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 13

A PACIÊNCIA III

Alguém que tem estudado este assunto conosco pode pensar que usar a paciência é esperar, e esperar. Só que a questão não é por aí. Porque se a pessoa ficar esperando e esperando, sabe onde ela vai parar? Ela não vai sair do lugar.

Então, para início de conversa vamos deixar uma coisa bem clara: paciência não é inércia! Ok?

Paciência é saber esperar. E saber esperar é a virtude da esperança. Até aí tudo bem. É entendimento lógico. Só que esperança não é inação. Está dando para acompanhar? Em termos práticos, significa que não vale a esperança com inércia. A pretexto de mantermos a serenidade não devemos nos demorar na inércia. 

Temos que ter paciência sim, só que paciência não é ficar parado e esperar sem fazer nada. A paciência que nos interessa não é aquela paciência acomodatícia, preguiçosa, inerte que nada favorece.

Quer alguns exemplos? A água fica parada? Não, não fica. Porque a água parada vira depósito de podridão. Esperando pelo rio ela se movimenta. E mais, sempre ajudando por onde passa. A árvore é outro exemplo de auxílio incessante. Esperando pela flor ela recebe a bênção dos frutos. E o que acontece com a enxada que espera imóvel? Nada recebe além da ferrugem que a desgasta.

Definitivamente, a paciência que projeta não tem caráter acomodatício e inerte, que apenas cansa, desgasta e nada produz. A paciência que projeta é a paciência que opera, que realiza, que faz. A paciência dinâmica, porque a dinâmica está em todos os lugares. É a paciência que trabalha ao lado da ousadia e da fé.

Paciência é ter calma, mas ao mesmo tempo investir no que se elege. É sinônimo de intensificação e continuidade. É ter calma e investir naquilo que se elege como prioridade. E perseverar nesse investimento. Daí, guarde o seguinte: não há como uma pessoa eleger uma padronização mental adequada e segura se não houver por parte dela a disposição clara e nítida de investir naquilo que busca.

Paciência consiste em fixar o objetivo. Definir, buscar e persistir. É ir firme, até o fim.

É preciso paciência para chegar porque a paciência representa a capacidade de persistir. Traduz a obstinação pacífica e silenciosa na obra que propomos realizar.

Vamos pensar juntos em uma coisa: ler e estudar, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações, é fundamental e não se discute. Certo? Mas, por outro lado, também é extremamente valioso para o nosso crescimento o exercício aplicativo da perseverança naquele componente inarredável que se chama paciência. Porque a paciência nada mais é do que a capacidade de persistir.

Então, é preciso atenção a dois pontos básicos: a paciência e a continuidade da perseverança.

Porque esperar é persistir sem cansaço e alcançar é triunfar de forma definitiva.

Ficou claro? Por isso, vai ser valioso para o nosso progresso quando conseguirmos perseverar nessa virtude, porque afinal de contas é com o decorrer do tempo que nós fixamos os novos padrões.

Você já passou por aquela situação de ficar esperando durante alguns dias ou semanas por um evento importantíssimo programado para um final de semana? Um evento no qual você nutria grande interesse e grande expectativa? Tipo uma festa? E que você passou os dias anteriores com uma expectativa sem limites? Uma expectativa tão grande que você só ficava pensando nele? Parou de fazer muita coisa e ficava só esperando e imaginando, deixando as horas correrem de forma ociosa? Só esperando e desejando, sem interesse de fazer outra coisa a não ser esperar? Como se isso fosse fazer o acontecimento chegar mais rápido? Pois então, e o que aconteceu no final? Se você já passou por isso, e eu acho que a maioria das pessoas já passaram, deve saber muito bem o que eu estou falando. Em muitas situações desse tipo a gente acaba se sentindo um pouco decepcionado, não é verdade?

Eu dei um exemplo simples, mas a conclusão é uma só: a melhor maneira de esperar algo é fazendo algo.

É fazer enquanto espera. Porque aquele que não espera operando quase sempre se decepciona.

Você espera algo? Se sim, lembre-se: enquanto espera, opera! Enquanto esperamos, porque não operar? 

Sigamos por este caminho, porque dá certo. Sejam quais forem as minhas, as suas ou as nossas dificuldades, expectativas e objetivos, esperemos fazendo por nós mesmos e também pelos outros o melhor que pudermos. Isso mesmo, por nós e também pelos outros, porque nada na vida vale se fizermos apenas para nós mesmos, apenas visando o nosso bem estar. Esperar operando, porque aquele que opera acaba transformando o próprio mecanismo da espera. Ficou claro a lição?

A verdadeira paciência é a irradiação da alma que angariou muito amor em si mesma para dá-lo a outrem através de sua ação e de seu exemplo.

E para se ter ideia, se pararmos pra pensar na paciência perfeita nós vamos nos lembrar de quem? De Jesus, óbvio, a expressão máxima dessa virtude. Ou será que conhecemos algum exemplo maior? Em todos os aspectos da paciência é preciso lembrar Jesus. Ele mantém uma paciência sem limites para conosco. 

