1 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 11

A FAMÍLIA UNIVERSAL

“46E, FALANDO ELE À MULTIDÃO, EIS QUE ESTAVAM FORA SUA MÃE E SEUS IRMÃOS, PRETENDENDO FALAR-LHE. 47E DISSE-LHE ALGUÉM: EIS QUE ESTÃO ALI FORA TUA MÃE E TEUS IRMÃOS, QUE QUEREM FALAR-TE. 48PORÉM ELE, RESPONDENDO, DISSE AO QUE LHE FALARA: QUEM É MINHA MÃE? E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS? 49E, ESTENDENDO A SUA MÃO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, DISSE: EIS AQUI MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS; PORQUE, QUALQUER QUE FIZER A VONTADE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS, ESTE É MEU IRMÃO, E IRMÃ E MÃE.” MATEUS 12:46-49

Sabe aquele passagem do evangelho em que alguém chamou Jesus porque sua família estava do lado de fora e queria falar-lhe? Você se lembra? E o que ele respondeu? "E, falando ele à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe. E disse-lhe alguém: eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. Porém ele, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe." Mateus 12:46-49

Para para quem prescinde de conhecimento espiritual Jesus estava se desfazendo da família, todavia para quem já possui certo conhecimento ele estava ampliando a família.

Nota-se o abandono de uma verdade menor para a aceitação de uma verdade maior.

Ao perguntar quem era sua mãe e seus irmãos, Jesus se referia à precariedade dos laços de sangue e estabelecia a fórmula do amor que não deve ficar circunscrita ao ambiente familiar, mas ligada ao plano universal, em cujas estradas devemos ajudar todos os necessitados, desde os aparentemente mais felizes aos mais desvalidos da sorte.

É felicidade ter uma família para zelar, mas também precisamos entender que é preciso abrir suas comportas.

Porque é lá fora, junto da grande humanidade sofrida, que nós temos conseguido nos melhorar e sensibilizar. Quem ama a sua família tem que tirar as paredes da casa e abri-la. Está entendendo? O lar continua sendo o núcleo fundamental, óbvio, só que ele vai ter as suas paredes derribadas para que se amplie.

Enquanto a família for um casulo vai ser muito difícil alguém se abrir. Em outras palavras, quem não for capaz de sair do seu lar, deixando que as paredes sejam derruídas para se interessar pela estabilidade do mundo, vai ter dificuldade em manter o próprio lar.

Na hora em que a gente alcança as realidades maiores da vida, a família começa a tomar um novo dimensionamento.

Nós nos envolvemos em um plano de sensibilização com aqueles que amamos para quê? Para podermos nos abrir a um processo mais universalista no campo do amor.

Note que o lar de Jesus não se circunscrevia a Nazaré. Ao dizer "qualquer que fizer a vontade de meu Pai" ele não fazia distinção alguma, colocava ao alcance de todos, não ao participante de um ou outro grupo religioso, de uma ou outra filosofia. Vamos manter o nosso agrupamento familiar como a sagrada construção, sim, mas sem esquecer que nossas famílias são seções da família universal.

Sabe quando demos aquele exemplo anteriormente de que podemos trabalhar com um grupo de trinta elementos e estarmos vinculados a três? Pois então, nossa faixa de investimento é com os três, só que a forma de ajudar os três é trabalhando com os trinta. Na hora em que trabalhamos com os trinta nós passamos a universalizar um caso que tínhamos como restrito. Deu para acompanhar?

Isso acontece demais. O caso na essência é particular, mas muitas vezes o plano terapêutico se dá de forma global. Assim, passamos a alcançar uma visão mais abrangente e ampliada desse sistema quando saímos do nosso eu, do nosso mundinho fechado, e abrimos o coração para a grande expressão em que se laboram os valores da grandeza de Deus em função de todas as pessoas e seres.

À medida em que nós vamos compreendendo o mecanismo da vida, que vamos entendendo a extensão do evangelho em nossa alma, a nossa mente vai saindo da órbita puramente pessoal do contexto familiar, do contexto social em que estamos ajustados, e vamos abrindo os parâmetros. É importante a gente falar nisso.

Não que nós estejamos propondo abandonar a órbita de nossos valores mais próximos. Nada disso. Apenas ressaltamos que todos temos uma família espiritual que existe e se multiplica, estejamos encarnados ou desencarnados. Essa família é universal, onde Deus é Pai e nós os irmãos uns dos outros, e que vai se firmando pela sintonia e pela afinidade que se estabelece entre os seus membros.

O que acontece é que nós ficamos muito presos ao plano individualista e não lançamos mão da faixa egocêntrica. Vamos ter em conta que na hora em que abrimos a nossa faixa de ação outros valores se integram e encontramos forças até mesmo para levarmos as nossas questões pessoais mais adiante e resolvê-las.

Quando começamos a trabalhar um campo novo na faixa positiva dos acontecimentos é como se passássemos a sintonizar com novas luzes. Agora, diante dessa nova postura é óbvio que vamos encontrar muitas resistências. 

No entanto, no momento em que abrimos e transferimos a nossa ação para uma família mais abrangente, de caráter universal, passamos a obter mais segurança até mesmo no trato com o nosso núcleo mais próximo. Sem contar que é no trabalho muitas vezes realizado lá fora que começamos a entender melhor os padrões muito fechados do nosso ambiente mais pessoal e particular.

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