25 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 16

A OVELHA DESGARRADA III

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Existem muitas ovelhas desgarradas dentro das casas, onde corações vivem a vida inteira com elas e não conseguem pegá-las. Situação dessa natureza é mais frequente do que se pensa.

Às vezes, alguém está movido no inconsciente pela ovelha perdida, seja em relação a alguém ou até em face às realidades supremas da aprendizagem. E por que não? Afinal, quantas vezes não somos nós essa ovelha desgarrada, movida pela rebeldia aos desígnios superiores? Todas essas situações acontecem demais.

O interessante é que quando nós pensamos em ovelha desgarrada geralmente a gente imagina gente fugindo de gente. Só que tem um aspecto interessante, não é referência à distância no aspecto geográfico. Percebeu? Desgarrada sugere afastamento e não se trata de distância medida em quilômetros. É distância em outro parâmetro. Estamos nos referindo à pessoa distanciada no campo do afeto, uma representação na linha vibracional e cujo desafio passa a ser reaproximá-la dentro desse terreno.

Pense comigo, que vale para nós a paisagem celestial sem a libertação daqueles a quem amamos? Pode alguém curtir o maravilhoso espetáculo das esferas resplandecentes, ouvindo e sentindo a harmonia indefinível em situação de destaque, quando aqueles a quem ama desfalecem e gemem nas trevas? É comum um coração amoroso ou atormentado abdicar do ingresso em esfera superior para persistir ao lado de um coração que ama e se encontra detido nas lamas do destino. A gente sabe, existe mais grandeza no anjo que desce ao inferno para salvar os filhos de Deus, transviados e sofredores, do que no mensageiro espiritual que tem pressa em comparecer ao trono do eterno para louvá-lo.

E importante demais é saber como é que se dá essa busca, como é que ela ocorre.

Quanto a isso, o ensinamento é claro: "irá pelos montes". Percebeu? Não é pelos vales. Porque tem diferença. Aí já se define como se dá a busca dessa ovelha que se desgarrou.

A nossa linha aplicativa de ação tem que ser uma expressão genuína daquilo que vem de cima, nós temos que caminhar nas elevações que o evangelho propõe.

Os montes citados nas escrituras sagradas, aquelas elevações geográficas, há muito já transpuseram o tempo e chegaram até nós. Monte não é no sentido literal da mensagem didática, e sim no sentido intrínseco do conteúdo didático. Montes representam subida, indicam estados de elevação que nós elegemos em nosso espírito.

Porque dentro de nosso terreno íntimo tem de tudo. Dentro de nós existem vales, planícies, depressões e elevações. Então, a busca tem que ser pelo monte.

Para se alcançar o resultado positivo nessa busca é preciso usar os indicativos de cima. É em cima que está o amor. E amor é o que estamos aprendendo agora. Todo o trabalho de auxílio, para ser bem sucedido, deve ter como referência os padrões espirituais elevados. O seguidor do Cristo é aquele que mais nitidamente tem que estar em relação com as faixas superiores. Sem contar que se ele vai pelos montes em hipótese alguma ele abandona as noventa e nove.

De cima é possível ter uma visualização maior do terreno onde operar. De cima se obtém uma capacidade mais ampla e melhor de visualização. De cima a criatura tem a consciência de que está tentando dar o passo certo. É por isso que para descer com segurança é preciso ter subido antes. Ou seja, sobe para arregimentar, para adquirir recursos, sobe para aprender, e desce para fazer, para operar, fazendo na descida um ajuste nas suas emissões com os padrões visualizados antes.

Quanto mais nós entendemos essas nuances, mais notamos a complexidade do ser humano com as suas sutilezas.

Esse processo de busca é um processo em que o plano de simpatia tem que ser aplicado. 

Para isso é necessário adotar um circuito de valores de ordem afetiva, uma certa intimidade e quebra de resistência entre os seres. Está percebendo? É preciso ter a habilidade necessária para manusear fórmulas eficientes de modo a conseguir transformar o que é repulsão em atração, porque do contrário não funciona.

O pai ou a mãe por exemplo, diante de um filho difícil, vão precisar encontrar estratégias, vão precisar encontrar caminhos que possam favorecer a sensibilização. Para ser ter ideia, Jesus podia ter criado um sistema antipático com Saulo, não podia? No entanto, o que ele fez? Operou com amor. Viu pontos de empatia nas partes potenciais de Saulo e lançou o seu magnetismo. E como resultado deu-se não mais a intolerância de Saulo, mas o surgimento de uma nova faceta, como Paulo. No entanto, a individualidade era a mesma naquele processo que se abria.