Repare que embora suportasse as manifestações do mal, ele jamais adotou uma posição passiva diante dele. Muito pelo contrário, sempre diligenciou meios com vistas a tudo renovar para o bem. Nunca obrigou, constrangeu ou perseguiu quem quer que fosse para que esse alguém assimilasse e incorporasse os padrões sublimes do seu evangelho de luz. E a sua paciência é tão extrema que não hesitou em regressar depois da morte ao convívio das criaturas humanas que o haviam abandonado.

Pense nisso. 

O Mestre continua a descer da espiritualidade solar e vir até nós para dissipar nossa sombra. E o que fazemos? Rebeldes e indiferentes como somos, negamos a ele a entrada em nosso coração. Sim, negamos, porque se não negássemos não seríamos tão indiferentes e insensíveis no trato com os nossos semelhantes. E mesmo assim ele não nos priva de sua presença. Continua sempre conosco.

Daí, meu amigo e minha amiga, vamos nos lembrar dessa paciência perfeita que nos beneficia a todo o tempo. E mais do que isso: vamos usá-la como roteiro para a nossa caminhada.

Vamos usar essa paciência no dia de hoje e nos esforçar para usá-la sem medida. 

E pelo amor de Deus, vamos cultivar a paciência e exteriorizá-la no trato com todos os nossos irmãos. Todos, sem exceção! Vamos aplicar isso. Mesmo que a gente resista, vamos persistir. Mesmo que a gente não entenda a razão para isso, vamos experimentar e fazer. Porque se hoje não entendemos, amanhã, com certeza, entenderemos.

12 de nov de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 12

A PACIÊNCIA II

A paciência é uma virtude complexa. E para ser mais preciso, dificílima de ser alcançada, todavia é por aí que vamos conseguir dar o recado. Assim, procurar caminhos novos e definir novas metas é fundamental e faz parte do contexto, mas uma coisa precisamos analisar: quem não adquiriu a paciência que trate de fazê-lo com urgência.

Eu não estou aqui para desanimar ninguém, mas quem não aprendeu a ter paciência vai fazer sabe o quê? Vai ficar procurando o caminho a vida inteira e não vai achar.

De forma que precisamos cultivar a paciência e aprender a exercitá-la nas mínimas situações. Aprender a perseverar em cada minuto com a paciência necessária, o que é conquista gradativa e constante no espaço e no tempo. O segredo é a paciência, porque o tempo não pode ser desprezado na solução das questões essenciais. E se não adotarmos a paciência nas mínimas coisas não a teremos na conversa com o companheiro de serviço ou nas relações afetivas aos mais caros a nós.

Outro ponto que não podemos negligenciar: toda a formação (eu disse formação, não informação) de caracteres novos na intimidade, para que se solidifiquem e tornem-se condicionados e automáticos no dia a dia, exige tempo e elevada capacidade de perseverança nos respectivos ângulos. Por isso, vamos nos atentar para a importância da paciência e da persistência em toda conquista legítima.

O indivíduo para alcançar um título de doutorado tem que passar por uma série de fases antes, não tem? Tem que cumprir determinados requisitos, e com uma certa ordem. Não pode saltar uma etapa, a definir que não podemos precipitar acontecimentos. Saltar uma etapa essencial pode até nos colocar em situação de desajuste.

De forma que a paciência tem que ser acionada.

Basta reparar que o próprio livre-arbítrio começa a ser trabalhado dentro da gente de maneira sutil. Não é assim que funciona? Estamos dando exemplos comuns, mas suficientes para aprender que de algum modo nós precisamos de tranquilidade ao dar o passo.

Para se ter ideia, em todas as questões complexas em que se busca a solução nós não conhecemos o processo na sua abrangência, na sua totalidade. Pode inclusive acontecer de nutrirmos no coração uma proposta que não vai ser cumprida agora como nós gostaríamos, e sim cumprida mais à frente. Não pode acontecer? E nós entramos em pânico porque a solução não é imediata. Não raras vezes, é preciso esperar o encaminhamento natural das circunstâncias e dos fatos.

Por isso, paciência! E também não podemos ficar esperando resolver problemas de longo curso apenas com a nossa ida a uma dúzia de reuniões no núcleo espiritual em que afeiçoamos ou por meio de alguns meses de estudo do evangelho. Não é assim.

A inquietude em tempo algum resolveu problemas vultosos ou significativos. Você já pensou nisso? Busque na memória para você ver. Nossos maiores avanços e grandes conquistas não vieram em cima de estratégias de curto prazo. Não é verdade? Crescemos condicionados a querer resolver todos os nossos problemas ou conquistar todos os objetivos de forma imediata. Mas dessa forma tem jeito? Não tem. Será que temos que emagrecer tudo o que precisamos em um único mês? Ou ficar rico de um dia para o outro? Podemos fazer o que entendermos para acelerar o processo, adotar providências adequadas e eficazes, mas dentro de um limite, dentro de um nível razoável de lógica.

O ideal é mantermos o ritmo de crescimento na busca dos nossos ideais. Com determinação, sem desânimo, sem preguiça antes os acontecimentos. Está percebendo?

