9 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 9

O COMEÇO É NA FAMÍLIA II

“MAS SE ALGUÉM NÃO TEM CUIDADO DOS SEUS E, PRINCIPALMENTE, DOS DA SUA FAMÍLIA, NEGOU A FÉ”. I TIMÓTEO 5:8

Tudo tem um porque.

Às vezes, uma pessoa estranha chegou e alguém o atendeu. Vai olhar, com atenção, que estranho é esse. Por que simpatizou com ele? O que ele chamou a atenção no que o atendeu na hora? Uma análise é necessária no sentido de entender o porque disto. Por que uma criatura se mantém do lado de outra com tanto carinho, lhe tratando com tanta boa vontade e amizade? Por que, ao contrário, determinada criatura complicada se mantém próxima de outra por tanto tempo?

É preciso notar que existe uma sustentação, uma irradiação eletromagnética de recursos e de forças que nos prendem uns aos outros e que funciona na pauta dos relacionamentos vibratórios entre as pessoas. Vigoram vibrações intrínsecas.

Às vezes, o elemento ficou amigo de outro com uma facilidade danada: "Nossa, desde que ele chegou aqui eu notei. Eu simpatizei muito." Ao que alguém retruca: "Que isso! mas logo com ele?" E o primeiro devolve: "Ah, você deve estar enganado. Ele é uma pessoa bacana demais. Ele é muito jóia!" E por aí vai. Está percebendo? No fundo, a gente acha que está trabalhando com estranhos, lidando com indivíduos anônimos. Mas que nada. Nós estamos trabalhando é com os nossos. Assim, também, é muito difícil nós termos ao nível da conexão espiritual amor à primeira vista. Isso não existe. Temos que pensar.

De uma coisa todo mundo sabe: sempre foi fácil causar boa impressão naqueles que não convivem conosco intimamente. Concorda? Basta um gesto ou uma frase feliz e arrancamos, de improviso, o aplauso ou a admiração de quantos nos encontram exclusivamente na paisagem dos atos sociais. E mais, diante dos companheiros que se despedem de nós, depois de uma solenidade ou de qualquer encontro formal, também é fácil cairmos na hipnose da lisonja, com a qual se pretende exagerar nossas virtudes de superfície. De forma que lidar com as pessoas fora da nossa órbita é muito mais fácil do que lidar com os nossos.

E quando o assunto é família, muitos chegam a dizer que é mais fácil conviver com estranhos do que com os parentes. Não é isso? Porque os outros podem ser complicados, viciados, difíceis, intransigentes, todavia abraçam, mostram agradabilidade em determinadas situações: "Nossa, mas como fulano é bacana. Que pessoa fabulosa que ele é." O grande lance é: cuidado! Vá devagar. Você não conhece.

Está percebendo? Você não conhece uma pessoa somente porque conversou com ela em uma festa ou em um evento social durante algumas horas. Ou porque encontra com ela em certos lugares ou ocasiões e ela lhe demonstra uma singular simpatia.

Em todos os ambientes do mundo existem multidões de indivíduos que ostentam falsas virtudes para as pessoas de fora e não as aplicam aos familiares.

Falam belas mensagens nos cultos religiosos que frequentam, chamando os participantes à vivência da compaixão e sensibilizando a muitos. Verbalizam citações e conceitos de elevado valor moral lembrando a importância da brandura e da humildade, porém, no instituto doméstico são verdadeiros carrascos de sorriso na boca, que não gravam a mínima gentileza nos corações que os cercam entre as paredes do lar. De fato, tem muita gente assim, e o que o evangelho ensina diante disto? Ele ensina que quem não é virtuoso dentro de casa não será fora de casa, embora possa até parecer. Que ser delicado e afável na sociedade, deixando de manter essas ações em família, não é ser virtuoso, é ser hipócrita. E que a virtude não tem duas faces, uma dentro e outra fora. Isso não existe. A virtude é uma só e a mesma em toda parte.

E como podemos querer fazer um mundo novo se não sabemos resolver o problema dentro de nossa própria casa? Você concorda? Isso é coisa para pensar. Se eu não consigo estabelecer um processo salutar de convivência com quem eu convivo vinte e quatro horas por dia, como é que eu vou estabelecer uma associação vibratória com que eu não conheço? Sejamos sinceros. Tem jeito?