Então, nada de inquietação. Vamos com inteligência e calma que a gente vence o desafio. Fazendo o que é certo, indo pelos montes, não vai ser complicado. Seguindo a orientação superior que aprendemos a gente obtém condições plenas de acertar.

A proposta de arregimentar essa ovelha não é na base da força, da intolerância ou das estratégias puramente sistematizadas. O texto faz a revelação: é pelos montes.

Porque não sendo pelos montes essa busca passa a ser a manifestação efetiva do amor, não o amor no sentido ampliado, mas no sentido ligado às relações humanas. 

Sem ser pelos montes nós corremos o risco de agir utilizando puramente os padrões de fisionomia de vida da nossa retaguarda, acabamos deixando escapar dificuldades incrustadas no nosso subconsciente. Se o indivíduo vai procurar a ovelha que se desgarrou pelos vales, pelas regiões baixas, ele vai movido pela paixão, pelo medo, pela preocupação. Ao contrário de usar a empatia com o semelhante, vai criando uma antipatia. Vai utilizando os padrões do seu personalismo e o personalismo é o ponto desagregador das melhores intenções. Enfim, ele vai pelas dificuldades de toda ordem em função das deficiências dele próprio. 

Isso sem contar que quando ele age dessa forma, quase sempre ele acaba por querer escravizar a pessoa, sem entender que amar não é exigir que o outro o ame. Essa é que é a realidade. Lembre-se: gravitar usando os valores de baixo é perder segurança.

18 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 15

A OVELHA DESGARRADA II

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Em muitas ocasiões nós realmente temos que nos desvincular de muita coisa, deixando tudo mesmo, de modo a podermos entrar em um ângulo novo que, quem sabe, não entramos antes por descuido ou por negligência nossa.

Na questão dos relacionamentos humanos, é comum encontrarmos um coração sensibilizado que deixa tudo e vai atrás de outro que ama, individualmente falando. 

No ensinamento da ovelha desgarrada, no seu sentido essencial e intrínseco, tantas vezes o indivíduo é convocado pelas próprias circunstâncias da vida a deixar as noventa e nove porque ele não é dono delas, embora no campo prático ele tenha responsabilidade para com elas, da mesma forma que Levi tinha responsabilidade com a repartição na qual ele servia.

E tem gente que fecha a sua vida inteira (uma, duas ou três reencarnações) por causa de uma pessoa.

Em função de uma individualidade dentro de casa, como um filho por exemplo, e por tratar-se de ovelha desgarrada, abandona os outros três ou quatro componentes da casa.

Isso acontece muito com os pais. Tem pais e mães que vivem praticamente em função desses elementos complicados. Marcam uma criatura e se esquecem dos outros.

Então, temos que atentar para essa questão e realmente ponderar acerca das nossas atitudes. Porque quando fixamos a nossa mente em uma única pessoa, no sentido didático, pedagógico ou orientador, a gente costuma sofrer muito. Está dando para pegar a lógica da questão? Por isso, pelo  amor de Deus, busquemos essa ovelha desgarrada, trabalhemos com esse coração que merece um empenho maior e uma atenção redobrada, mas de forma alguma deixemos cair a estrutura de um lar ou de um ambiente em função de alguém que desgarrou, e que apesar de desgarrado pretende permanecer desgarrado. Ficou claro? Ajudemos sim, façamos o melhor ao nosso alcance, mas sem ficar preso ao lado dele.

Jesus, após a sua crucificação, foi atrás de Judas. Foi tentar levantar o ânimo dele. Foi atrás de Judas, no entanto, em momento algum ele desprezou os outros.

Está percebendo? De forma que precisamos ter esse cuidado de não privilegiar ninguém.

É fato que muitas vezes nós temos que ir atrás daquelas peças complicadas, mas sem perder a linha de relação com aqueles outros que também precisam do nosso estímulo, da nossa atenção e do nosso trabalho. Porque isso é muito importante.

Em hipótese alguma nós devemos deixar as noventa e nove desamparadas, à míngua, deixá-las à bancarrota ou desabrigadas para buscar uma que se perdeu.

Nós podemos, e em muitas vezes precisamos, largar as noventa e nove, mas jamais devemos nos dissociar delas. Em muitas ocasiões também acontece de esquecermos das outras para ficarmos em função de uma, até provavelmente porque aquele agrupamos que fica marginalizado nós não tenhamos tantos compromissos com ele, mas é preciso não perdermos a simpatia e a identidade com eles.