Vamos ser diligentes. Mas por que precipitar? Os nossos maiores avanços, e vale a pena repetir, não vem em cima de precipitações. Além do que, entre o auxílio e a solução existe sempre uma distância em qualquer dificuldade. Então, vamos manter a nossa mente voltada para o objetivo que propomos e saber ter a paciência necessária no encaminhamento dos fatos. Essa receita não sou eu quem estou dando. É a espiritualidade que nos tem feito entender assim.

A mudança é o tempo que vai operando. E isso a gente precisa ter em conta. E a paciência é o fator capaz de ir modificando o denominador de toda uma estrutura.

Está dando para acompanhar? Paciência não é, como muita gente pensa, a submissão incondicional aos reveses que possam nos atingir. Nada disso. É ela que nos conserva a calma no meio das atribulações e nos auxilia a neutralizar os contratempos que nos afligem. Ela é a ciência de se manter a paz, a energia moral que nos faz receber acontecimentos desfavoráveis com bom ânimo. Percebeu? Uma dose de paciência nos ajuda muito a não perdermos a tranquilidade, a mantermos a serenidade e um constante sorriso no rosto em qualquer situação.

E a paciência que nos interessa é aquela que permite que a nossa razão funcione regularmente e nos mostre como resolver os nossos problemas. Que nos traz a capacidade de refletir, projetar e traçar os melhores esquemas e estratégias de vida.

Acima de tudo, é a capacidade de verificarmos a dificuldade ou o desacerto nas engrenagens do caminho, buscando a solução do problema ou a transposição do obstáculo, sem toques de alarde e lances de irritação que nada mais causam que desgaste.

É a paciência que faz com que a gente não desanime ou perca o controle dos nossos atos.

Ela é o atestado nosso de valor e coragem nos dias de adversidade. Define se realmente estamos ganhando segurança, segurança que vai nos dando o que chamamos autoridade. Porque em muitas situações adversas e diante de circunstâncias decisivas nós costumamos desanimar. Não acontece? A gente fraqueja e se entrega.

Então, vamos aprender: a paciência define o nosso ponto de referência e capacidade operacional. Logo, é fundamental saber selecionar valores, pensamentos e atitudes e deixar que a serenidade gerencie as nossas ações. É importante uma marca de decisiva nas nossas realizações.

9 de out de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 11

A PACIÊNCIA I

O mundo está cheio de pessoas apressadas. Isso é fato. Pessoas que não sabem esperar, que não têm a paciência adequada de construírem a si próprias. Situam-se em um campo imediatista, querem o aperfeiçoamento definitivo e finalístico alcançado de um dia para outro.

Milhões delas pensam assim: "Eu vou na igreja tal ou vou no grupo tal uma vez por semana e resolvo o meu problema espiritual". E acham mesmo que dessa maneira, só com essa atitude, solucionam toda a questão intrínseca.

Mas eu posso ser sincero? A questão não é assim. Essa concepção define um erro muito triste. Aliás, posso até dizer mais, é duro escutar esse tipo de coisa. É uma falha lamentável esse tipo de pensamento. É uma frustração na base. O problema não é solucionado de forma tão periférica e simples assim. A questão é o nosso campo íntimo.

Para se ter ideia, cada reunião espiritual que a gente vai nos dá um peso a mais para conscientizar. À medida em que assimilamos padrões novos que nos são canalizados, passamos a observar que temos que aguardar a maturação deles em nosso íntimo.

Você já deve ter tido aquela sensação de que os dias e as semanas tem passado rápidos. E um dos problemas que tem feito a humanidade sofrer hoje em um mundo em convulsão é essa tentativa de querer erguer a felicidade da noite para o dia.

Pense nisso. Tem criaturas com mentalidade tão objetiva que não sabem esperar.

Sabe o que elas fazem? Saem desembestadas de qualquer jeito que nem um trator, derrubando tudo. É fato que a misericórdia divina nos deu a paciência, mas muitas criaturas humanas simplesmente não trabalham a paciência. Infelizmente, nós todos nos incluímos nisso. E grande percentual de pessoas, por negligenciarem essa questão tão importante, não trabalham a paciência. Transitam pelos caminhos da vida envolvidas em um sistema difícil e complicado chamado impaciência e irritação, para depois, cedo ou tarde, caírem frustradas e em desalento.

A perda energética que ocasionalmente sentimos não resulta tanto do acúmulo de problemas que carregamos. Deriva da ansiedade. A deficiência geralmente nasce da aflição com que aguardamos de forma ansiosa os resultados de nossas ações, desejosos de destaque pessoal no imediatismo da Terra. Porque esperamos resposta do mundo aos nossos anseios e esquecemos que tanto no bem quanto no mal tudo tem o seu tempo: primeiro vem a semente, depois os frutos, e não pode ser diferente.

Então, de que adianta a gente se afligir? A aflição não apressa o resultado das coisas.

É por aí que muitas vezes complicamos nossa jornada, por impaciência ou falta de capacidade de persistir.

E quanto mais nós aprendemos e passamos a entender a dinâmica da própria vida, mais nós descobrimos a dimensão da nossa ignorância e da nossa fragilidade.

Assim, de cara precisamos desativar o fulcro irradiador negativo para que os valores positivos floresçam, porque por ser apressado e aflito nós perdemos momentos felizes, obcecados por uma estratégia que montamos com a nossa visão imediatista, quando na verdade a marcha evolutiva é uma marcha acanhada, gradativa.

