15 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 10

A FRATERNIDADE

Vamos pensar uma coisa: o que a natureza nos ensina ao constranger todos nós, seres humanos, às mesmas necessidades? Ao manter em cada um a mesma cor de sangue, o mesmo número de ossos no corpo físico, os mesmos anseios íntimos de paz e felicidade, as mesmas necessidades físicas e o mesmo desafio das experiências de nascimento e de morte?

Embora muitos possam não admitir, ela define de forma imperiosa e inequívoca a igualdade humana. Que ninguém é melhor do que ninguém, e ponto final.

No entanto, apesar da clareza informativa muitos indivíduos tem uma dificuldade grande em tornar acessível, à mente e ao coração, a ideia da fraternidade.

Indiferença porque as criaturas, de algum modo, permanecem encarceradas nos instintos humanos, nas lutas por posições e aquisições, centralizadas num egoísmo sem limite como se guardassem ainda as heranças da vida animal. E acabam tendo que aprender da forma mais dura depois, pelas experiências mais difíceis.

Porque após a eclosão dos entusiasmos transitórios fica sempre aquele gostinho amargo de frustração e inutilidade nos espíritos desiludidos com a precária hegemonia do mundo, instante em que a alma dilata as suas tendências para o mais alto e passa a enxergar com mais clareza a própria realidade da vida.

A novidade do ensinamento de Jesus era o princípio de que todos os homens são filhos de Deus.

E se todos são filhos de Deus todos tem a mesma origem. Concorda? Deus está em nós.

À partir daí, fica fácil aceitar e compreender que assim como ele está em nós está também nos semelhantes.

Nós já crescemos trazendo dentro de nós a ascendência paterna, o sentimento instintivo de que somos frutos da realidade divina. Como consequência dessa paternidade divina nós temos a fraternidade humana, ou seja, a conclusão lógica de que todos os homens são irmãos. Da paternidade de Deus decorre a fraternidade e a igualdade dos homens. Todavia, vale ressaltar que no âmbito terrestre a fraternidade e a igualdade merecem uma distinção de conceito, porque a igualdade absoluta é impossível de ser mantida em razão da diversidade incontável de tendências, de sentimentos e de posições evolutivas dos seres.

Eu não sei se você já reparou, mas na oração do "pai nosso" Deus vem em primeiro lugar. Isso é óbvio. E depois de Deus a humanidade deve ser o tema básico de nossa vida.

Porque sem amar a Deus e a humanidade nós não daremos passos de edificação, tampouco estaremos seguros na oração.

Pense para você ver: Jesus, filho por excelência, não pedia somente para ele. Pedia? Não. E se ele veio e conviveu conosco ele tem uma fraternidade ampla conosco.

E o que precisamos é acionar a nossa proposta pessoal dentro de um plano universalizado.

A fraternidade, que define o amor sublime de irmão, é a lei de assistência mútua e de solidariedade comum, sem a qual todo o progresso no planeta seria impossível. E isso não é somente teoria. A fraternidade precede qualquer trabalho salvacionista, quer dizer, toda caridade para ser divina, seja ela em qual âmbito for, precisa apoiar-se na base da fraternidade, na cooperação sincera. 

O mundo está lotado de companheiros que despendem todos os seus esforços na busca de títulos transitórios. Gastam todos os seus esforços e acabam por se gastar.

A resposta, mais dia e menos dia, não é outra senão a desilusão, o desencanto e a frustração.

Um pouco de conhecimento e humildade é capaz de nos fazer entender que nos dias atuais o título de irmão deve ser o único do qual realmente devemos nos orgulhar.

Precisamos também nos diplomar na ciência do amor, aprendendo a nos amar reciprocamente, agindo em tudo com solidariedade. A isso chamamos fraternidade e ela chega para estabelecer uma nova expressão no íntimo da criatura.

Uma verdade vigora no universo: quem ama está pondo em execução o mandamento primordial corporificado no Cristo. 

A palavra irmão sintetiza a expressão daquele sentimento que caracteriza o verdadeiro amor. Pois onde não há amor não há irmão e ninguém pode ser irmão de alguém sem o amar. Daí, não vamos protelar mais. Não vale adiar mais. Comecemos a ser irmãos uns dos outros hoje, nutrindo no coração a sincera disposição de ajudar.

E a vida passará a nos responder com maiores e melhores frutos na intimidade do coração.

9 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 9

O COMEÇO É NA FAMÍLIA II

“MAS SE ALGUÉM NÃO TEM CUIDADO DOS SEUS E, PRINCIPALMENTE, DOS DA SUA FAMÍLIA, NEGOU A FÉ”. I TIMÓTEO 5:8

Tudo tem um porque.