Outro aspecto interessante é que nós também temos ovelhas dentro da nossa intimidade. 

Claro, afinal de contas é no íntimo onde efetivamente funciona o evangelho. Concorda? São ângulos que nós já dominamos e que estão alicerçados sob o nosso campo operacional com segurança.

Só que a cada momento somos testados em nossas reservas interiores e vez por outra temos que ir atrás daquela que se desgarrou. Está acompanhando? O nosso acervo de padrões, ou nosso aprisco, tem que ser reciclado periodicamente. 

São caracteres da nossa personalidade que precisam se ajustar aos novos momentos e aos novos sentidos da vida. 

E nós temos que operar constantemente para que isso aconteça, porque essas noventa e nove, junto com aquela que retorna, formam os nossos caracteres íntimos que estão em processo contínuo de reciclagem e de crescimento.

O que temos aprendido é que podemos encaminhar a nossa luta em cima de um determinado padrão. Não podemos? É claro que podemos. Porque a nossa inteligência que se abre, em termos de razão, pode perfeitamente laborar em cima de um determinado caractere, de um determinado ângulo, de um determinado tópico. Todavia, e isso é interessante, o êxito muitas vezes vai depender de uma reformulação abrangente. Nem sempre vai ser alcançado com a nossa maneira fechada de pensar. O evangelho tem nos ensinado isso. A todo momento somos convocados a redirecionar os padrões e reflexos que revestem a nossa caminhada. E, quanto mais estudamos, mais sentimos a necessidade de adotar uma linha de reciclagem antes de implementarmos um componente novo.

Por mais zelosos que sejamos, ou por mais duros que possamos ser no campo reeducacional, existem facetas da nossa personalidade que são imperfeitas e frágeis ainda dentro do patamar em que estamos e que são suscetíveis de mudança. E o caminho para crescer é por aí. Às vezes, a razão indica um caminho novo, nós concluímos que não é a nossa forma de agir, mas adotamos a nova postura e dá certo.

Nos dias atuais não tem como alguém encontrar a felicidade fechado em suas próprias convicções e em seus próprios conceitos. A cada momento somos conduzidos a posições em que os padrões, que até então eram suficientes, já não são mais suficientes. E eles passam a ser exigidos em alterações redimensionadas.

Logo, não tem jeito, nós precisamos nos integrar a um processo em que somos convocados a esse tipo de atividade, de redirecionar e reformular os padrões já sedimentados.

Não há condição de progredirmos, seja na horizontal ou na vertical, e de modo linear, sem que venhamos reciclar cada expressão e cada ângulo da nossa individualidade.

A nossa visão se altera a cada instante na vida e não dá mais para permanecermos enclausurados em conceitos ultrapassados. É imperioso permanecermos matriculados, tanto nas áreas da razão como do sentimento, em uma escola de renovação e de mudanças. E para se ter ideia, às vezes podemos possuir uma conceituação que vigora, e ela passa a ser redimensionada em determinado momento exatamente com essa fuga e esse retorno.

15 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 14

A OVELHA DESGARRADA I

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU? 13E, SE PORVENTURA ACHÁ-LA, EM VERDADE VOS DIGO QUE MAIOR PRAZER TEM POR AQUELA DO QUE PELAS NOVENTA E NOVE QUE SE NÃO DESGARRARAM. 14ASSIM, TAMBÉM, NÃO É VONTADE DE VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS, QUE UM DESTES PEQUENINOS SE PERCA.” MATEUS 18:10-14  

“27E, DEPOIS DISTO, SAIU, E VIU UM PUBLICANO, CHAMADO LEVI, ASSENTADO NA RECEBEDORIA, E DISSE-LHE: SEGUE-ME. 28E ELE, DEIXANDO TUDO, LEVANTOU-SE E O SEGUIU.” LUCAS 5:27-28

A gente pensa em ovelha e logo nos vem à mente algumas de suas características.

A ovelha oferece a lã e a lã consiste naquele componente doado por alguém que acoberta, que envolve e agasalha, pois a lã oferecida por uma ovelha cumpre bem essa função, ela envolve e aquece.

Então, ovelha é aquele que doa, é aquele que se oferece à tosquia ou oferece valores aos próprios elementos que naturalmente cuidam dela. E para poder seguir e doar é preciso mansuetude, afinal não há como deixar-se guiar e não há como oferecer algo positivo nutrindo um sentimento de rebeldia e de prepotência.