Repare para você ver: você pode fazer um projeto e planejar uma casa de um dia para outro, não pode? Todavia, ela com certeza vai ter que ser erguida com determinado plano de bom senso. Quer dizer, você poderá até contar com técnicas capazes de acelerar o processo de construção, mas de qualquer maneira ela vai ter que começar de baixo para se erguer, tijolo a tijolo, bloco a bloco.

Eu não estou aqui para dar lição de moral. Longe disso. Mas muito dos nossos erros, fracassos e lástimas no campo da aprendizagem são decorrentes sabe de quê? Da nossa pressa. Já pensou nisso? Daí, não vamos ficar nessa de torpedear a marcha natural dos acontecimentos. O crescimento pressupõe uma metodologia de continuidade, razão pela qual na nossa estrutura educacional, psíquica e espiritual, é preciso desativar a pressa. Correria não dá, não adianta correr na evolução.

Temos que saber esperar e aproveitar cada momento, saber se manter tranquilo interiormente para aproveitar cada momento que a misericórdia nos concede. Ter a maleabilidade e o jogo de cintura para aproveitar cada instante. Sabe por quê? Porque as oportunidades voltam no tempo, mas o tempo não volta. Perdeu a oportunidade? Aquela não volta mais. Percebeu? Pode voltar uma semelhante, não aquela.

Vamos ser diligentes e determinados, óbvio, mas vamos também saber esperar.

A paciência, antes de qualquer coisa, é a ciência da paz. E a paz representa o quê? Um encaminhamento sem pressa, sem precipitação. E a ideia é essa mesma: ser paciente.

Pense para você ver, para que a espera represente uma conquista efetiva nós temos aprendido em várias lições a importância de saber esperar. Podemos citar alguns exemplos: O fruto que alimenta representa, às vezes, um ano inteiro de trabalho silencioso de uma árvore. E outro detalhe, interessados no fruto de uma árvore, não o colheremos antes do momento justo. Embora nos atormentemos com a escuridão da madrugada, não adianta que a alvorada não brilha antes da hora prevista. E todo o progresso humano surge da paciência divina.

Jesus tinha os olhos voltados para Saulo de Tarso, não tinha? E o que ele fez? Precipitou? Apressou as coisas? Não. Ele teve a paciência de esperar a hora certa de se aproximar, fazer o contato e aguardar a resposta de Saulo. Em suma, essa é a paciência que importa, sem a qual não conseguimos evoluir, não conseguimos crescer.

E outra coisa que nós temos aprendido e que é fundamental levar na caminhada é que nos lances de crescimento não se dá passos efetivos e finalísticos em um espaço curto de tempo. Isso é algo para se ter em conta. Para evoluir a paciência tem que ser chamada. Sem paciência nada importante vai para a frente, qualquer projeto resulta em frustração. De forma que ser quisermos crescer vamos precisar de uma medida de paciência. Não podemos dispensar as soluções vagarosas.

Aliás, a paciência é um componente fundamental para a libertação. Ela é a virtude que afere a legítima conquista. É um sistema vigorante que toda metodologia de elevação pressupõe, motivo pela qual não dá para menosprezá-la.

20 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 10

GUARDAR E RETER

“SE ME AMAIS, GUARDAI OS MEUS MANDAMENTOS.” JOÃO 14:15

“E ELE DISSE-LHE: POR QUE ME CHAMAS BOM? NÃO HÁ BOM SENÃO UM SÓ, QUE É DEUS. SE QUERES, PORÉM, ENTRAR NA VIDA, GUARDA OS MANDAMENTOS.” MATEUS 19:17

“NADA TEMAS DAS COISAS QUE HÁS DE PADECER. EIS QUE O DIABO LANÇARÁ ALGUNS DE VÓS NA PRISÃO, PARA QUE SEJAIS TENTADOS; E TEREIS UMA TRIBULAÇÃO DE DEZ DIAS. SÊ FIEL ATÉ À MORTE, E DAR-TE-EI A COROA DA VIDA.” APOCALIPSE 2:10

“25MAS O QUE TENDES, RETENDE-O ATE QUE EU VENHA. 26E AO QUE VENCER, E GUARDAR ATÉ AO FIM AS MINHAS OBRAS; EU LHE DAREI PODER SOBRE AS NAÇÕES.” APOCALIPSE 2:25-26

“LEMBRA-TE, POIS, DO QUE TENS RECEBIDO E OUVIDO, E GUARDA-O, E ARREPENDE-TE.” APOCALIPSE 3:3

“EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:11

As escrituras sagradas em várias passagens nos sugerem guardar o que temos.

E espiritualmente falando, importa saber que se nós quisermos crescer daqui para a frente, de maneira efetiva, se quisermos avançar, vamos ter que saber guardar.

Tudo bem, isso é ótimo, mas a gente tem que saber o que é guardar. Temos que saber afinal de contas o que significa isso, o que vem a ser guardar. Porque a gente sabe que precisa guardar, o ensinamento é bem claro nessa questão.

De princípio, guardar nos dá uma ideia de acondicionar. Mas vamos depreender que não se trata de por no guarda-roupa, inserir numa gaveta, colocar em uma dispensa, na geladeira ou tão somente arquivar na nossa memória. Nada disso.