Às vezes, uma pessoa estranha chegou e alguém o atendeu. Vai olhar, com atenção, que estranho é esse. Por que simpatizou com ele? O que ele chamou a atenção no que o atendeu na hora? Uma análise é necessária no sentido de entender o porque disto. Por que uma criatura se mantém do lado de outra com tanto carinho, lhe tratando com tanta boa vontade e amizade? Por que, ao contrário, determinada criatura complicada se mantém próxima de outra por tanto tempo?

É preciso notar que existe uma sustentação, uma irradiação eletromagnética de recursos e de forças que nos prendem uns aos outros e que funciona na pauta dos relacionamentos vibratórios entre as pessoas. Vigoram vibrações intrínsecas.

Às vezes, o elemento ficou amigo de outro com uma facilidade danada: "Nossa, desde que ele chegou aqui eu notei. Eu simpatizei muito." Ao que alguém retruca: "Que isso! mas logo com ele?" E o primeiro devolve: "Ah, você deve estar enganado. Ele é uma pessoa bacana demais. Ele é muito jóia!" E por aí vai. Está percebendo? No fundo, a gente acha que está trabalhando com estranhos, lidando com indivíduos anônimos. Mas que nada. Nós estamos trabalhando é com os nossos. Assim, também, é muito difícil nós termos ao nível da conexão espiritual amor à primeira vista. Isso não existe. Temos que pensar.

De uma coisa todo mundo sabe: sempre foi fácil causar boa impressão naqueles que não convivem conosco intimamente. Concorda? Basta um gesto ou uma frase feliz e arrancamos, de improviso, o aplauso ou a admiração de quantos nos encontram exclusivamente na paisagem dos atos sociais. E mais, diante dos companheiros que se despedem de nós, depois de uma solenidade ou de qualquer encontro formal, também é fácil cairmos na hipnose da lisonja, com a qual se pretende exagerar nossas virtudes de superfície. De forma que lidar com as pessoas fora da nossa órbita é muito mais fácil do que lidar com os nossos.

E quando o assunto é família, muitos chegam a dizer que é mais fácil conviver com estranhos do que com os parentes. Não é isso? Porque os outros podem ser complicados, viciados, difíceis, intransigentes, todavia abraçam, mostram agradabilidade em determinadas situações: "Nossa, mas como fulano é bacana. Que pessoa fabulosa que ele é." O grande lance é: cuidado! Vá devagar. Você não conhece.

Está percebendo? Você não conhece uma pessoa somente porque conversou com ela em uma festa ou em um evento social durante algumas horas. Ou porque encontra com ela em certos lugares ou ocasiões e ela lhe demonstra uma singular simpatia.

Em todos os ambientes do mundo existem multidões de indivíduos que ostentam falsas virtudes para as pessoas de fora e não as aplicam aos familiares.

Falam belas mensagens nos cultos religiosos que frequentam, chamando os participantes à vivência da compaixão e sensibilizando a muitos. Verbalizam citações e conceitos de elevado valor moral lembrando a importância da brandura e da humildade, porém, no instituto doméstico são verdadeiros carrascos de sorriso na boca, que não gravam a mínima gentileza nos corações que os cercam entre as paredes do lar. De fato, tem muita gente assim, e o que o evangelho ensina diante disto? Ele ensina que quem não é virtuoso dentro de casa não será fora de casa, embora possa até parecer. Que ser delicado e afável na sociedade, deixando de manter essas ações em família, não é ser virtuoso, é ser hipócrita. E que a virtude não tem duas faces, uma dentro e outra fora. Isso não existe. A virtude é uma só e a mesma em toda parte.

E como podemos querer fazer um mundo novo se não sabemos resolver o problema dentro de nossa própria casa? Você concorda? Isso é coisa para pensar. Se eu não consigo estabelecer um processo salutar de convivência com quem eu convivo vinte e quatro horas por dia, como é que eu vou estabelecer uma associação vibratória com que eu não conheço? Sejamos sinceros. Tem jeito?

Nossa evolução começa com aqueles que a misericórdia do Pai colocou mais próximos de nós, dentro de casa. 

É dentro do lar que temos a possibilidade de vivenciar os conhecimentos que aprendemos. É aí que temos que dar o atestado a cada momento da nossa capacidade de saber viver e conviver.

Resultado: precisamos examinar as nossas conquistas morais e demonstrá-las perante os que nos conhecem os pontos fracos. Façamos o bem a todos, sim, mas provemos a nós mesmos, se já somos bons, fazendo o bem diante daqueles que diariamente nos acompanham a vida, policiando o nosso comportamento e procurando dar o melhor.

Porque começamos a regeneração trabalhando com aquelas pessoas a quem nós estamos vinculadas, para depois trabalharmos com o desconhecido.