O que temos que ter em conta é que a ovelha reporta aos ângulos do sentimento da individualidade.

Ovelha diz mais respeito ao sentimento. A começar pela sua própria expressão de feminilidade, uma vez que ela é a fêmea do carneiro. Está dando para acompanhar? Então, é por isso que era ovelha. É preciso que exista uma linha de relação, uma linha de interação ampla por parte do sentimento. Pense para você ver, todos nós sabemos que o componente que nos incita à doação não é a razão, e sim o sentimento.

Você já deve ter notado o seguinte: antigamente a gente sofria quase que unicamente em razão das besteiras que nós fazíamos, mas hoje não. Muitas dos nossos sofrimentos e das nossas provas na atualidade tem sido em função da nossa sensibilidade em face dos outros. Muitos dos problemas que temos vivido, às vezes com lágrimas, frustração e decepção, é com o irmão que está complicado, com o pai que está desse ou daquele jeito, com o filho que não quer acertar.

E tem muita gente reencarnando hoje para trabalhar sabe com quem? Com as ovelhas perdidas.

Em uma acepção mais abrangente, ovelhas desgarradas estão representadas naqueles indivíduos desafiadores, estejam eles dentro do lar, dentro de um ambiente de trabalho ou de um grupo qualquer, e que dificultam e complicam. São aquelas que estão perdidas. Já era para terem ido à frente e não foram. Ficaram na retaguarda. Estão perdidas no meio em que se encontram. Estão fracassadas.

E vamos dar uma ligeira pausa somente para falar um pouco na questão do deixar. 

Sabe aquela passagem do evangelho em que Jesus chamou o publicano Levi? O texto diz assim: "E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu". (Lucas 5:27-28)

Inicialmente, alguém pode perguntar entre outras coisas como é que Levi fez. Ou seja, se ele simplesmente levantou, deixou a coletoria aberta, entregue às traças e saiu, ou se antes ele fechou a porta, porque o texto não diz que ele fechou a porta.

Então, vamos lá. Para início de conversa, não é nosso objetivo ficar aqui analisando se Levi fechou a porta ou não fechou. Nosso interesse está muito além disso. O que nos interessa no estudo em questão é o sentido essencial do ensinamento. No entanto, pode ficar tranquilo que ele deve ter tomado a providência necessária ao sair, afinal como alguém que se predispõe a seguir Jesus pode apresentar um comportamento com tamanha expressão de irresponsabilidade? Será que tem jeito? De forma alguma. Claro que não tem cabimento.

E o que queremos dizer é que para crescer, evoluir, e muitas vezes buscar alguém de volta, é preciso deixar tudo.

No entanto, vamos com calma. O deixar tudo é no sentido íntimo. Ok? O deixar tudo que efetivamente nos interessa é no sentido intrínseco, no sentido essencial.

E por que tem que deixar tudo? Vamos analisar juntos? Quem senta, senta para quê? Para se acomodar. Logo, quem está sentado está acomodado. E aquele que está assentado na recebedoria está preocupado em quê? Você acha que ele está disposto a oferecer algo ou apenas interessado em receber? Observe que o próprio nome recebedoria já indica. Logo, o que você acha? Eu creio que não ficou dúvida, isto é, na acepção espiritual a recebedoria diz respeito à acomodação da criatura em pontos de elevado egoísmo contumaz, em que ela se utiliza de forma viciosa dos serviços dos outros para unicamente tirar vantagem para si, o que é totalmente o contrário de seguir Jesus. Percebeu o sentido agora?

E se a criatura não deixa tudo, o que acontece? Ela simplesmente fica como está e não se levanta. 

E se não levanta não segue Jesus. 

Daí, fica claro que o "deixando tudo" representa uma descarga psíquica, significa a desvinculação de estruturas mentais, de interesses e objetivos que alguém nutre e que não o deixa avançar. E é preciso deixar para que se chegue a novo estágio, uma vez que simplesmente não há como alguém vincular-se a nova posição sem, ao mesmo tempo, realizar concomitante desvinculação com os padrões antigos.

11 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 13

MENSAGEM AOS PAIS

Verdade seja dita: os pais geralmente apresentam muito de egoísmo.

Às vezes, ficam preocupados com os filhos. Ficam até apavorados. Mas não ficam apavorados com os erros ou os desregramentos dos filhos não, o que sentem é a estrutura pessoal deles, pais, colocadas em risco. Percebeu? Em muitos casos o que os pais querem é salvar a própria pele.

