9 de out de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 11

A PACIÊNCIA I

O mundo está cheio de pessoas apressadas. Isso é fato. Pessoas que não sabem esperar, que não têm a paciência adequada de construírem a si próprias. Situam-se em um campo imediatista, querem o aperfeiçoamento definitivo e finalístico alcançado de um dia para outro.

Milhões delas pensam assim: "Eu vou na igreja tal ou vou no grupo tal uma vez por semana e resolvo o meu problema espiritual". E acham mesmo que dessa maneira, só com essa atitude, solucionam toda a questão intrínseca.

Mas eu posso ser sincero? A questão não é assim. Essa concepção define um erro muito triste. Aliás, posso até dizer mais, é duro escutar esse tipo de coisa. É uma falha lamentável esse tipo de pensamento. É uma frustração na base. O problema não é solucionado de forma tão periférica e simples assim. A questão é o nosso campo íntimo.

Para se ter ideia, cada reunião espiritual que a gente vai nos dá um peso a mais para conscientizar. À medida em que assimilamos padrões novos que nos são canalizados, passamos a observar que temos que aguardar a maturação deles em nosso íntimo.

Você já deve ter tido aquela sensação de que os dias e as semanas tem passado rápidos. E um dos problemas que tem feito a humanidade sofrer hoje em um mundo em convulsão é essa tentativa de querer erguer a felicidade da noite para o dia.

Pense nisso. Tem criaturas com mentalidade tão objetiva que não sabem esperar.

Sabe o que elas fazem? Saem desembestadas de qualquer jeito que nem um trator, derrubando tudo. É fato que a misericórdia divina nos deu a paciência, mas muitas criaturas humanas simplesmente não trabalham a paciência. Infelizmente, nós todos nos incluímos nisso. E grande percentual de pessoas, por negligenciarem essa questão tão importante, não trabalham a paciência. Transitam pelos caminhos da vida envolvidas em um sistema difícil e complicado chamado impaciência e irritação, para depois, cedo ou tarde, caírem frustradas e em desalento.

A perda energética que ocasionalmente sentimos não resulta tanto do acúmulo de problemas que carregamos. Deriva da ansiedade. A deficiência geralmente nasce da aflição com que aguardamos de forma ansiosa os resultados de nossas ações, desejosos de destaque pessoal no imediatismo da Terra. Porque esperamos resposta do mundo aos nossos anseios e esquecemos que tanto no bem quanto no mal tudo tem o seu tempo: primeiro vem a semente, depois os frutos, e não pode ser diferente.

Então, de que adianta a gente se afligir? A aflição não apressa o resultado das coisas.

É por aí que muitas vezes complicamos nossa jornada, por impaciência ou falta de capacidade de persistir.

E quanto mais nós aprendemos e passamos a entender a dinâmica da própria vida, mais nós descobrimos a dimensão da nossa ignorância e da nossa fragilidade.

Assim, de cara precisamos desativar o fulcro irradiador negativo para que os valores positivos floresçam, porque por ser apressado e aflito nós perdemos momentos felizes, obcecados por uma estratégia que montamos com a nossa visão imediatista, quando na verdade a marcha evolutiva é uma marcha acanhada, gradativa.

Repare para você ver: você pode fazer um projeto e planejar uma casa de um dia para outro, não pode? Todavia, ela com certeza vai ter que ser erguida com determinado plano de bom senso. Quer dizer, você poderá até contar com técnicas capazes de acelerar o processo de construção, mas de qualquer maneira ela vai ter que começar de baixo para se erguer, tijolo a tijolo, bloco a bloco.

Eu não estou aqui para dar lição de moral. Longe disso. Mas muito dos nossos erros, fracassos e lástimas no campo da aprendizagem são decorrentes sabe de quê? Da nossa pressa. Já pensou nisso? Daí, não vamos ficar nessa de torpedear a marcha natural dos acontecimentos. O crescimento pressupõe uma metodologia de continuidade, razão pela qual na nossa estrutura educacional, psíquica e espiritual, é preciso desativar a pressa. Correria não dá, não adianta correr na evolução.

Temos que saber esperar e aproveitar cada momento, saber se manter tranquilo interiormente para aproveitar cada momento que a misericórdia nos concede. Ter a maleabilidade e o jogo de cintura para aproveitar cada instante. Sabe por quê? Porque as oportunidades voltam no tempo, mas o tempo não volta. Perdeu a oportunidade? Aquela não volta mais. Percebeu? Pode voltar uma semelhante, não aquela.

Vamos ser diligentes e determinados, óbvio, mas vamos também saber esperar.

A paciência, antes de qualquer coisa, é a ciência da paz. E a paz representa o quê? Um encaminhamento sem pressa, sem precipitação. E a ideia é essa mesma: ser paciente.

Pense para você ver, para que a espera represente uma conquista efetiva nós temos aprendido em várias lições a importância de saber esperar. Podemos citar alguns exemplos: O fruto que alimenta representa, às vezes, um ano inteiro de trabalho silencioso de uma árvore. E outro detalhe, interessados no fruto de uma árvore, não o colheremos antes do momento justo. Embora nos atormentemos com a escuridão da madrugada, não adianta que a alvorada não brilha antes da hora prevista. E todo o progresso humano surge da paciência divina.

Jesus tinha os olhos voltados para Saulo de Tarso, não tinha? E o que ele fez? Precipitou? Apressou as coisas? Não. Ele teve a paciência de esperar a hora certa de se aproximar, fazer o contato e aguardar a resposta de Saulo. Em suma, essa é a paciência que importa, sem a qual não conseguimos evoluir, não conseguimos crescer.

E outra coisa que nós temos aprendido e que é fundamental levar na caminhada é que nos lances de crescimento não se dá passos efetivos e finalísticos em um espaço curto de tempo. Isso é algo para se ter em conta. Para evoluir a paciência tem que ser chamada. Sem paciência nada importante vai para a frente, qualquer projeto resulta em frustração. De forma que ser quisermos crescer vamos precisar de uma medida de paciência. Não podemos dispensar as soluções vagarosas.

Aliás, a paciência é um componente fundamental para a libertação. Ela é a virtude que afere a legítima conquista. É um sistema vigorante que toda metodologia de elevação pressupõe, motivo pela qual não dá para menosprezá-la.

