26 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 4

SOB TUA PALAVRA

“E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE.” LUCAS 5:5

Os discípulos trabalharam toda a noite e nada apanharam. Quer dizer, eles lançaram as suas redes, mas em vão.

O trabalho a que se refere Simão Pedro foi um trabalho sem resultado, infrutífero, não ofereceu os frutos esperados.

Então, vamos analisar com carinho a questão. Para início de conversa, o trabalho foi realizado quando mesmo? À noite. Está dando para perceber? E noite lembra o quê? Escuridão.

Noite é quando se dá a desconexão da luz. Caracteriza-se pela ausência da luz. É o símbolo da escuridão que ainda prepondera em nosso espírito. É um indicativo dos diferentes tipos de imperfeições que mantemos presentes em nossa intimidade. Pode expressar-se pela manifestação da treva da ignorância, pela postura de acomodação e pela exteriorização dos padrões menos felizes que trazemos.

O trabalho realização à noite é o trabalho feito sob o nosso circuito, com a predominância exclusiva dos nossos valores desvinculados da luz, em meio às trevas da ignorância e da incompreensão, muitas delas vinculadas ao nosso espírito. Porque a escuridão é dos homens, resultado das suas vaidades e presunções.

Tantas vezes nos esquecemos disso e continuamos assim mesmo trabalhando no contexto da nossa pequenez de investimento. E quando insistimos em trabalhar e realizar qualquer coisa que seja dissociados do amparo superior, utilizando apenas os nossos padrões limitados, costumamos obter como resultado da vida grandes decepções. E ficamos frustrados. Em sentido profundo, o trabalho feito durante toda a noite é indicativo de que sem o entendimento e a aplicação do evangelho as nossas aquisições espirituais são infrutíferas. Sem contar que o trabalho realizado à noite não produz resultados duradouros.

Essa situação, no entanto, pode ser alterada.

Analisando o texto com atenção nos deparamos com umas das mais belas expressões de fé raciocinada presentes em todo o evangelho: "E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede." (João 21:6)

Deu uma ideia? O devotado servidor se propôs a lançar a rede numa demonstração de humildade e confiança no Senhor. Daí notamos que existem dois tipos de trabalho: o efetuado antes, com a utilização única dos padrões puramente pessoais, e o realizado após o conhecimento do evangelho. A ensinar que nossa transformação íntima por si só não basta para estarmos sintonizados com a luz.

Cabe-nos, também, reconhecer nossa pequenez e adotar atitudes novas e resolutas seguindo o exemplo de Pedro. Com humildade e sentimento renovado temos que agir sob o peso da palavra de Jesus, ou seja, lançar nossa rede sob a palavra dele.

23 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 3

O MAR ALTO

“3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR." LUCAS 5:3-4

Quer se acredite, ou não, nós todos morremos e renascemos num processo intérmino. Como o estudante, que ao final do ano letivo descansa e se prepara para retomar o aprendizado no ano seguinte.

Sendo assim, com toda certeza muitos de nós já participamos de inúmeras atividades de estudos lá atrás em reencarnações passadas. Estudos em que os padrões da mensagem crística foram implementados em nossos corações. E é bem possível que o tenhamos aceito com todo o carinho no coração. Todavia, também é provável que tenhamos falhado na dinâmica aplicativa desses valores, deixando que lances da nossa imperfeição se expressassem diante dos acontecimentos.

Mas o bonito disto é que aqueles que não foram felizes no passado, até mesmo aqueles que perderam a chance de serem orientados de forma positiva e segura lá atrás, podem ser orientados novamente por outros personagens hoje. Isto é que é bonito e consolador.

E sabe por quê? Porque a multidão continua nos dias de hoje apertando Jesus para ouvir a palavra de Deus.

Ou você tem dúvida? Existe na atualidade uma necessidade grande, uma carência sem tamanho por parte da multidão quanto ao conhecimento de valores de natureza espiritual. E Jesus continua, na figura da essencialidade do evangelho, entrando nos barcos para ensinar a multidão. Para levar esclarecimento.

