11 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 13

MENSAGEM AOS PAIS

Verdade seja dita: os pais geralmente apresentam muito de egoísmo.

Às vezes, ficam preocupados com os filhos. Ficam até apavorados. Mas não ficam apavorados com os erros ou os desregramentos dos filhos não, o que sentem é a estrutura pessoal deles, pais, colocadas em risco. Percebeu? Em muitos casos o que os pais querem é salvar a própria pele.

Outro ponto interessante é a questão do chamado monitoramento. Os pais realmente precisam monitorar seus filhos, porque isso funciona de forma eficiente como um instrumento de segurança. É preciso. Nós também temos os espíritos que em muitos aspectos nos monitoram para que a gente não cometa bobagens maiores, para que nós não venhamos criar maiores dificuldades aos nossos passos.

Então, o monitoramento é importante. Se o filho é uma criança complicada, por exemplo, aí nem se fala, o cuidado tem que ser redobrado. É preciso ficar de olho mesmo.

Todavia, o que não deve acontecer é esse mecanismo de monitoramento se transformar em uma postura sistematizada. O monitoramento precisa ser mantido nas linhas naturais e para isso um ponto interessante é a compreensão.

Quando alguém se encontra em um plano de autoridade em relação a outrem, seja esse outrem filho, parente ou funcionário em condição de subalternidade, esse alguém ganha autoridade no ato de colocar determinados limites quando ele compreende. Está entendendo? Porque enquanto ele não compreender o outro ele simplesmente vai ficar colocando limites para resguardar unicamente o seu interesse pessoal e não para auxiliar o semelhante que se encontra debaixo da sua tutela.

Percebeu? Então, para monitorar é preciso amar. Não havendo amor é melhor nem monitorar. Porque não tendo amor é simplesmente domínio, é escravização.

É difícil também não ter um pai ou uma mãe que viva ocasionalmente algumas tensões. Que passe por momentos de ansiedade e de aflição e o filho está rindo. Não tem disso? Aquelas situações em que os pais vivem um verdadeiro inferno interior por causa do filho e o filho está rindo. Os pais preocupados com o filho e o filho nem aí.

O momento de hoje é um momento muito importante e nele entram igualmente as responsabilidades que nós temos em relação aos outros que nos estão sendo confiados. 

Vivemos preocupações em relação a indivíduos que estão vinculados à nossa faixa de relacionamento. Os pais também não ficam muito felizes às vezes porque seus filhos não são exatamente como eles gostariam que fossem. Todavia, quem é capaz de garantir que a ótica deles seria a melhor para aqueles espíritos naquele momento? O importante antes de tudo é dar o melhor e lançar a semente.

E o que eu vou dizer agora não é crítica a ninguém, é apenas um fato. Preste atenção, é motivo de orgulho para os pais verem os seus filhos conquistando diplomas e títulos. Não é? É um desejo justo, natural, louvável. O problema é que muitos pais se preocupam somente com esse tipo de vitória, como se ela fosse o supremo propósito da vida. Quer dizer, eles se preocupam com o cérebro dos filhos muito mais do que preocupam com o coração. Querem ver os filhos envolvidos em aplausos e louvores e fazem de tudo para enriquecê-los da sabedoria dos livros, deixando-os muitas vezes pobres de sentimentos e de valores morais, transitando tantas vezes na órbita vazia de um intelectualismo estéril.

A conquista exterior dos filhos é o que lhes interessa e a vaidade deles fica lisonjeada quando esses alcançam patamares e conquistas materiais. Não importa se os filhos crescem insensíveis, orgulhosos, prepotentes ou mesmo se não amadurecem moralmente. Os pais se orgulham. Sentem aquela falsa impressão de que cumpriram perfeitamente o dever junto daqueles que a providência lhes confiou para que orientassem dignamente nas estradas da vida.

O que esses pais querem é ver os seus filhos vencendo no mundo. É o que importa. Jesus venceu "o mundo". Eles querem é ver os seus filhos vencendo no mundo.

No que reporta aos padrões de natureza moral, aliás os únicos capazes de auxiliá-los na consolidação do caráter e na elaboração de uma personalidade segura, eles se ocupam de forma muito superficial. Não se preocupam em fazê-los homens seguros, fortes interiormente, corretos, humildes, caridosos. Não. Os pais não se ocupam com esse aspecto com o mesmo interesse e a mesma dedicação com que se preocupam com o desenvolvimento do intelecto deles.

E é bom deixar claro que isso também não significa que os pais desconsideram essa parte da educação.

Quer dizer, eles não menosprezam conscientemente o aspecto fundamental da educação moral. De forma alguma. O que acontece é que em muitos casos eles consideram que isso é algo que não requer aprendizagem. Está entendendo? Imaginam que determinadas virtudes nos filhos, tais como a bondade, a sinceridade, a humildade, a simpatia, são características que surgirão naturalmente. Isto é, tornar-se bom, verdadeiro, sincero, gentil, simpático, não pressupõe aprendizagem. 

Acreditam que determinados valores íntimos vão surgir naturalmente e por isso não precisam ser ensinados. Acham que essa parte da educação, que constitui a mais importante, se dará por si mesma, de forma aleatória, sem qualquer iniciativa deles, os pais. Que determinados valores não precisam de ensinamento, não exigem cuidado, direcionamento, atenção.

O resultado que a gente tira é um só: Que do nada, nada se tira!

Concorda? Tudo o que cresce, cresce de alguma coisa. Tudo o que germina, tudo o que floresce, germina de uma semente. Tudo o que cresce surge de um ponto.

Não há como esperar que aflore na alma de alguém qualidades nobres e elevadas sem que, anteriormente, tenha sido feita ali uma sementeira. Não dá. 

Os pais terrenos não são criadores, mas zeladores das almas que Deus lhes confia no sagrado instituto da família. Para guiá-los no caminho acertado. Então, isso é um assunto para pensar, principalmente no mundo em que vivemos hoje, onde nos deparamos com tantas individualidades desprovidas de valores essenciais.

Todos os lugares estão repletos de pessoas vencendo no mundo, mas sendo derrotadas no mundo íntimo. Como diz Jesus, ganhando o mundo e perdendo a alma. 

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