20 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 10

GUARDAR E RETER

“SE ME AMAIS, GUARDAI OS MEUS MANDAMENTOS.” JOÃO 14:15

“E ELE DISSE-LHE: POR QUE ME CHAMAS BOM? NÃO HÁ BOM SENÃO UM SÓ, QUE É DEUS. SE QUERES, PORÉM, ENTRAR NA VIDA, GUARDA OS MANDAMENTOS.” MATEUS 19:17

“NADA TEMAS DAS COISAS QUE HÁS DE PADECER. EIS QUE O DIABO LANÇARÁ ALGUNS DE VÓS NA PRISÃO, PARA QUE SEJAIS TENTADOS; E TEREIS UMA TRIBULAÇÃO DE DEZ DIAS. SÊ FIEL ATÉ À MORTE, E DAR-TE-EI A COROA DA VIDA.” APOCALIPSE 2:10

“25MAS O QUE TENDES, RETENDE-O ATE QUE EU VENHA. 26E AO QUE VENCER, E GUARDAR ATÉ AO FIM AS MINHAS OBRAS; EU LHE DAREI PODER SOBRE AS NAÇÕES.” APOCALIPSE 2:25-26

“LEMBRA-TE, POIS, DO QUE TENS RECEBIDO E OUVIDO, E GUARDA-O, E ARREPENDE-TE.” APOCALIPSE 3:3

“EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:11

As escrituras sagradas em várias passagens nos sugerem guardar o que temos.

E espiritualmente falando, importa saber que se nós quisermos crescer daqui para a frente, de maneira efetiva, se quisermos avançar, vamos ter que saber guardar.

Tudo bem, isso é ótimo, mas a gente tem que saber o que é guardar. Temos que saber afinal de contas o que significa isso, o que vem a ser guardar. Porque a gente sabe que precisa guardar, o ensinamento é bem claro nessa questão.

De princípio, guardar nos dá uma ideia de acondicionar. Mas vamos depreender que não se trata de por no guarda-roupa, inserir numa gaveta, colocar em uma dispensa, na geladeira ou tão somente arquivar na nossa memória. Nada disso.

Esse ato pressupõe antes de tudo certo cuidado, um critério de nossa parte, porque como alguém vai guardar alguma coisa se não tiver cuidado com essa coisa?

Em tese, o que guardamos são coisas de valor. Guardamos valores. E existem valores guardados que as pessoas nem usufruem. Concorda? Ficam guardados, mas pessoas não se valem deles, não usufruem. Como valores guardados em um cofre, por exemplo, ou em um banco. Ficam lá, às vezes, por longos anos. Daí, vamos entender que os valores servem para ser utilizados, para serem usufruídos.

Pois se vamos guardar é porque trata-se de uma coisa boa, de algo que possui algum valor, que é importante para nós. Uma criatura em perfeito juízo não vai guardar uma coisa só por guardar, não vai guardar o que não lhe interessa, que não seja importante, que não tenha utilidade. Então, espiritualmente falando a primeira coisa que nos importa saber é que é guardar no sentido utilitário. Ou seja, guardar é manter no íntimo valores que temos para poder realizar com eles.

Ficou claro essa questão? No que diz respeito aos valores do evangelho, não nos interessa decorar a mensagem, o essencial é guardá-los no sentido afetivo, no sentido essencial. Define com muita tranquilidade que nós temos que reter as informações assimiladas ao nível da persistência. Para quê? Para serem utilizadas de forma segura. E sabe quando? Diante das circunstâncias que nos chegam.

Guardar tem por objetivo manter os caracteres positivos acesos no sentido de aplicabilidade.

O guardar é no sentido operacional. Guardar os mandamentos significa operar com eles. Guardar os valores assimilados no campo perceptivo e intelectivo é realizar com eles.

Então, para nós realizarmos as conquistas que são importantes para nós é preciso reter e guardar ao nível da aplicação.

E algumas passagens vão além, definem que nós temos que ser fiel até o "fim" ou até a "morte", a definir que a fidelidade é fundamental. Agora, eu só espero que você não fique pensando que esse fim é até o fim da vida. Não! É ser fiel até o fim de uma etapa, fim de um período, que pode ser mais longo ou menos longo, até o fim de certos acontecimentos, até a meta final de cada lance, fiel até a realização de cada proposta que levamos a efeito. É permanecer sem esmorecer e mudar de intento.

E ser fiel até a morte!

Mas você sabe que morte? A morte dos caracteres que trazemos no íntimo. A desativação dos padrões que tinham conotação positiva, no entanto passamos a vibrar em novo patamar e eles alcançaram coloração negativa, mas ainda representam expressão viva dentro da gente. Morte dos conceitos que mantemos e que não atendem mais os nossos anseios de reconforto. Morte das concepções e ideias que nutrimos em uma época que não justifica mais eles estarem presentes.

E uma coisa é fato: é com o decorrer do tempo que nós fixamos os novos padrões.

E como a formação (a ação aplicativa) vem depois da informação, o que nós precisamos fazer? Precisamos reter o que possuímos. Então, se guardar significa manter, reter equivale a perseverar. Acompanhou? Pois se vamos reter é sinal que aquele valor já está guardado, ele já penetrou a nossa faixa íntima e foi acondicionado.

O componente novo que chegou foi incorporado ao meu terreno, e eu tenho que reter.

E como é que retém? Buscando trabalhar o valor no plano aplicativo, que é o plano de fixação.

É retendo os padrões recebidos no sentido de aplicação constante com eles que eu começo a gestar caracteres novos em mim. E eu começo a perceber que o que recebi informativamente consegue se formar. Quer dizer, o que era informação, o que era uma espécie de esboço, passa a adquirir forma, passa a constituir novos padrões consolidados. E por que isso acontece? Porque na minha faixa de ação eu fiz, na minha órbita eu apliquei, eu realizei. Ok? Isso é reter.

Logo, em qualquer área imaginável da vida não há como progredir sem reter e fixar.

É necessário insistir para que os novos padrões ganhem corpo. O que também nos auxilia nos momentos difíceis.

O grande desafio nosso, sem sombra de dúvida, é saber manter a perseverança na continuidade para a fixação dos padrões novos que estamos ingerindo. Investir e sustentar o investimento. Conseguir perseverar no serviço de forma firme.

Para crescer não tem outra, o trabalho da alma requer fixação, aproveitamento e continuidade. Porque é dentro de um processo de constância que nós vamos dando passos.

Por isso, pense bem: para obtermos a melhor parte da vida é preciso servir e marchar incessantemente para que não nos modifiquemos em sentido oposto à expectativa superior.

10 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 9

SEM FANATISMO

Muitos companheiros tem pressa na mudança. Tanta pressa que comumente buscam impor a si mesmos.

Violentam-se mediante uma terapia de choque. Recebem algo de fora e não analisam. Pegam e pumba!

Não conhecemos gente assim? Usam uma espécie de terapia equivocada em que a individualidade não tem a paciência necessária de construir a si própria.

É como se dá com o fanático. Aliás, o fanatismo é um processo cristalizado, fechado, em que a criatura entra em um investimento de maneira definitiva e violenta. E o que é pior, inclusive sem medir as consequências. O fanático é aquele indivíduo que ingere conteúdo e nem mastiga. Não questiona, parte para a aplicabilidade sem discernimento, sem o equilíbrio e a segurança que se fazem precisos. Ele recebe algo no sermão da igreja e acha que aquilo tem que ser daquele jeito, e pronto. Não quer nem saber. Então, nós temos que pensar, porque se resolvermos atropelar a evolução está arriscado nós nos fanatizarmos.