Esse ato pressupõe antes de tudo certo cuidado, um critério de nossa parte, porque como alguém vai guardar alguma coisa se não tiver cuidado com essa coisa?

Em tese, o que guardamos são coisas de valor. Guardamos valores. E existem valores guardados que as pessoas nem usufruem. Concorda? Ficam guardados, mas pessoas não se valem deles, não usufruem. Como valores guardados em um cofre, por exemplo, ou em um banco. Ficam lá, às vezes, por longos anos. Daí, vamos entender que os valores servem para ser utilizados, para serem usufruídos.

Pois se vamos guardar é porque trata-se de uma coisa boa, de algo que possui algum valor, que é importante para nós. Uma criatura em perfeito juízo não vai guardar uma coisa só por guardar, não vai guardar o que não lhe interessa, que não seja importante, que não tenha utilidade. Então, espiritualmente falando a primeira coisa que nos importa saber é que é guardar no sentido utilitário. Ou seja, guardar é manter no íntimo valores que temos para poder realizar com eles.

Ficou claro essa questão? No que diz respeito aos valores do evangelho, não nos interessa decorar a mensagem, o essencial é guardá-los no sentido afetivo, no sentido essencial. Define com muita tranquilidade que nós temos que reter as informações assimiladas ao nível da persistência. Para quê? Para serem utilizadas de forma segura. E sabe quando? Diante das circunstâncias que nos chegam.

Guardar tem por objetivo manter os caracteres positivos acesos no sentido de aplicabilidade.

O guardar é no sentido operacional. Guardar os mandamentos significa operar com eles. Guardar os valores assimilados no campo perceptivo e intelectivo é realizar com eles.

Então, para nós realizarmos as conquistas que são importantes para nós é preciso reter e guardar ao nível da aplicação.

E algumas passagens vão além, definem que nós temos que ser fiel até o "fim" ou até a "morte", a definir que a fidelidade é fundamental. Agora, eu só espero que você não fique pensando que esse fim é até o fim da vida. Não! É ser fiel até o fim de uma etapa, fim de um período, que pode ser mais longo ou menos longo, até o fim de certos acontecimentos, até a meta final de cada lance, fiel até a realização de cada proposta que levamos a efeito. É permanecer sem esmorecer e mudar de intento.

E ser fiel até a morte!

Mas você sabe que morte? A morte dos caracteres que trazemos no íntimo. A desativação dos padrões que tinham conotação positiva, no entanto passamos a vibrar em novo patamar e eles alcançaram coloração negativa, mas ainda representam expressão viva dentro da gente. Morte dos conceitos que mantemos e que não atendem mais os nossos anseios de reconforto. Morte das concepções e ideias que nutrimos em uma época que não justifica mais eles estarem presentes.

E uma coisa é fato: é com o decorrer do tempo que nós fixamos os novos padrões.

E como a formação (a ação aplicativa) vem depois da informação, o que nós precisamos fazer? Precisamos reter o que possuímos. Então, se guardar significa manter, reter equivale a perseverar. Acompanhou? Pois se vamos reter é sinal que aquele valor já está guardado, ele já penetrou a nossa faixa íntima e foi acondicionado.

O componente novo que chegou foi incorporado ao meu terreno, e eu tenho que reter.

E como é que retém? Buscando trabalhar o valor no plano aplicativo, que é o plano de fixação.

É retendo os padrões recebidos no sentido de aplicação constante com eles que eu começo a gestar caracteres novos em mim. E eu começo a perceber que o que recebi informativamente consegue se formar. Quer dizer, o que era informação, o que era uma espécie de esboço, passa a adquirir forma, passa a constituir novos padrões consolidados. E por que isso acontece? Porque na minha faixa de ação eu fiz, na minha órbita eu apliquei, eu realizei. Ok? Isso é reter.

Logo, em qualquer área imaginável da vida não há como progredir sem reter e fixar.

É necessário insistir para que os novos padrões ganhem corpo. O que também nos auxilia nos momentos difíceis.

O grande desafio nosso, sem sombra de dúvida, é saber manter a perseverança na continuidade para a fixação dos padrões novos que estamos ingerindo. Investir e sustentar o investimento. Conseguir perseverar no serviço de forma firme.

Para crescer não tem outra, o trabalho da alma requer fixação, aproveitamento e continuidade. Porque é dentro de um processo de constância que nós vamos dando passos.

Por isso, pense bem: para obtermos a melhor parte da vida é preciso servir e marchar incessantemente para que não nos modifiquemos em sentido oposto à expectativa superior.

10 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 9

SEM FANATISMO

Muitos companheiros tem pressa na mudança. Tanta pressa que comumente buscam impor a si mesmos.

Violentam-se mediante uma terapia de choque. Recebem algo de fora e não analisam. Pegam e pumba!

Não conhecemos gente assim? Usam uma espécie de terapia equivocada em que a individualidade não tem a paciência necessária de construir a si própria.

