18 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 15

A OVELHA DESGARRADA II

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Em muitas ocasiões nós realmente temos que nos desvincular de muita coisa, deixando tudo mesmo, de modo a podermos entrar em um ângulo novo que, quem sabe, não entramos antes por descuido ou por negligência nossa.

Na questão dos relacionamentos humanos, é comum encontrarmos um coração sensibilizado que deixa tudo e vai atrás de outro que ama, individualmente falando. 

No ensinamento da ovelha desgarrada, no seu sentido essencial e intrínseco, tantas vezes o indivíduo é convocado pelas próprias circunstâncias da vida a deixar as noventa e nove porque ele não é dono delas, embora no campo prático ele tenha responsabilidade para com elas, da mesma forma que Levi tinha responsabilidade com a repartição na qual ele servia.

E tem gente que fecha a sua vida inteira (uma, duas ou três reencarnações) por causa de uma pessoa.

Em função de uma individualidade dentro de casa, como um filho por exemplo, e por tratar-se de ovelha desgarrada, abandona os outros três ou quatro componentes da casa.

Isso acontece muito com os pais. Tem pais e mães que vivem praticamente em função desses elementos complicados. Marcam uma criatura e se esquecem dos outros.

Então, temos que atentar para essa questão e realmente ponderar acerca das nossas atitudes. Porque quando fixamos a nossa mente em uma única pessoa, no sentido didático, pedagógico ou orientador, a gente costuma sofrer muito. Está dando para pegar a lógica da questão? Por isso, pelo  amor de Deus, busquemos essa ovelha desgarrada, trabalhemos com esse coração que merece um empenho maior e uma atenção redobrada, mas de forma alguma deixemos cair a estrutura de um lar ou de um ambiente em função de alguém que desgarrou, e que apesar de desgarrado pretende permanecer desgarrado. Ficou claro? Ajudemos sim, façamos o melhor ao nosso alcance, mas sem ficar preso ao lado dele.

Jesus, após a sua crucificação, foi atrás de Judas. Foi tentar levantar o ânimo dele. Foi atrás de Judas, no entanto, em momento algum ele desprezou os outros.

Está percebendo? De forma que precisamos ter esse cuidado de não privilegiar ninguém.

É fato que muitas vezes nós temos que ir atrás daquelas peças complicadas, mas sem perder a linha de relação com aqueles outros que também precisam do nosso estímulo, da nossa atenção e do nosso trabalho. Porque isso é muito importante.

Em hipótese alguma nós devemos deixar as noventa e nove desamparadas, à míngua, deixá-las à bancarrota ou desabrigadas para buscar uma que se perdeu.

Nós podemos, e em muitas vezes precisamos, largar as noventa e nove, mas jamais devemos nos dissociar delas. Em muitas ocasiões também acontece de esquecermos das outras para ficarmos em função de uma, até provavelmente porque aquele agrupamos que fica marginalizado nós não tenhamos tantos compromissos com ele, mas é preciso não perdermos a simpatia e a identidade com eles.

Outro aspecto interessante é que nós também temos ovelhas dentro da nossa intimidade. 

Claro, afinal de contas é no íntimo onde efetivamente funciona o evangelho. Concorda? São ângulos que nós já dominamos e que estão alicerçados sob o nosso campo operacional com segurança.

Só que a cada momento somos testados em nossas reservas interiores e vez por outra temos que ir atrás daquela que se desgarrou. Está acompanhando? O nosso acervo de padrões, ou nosso aprisco, tem que ser reciclado periodicamente. 

São caracteres da nossa personalidade que precisam se ajustar aos novos momentos e aos novos sentidos da vida. 

E nós temos que operar constantemente para que isso aconteça, porque essas noventa e nove, junto com aquela que retorna, formam os nossos caracteres íntimos que estão em processo contínuo de reciclagem e de crescimento.

O que temos aprendido é que podemos encaminhar a nossa luta em cima de um determinado padrão. Não podemos? É claro que podemos. Porque a nossa inteligência que se abre, em termos de razão, pode perfeitamente laborar em cima de um determinado caractere, de um determinado ângulo, de um determinado tópico. Todavia, e isso é interessante, o êxito muitas vezes vai depender de uma reformulação abrangente. Nem sempre vai ser alcançado com a nossa maneira fechada de pensar. O evangelho tem nos ensinado isso. A todo momento somos convocados a redirecionar os padrões e reflexos que revestem a nossa caminhada. E, quanto mais estudamos, mais sentimos a necessidade de adotar uma linha de reciclagem antes de implementarmos um componente novo.

Por mais zelosos que sejamos, ou por mais duros que possamos ser no campo reeducacional, existem facetas da nossa personalidade que são imperfeitas e frágeis ainda dentro do patamar em que estamos e que são suscetíveis de mudança. E o caminho para crescer é por aí. Às vezes, a razão indica um caminho novo, nós concluímos que não é a nossa forma de agir, mas adotamos a nova postura e dá certo.

Nos dias atuais não tem como alguém encontrar a felicidade fechado em suas próprias convicções e em seus próprios conceitos. A cada momento somos conduzidos a posições em que os padrões, que até então eram suficientes, já não são mais suficientes. E eles passam a ser exigidos em alterações redimensionadas.

Logo, não tem jeito, nós precisamos nos integrar a um processo em que somos convocados a esse tipo de atividade, de redirecionar e reformular os padrões já sedimentados.

Não há condição de progredirmos, seja na horizontal ou na vertical, e de modo linear, sem que venhamos reciclar cada expressão e cada ângulo da nossa individualidade.

A nossa visão se altera a cada instante na vida e não dá mais para permanecermos enclausurados em conceitos ultrapassados. É imperioso permanecermos matriculados, tanto nas áreas da razão como do sentimento, em uma escola de renovação e de mudanças. E para se ter ideia, às vezes podemos possuir uma conceituação que vigora, e ela passa a ser redimensionada em determinado momento exatamente com essa fuga e esse retorno.

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