E todo fanático é cego. Concorda? Nós estamos dizendo isso sem querer ofender ou menosprezar ninguém, mas é a pura verdade. É cego. Ele acha que o mundo está todo errado, ele é que está certo. Ele acha que é o tal, aquilo que ele acha vira lei. Às vezes, deixa a barba crescer, não toma banho, anda com sandália de dedo arrastando, de qualquer jeito, todo esfarrapado. Em suma, alienou-se.

De forma que temos que ter cautela, capacidade de avaliar. Quando chegar um companheiro em nossa órbita querendo implementar a mudança de forma intempestiva, cuidado. É preciso avaliar, pois não podemos entrar em um plano alienante.

E quer mesmo saber? O fanatismo surge quando a individualidade começa a contrariar as realidades operacionais, naturais e equilibradas. Deu para acompanhar? É um processo que impera de fora para dentro, em que a pessoa pode introjetar padrões e não aplicar esses padrões. Aí piora tudo. Porque ela vai ficar inabilitada, sem a experimentação devida na nova faixa. Deu para entender ou complicou? Repare que tem uma gama imensa de pessoas que buscam um tratamento de choque, imediato, para uma coisa que tem que ser respaldada de forma paulatina, de maneira gradativa, pela repetição e pela experiência.

Meu amigo e minha amiga, preste atenção: nós estamos fazendo um esforço danado para entender o evangelho com carinho e profundidade e não podemos ignorar que a luz direta e intempestiva direcionada aos olhos de alguém pode prejudicar a visão.

E essa é a questão. Somos todos chamados naturalmente a mudar e operar, é óbvio, mas com discernimento e espírito seletivo. E com tranquilidade, porque se nós ficarmos aflitos e apressados nessa busca podemos nos perder e fanatizar em decorrência de uma utilização inadequada dos padrões. Por isso, a gente deve cultivar o processo dentro de um linha de segurança, sem o cultivo de idolatria ou fanatismo. O equilíbrio é imprescindível para que a gente não entre na alienação.

Também não quer dizer que a cada reunião que a gente frequentar a gente tenha que sair fazendo. Aí seria talvez um processo equivocado. Temos que perseverar, claro, mas sem fanatismo. E alguém pode dizer que mudar é muito difícil e complexo, mas temos que entender que a nossa mente sempre precisa de explicação.

É óbvio que qualquer pessoa equilibrada não endossa de forma alguma qualquer tipo de fanatismo. Incluindo o fanatismo religioso, que é o ponto central do nosso interesse.

Todavia, eu não sei se você já pensou a respeito, que o fanático religioso pode agora estar, talvez, violentando a si próprio. Mas não poderia ser pior? Porque enquanto ele está voltado para a religião ele não está entrando em complicações, não está criando problemas de relação que é a grande dificuldade das pessoas.

7 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 8

O MECANISMO DA MUDANÇA II

Para mudar os rumos da nossa caminhada, o que a gente faz? Estuda, lê livros de auto-ajuda, livros de interpretação do evangelho, frequenta cursos, reuniões, idealiza.

Essa constitui a linha conceitual. Em um estudo sequenciado como este, por exemplo, nós estamos trabalhando as linhas estruturais do nosso campo mental, que é onde está toda a base da mudança, é onde está a origem, o alicerce, a gênese de toda a iniciativa de crescimento efetivo.

Mas guarde com você o seguinte: as soluções na nossa vida não virão através da linha conceitual, virão no plano operacional. E isso precisa ficar muito bem claro.

Vamos explicar? Nós podemos sair de uma reunião modificados no campo mental, não podemos? Claro que podemos. Aliás, a renovação mental pode se dar instantaneamente se assim quisermos. Quer dizer, eu posso entrar por uma porta com uma ideia e sair com outra. Entretanto, não vale apenas a conceituação teórica ou a implantação de valores bonitos e de esperança no coração. É preciso implantar a grande luta. 

Sem dúvida, nós temos que apropriar uma carga de conteúdo, mas lembrando sempre que a sedimentação desse conteúdo, a conquista efetiva dele, é com base na aplicação. Em outras palavras, podemos dizer que a manifestação da vida mental representa uma base ou forma que vai ter que ser preenchida pela linha básica operacional do dia a dia. 

A conquista efetiva não ocorre pela assimilação didática do conteúdo, e sim pela estrutura vivencial do conteúdo. É a vivência dos padrões na linha aplicativa de todos os momentos, e em todos os ambientes em que estivermos, que transforma o que era ideia, esboço e propósito em componentes sólidos de nossa personalidade, capazes de passarem a constituir emissão de rotina de nossa vida.

Então, assimilemos valores e, gradativamente, à medida em que as circunstâncias forem surgindo, esforcemo-nos para aplicá-los dentro dessa moldura nova. Porque assim fazendo nós passamos a encontrar sabe o quê? Maior estabilidade, maior felicidade, equilíbrio, paz de espírito e harmonia interior.

Está claro para nós que a mudança é operacional, não é conceitual, certo? E também sabemos que o plano mental define a linha informativa dos caracteres, estabelece o esboço dos caracteres. Esboço esse que vai ser fundamentado e sedimentado apenas de uma única maneira: pelo plano prático realizador diário. De maneira que nós sempre iremos trabalhar utilizando essas duas faixas: informação e formação, assimilação e aplicabilidade, aprender e fazer.

E apesar da mudança efetiva ser operacional, nem por isso o plano mental é menos importante no processo. Pelo contrário, ele é importantíssimo, pois afinal de contas a linha conceitual é a forma que vai modelar a mudança operacional e final.

E se eu não mantiver essa base conceitual firme, bem definida, e não nutri-la de valores claros e seguros, sabe o que acontece? Na primeira oportunidade, na primeira adversidade, eu desisto e volto para a antiga sistemática de ação. Percebeu? Porque a nossa linha de pensamento ainda é fugidia, ainda apresenta uma aura suscetível de diluir-se por falta de alimentação e determinação mental.

É por isso que nós lemos muito. Repare que na medida em que chegamos ao final de cada livro nós tivemos vários pontos que foram acionados, que nós introjetamos e eles precisam ser aplicados, vivenciados. Assim, ao estudarmos nós estamos buscando fortalecer todo o nosso plano mental, encontrar força para as mudanças, de modo a que os nossos propósitos não sejam apenas lances eventuais, mas componentes permanentes em nosso pensamento para a ação.

A grande verdade é que nós temos sido muito frágeis, temos demonstrado muita fraqueza na hora de implementar as medidas. 