É como se dá com o fanático. Aliás, o fanatismo é um processo cristalizado, fechado, em que a criatura entra em um investimento de maneira definitiva e violenta. E o que é pior, inclusive sem medir as consequências. O fanático é aquele indivíduo que ingere conteúdo e nem mastiga. Não questiona, parte para a aplicabilidade sem discernimento, sem o equilíbrio e a segurança que se fazem precisos. Ele recebe algo no sermão da igreja e acha que aquilo tem que ser daquele jeito, e pronto. Não quer nem saber. Então, nós temos que pensar, porque se resolvermos atropelar a evolução está arriscado nós nos fanatizarmos.

E todo fanático é cego. Concorda? Nós estamos dizendo isso sem querer ofender ou menosprezar ninguém, mas é a pura verdade. É cego. Ele acha que o mundo está todo errado, ele é que está certo. Ele acha que é o tal, aquilo que ele acha vira lei. Às vezes, deixa a barba crescer, não toma banho, anda com sandália de dedo arrastando, de qualquer jeito, todo esfarrapado. Em suma, alienou-se.

De forma que temos que ter cautela, capacidade de avaliar. Quando chegar um companheiro em nossa órbita querendo implementar a mudança de forma intempestiva, cuidado. É preciso avaliar, pois não podemos entrar em um plano alienante.

E quer mesmo saber? O fanatismo surge quando a individualidade começa a contrariar as realidades operacionais, naturais e equilibradas. Deu para acompanhar? É um processo que impera de fora para dentro, em que a pessoa pode introjetar padrões e não aplicar esses padrões. Aí piora tudo. Porque ela vai ficar inabilitada, sem a experimentação devida na nova faixa. Deu para entender ou complicou? Repare que tem uma gama imensa de pessoas que buscam um tratamento de choque, imediato, para uma coisa que tem que ser respaldada de forma paulatina, de maneira gradativa, pela repetição e pela experiência.

Meu amigo e minha amiga, preste atenção: nós estamos fazendo um esforço danado para entender o evangelho com carinho e profundidade e não podemos ignorar que a luz direta e intempestiva direcionada aos olhos de alguém pode prejudicar a visão.

E essa é a questão. Somos todos chamados naturalmente a mudar e operar, é óbvio, mas com discernimento e espírito seletivo. E com tranquilidade, porque se nós ficarmos aflitos e apressados nessa busca podemos nos perder e fanatizar em decorrência de uma utilização inadequada dos padrões. Por isso, a gente deve cultivar o processo dentro de um linha de segurança, sem o cultivo de idolatria ou fanatismo. O equilíbrio é imprescindível para que a gente não entre na alienação.

Também não quer dizer que a cada reunião que a gente frequentar a gente tenha que sair fazendo. Aí seria talvez um processo equivocado. Temos que perseverar, claro, mas sem fanatismo. E alguém pode dizer que mudar é muito difícil e complexo, mas temos que entender que a nossa mente sempre precisa de explicação.

É óbvio que qualquer pessoa equilibrada não endossa de forma alguma qualquer tipo de fanatismo. Incluindo o fanatismo religioso, que é o ponto central do nosso interesse.

Todavia, eu não sei se você já pensou a respeito, que o fanático religioso pode agora estar, talvez, violentando a si próprio. Mas não poderia ser pior? Porque enquanto ele está voltado para a religião ele não está entrando em complicações, não está criando problemas de relação que é a grande dificuldade das pessoas.

7 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 8

O MECANISMO DA MUDANÇA II

Para mudar os rumos da nossa caminhada, o que a gente faz? Estuda, lê livros de auto-ajuda, livros de interpretação do evangelho, frequenta cursos, reuniões, idealiza.

Essa constitui a linha conceitual. Em um estudo sequenciado como este, por exemplo, nós estamos trabalhando as linhas estruturais do nosso campo mental, que é onde está toda a base da mudança, é onde está a origem, o alicerce, a gênese de toda a iniciativa de crescimento efetivo.

Mas guarde com você o seguinte: as soluções na nossa vida não virão através da linha conceitual, virão no plano operacional. E isso precisa ficar muito bem claro.

Vamos explicar? Nós podemos sair de uma reunião modificados no campo mental, não podemos? Claro que podemos. Aliás, a renovação mental pode se dar instantaneamente se assim quisermos. Quer dizer, eu posso entrar por uma porta com uma ideia e sair com outra. Entretanto, não vale apenas a conceituação teórica ou a implantação de valores bonitos e de esperança no coração. É preciso implantar a grande luta. 

Sem dúvida, nós temos que apropriar uma carga de conteúdo, mas lembrando sempre que a sedimentação desse conteúdo, a conquista efetiva dele, é com base na aplicação. Em outras palavras, podemos dizer que a manifestação da vida mental representa uma base ou forma que vai ter que ser preenchida pela linha básica operacional do dia a dia. 

A conquista efetiva não ocorre pela assimilação didática do conteúdo, e sim pela estrutura vivencial do conteúdo. É a vivência dos padrões na linha aplicativa de todos os momentos, e em todos os ambientes em que estivermos, que transforma o que era ideia, esboço e propósito em componentes sólidos de nossa personalidade, capazes de passarem a constituir emissão de rotina de nossa vida.