Nossa evolução começa com aqueles que a misericórdia do Pai colocou mais próximos de nós, dentro de casa. 

É dentro do lar que temos a possibilidade de vivenciar os conhecimentos que aprendemos. É aí que temos que dar o atestado a cada momento da nossa capacidade de saber viver e conviver.

Resultado: precisamos examinar as nossas conquistas morais e demonstrá-las perante os que nos conhecem os pontos fracos. Façamos o bem a todos, sim, mas provemos a nós mesmos, se já somos bons, fazendo o bem diante daqueles que diariamente nos acompanham a vida, policiando o nosso comportamento e procurando dar o melhor.

Porque começamos a regeneração trabalhando com aquelas pessoas a quem nós estamos vinculadas, para depois trabalharmos com o desconhecido.

A sabedoria do criador é extraordinária e precisamos abrir o nosso círculo e aprender a lidar com a grande massa. Todavia, para alcançarmos essa ótica ampliada o que tem acontecido? Nós temos vivido em família. Está acompanhando a lógica da coisa? Vivemos impactos tristes, dissabores e muitas lutas em família, mas por que os familiares? Em primeiro lugar, porque o lar é o centro que vai nos requerer sacrifício. Isso já ficou claro. Começamos a trabalhar a regeneração com aqueles aos quais estamos vinculados.

E, por outro lado, vivendo e convivendo bem no grupo familiar, que é uma população menor, aprendemos aos poucos a operar de forma mais abrangente à partir do próprio habitat que elegemos. Está acompanhando? A família, também, é ambiente preparatório do espírito para que ele possa lidar com todos os espíritos. Ela é o ponto de onde vamos começar a partir para âmbitos maiores de relação. Funciona como uma escola de convivência positiva. É a experiência positiva dentro dela que nos dá condições de chegarmos a amar o desconhecido.

As dificuldades imensas que vivemos, às vezes, dentro das paredes do lar significa titulação nossa para o trabalho que nos aguarda. Ou seja, os problemas profundos dos lares representam o nosso título de habilitação para o serviço junto a uma coletividade maior.

Porque se eu não me educar com os familiares, que ocasionalmente eu xingo e brigo com eles na parte da manhã, de tarde eu estou com a minha consciência doendo. Não é verdade? Meu Deus, por que eu tratei assim o meu irmão? Respondi mal. Isso funciona como um aprendizado. Aprendendo a lidar com as situações mais próximas, amanhã, quando eu tiver que estender a minha ação junto do desconhecido, eu vou ter condição e força para isso. Amanhã, essa luz vai ser direcionada no campo do atendimento aos necessitados que eu nem conheço.

E diante disso que nós temos estudado, o que a gente conclui? Que sem a bênção do lar não existe felicidade verdadeira.

Aquele que consegue administrar com segurança o seu lar, geralmente administra a convivência com amigos e inimigos.

Anunciar os princípios superiores, através da aplicação com renovação e aperfeiçoamento diante dos que nos conhecem as deficiências e falhas, é a fórmula verdadeira de testar a nossa capacidade de veiculá-los com êxito junto aos planos maiores de relação. O carinho especial à nossa família faz parte da obrigação inarredável de assistência imediata que devemos àqueles que convivem conosco.

Entre outras coisas, a nossa vida em família é treinamento. 

É uma questão de lógica: se eu não me habituo a treinar no campo de ceder e oferecer o melhor da minha parte com aqueles que eu tenho uma relação mais próxima, como é que eu vou fazer isso com um desconhecido? Se eu não for útil e compreensivo, afável e devotado junto de alguns companheiros, como vou vivenciar as lições de Jesus diante da humanidade? Tem jeito?

Logo, se já nos aproximamos do Cristo assimilando suas mensagens de vida eterna, procuremos testemunhá-las, pelo exemplo, primeiramente aos nossos, aos que nos compartilham as maneiras e hábitos, dificuldades e alegrias. E aproveitados na escola doméstica, onde somos rigorosamente policiados quanto ao aproveitamento positivo dos ensinamentos, nos acharemos francamente habilitados para a convivência junto da humanidade, a nossa família maior.

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