No final de cada estudo ou de cada reunião que participamos, por exemplo, nós saímos felizes. Ficamos eufóricos e entusiasmados com tanta coisa interessante que aprendemos. Conhecemos algo novo que a nossa mente endossou, enaltecemos o aprendizado, fazemos discursos, exposições eloquentes, escrevemos poesias, discursamos de forma brilhante, no entanto persiste a luta vivencial na nossa própria intimidade. Aprendemos e não fazemos o que aprendemos.

Na hora de enfrentar os momentos da aferição a situação fica difícil, e usamos o jeito antigo.

Para se ter ideia, eu posso sair de uma reunião espiritual ou de um culto em uma igreja motivado e determinado a mudar. Não posso? Posso sair harmonizado, decidido a colocar em prática os ensinamentos aprendidos e simplesmente não fazer nada. Posso sair de um estudo com muitos esboços dentro de mim, esboços que definem uma mentalidade mais equilibrada e harmônica, e esse esboço ser desmanchado ali mesmo, logo na saída, no portão, brigando ou entrando em desajuste com alguém. Percebeu? Eu saio determinado a aplicar e na primeira esquina, ou ao entrar dentro de casa, eu quebro o pau, como se diz na gíria. Discuto com alguém, me desentendo com alguém.

Quer dizer, eu entendi e não fiz, aprovei consciencialmente o ensinamento e não o apliquei.

Aí não adiantou. E o que é que eu vou ter que fazer? Uma releitura. Vou ter que reciclar, reforçar o conhecimento, começar de novo. Lamentavelmente, isso acontece demais.

Para ser mais preciso, são raros os que mantém a resolução necessária para aplicar a luz que recebem. A maioria das pessoas, após momentos de sublimidade nos grupos a que se afeiçoam, esquece rapidinho os valores recebidos e volta-se novamente para as mesmas condições de horas antes da assimilação.

Ou seja, saem com a aura mudada, atravessam o portão de saída, pegam o ônibus ou entram no carro e o esboço positivo já se desfaz. Mal chegam em casa e já começa a manifestar o homem velho. E retornam na semana próxima com as mesmas aspirações da semana anterior.

2 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 7

O MECANISMO DA MUDANÇA I

Tem pessoas que acham que podem evoluir apenas somando informações captadas, sejam essas informações provenientes de leituras, de reuniões, de cursos ou de coisa parecida. Elas ficam apenas em busca de informações: "eu faço curso disso, faço curso daquilo, participo de uma coisa aqui, participo de outra coisa ali". E assim vão seguindo, apenas introjetando padrões no campo mental.

Realmente tem pessoas que acham que podem sair de uma reunião e já mudar tudo. Mas o fato é que essas, de certa forma, ainda não adquiriram a capacidade de ajuste.

Porque vamos ser sinceros, não dá para sairmos de uma reunião ou de um culto religioso e achar que somos outra pessoa. Não dá para alguém sair, chegar no portão e simplesmente dizer: "eu agora sou outro homem" ou "mudei, sou uma nova mulher". Não dá para usar esse discurso do "mudei, sou outro". Quê isso? Vamos ser realistas, não é outro ou outra coisa nenhuma. Isso é conversa mole. É papo pra boi dormir. A pessoa pode ser outra com novas ideias e propósitos, mas o seu espírito ainda é o mesmo, cheio de marcas.

Analise junto comigo: não há como sair de uma área para outra área sem passar por aquilo que nós chamamos de transição, certo? Quando você saiu de onde estava, mas não chegou onde você queria, você está no trânsito. Ok até aí? Então, se está no trânsito está em transição. E a transição é transitória, é uma fase, é um período.

E no plano da transição, quando nós passamos de um ambiente ou de uma etapa para outro ambiente ou outra etapa, nós entramos no novo ambiente ou nova etapa levando conosco uma soma de reflexos que ainda são marcantes em nós. Percebeu? Nós levamos muitas marcas fortes e vigorosas da nossa personalidade.

Quando nós entramos numa vida nova nós trazemos ressonâncias da nossa forma de agir de vidas passadas. Então, não existe essa coisa de sai daqui, passa pra lá, é outro, tudo novo, começa do zero novamente. Não! Isso não existe.

E tem outra coisa: todos nós, sem exceção, nos situamos debaixo de uma soma imensa de caracteres milenares que trazemos do passado e que não podem ser mudados de forma instantânea, imediata, num abrir e fechar de olhos.

E esses caracteres embutidos na nossa personalidade são vigorosos, ou seja, exercem uma influência na nossa vida muito maior do que a gente possa imaginar. Não existe a menor possibilidade de desativarmos esses reflexos por sistemas mecânicos ou elaborações mentais de periferia. Está dando uma ideia? Essas cristalizações de longo período no inconsciente não podem ser arrancadas com algumas palavras e induções psicológicas de breve duração. Não são extirpadas através de simples atitudes milagreiras de momento. Então, vamos ter em conta que atitudes mentais enraizadas não se modificam facilmente. Para se ter ideia, o vício não cede o lugar sem luta. É preciso destronar um elemento que impera para que outro assuma a sua devida posição.

No campo da nossa evolução não existem milagres. O que existe é trabalho constante e consciente.

Não dá para aquele que está participando de uma reunião achar que no final vai sair batendo asa de anjo. Isso vai ser impossível. É preciso estruturar uma marcha gradativa, elaborar novas condições. Criar um sistema todo especial, mas que não vá colocar a criatura em uma linha sistemática em que ela perca a sua espontaneidade. A nossa presença em um estudo, por exemplo, é uma atividade que abre para nós um verdadeiro celeiro de informações, a fim de que as nossas mudanças não sejam feitas de maneira insensata e nem tão pouco abrupta, intempestiva. O trabalho tem que ser levado de maneira racional, segura e tranquila, com naturalidade, de tal modo que o ato de mudar seja algo positivo e não implique em um estado de alienação da vida.

A maioria das pessoas tem pressa em mudar. Pressa não no desejo da mudança, mas no alcance do resultado. Todavia, é preciso desmistificar a ilusão de que muitas coisas podem ser mudadas com passes de mágica. De fato, seria muito bom se em cada mudança de conceituação nossa no campo da vida a gente pegasse o ponto sombrio e desmanchasse. Pegasse uma borracha e apagasse. Isso é o que a gente queria. Concorda? Mas é assim que acontece? Não. Será que realmente achamos no fundo do coração que vamos sair de uma reunião e mudar? Como não existe milagre, não somos capazes de passar uma esponja em tudo o que fizemos e mudarmos de repente, de um instante para outro.

Não dá para ficarmos como os religiosos tradicionais: frequentei a reunião ou o culto lá, mudei, sou outro e tal. Não! Não tem jeito. Isso é relativo. A cada dia temos que operar, gradativamente, o terreno da mudança. Nós não podemos simplesmente pegar uma foice ou um trator e sair derrubando as árvores que plantamos.