Então, assimilemos valores e, gradativamente, à medida em que as circunstâncias forem surgindo, esforcemo-nos para aplicá-los dentro dessa moldura nova. Porque assim fazendo nós passamos a encontrar sabe o quê? Maior estabilidade, maior felicidade, equilíbrio, paz de espírito e harmonia interior.

Está claro para nós que a mudança é operacional, não é conceitual, certo? E também sabemos que o plano mental define a linha informativa dos caracteres, estabelece o esboço dos caracteres. Esboço esse que vai ser fundamentado e sedimentado apenas de uma única maneira: pelo plano prático realizador diário. De maneira que nós sempre iremos trabalhar utilizando essas duas faixas: informação e formação, assimilação e aplicabilidade, aprender e fazer.

E apesar da mudança efetiva ser operacional, nem por isso o plano mental é menos importante no processo. Pelo contrário, ele é importantíssimo, pois afinal de contas a linha conceitual é a forma que vai modelar a mudança operacional e final.

E se eu não mantiver essa base conceitual firme, bem definida, e não nutri-la de valores claros e seguros, sabe o que acontece? Na primeira oportunidade, na primeira adversidade, eu desisto e volto para a antiga sistemática de ação. Percebeu? Porque a nossa linha de pensamento ainda é fugidia, ainda apresenta uma aura suscetível de diluir-se por falta de alimentação e determinação mental.

É por isso que nós lemos muito. Repare que na medida em que chegamos ao final de cada livro nós tivemos vários pontos que foram acionados, que nós introjetamos e eles precisam ser aplicados, vivenciados. Assim, ao estudarmos nós estamos buscando fortalecer todo o nosso plano mental, encontrar força para as mudanças, de modo a que os nossos propósitos não sejam apenas lances eventuais, mas componentes permanentes em nosso pensamento para a ação.

A grande verdade é que nós temos sido muito frágeis, temos demonstrado muita fraqueza na hora de implementar as medidas. 

No final de cada estudo ou de cada reunião que participamos, por exemplo, nós saímos felizes. Ficamos eufóricos e entusiasmados com tanta coisa interessante que aprendemos. Conhecemos algo novo que a nossa mente endossou, enaltecemos o aprendizado, fazemos discursos, exposições eloquentes, escrevemos poesias, discursamos de forma brilhante, no entanto persiste a luta vivencial na nossa própria intimidade. Aprendemos e não fazemos o que aprendemos.

Na hora de enfrentar os momentos da aferição a situação fica difícil, e usamos o jeito antigo.

Para se ter ideia, eu posso sair de uma reunião espiritual ou de um culto em uma igreja motivado e determinado a mudar. Não posso? Posso sair harmonizado, decidido a colocar em prática os ensinamentos aprendidos e simplesmente não fazer nada. Posso sair de um estudo com muitos esboços dentro de mim, esboços que definem uma mentalidade mais equilibrada e harmônica, e esse esboço ser desmanchado ali mesmo, logo na saída, no portão, brigando ou entrando em desajuste com alguém. Percebeu? Eu saio determinado a aplicar e na primeira esquina, ou ao entrar dentro de casa, eu quebro o pau, como se diz na gíria. Discuto com alguém, me desentendo com alguém.

Quer dizer, eu entendi e não fiz, aprovei consciencialmente o ensinamento e não o apliquei.

Aí não adiantou. E o que é que eu vou ter que fazer? Uma releitura. Vou ter que reciclar, reforçar o conhecimento, começar de novo. Lamentavelmente, isso acontece demais.

Para ser mais preciso, são raros os que mantém a resolução necessária para aplicar a luz que recebem. A maioria das pessoas, após momentos de sublimidade nos grupos a que se afeiçoam, esquece rapidinho os valores recebidos e volta-se novamente para as mesmas condições de horas antes da assimilação.

Ou seja, saem com a aura mudada, atravessam o portão de saída, pegam o ônibus ou entram no carro e o esboço positivo já se desfaz. Mal chegam em casa e já começa a manifestar o homem velho. E retornam na semana próxima com as mesmas aspirações da semana anterior.

2 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 7

O MECANISMO DA MUDANÇA I

Tem pessoas que acham que podem evoluir apenas somando informações captadas, sejam essas informações provenientes de leituras, de reuniões, de cursos ou de coisa parecida. Elas ficam apenas em busca de informações: "eu faço curso disso, faço curso daquilo, participo de uma coisa aqui, participo de outra coisa ali". E assim vão seguindo, apenas introjetando padrões no campo mental.

Realmente tem pessoas que acham que podem sair de uma reunião e já mudar tudo. Mas o fato é que essas, de certa forma, ainda não adquiriram a capacidade de ajuste.

Porque vamos ser sinceros, não dá para sairmos de uma reunião ou de um culto religioso e achar que somos outra pessoa. Não dá para alguém sair, chegar no portão e simplesmente dizer: "eu agora sou outro homem" ou "mudei, sou uma nova mulher". Não dá para usar esse discurso do "mudei, sou outro". Quê isso? Vamos ser realistas, não é outro ou outra coisa nenhuma. Isso é conversa mole. É papo pra boi dormir. A pessoa pode ser outra com novas ideias e propósitos, mas o seu espírito ainda é o mesmo, cheio de marcas.