Outro ponto interessante é a questão do chamado monitoramento. Os pais realmente precisam monitorar seus filhos, porque isso funciona de forma eficiente como um instrumento de segurança. É preciso. Nós também temos os espíritos que em muitos aspectos nos monitoram para que a gente não cometa bobagens maiores, para que nós não venhamos criar maiores dificuldades aos nossos passos.

Então, o monitoramento é importante. Se o filho é uma criança complicada, por exemplo, aí nem se fala, o cuidado tem que ser redobrado. É preciso ficar de olho mesmo.

Todavia, o que não deve acontecer é esse mecanismo de monitoramento se transformar em uma postura sistematizada. O monitoramento precisa ser mantido nas linhas naturais e para isso um ponto interessante é a compreensão.

Quando alguém se encontra em um plano de autoridade em relação a outrem, seja esse outrem filho, parente ou funcionário em condição de subalternidade, esse alguém ganha autoridade no ato de colocar determinados limites quando ele compreende. Está entendendo? Porque enquanto ele não compreender o outro ele simplesmente vai ficar colocando limites para resguardar unicamente o seu interesse pessoal e não para auxiliar o semelhante que se encontra debaixo da sua tutela.

Percebeu? Então, para monitorar é preciso amar. Não havendo amor é melhor nem monitorar. Porque não tendo amor é simplesmente domínio, é escravização.

É difícil também não ter um pai ou uma mãe que viva ocasionalmente algumas tensões. Que passe por momentos de ansiedade e de aflição e o filho está rindo. Não tem disso? Aquelas situações em que os pais vivem um verdadeiro inferno interior por causa do filho e o filho está rindo. Os pais preocupados com o filho e o filho nem aí.

O momento de hoje é um momento muito importante e nele entram igualmente as responsabilidades que nós temos em relação aos outros que nos estão sendo confiados. 

Vivemos preocupações em relação a indivíduos que estão vinculados à nossa faixa de relacionamento. Os pais também não ficam muito felizes às vezes porque seus filhos não são exatamente como eles gostariam que fossem. Todavia, quem é capaz de garantir que a ótica deles seria a melhor para aqueles espíritos naquele momento? O importante antes de tudo é dar o melhor e lançar a semente.

E o que eu vou dizer agora não é crítica a ninguém, é apenas um fato. Preste atenção, é motivo de orgulho para os pais verem os seus filhos conquistando diplomas e títulos. Não é? É um desejo justo, natural, louvável. O problema é que muitos pais se preocupam somente com esse tipo de vitória, como se ela fosse o supremo propósito da vida. Quer dizer, eles se preocupam com o cérebro dos filhos muito mais do que preocupam com o coração. Querem ver os filhos envolvidos em aplausos e louvores e fazem de tudo para enriquecê-los da sabedoria dos livros, deixando-os muitas vezes pobres de sentimentos e de valores morais, transitando tantas vezes na órbita vazia de um intelectualismo estéril.

A conquista exterior dos filhos é o que lhes interessa e a vaidade deles fica lisonjeada quando esses alcançam patamares e conquistas materiais. Não importa se os filhos crescem insensíveis, orgulhosos, prepotentes ou mesmo se não amadurecem moralmente. Os pais se orgulham. Sentem aquela falsa impressão de que cumpriram perfeitamente o dever junto daqueles que a providência lhes confiou para que orientassem dignamente nas estradas da vida.

O que esses pais querem é ver os seus filhos vencendo no mundo. É o que importa. Jesus venceu "o mundo". Eles querem é ver os seus filhos vencendo no mundo.

No que reporta aos padrões de natureza moral, aliás os únicos capazes de auxiliá-los na consolidação do caráter e na elaboração de uma personalidade segura, eles se ocupam de forma muito superficial. Não se preocupam em fazê-los homens seguros, fortes interiormente, corretos, humildes, caridosos. Não. Os pais não se ocupam com esse aspecto com o mesmo interesse e a mesma dedicação com que se preocupam com o desenvolvimento do intelecto deles.

E é bom deixar claro que isso também não significa que os pais desconsideram essa parte da educação.

Quer dizer, eles não menosprezam conscientemente o aspecto fundamental da educação moral. De forma alguma. O que acontece é que em muitos casos eles consideram que isso é algo que não requer aprendizagem. Está entendendo? Imaginam que determinadas virtudes nos filhos, tais como a bondade, a sinceridade, a humildade, a simpatia, são características que surgirão naturalmente. Isto é, tornar-se bom, verdadeiro, sincero, gentil, simpático, não pressupõe aprendizagem. 