A mudança efetiva não é um momento apenas, é um processo. Processo em que vamos criando novos conceitos. E a sedimentação de conceitos não se faz apenas em cima de uma linha que chegou e nós assimilamos de maneira intelectiva. É lentamente e com regularidade que se formam os conceitos, é lentamente que damos forma a eles. Conceitos são formados aos poucos, como ocorre com o uso de uma medicação contínua.

Então, não tem outra, temos que ter paciência na sedimentação dos conceitos. Sem contar que como a nossa mente é muito fértil muitas vezes nós não criamos só conceitos, ficamos nas linhas restritas e difíceis do preconceito, o que é duro.

Nós temos reflexos em nossa vida que podem ser mudados com muita rapidez, outros que exigem um bocadinho mais de tempo e outros que, às vezes, vão gastar muito mais. Quem sabe ainda duas ou três reencarnações. Pode parecer que estou exagerando, mas a questão é por aí. E se quisermos fazer uma mudança radical em nossa personalidade vamos notar que possivelmente entraremos em frustração.

É preciso que a incorporação dos novos padrões íntimos cumpram certos períodos, que podem ser medidos em dias, meses e anos. Eles necessitam cumprir esses períodos para que haja a sedimentação. Inicialmente, os padrões novos chegam pela linha assimilativa e na linha assimilativa entra o quê? Semente e germinação. Depois o crescimento, a floração e a frutificação. Resultado: eles vão ter que ser vivenciados, repetidos e fixados. E até serem devidamente fixados precisarão ser trabalhados naturalmente durante o período necessário.

30 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 6

ESCALAS GRADATIVAS

Se a gente pensar bem, muito da nossa perseverança se desmorona sabe por quê? Porque ao invés de traçarmos metas para a semana, nós queremos traçar metas para o ano inteiro.

A gente mal tem uma ideia e logo quer fazer coisas altamente sofisticadas, altamente complicadas.

Não é por aí? É comum a criatura nem ter dado o primeiro passo e ela já começa a cultivar o desejo de grandeza. E verdade seja dita: toda pessoa que quer fazer tudo de uma vez, sem gradatividade, estabelece projetos mirabolantes que não raras vezes costumam acabar em grandes decepções e frustrações.

Não se impressione, a questão não é de entusiasmo, a questão é de esforço persistente.

Guarde o seguinte: em plano algum a natureza age aos saltos. Tudo na natureza tem um processo lento e gradativo de afirmação. Concorda? E com o processo ascensional nosso não é diferente, ele tem que ser feito passo a passo.

Ninguém edifica de improviso, mas à custa de trabalho incessante. Nós não vamos dar saltos, a edificação propõe lances gradativos. Não vamos dar saltos. Não adianta projetarmos que um dia vamos ser anjos se não trabalharmos o passo a passo. Precisamos começar nossa edificação do princípio, dos pontos básicos. Começar de forma consciente e sólida pelas menores coisas que nós guardamos. Como no erguimento de edifício, levantando e solidificando ponto a ponto.

Imagine que a nossa intimidade seja uma caixa d'água com um determinado índice de sujeira, de poluição. A princípio, o que a gente precisa fazer para limpá-la? Preste atenção, estamos fazendo referência à nossa caixa d'água mental. Ok? Inicialmente, a ideia que nos vem à mente é que a gente tem que esvaziá-la, ou seja, fechar o registro, a torneira, esvaziar a caixa e enchê-la novamente.

Só que não dá para fazer isso, porque assim a evolução cessa. Não dá para esvaziar o conteúdo mental e começar do zero. Daí, o que é que nós temos que fazer? Em primeiro lugar, temos que avaliar o grau de poluição existente e avaliar o nosso conteúdo, identificar os nossos recursos positivos, os nossos valores.

Em seguida, ir colocando água limpa e, ao mesmo tempo em que a água limpa entrar, deixar que aquele cano que fica na extremidade superior da caixa, comumente chamado de ladrão, vá jogando água para fora. Deu para acompanhar? Com o decorrer do tempo vai acontecendo o quê? Vai havendo a clarificação gradativa dessa água. Logo, esse é o processo que estamos buscando fazer.

Isso sem contar que se a gente simplesmente colocar água pura essa água talvez não seja capaz de nos dessedentar, em razão da nossa estrutura de poluição íntima ser compatível com nosso grau de evolução vigente. Percebeu? Com isso nós estamos reafirmando que o processo de melhoria e crescimento é gradativo, é passo a passo.  

A vida é assim, melhoram-se as dificuldades, continuam as lutas.

A gente vence uma etapa, acha que acabou, que fechou e o que acontece? Surgem outras pela frente. Realizamos um objetivo e outro objetivo é elaborado adiante.

Isso não é para nos desanimar, é para nos mostrar a grandeza da vida, a beleza e o dinamismo da vida. 

A pessoa diz: Cheguei! E quer saber? Chegou nada. A chegada finalística não existe. Quando se chega no fim de uma etapa é hora de começar uma outra etapa.

26 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 5

REPETIÇÃO E CONTINUIDADE

“PORTANTO, MEUS AMADOS IRMÃOS, SEDE FIRMES E CONSTANTES, SEMPRE ABUNDANTES NA OBRA DO SENHOR, SABENDO QUE O VOSSO TRABALHO NÃO É VÃO NO SENHOR.” I CORÍNTIOS 15:58

“MAS AQUELE QUE PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO.” MATEUS 24:13

Jesus perguntou a Pedro: "Amas-me"? Uma vez. "Amas-me"? Duas Vezes. "Amas-me"? Três vezes. É uma referência para nós de que o trabalho de aprendizagem se faz em cima de repetições. E não tem como ser diferente, o crescimento surge efetivamente em termos de constante repetição. Não há mistério, nós temos que aprender a repetir porque a metodologia da evolução implica em repetição.

A cada dia que passa nós nos mantemos debaixo da cobertura da misericórdia divina e do carinho dos amigos espirituais, e o auxílio que recebemos vem muito em decorrência sabe de quê? Dos componentes positivos que implementamos em nós mesmos chamados de continuidade, persistência, vontade, garra, abertura de coração, humildade, desejo de crescer conscientemente e luta reeducativa.

E quando a questão é estudo a metodologia não é diferente, é a mesma. Ou seja, a repetição é a base fundamental também da legítima assimilação de conhecimento.

É por isso que tantas vezes nós ficamos aqui repetindo coisas, batendo em vários ângulos já conhecidos nossos, insistindo nas mesmas teclas conhecidas. Elaboramos um capítulo, mais adiante o mesmo capítulo retorna, mais ampliado e sob o nome de 2ª edição, 3ª edição, e por aí vai. O fundamental é que sempre precisamos repetir.

E isso não funciona apenas para um ou para outro não, funciona pra todo mundo. 