A sabedoria do criador é extraordinária e precisamos abrir o nosso círculo e aprender a lidar com a grande massa. Todavia, para alcançarmos essa ótica ampliada o que tem acontecido? Nós temos vivido em família. Está acompanhando a lógica da coisa? Vivemos impactos tristes, dissabores e muitas lutas em família, mas por que os familiares? Em primeiro lugar, porque o lar é o centro que vai nos requerer sacrifício. Isso já ficou claro. Começamos a trabalhar a regeneração com aqueles aos quais estamos vinculados.

E, por outro lado, vivendo e convivendo bem no grupo familiar, que é uma população menor, aprendemos aos poucos a operar de forma mais abrangente à partir do próprio habitat que elegemos. Está acompanhando? A família, também, é ambiente preparatório do espírito para que ele possa lidar com todos os espíritos. Ela é o ponto de onde vamos começar a partir para âmbitos maiores de relação. Funciona como uma escola de convivência positiva. É a experiência positiva dentro dela que nos dá condições de chegarmos a amar o desconhecido.

As dificuldades imensas que vivemos, às vezes, dentro das paredes do lar significa titulação nossa para o trabalho que nos aguarda. Ou seja, os problemas profundos dos lares representam o nosso título de habilitação para o serviço junto a uma coletividade maior.

Porque se eu não me educar com os familiares, que ocasionalmente eu xingo e brigo com eles na parte da manhã, de tarde eu estou com a minha consciência doendo. Não é verdade? Meu Deus, por que eu tratei assim o meu irmão? Respondi mal. Isso funciona como um aprendizado. Aprendendo a lidar com as situações mais próximas, amanhã, quando eu tiver que estender a minha ação junto do desconhecido, eu vou ter condição e força para isso. Amanhã, essa luz vai ser direcionada no campo do atendimento aos necessitados que eu nem conheço.

E diante disso que nós temos estudado, o que a gente conclui? Que sem a bênção do lar não existe felicidade verdadeira.

Aquele que consegue administrar com segurança o seu lar, geralmente administra a convivência com amigos e inimigos.

Anunciar os princípios superiores, através da aplicação com renovação e aperfeiçoamento diante dos que nos conhecem as deficiências e falhas, é a fórmula verdadeira de testar a nossa capacidade de veiculá-los com êxito junto aos planos maiores de relação. O carinho especial à nossa família faz parte da obrigação inarredável de assistência imediata que devemos àqueles que convivem conosco.

Entre outras coisas, a nossa vida em família é treinamento. 

É uma questão de lógica: se eu não me habituo a treinar no campo de ceder e oferecer o melhor da minha parte com aqueles que eu tenho uma relação mais próxima, como é que eu vou fazer isso com um desconhecido? Se eu não for útil e compreensivo, afável e devotado junto de alguns companheiros, como vou vivenciar as lições de Jesus diante da humanidade? Tem jeito?

Logo, se já nos aproximamos do Cristo assimilando suas mensagens de vida eterna, procuremos testemunhá-las, pelo exemplo, primeiramente aos nossos, aos que nos compartilham as maneiras e hábitos, dificuldades e alegrias. E aproveitados na escola doméstica, onde somos rigorosamente policiados quanto ao aproveitamento positivo dos ensinamentos, nos acharemos francamente habilitados para a convivência junto da humanidade, a nossa família maior.

3 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 8

O COMEÇO É NA FAMÍLIA I

“JESUS, PORÉM, NÃO LHO PERMITIU, MAS DISSE-LHE: VAI PARA TUA CASA, PARA OS TEUS, E ANUNCIA-LHES QUÃO GRANDES COISAS O SENHOR TE FEZ, E COMO TEVE MISERICÓRDIA DE TI”. MARCOS 5:19

“ENTÃO, ENQUANTO TEMOS TEMPO, FAÇAMOS BEM A TODOS, MAS PRINCIPALMENTE AOS DOMÉSTICOS DA FÉ.” GÁLATAS 6:10

A consanguinidade marca um grau de aproximação prioritária. Você concorda?

Onde é que estão os espinhos da nossa vida? Estão representados naqueles indivíduos que nós temos que conviver com eles. Aquelas peças que a gente não gostaria, mas que não dá para fugir. Não é isso? Elas precisam estar conosco porque nós daqui para a frente temos uma responsabilidade maior com o próprio destino.

Às vezes, queremos ficar livre de alguém, só que não podemos viver sem esse alguém. 