Acreditam que determinados valores íntimos vão surgir naturalmente e por isso não precisam ser ensinados. Acham que essa parte da educação, que constitui a mais importante, se dará por si mesma, de forma aleatória, sem qualquer iniciativa deles, os pais. Que determinados valores não precisam de ensinamento, não exigem cuidado, direcionamento, atenção.

O resultado que a gente tira é um só: Que do nada, nada se tira!

Concorda? Tudo o que cresce, cresce de alguma coisa. Tudo o que germina, tudo o que floresce, germina de uma semente. Tudo o que cresce surge de um ponto.

Não há como esperar que aflore na alma de alguém qualidades nobres e elevadas sem que, anteriormente, tenha sido feita ali uma sementeira. Não dá. 

Os pais terrenos não são criadores, mas zeladores das almas que Deus lhes confia no sagrado instituto da família. Para guiá-los no caminho acertado. Então, isso é um assunto para pensar, principalmente no mundo em que vivemos hoje, onde nos deparamos com tantas individualidades desprovidas de valores essenciais.

Todos os lugares estão repletos de pessoas vencendo no mundo, mas sendo derrotadas no mundo íntimo. Como diz Jesus, ganhando o mundo e perdendo a alma. 

5 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 12

A SIMPATIA

Em se tratando de qualidade de vida eu não estou aqui para dar receita para ninguém porque também estou atrás dela, todavia o que temos aprendido é que só teremos melhoria das nossas condições pessoais quando extrapolarmos a linha da justiça.

Ou, como disse Jesus Cristo, quando a nossa justiça exceder a dos escribas e fariseus.

Para começar, no mínimo nós temos que fazer com que a nossa presença agrade aos outros.

Está percebendo? No mínimo nós temos que ser gentil e alegre com aqueles que nos cercam. Se desejamos recolher amor e paciência nas manifestações do próximo, temos que saber distribuí-los com todos aqueles que nos partilham a marcha. E para isso nós temos a amizade, que envolve o circuito de valores de ordem afetiva, propicia uma corrente de afetividade e quebra a resistência entre os seres.

Pense comigo, pelo carinho e pela empatia que exteriorizamos aos outros o que se sucede? Criamos uma série de conexões felizes. E simplesmente é impossível dar passos adiante com segurança e felicidade sem criarmos faixas vibracionais de simpatia.

Então, guarde isso e leve com você para onde for.

E mais, ninguém é simpático apenas com a utilização das palavras. A palavra é o primeiro passo, mas a simpatia pressupõe ação. Resultado: é indispensável cedermos de nós a fim de recebermos dos outros o auxílio de que necessitamos.

Todos nós, sem exceção, suspiramos cada vez mais por novas e verdadeiras amizades, não é? E o que devemos fazer para ter amigos? Se almejamos afetos marcados de altos valores é indispensável começarmos a ser para os outros o amigo ideal. 

Como? Tornando-nos interessados pelos semelhantes, sabendo entendê-los no patamar em que se encontram e aprendendo a amá-los. E aguardar a oportunidade de fazer algo por eles. Fazer o quê? Algo que estivermos certos de que eles gostariam que fosse feito.

Daí, a gente observa que o parente complicado dentro de casa, o chefe intransigente e difícil, o colega cheio de problemas, todos esses são elementos que nós precisamos efetivamente compactar no processo de abertura e de penetração mais tranquila no terreno da simpatia. Está dando para você entender?

Nós temos que aprender a sorrir para as pessoas, aprender a cultivar a simpatia.

No fundo, nós somos é muito bobos. Ficamos cultivando coisinhas bobas que no fritar dos ovos não nos levam a lugar nenhum. Nós precisamos transformar a nossa linha de relacionamento com a vida, com os seres, com as coisas, com os fatos, com as circunstâncias que chegam em uma linha em que estejamos bem dentro dela.

E sabe de uma coisa? Infeliz daquele que não sabe e não quer aprender a assimilar com carinho o sorriso e expressões de segurança que alguém pode lhe oferecer.

A cada momento nós estamos interagindo com as pessoas e é importante aprendermos algo novo. Porque estamos matriculados em uma escola em que visamos acertar.

Amar é o quê? É soltar algo para além de. Concorda? Amar é exteriorizar algo para além do que nos é exigido. E pressupõe, como sugere o evangelho, algo especial.