A gente tem que repetir. O estudo, seja ele qual for, não tem como dar uma pincelada, acabou, estudei, já sei e pronto. É lenta e gradativamente que nós vamos abrindo o campo da verticalidade informativa. Vamos repetindo e trabalhando em cima do mesmo assunto, e cada vez que trabalhamos incorporamos algo novo.

Em cada reunião e cada estudo que participamos nós temos praticamente uma reciclagem. Você concorda? É assim que aprendemos. Aqui não é diferente. Quantas vezes nós repetimos aqui? O nosso mecanismo de sedimentação se faz com base no componente repetitivo, que é instrumento didático. Não se esqueça disso, é uma reciclagem num percentual enorme de padrões que nós já conhecemos. Às vezes, um toquezinho chega e a criatura pega. Ela ouviu lá, ouviu ali, aquilo lhe foi dito algumas vezes e chega um certo momento em que abre e ela compreende: "Engraçado. Já ouvi falar tantas vezes isso. Hoje é que eu entendi".

Guarde mais uma coisa da maior importância: o sistema de aprendizado, todo ele, é embasado no ângulo da experiência e da repetição. Não se sai de um ponto e vai para outro ponto pelo simples fato de nós termos lido ou aprendido algo em um estudo ou em uma reunião. Isso nós temos que ter em conta. Para que as experiências se façam acompanhar de resultados positivos e proveitosos na vida, faz-se indispensável que os dias de observação e esforço se sucedam uns aos outros.

Ficou claro? É pela repetição que nós chegamos lá. 

A conquista é por uma soma, e não por um ato isolado. Aliás, se a gente pensar bem um ato isolado em certas situações pode até ser aflitivo para nós. E a experiência única não tem condição sequer de sobrepor-se ao condicionamento da criatura.

Você está cansado da rotina? Parece que todo dia é a mesma coisa? Não se aflija. Está certo que temos que renovar, mas dentro do plano da perseverança a rotina ainda é uma necessidade para nós. Ela tem um sabor chato, monótono, cansativo, mas é importante. Em todo o universo a lei de repetição é fundamental.

É pela rotina que nós sulcamos e alteramos o psiquismo, é por que ela que fixamos os caracteres novos. Em suma, é a rotina que atesta a nossa legítima conquista. Agora, é óbvio que compete a cada um de nós utilizar certas providências que possam vez por outra quebrar a rotina, e mesmo dentro dela podemos elaborar linhas interessantes e inovadoras com uma vibração de diversificação.

Se você pensar bem, a nossa evolução não está centrada no estudo que participamos hoje, nem no que participaremos em qualquer outro dia, como também não está no livro que estamos lendo. Porque a formação de uma personalidade nova é inerente a um processo repetitivo que vai marcando a direção do curso da vida. A fixação é decorrente da repetição daquela forma delineada, daí tem que repetir, repetir, repetir. Não tem outra forma, o progresso é pela repetição.

Não dá para adquirir experiência, tranquilidade e segurança na base do corre aqui, mexe aqui, faz ali, igual um beija-flor. Não dá. O beija-flor pode pegar a essência que precisa no papel específico dele, mas o nosso trabalho é de continuidade, pois a sedimentação e fixação dos valores assimilados decorre da repetição.

É por isso que evangelho ensina que "aquele que perseverar será salvo" (Mateus 24:13).

É preciso a repetição continuada para que se dê a fixação. A resultante é de cada minuto que se vive, razão pela qual nós temos que bater muito nessa questão. E ao mesmo tempo saber viver ativamente e adequadamente cada minuto que passa, apropriando os valores e componentes que se irradiam no momento. Ok? Vamos pensar nessa questão com carinho para que possamos atingir os objetivos a que propomos.

A conclusão que tiramos com muita convicção é: persista! O fundamental é começar e continuar, sem ficar preocupado com o que poderá vir em termos de prêmio amanhã. Vamos dar o nosso recado e perseverar. Dar o nosso melhor, embora sabendo que o nosso melhor sempre pode ser melhorado. Façamos a nossa parte com entusiasmo, dedicação e alegria, pois o resto não é com a gente.

E por que eu estou falando muito nessa coisa de persistir? Por que eu estou insistindo muito nisso? Porque por enquanto muitos dos nossos objetivos são largados pelo caminho. Simplesmente não chegamos neles. Você já pensou nisso? Crescemos, mas continuamos igual criança, que está brincando com um brinquedo, aparece outro e ela larga o primeiro. Ou, então, o brinquedo quebra e ela pega outro.

Precisamos avaliar isso, porque em termos de fixação de objetivo e meta nos mantemos pouco felizes ainda. São muitos os motivos que geram isso, mas o fato é que vez por outra nos defrontamos com valores e circunstâncias que nos envolvem de várias formas e nós acabamos nos desviando da meta. E enquanto isso estiver acontecendo é um sinal claro de que não estamos tendo a autoridade suficiente para produzir com consciência e equilíbrio. Percebeu? Repare para você ver, a gente começa e para tanta coisa. Começa e não termina. Quantas coisas que consideramos importantes a gente começa e não continua?

Com isso eu não estou dizendo que toda a ideia que tivermos, que toda a meta que nós traçarmos, vamos ter que chegar até ao final dela. É claro que não. De forma alguma. 

Eu não estou falando isso. A estrutura vivencial pode produzir alterações. É normal. Você pode perfeitamente iniciar uma jornada e alterar o percurso, resolver mudar a rota, decidir caminhar para outro ângulo. Pode idealizar um objetivo e no encaminhamento do contexto resolver alterar e retificar o curso. Isso faz parte. Pode acontecer. Agora, cá pra nós, você retificar o rumo é uma coisa, se esquecer da meta que propôs ou desconsiderar a meta é outra coisa bem diferente. E é aí que está o problema. É isso que gera a dificuldade.

19 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 4

A PERSEVERANÇA

“MAS AQUELE QUE PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO.” MATEUS 24:13

Uma coisa que nós temos aprendido ao longo do tempo, e que podemos afirmar com toda a certeza, é que o processo de evolução tem que ser fixado na perseverança.

Vamos ter em conta a capacidade de perseverar. Não há luta com êxito sem perseverança.

A sistemática de ação tem que ser fixada na perseverança. O crescimento é pela sua utilização e em qualquer pessoa não tem como ser diferente. Ninguém receberá as bênçãos de qualquer colheita sem o devido suor da sementeira.

E nós podemos até ir além, sem qualquer exagero: a perseverança é o instrumento fundamental da conquista. É a base da vitória, componente básico da realização. Constitui o caminho seguro para toda ocasião em que a individualidade se desperta e quer conquistar, principalmente quando ela quer acesso a algo novo que não conhece.

Sem ela não há caminho para a felicidade. Em suma, nós não temos como operar alterações seguras no roteiro e nem conquistar o que queremos sem perseverar.