Analise junto comigo: não há como sair de uma área para outra área sem passar por aquilo que nós chamamos de transição, certo? Quando você saiu de onde estava, mas não chegou onde você queria, você está no trânsito. Ok até aí? Então, se está no trânsito está em transição. E a transição é transitória, é uma fase, é um período.

E no plano da transição, quando nós passamos de um ambiente ou de uma etapa para outro ambiente ou outra etapa, nós entramos no novo ambiente ou nova etapa levando conosco uma soma de reflexos que ainda são marcantes em nós. Percebeu? Nós levamos muitas marcas fortes e vigorosas da nossa personalidade.

Quando nós entramos numa vida nova nós trazemos ressonâncias da nossa forma de agir de vidas passadas. Então, não existe essa coisa de sai daqui, passa pra lá, é outro, tudo novo, começa do zero novamente. Não! Isso não existe.

E tem outra coisa: todos nós, sem exceção, nos situamos debaixo de uma soma imensa de caracteres milenares que trazemos do passado e que não podem ser mudados de forma instantânea, imediata, num abrir e fechar de olhos.

E esses caracteres embutidos na nossa personalidade são vigorosos, ou seja, exercem uma influência na nossa vida muito maior do que a gente possa imaginar. Não existe a menor possibilidade de desativarmos esses reflexos por sistemas mecânicos ou elaborações mentais de periferia. Está dando uma ideia? Essas cristalizações de longo período no inconsciente não podem ser arrancadas com algumas palavras e induções psicológicas de breve duração. Não são extirpadas através de simples atitudes milagreiras de momento. Então, vamos ter em conta que atitudes mentais enraizadas não se modificam facilmente. Para se ter ideia, o vício não cede o lugar sem luta. É preciso destronar um elemento que impera para que outro assuma a sua devida posição.

No campo da nossa evolução não existem milagres. O que existe é trabalho constante e consciente.

Não dá para aquele que está participando de uma reunião achar que no final vai sair batendo asa de anjo. Isso vai ser impossível. É preciso estruturar uma marcha gradativa, elaborar novas condições. Criar um sistema todo especial, mas que não vá colocar a criatura em uma linha sistemática em que ela perca a sua espontaneidade. A nossa presença em um estudo, por exemplo, é uma atividade que abre para nós um verdadeiro celeiro de informações, a fim de que as nossas mudanças não sejam feitas de maneira insensata e nem tão pouco abrupta, intempestiva. O trabalho tem que ser levado de maneira racional, segura e tranquila, com naturalidade, de tal modo que o ato de mudar seja algo positivo e não implique em um estado de alienação da vida.

A maioria das pessoas tem pressa em mudar. Pressa não no desejo da mudança, mas no alcance do resultado. Todavia, é preciso desmistificar a ilusão de que muitas coisas podem ser mudadas com passes de mágica. De fato, seria muito bom se em cada mudança de conceituação nossa no campo da vida a gente pegasse o ponto sombrio e desmanchasse. Pegasse uma borracha e apagasse. Isso é o que a gente queria. Concorda? Mas é assim que acontece? Não. Será que realmente achamos no fundo do coração que vamos sair de uma reunião e mudar? Como não existe milagre, não somos capazes de passar uma esponja em tudo o que fizemos e mudarmos de repente, de um instante para outro.

Não dá para ficarmos como os religiosos tradicionais: frequentei a reunião ou o culto lá, mudei, sou outro e tal. Não! Não tem jeito. Isso é relativo. A cada dia temos que operar, gradativamente, o terreno da mudança. Nós não podemos simplesmente pegar uma foice ou um trator e sair derrubando as árvores que plantamos.

A mudança efetiva não é um momento apenas, é um processo. Processo em que vamos criando novos conceitos. E a sedimentação de conceitos não se faz apenas em cima de uma linha que chegou e nós assimilamos de maneira intelectiva. É lentamente e com regularidade que se formam os conceitos, é lentamente que damos forma a eles. Conceitos são formados aos poucos, como ocorre com o uso de uma medicação contínua.

Então, não tem outra, temos que ter paciência na sedimentação dos conceitos. Sem contar que como a nossa mente é muito fértil muitas vezes nós não criamos só conceitos, ficamos nas linhas restritas e difíceis do preconceito, o que é duro.

Nós temos reflexos em nossa vida que podem ser mudados com muita rapidez, outros que exigem um bocadinho mais de tempo e outros que, às vezes, vão gastar muito mais. Quem sabe ainda duas ou três reencarnações. Pode parecer que estou exagerando, mas a questão é por aí. E se quisermos fazer uma mudança radical em nossa personalidade vamos notar que possivelmente entraremos em frustração.

É preciso que a incorporação dos novos padrões íntimos cumpram certos períodos, que podem ser medidos em dias, meses e anos. Eles necessitam cumprir esses períodos para que haja a sedimentação. Inicialmente, os padrões novos chegam pela linha assimilativa e na linha assimilativa entra o quê? Semente e germinação. Depois o crescimento, a floração e a frutificação. Resultado: eles vão ter que ser vivenciados, repetidos e fixados. E até serem devidamente fixados precisarão ser trabalhados naturalmente durante o período necessário.

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