Não existe um modelo específico de conduta para agirmos. No entanto, diante daquelas pessoas que nos são muito simpáticas é conveniente nós reduzirmos a manifestação de afetividade mais intensa com elas quando em contato com outras que, por sua vez, não nos agradam tanto. Será que deu para acompanhar? É bom, para início de conversa, reduzirmos isso. Não significa que devemos reduzir a afetividade não, mas reduzir a manifestação. Porque nós temos uma tendência natural de nos apegarmos àqueles que sorriem do nosso lado.

Quanto àqueles que ficam de cara feia, o ideal é nós tentarmos enxertar alguma coisa de positivo neles.

E para isso o interessante é fazermos algo de especial. Quer um exemplo? No geral, eu passo por uma pessoa do meu cotidiano, falo bom dia rapidinho e saio de perto logo porque eu não gosto dela. Ok? Geralmente, nesses casos acontece assim. Todavia, eu posso experimentar algo novo. Ao invés de passar por ela, apenas falar bom dia de forma séria e sair fora eu aprendo que o melhor é dar um sorriso.

Está percebendo o sentido? Eu falo bom dia, mas com um sorriso. A pessoa não sorri, eu começo a sorrir. Eu encontro com ela e dou um sorriso. O sorriso é o especial. Ou seja, o bom dia é o comum, o natural, o que é esperado. O especial é o sorriso.

E quando eu começo a aplicar isso eu passo a notar que o meu sistema de vida começa a se ampliar.

E em muitos casos essa criatura até se aproxima. Porque eu eliminei resistências e abri o campo para novos padrões. Isso não pode acontecer? E eu acabo também me aproximando. Então, o que aconteceu? Houve um ajuste. Quebrou aquele clima ruim.

Quantos casos desse tipo, que culminam em boas relações, nós não presenciamos?

Em quase todos os lugares isso acontece. Às vezes, no princípio a criatura chega, olha assim meio estranho. E hoje, como está? Os dois se tornaram amigos. Já saem juntos, um dando carona para o outro. Não acontece? E seria muito bom se a nossa evolução fosse por aí, pela exteriorização da simpatia, mas o problema todo é que nós ficamos criando e mantendo sistemas duros de resistência.

Tem uma situação muito comum no campo dos relacionamentos que quem não está vivendo ainda vai viver, com certeza. Tem uma pessoa que você não tolera. Ela não te entusiasma, você não sente a menor simpatia e você logo começa a cultivar um pensamento separatista em relação a ela. Se você vai a uma festa em que ela também foi convidada você logo pensa: "Tomara que ela não venha, que ela não apareça." Se a coisa chegou a esse ponto e você não fica nem um pouco feliz se ela estiver próxima, a dica é: corta isso. Ok? Descaracteriza essa ideia.

Não segue por essa linha não. Você está estudando o evangelho e o evangelho não é somente para ser estudado. É para ser aplicado. Em todas as situações e com todas as pessoas.

Se tem alguém com quem você não sente simpatia comece por mudar o seu ponto de vista.

Comece por ver algum ponto positivo nele. Todo mundo tem. Procure alguma coisa nele que possa lhe gerar simpatia. Comece a procurar. De repente ele é uma pessoa muito correta, tem uma maneira interessante de falar ou algo assim. 

Comece a bater nesse ponto. Quando ele estiver em sua presença, quebre a resistência. Faça a simpatia partir de você. Não chegue perto dele com a cara fechada, o semblante pesado, amarrado. Lembre-se: quem tem a obrigação de viver o que o evangelho ensina é quem o estuda. Vá por esse caminho. Quem sabe se em pouco tempo a coisa não abre e você altera a sua ótica: "Puxa, eu estava vendo e analisando de uma forma distorcida. Não é que fulano é tão bacana!"

1 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 11

A FAMÍLIA UNIVERSAL

“46E, FALANDO ELE À MULTIDÃO, EIS QUE ESTAVAM FORA SUA MÃE E SEUS IRMÃOS, PRETENDENDO FALAR-LHE. 47E DISSE-LHE ALGUÉM: EIS QUE ESTÃO ALI FORA TUA MÃE E TEUS IRMÃOS, QUE QUEREM FALAR-TE. 48PORÉM ELE, RESPONDENDO, DISSE AO QUE LHE FALARA: QUEM É MINHA MÃE? E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS? 49E, ESTENDENDO A SUA MÃO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, DISSE: EIS AQUI MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS; PORQUE, QUALQUER QUE FIZER A VONTADE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS, ESTE É MEU IRMÃO, E IRMÃ E MÃE.” MATEUS 12:46-49

Sabe aquele passagem do evangelho em que alguém chamou Jesus porque sua família estava do lado de fora e queria falar-lhe? Você se lembra? E o que ele respondeu? "E, falando ele à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe. E disse-lhe alguém: eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. Porém ele, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe." Mateus 12:46-49

Para para quem prescinde de conhecimento espiritual Jesus estava se desfazendo da família, todavia para quem já possui certo conhecimento ele estava ampliando a família.