Exemplos nos ajudam no esclarecimento, então, toda vez que você pensar em desistir lembre-se que a semente tem que vencer o obstáculo apertado da cova escura para poder germinar; que nenhuma semente acorda árvore de uma noite para o dia e que tão pouco é possível encontrar frutos na árvore nascente.

Não se prepara o solo para a plantação sem retificá-lo ou feri-lo, e somente a terra trabalhada é capaz de produzir, alimentando e atendendo a esperança do plantador.

Em suma, a realização de qualquer objetivo que propomos exige uma dinâmica continuada.

Você estabeleceu sua meta? Se sim, tente uma vez, tente duas, três vezes e, se possível tente a quarta, a quinta e quantas vezes for necessário. Só não desista nas primeira tentativas, porque a persistência é amiga da conquista. O processo da evolução tem que ser fixado na perseverança, e perseverança diz respeito à permanência. Significa conservar-se firme e constante no propósito. É persistir, continuar, manter a força ou ação. É ter firmeza, permanecer sem mudar ou variar de intento.

Ficou claro? Persistência representa a busca que a criatura elege. A maioria das pessoas quer fazer, quer realizar, mas a vontade é da boca para fora. Daí, se você quer chegar aonde a maioria não chega, precisa fazer o que a maioria não faz.

É comum a gente ser apanhado na nossa luta reeducacional dentro de um túnel. Já pensou nisso? 

E sabe por que túnel? Porque na maioria das vezes em que uma luz nos toca e nos sensibiliza nós reconhecemos que no momento do despertar estamos dentro de um túnel escuro. 

Vemo-nos circunstancialmente em um labirinto escuro, cerceados e limitados dento de um túnel sem luz. E mais, que toda a sombra em volta, toda a complicação dentro desse túnel, desse ambiente que nos envolve e limita, foi criada por nós mesmos lá atrás mediante escolhas menos felizes que efetivamos. 

Quer dizer, escolhemos indevidamente no dia de ontem e hoje a vida nos colocou nesse ponto difícil, até mesmo para refletirmos.

E aí o que fazer? A solução é buscar sair do túnel. E para isso é preciso usar de discernimento para nos desonerarmos desse sistema. O túnel é escuro e a gente tem que caminhar dentro dele até achar uma abertura com uma claridade na ponta. Concorda? Tem alguma outra saída? Não, não tem. Nós temos que percorrer atrás dessa abertura com paciência e determinação para poder sair.

A gente não pode simplesmente destruir o túnel, explodi-lo e pronto. Se fizermos assim, o que é que acontece? Fechamos a eventual saída e corremos o risco de ficar por mais algumas reencarnações envolvidos na confusão toda. Percebeu?

Isso é o que tem acontecido com muitos de nós. Diante da necessidade de sair da dificuldade que nos limita os passos, redimensionamos conceitos, passamos a pensar melhor, melhoramos posturas, no entanto ainda continuamos no trânsito complicado, escuro e difícil do túnel em que nos situamos. Estamos pensando na luz, estamos produzindo luz em nós, nossa semente está vibrando de uma forma diferente, mas ainda nos situamos em meio às trevas. Ainda vivemos dentro do túnel, sujeitos a todas às pressões e complicações que ele manifesta.

16 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 3

A ARBITRARIEDADE

Nós já estamos começando a entender que não se pode interferir negativamente no processo evolucional de ninguém. E isso é algo tão importante, tão essencial, que nós vamos até repetir: não se pode interferir negativamente na dinâmica evolucional de quem quer que seja. Afinal, a liberdade de alguém sempre termina onde começa outra.

Às vezes, nós queremos interferir de maneira radical na linha evolucional dos outros e é preciso não complicar o interesse do semelhante. Nós não podemos de forma alguma brincar com a vida dos outros, com o caminho que os outros estão seguindo.

Não podemos, em nome do nosso livre-arbítrio, querer impedir o determinismo superior quanto às outras individualidades com quem nós convivemos ao longo da vida.

Tem muita gente que confunde livre-arbítrio com arbitrariedade. Arbitrário é aquela decisão que independe de lei ou regra e resulta do arbítrio ou capricho pessoal. Aliás, o livre-arbítrio é livre até o momento em que ele passa para a arbitrariedade, porque aí já deixou de ter aquele sentido extraordinário de livre-arbítrio.

Todos nós sabemos que o livre-arbítrio às vezes é cerceado, especialmente quando ele tem uma conotação distorcida que pode gerar complicações para os nossos corações ou aquela tonalidade que tange para uma proposta fechada de arbitrariedade. 

O indivíduo vai usando e transformando o seu livre-arbítrio em arbitrariedade e ele acaba por entrar no campo de situações exteriores menos felizes que são providências que visam a conduzi-lo às mudanças necessárias pelo cerceamento de determinadas posturas. Deu uma ideia? De modo que os abusos da razão e da autoridade constituem faltas graves ante o eterno governo dos nossos destinos.

Em um planeta de provas e expiações, que é o que nós estamos vivendo, desmandos acontecem, não é? E quando a pessoa apronta, muitas vezes não se sabe se é livre-arbítrio ou se é arbitrariedade. Quer dizer, o elemento sai aprontando dentro do contexto social em que orbita, dentro do ambiente em que se situa.

Realiza desmandos com uma extrema indiferença e insensibilidade. Tem aqueles que saem aprontando de tudo quanto é jeito. Uns menosprezam aqui, outros agridem ali. Tem os que assaltam, ferem, outros matam um, matam dois, três. Todavia, cada individualidade responderá por si um dia, diante da verdade maior.

E vamos entender uma coisa para início de conversa: apesar das conturbações ambientes, dentro do universo existem leis sublimes que funcionam numa linha absolutamente inteligente e correta. Daí, sabe até onde a ação de cada criatura vai? Até onde não estiver complicando. É isso mesmo, nós vamos até onde não estivermos complicando.

Quando nossas atitudes se tornam inconsequentes, a grandeza de Deus com as suas leis não permitem.

O equilíbrio no contexto universal não pode ceder à arbitrariedade dos indivíduos.

Imagine o seguinte: o indivíduo chega em nosso ambiente e começa a aprontar. Isso não pode acontecer? Ele elege uma vida criminosa e sai aprontando. Daí, vamos analisar, quem está sendo vítima desse elemento? Os que tem débitos passados. Percebeu? Porque na hora em que esse agente começar a ameaçar inocentes, será que o criador vai concordar e aceitar seus desmandos? Impossível. 

Não se pode afligir quem não deve. Você se lembra de Saulo quando ele iniciou as primeiras perseguições aos cristãos? Pois então, ele afligiu alguns, mas quando foi atrás de Ananias a história mudou. Afinal, foi mexer com quem não devia.

Em nosso planeta, onde não existem vítimas, a arbitrariedade somente é aceita e tolerada enquanto os seres ultrajados estão sob o jugo da lei, enquanto estiverem recebendo as ações menos felizes aqueles que têm dívidas com o destino. 