Talvez a gente não possa. Se fosse um desconhecido a gente não sabe o que faria, mas como é da família a gente mantém outra postura. A gente queria largar, deixar para lá, sair, mas a gente volta. Então, a família tem essa ligação fantástica. Define aqueles valores mais próximos, junto de nós, porque esses valores próximos é que realmente formam o painel onde estão presentes as nossas necessidades mais imediatas, mais emergentes.

Os familiares são aqueles com quem nós vivemos mais de perto. Podem ser aqueles que integram o nosso grupo de trabalho, como podem também ser os integrantes do nosso círculo pessoal mais próximo. O importante é que consiste em uma comunidade mais reduzida a definir o nosso âmbito de ação. Essa é a família.

E é daí que surge o problema instaurador, o lance dinamizador e aferidor da conquista.

Observe para você ver. O mestre, por ocasião da cura de um endemoninhado, ao invés de júbilos antecipados, o que ele fez? Recomendou ao companheiro o seu retorno ao ambiente caseiro: "Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti". (Marcos 5:19) Lição de profundidade pela qual o grande amigo da humanidade nos orienta a reconhecer que é no círculo mais íntimo, seja no lar ou no trabalho, que nos cabe patentear a solidez das virtudes adquiridas.

E preste bastante atenção no que eu vou dizer: é no próprio plano em que nós estamos situados, por mais triste e difícil que ele seja, por mais complexa que seja a nossa experiência nesse ambiente, que nós vamos encontrar o campo para melhorar. O campo para criar o piso de ascensão e realizar o nosso salto de qualidade.

Não tem outra, o lar vem para nós como oportunidade preciosa de redenção e progressão.

Sintetizando: o lar é o centro essencial dos nossos reflexos. Então, aqueles que nos unimos na faixa mais próxima de relacionamento, e com quem geralmente temos problemas, são instrumentalidades a nível didático para nos ajudar a coletar os valores de que precisamos para nos projetar.

E sabe por quê? Simples. Eu tenho certeza que todos nós aqui, indistintamente, já trabalhamos sensibilizados com as faixas do amor e da caridade. No entanto, pense comigo, você acha que estamos fazendo caridade para quem? Para o desconhecido? 

Não. Definitivamente não! Por enquanto estamos trabalhando é com a família. Não é para desanimar, mas nós não temos ainda uma capacidade de operar de modo abrangente com a grande sociedade. Nós ainda temos uma necessidade, embora inconsciente, de resolver os nossos problemas de vinculação muito pessoais ainda. Você já pensou nisso?

Se você quer sair de casa, tudo bem, mas se você quer sair de casa para ficar livre do grupo, você vai ter é problema, porque você vai ter que voltar amanhã, talvez em situação bem pior, pedindo abrigo a esse mesmo grupo que está abandonando. Então, se você vai sair, não tire-os da sua linha de interesse, de cogitação. Talvez é preciso sair para ajudar melhor, mas a responsabilidade maior está ali dentro.

E não vamos nos esquecer de outra coisa: grandes ensinamentos de Jesus foram ministrados no seio da família.

Quer exemplos? Sua primeira revelação foi num casamento em Caná, entre os júbilos sagrados da família. Certo? A primeira manifestação de Jesus diante do povo foi a multiplicação das alegrias familiares em uma festa de núpcias, em pleno aconchego doméstico. A primeira instituição visível do cristianismo, qual foi? A moradia simples de Simão Pedro na cidade de Cafarnaum. Muitas vezes, visitou Jesus as casas residenciais de pecadores confessos, acendendo novas luzes nos corações. E a última reunião com os discípulos verificou-se, também, no cenáculo doméstico.

O nosso processo de doação, especialmente agora que temos recebido uma faixa informativa mais ampla no campo do evangelho, deve ser feita junto dos corações que nós, direta ou indiretamente, nos relacionamos. Vale sempre a pena repetir: nós ainda, quem sabe, não estamos preparados para amar aqueles que estão distantes das nossas cogitações mais próximas no campo das expressões vibratórias.

Não estamos muito treinados, se é que eu posso usar essa expressão, a ter uma sensibilidade mais ampliada com os outros mais distantes de nós. Está entendendo? 

É lógico que é melhor fazer o bem aos que vivem longe do que não fazer bem algum. Devemos, sem dúvida alguma, ajudar os outros o quanto nos seja possível, no entanto temos a obrigação de ser igualmente bons para com aqueles que convivem mais tempo conosco. Devedores de muitos séculos que somos, temos em casa, no trabalho, no caminho, no ideal e nos parentes as nossas principais testemunhas de quitação. Normalmente, a nossa evolução começa com aqueles que a misericórdia divina colocou mais próximos de nós, dentro do lar.

Por isso, não podemos nos descuidar das situações que existem no lar para irmos aquecer, de imediato, o próximo que se encontra um pouco além do nosso lar.

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