Nota-se o abandono de uma verdade menor para a aceitação de uma verdade maior.

Ao perguntar quem era sua mãe e seus irmãos, Jesus se referia à precariedade dos laços de sangue e estabelecia a fórmula do amor que não deve ficar circunscrita ao ambiente familiar, mas ligada ao plano universal, em cujas estradas devemos ajudar todos os necessitados, desde os aparentemente mais felizes aos mais desvalidos da sorte.

É felicidade ter uma família para zelar, mas também precisamos entender que é preciso abrir suas comportas.

Porque é lá fora, junto da grande humanidade sofrida, que nós temos conseguido nos melhorar e sensibilizar. Quem ama a sua família tem que tirar as paredes da casa e abri-la. Está entendendo? O lar continua sendo o núcleo fundamental, óbvio, só que ele vai ter as suas paredes derribadas para que se amplie.

Enquanto a família for um casulo vai ser muito difícil alguém se abrir. Em outras palavras, quem não for capaz de sair do seu lar, deixando que as paredes sejam derruídas para se interessar pela estabilidade do mundo, vai ter dificuldade em manter o próprio lar.

Na hora em que a gente alcança as realidades maiores da vida, a família começa a tomar um novo dimensionamento.

Nós nos envolvemos em um plano de sensibilização com aqueles que amamos para quê? Para podermos nos abrir a um processo mais universalista no campo do amor.

Note que o lar de Jesus não se circunscrevia a Nazaré. Ao dizer "qualquer que fizer a vontade de meu Pai" ele não fazia distinção alguma, colocava ao alcance de todos, não ao participante de um ou outro grupo religioso, de uma ou outra filosofia. Vamos manter o nosso agrupamento familiar como a sagrada construção, sim, mas sem esquecer que nossas famílias são seções da família universal.

Sabe quando demos aquele exemplo anteriormente de que podemos trabalhar com um grupo de trinta elementos e estarmos vinculados a três? Pois então, nossa faixa de investimento é com os três, só que a forma de ajudar os três é trabalhando com os trinta. Na hora em que trabalhamos com os trinta nós passamos a universalizar um caso que tínhamos como restrito. Deu para acompanhar?

Isso acontece demais. O caso na essência é particular, mas muitas vezes o plano terapêutico se dá de forma global. Assim, passamos a alcançar uma visão mais abrangente e ampliada desse sistema quando saímos do nosso eu, do nosso mundinho fechado, e abrimos o coração para a grande expressão em que se laboram os valores da grandeza de Deus em função de todas as pessoas e seres.

À medida em que nós vamos compreendendo o mecanismo da vida, que vamos entendendo a extensão do evangelho em nossa alma, a nossa mente vai saindo da órbita puramente pessoal do contexto familiar, do contexto social em que estamos ajustados, e vamos abrindo os parâmetros. É importante a gente falar nisso.

Não que nós estejamos propondo abandonar a órbita de nossos valores mais próximos. Nada disso. Apenas ressaltamos que todos temos uma família espiritual que existe e se multiplica, estejamos encarnados ou desencarnados. Essa família é universal, onde Deus é Pai e nós os irmãos uns dos outros, e que vai se firmando pela sintonia e pela afinidade que se estabelece entre os seus membros.

O que acontece é que nós ficamos muito presos ao plano individualista e não lançamos mão da faixa egocêntrica. Vamos ter em conta que na hora em que abrimos a nossa faixa de ação outros valores se integram e encontramos forças até mesmo para levarmos as nossas questões pessoais mais adiante e resolvê-las.

Quando começamos a trabalhar um campo novo na faixa positiva dos acontecimentos é como se passássemos a sintonizar com novas luzes. Agora, diante dessa nova postura é óbvio que vamos encontrar muitas resistências. 

No entanto, no momento em que abrimos e transferimos a nossa ação para uma família mais abrangente, de caráter universal, passamos a obter mais segurança até mesmo no trato com o nosso núcleo mais próximo. Sem contar que é no trabalho muitas vezes realizado lá fora que começamos a entender melhor os padrões muito fechados do nosso ambiente mais pessoal e particular.

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