Será que deu para entender? A criatura vai adotando atitudes desvirtuadas e nocivas até o momento em que a espiritualidade entende que aquilo está sendo de alguma forma útil para muitos. Inclusive para muitos que estão recebendo essas forças negativas tentarem retemperar o próprio mecanismo do destino. O indivíduo vai complicando o meio social em que ele vive enquanto as vítimas são devedoras.

De forma que muitas vezes o que está recebendo as ações está quitando a sua fatura, ao passo que outro está criando. Criando nova dívida para pagar no dia de amanhã.

O livre-arbítrio é respeitado, mas a arbitrariedade pode ser cerceada. Não é permitida a arbitrariedade dentro de uma área que não compete às vítimas ou pacientes receberem a arbitrariedade. Deu para entender? O indivíduo está aprontando, assaltando, maltratando, matando. Por enquanto, ele está tirando a vida de quem tem provas a cumprir. De quem tem débitos. Na hora que começar a ameaçar quem não tem nada a ver, daí a pouco, por exemplo, vem um tiro e pronto. Morreu fulano. Perfeito? Tirou do circuito. Ele é tirado fora do contexto.

Na hora que começar a complicar para além das fronteiras que interessam a nós e aos que nos circunvolvem, o barato dele é cortado. Na hora que o agente começa a entrar no terreno de quem não tem nada a ver, o plano superior tira ele de lá. 

Daí, nós não temos que ficar preocupados, porque na hora em que a espiritualidade notar que ele passou ou está passando da linha, corta a condição dele.

É da lei que cada individualidade responda pelos seus atos. E o detentor de certa autoridade que exige mais do que lhe compete, transforma-se em um déspota que o Senhor corrigirá através das circunstâncias que lhe expressam os desígnios, no momento oportuno. Essa certeza deve ser o suficiente para funcionar como alento e fator de tranquilidade para que o seguidor do evangelho, em hipótese alguma, quebre o ritmo da harmonia, a fim de manter a sua consciência em paz.

12 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 2

CONCEITOS INICIAIS II

A gente caminha elaborando sonhos e fazendo projetos, no entanto, acreditemos ou não, aceitemos a verdade ou a recusemos, nós não vamos até onde definimos como projeto. Nossa tarefa chegará simplesmente até o ponto em que o Senhor permitir. E nenhum passo além disso.

E quando chega nesse ponto, aí não tem jeito. Não adianta chorar, esbravejar, gritar, revoltar. E não vale desistir.

Todas as individualidades do planeta, e em todos os tempos, conheceram e sempre conhecerão aquele momento em que a vida não deixa ir além. Como dizem as escrituras: "Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo" (Tiago 4:15), e "o coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos" (Provérbios 16:9).

Então, se cada criatura humana dispõe do livre-arbítrio para criar o próprio destino, cada qual atua em uma faixa determinada de tempo. A vida é dinâmica e nada, absolutamente nada, é para sempre. Todos os espíritos, sem exceção alguma, sejam tiranos ou santos, malfeitores ou heróis, atingem sempre um limite da estrada em que o plano maior lhes impõe uma pausa para o exame necessário.

O livre-arbítrio é uma prerrogativa relativa porque acima dele vigora o determinismo divino. Existe uma determinação divina de que cada qual tem que progredir. E não tem como fugir da evolução. Não é uma questão de querer ou não querer.

A lei divina preceitua, sem exceção, que todos nós estamos determinados a evoluir.

A lei de Deus determina o progresso para todos e o determinismo opera independentemente das nossas decisões pessoais, das nossas propostas de decisão e de escolha. Então, o determinismo é uma lei maior a vigorar em todo o universo e ele se fundamenta totalmente no componente absoluto chamado amor.

Há quem acha que o livre-arbítrio é uma conversa por causa do determinismo divino. Todavia, vamos entender que o livre-arbítrio é a abertura que temos dentro da lei de determinismo. E a manifestação do determinismo também não é absoluta, também não é fechada. Sabe porquê? Porque pela utilização adequada dos recursos da nossa liberdade de escolha, que estão sempre alterando o destino e os rumos da vida, nós podemos facilitar muitas coisas para nós.

Deu uma ideia? O livre-arbítrio influencia no plano detalhado do determinismo de maneira positiva ou negativa. A retirada do determinismo está na linha direta do bom uso do livre-arbítrio. Nosso livre-arbítrio se amplia na medida em que entendemos o determinismo divino. Quanto mais enveredamos dentro do determinismo divino mais entramos no usufruto amplo do livre-arbítrio, quanto mais se expressa em nosso entendimento o determinismo mais se abre o nosso livre-arbítrio.

E queiramos ou não, com o livre-arbítrio está entregue em nossas mãos as rédeas do destino, e cada qual vai trabalhar em função do que fez com o seu uso, do que operou de positivo ou negativo. Precisamos de responsabilidade na base das escolhas para não perdermos essas rédeas, porque é um privilégio e uma felicidade estar com as rédeas do destino nas mãos. É bom a gente ter o direito de opinar, de escolher e decidir em cima das várias facetas da vida. E eu estou dizendo isso porque com o livre-arbítrio tanto colocamos barreiras como tiramos impedimentos do nosso destino. Seres livres com limitada liberdade que somos, nosso livre-arbítrio é elástico, ou seja, podemos estendê-lo ou bloqueá-lo.

Por ele nós criamos prisão e cerceamento aos nossos passos, como abertura e libertação.

Então, vamos ter em conta que a sua ampliação vai estar na faixa direta de nossa capacidade de compreender e discernir. Quase sempre, quando cedemos à vontade superior dentro do plano de nossa caminhada, o livre-arbítrio volta na frente muito mais ampliado para nós. Quanto mais harmonia e equilíbrio de nossa parte mais o seu parâmetro se abre, e nós podemos ter o livre-arbítrio ampliado até onde fala o pensamento harmônio superior. Será que deu uma ideia?

Quanto mais nós andarmos direitinho, na lei, mais o livre-arbítrio vai se abrindo para nós. Quanto mais as nossas atitudes se distendem em favor de um interesse globalizado e não egoístico, mais ele vai sendo aumentado, sendo ampliado.

Por outro lado, quanto mais nos fechamos sobre nós próprios dentro de um encasulamento pessoal, mais restrito ele vai ficando. O livre-arbítrio é cerceado com base na utilização menos adequada dele e nós começamos a ser cerceados.

Isso acontece demais da conta. Quanto maior for a nossa invigilância, quanto maior a irreverência nossa, mais esse parâmetro se fecha. Sempre um livre-arbítrio é reduzido em função de sua má utilização. Nunca há um processo de cerceamento do livre-arbítrio por capricho divino. Todas as vezes que ele é retirado não é por vontade caprichosa de Deus, mas por irreverência e invigilância nossa.

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