Então, ninguém na atualidade pode alegar falta de oportunidade para aprender e evoluir. 

Esse tipo de alegação é inaceitável. É conversa mole. É papo pra boi dormir que tem que ser desconsiderado. Muitos daqueles que não souberam aproveitar a chance ontem, quem sabe a estão aproveitando no dia de hoje. Muitos desses elementos estão arregimentando, estão se preparando, estão crescendo. Eles chegam para serem devidamente orientados por outros companheiros no contexto da oportunidade que se repete para cada um de nós.

E o divino educador assentou-se e ensinava do barco: "E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão." (Lucas 5:3) A bem da verdade, ele continua ensinando do barco, influindo e atuando na alma humana. É assim que funciona a sistemática educativa, é assim que tem que ser. Temos também que ensinar do barco.

Assentando encontramos firmeza. E ensinar do barco equivale ao trabalho realizado com entusiasmo. Porque ninguém consegue ensinar ou operar, o que quer que seja, sem a presença da euforia. Nós estamos empolgados. E a empolgação vem de dentro. Só sente quem vibra. Só sente quem se ilumina. Só sente quem ama. Sem entusiasmo não temos como obter resultados satisfatórios.

Sem euforia ficamos incapacitados de dar o nosso melhor. Por isso, o dia em que alguém começar a falar ou operar em nome do Cristo de qualquer jeito, sem nenhum envolvimento íntimo, sem a alegria nos olhos, sem o sorriso nos lábios, sem entusiasmo, sem qualquer júbilo pessoal, sem o direito de vibrar verdadeiramente com aquilo que está fazendo, sabe o que vai acontecer? Ele simplesmente vai ser uma pessoa neutra, fria, sem sal, destituída de autoridade.

A vida é como se nós estivéssemos num mar aberto. Cada um remando o seu barco, procurando a sua sobrevida. 

Mas precisamos ter em conta, e isso é muito valioso, que acreditemos ou não, existe um plano a nosso respeito no âmago da grandeza de Deus. Às vezes, nós nos lançamos no oceano da vida e achamos que ficamos ali no debatendo ao léu, como se estivéssemos perdidos, à espera de uma salvação. Mas não é por aí. Se nos lançamos de uma margem é óbvio que a outra margem está reservada para nós, para a atingirmos algum dia. Porque nós temos um destino, nos lançamos porque existe uma proposta nossa, delineada e amparada pela bondade do alto.

E depois que Jesus acaba de falar significa o quê? É o mesmo que depois que uma soma informativa visita o ser. 

Quando Jesus acaba de falar equivale ao término da linha teórica, o fim da linha informativa. Ficou claro? E, em seguida, Jesus diz a Simão, no singular: "faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes".

A gente sabe que quando o evangelho fala em mar ele faz referência à reencarnação, no entanto não quer dizer que tem que reencarnar não. Fazer-te ao mar alto é quando o espírito, no ambiente que lhe é peculiar, vai enfrentar as dificuldades na própria luta dele. 

E é assim que os fatos se desenvolvem. Antigamente, desejávamos que a nossa vida fosse calma, mas hoje notamos que a tendência evolucional de fora para dentro é agitar mar. E não tem como ser diferente, a evolução promove a agitação.

É imprescindível ir ao mar alto, porque se não instauramos um sistema de lançamento para pontos mais avançados nós simplesmente não evoluímos. Agora, isso também não significa que tenhamos que ficar lutando constantemente contra a maré. Se fizermos assim, nós nos esgotamos. As pessoas sábias se ajustam à maré da vida. Então, não vamos entrar nessa de desespero ou de inquietação por causa dessa oscilação, dessa dinâmica existente. De forma alguma. Porque a dinâmica e os desafios são o gostoso da vida.

O que acontece com aquele que realiza algo, concretiza e fica parado, coagulado? O que acontece? Ele perde o gostinho da vida. Pense nisso. Como é possível alguém ter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que parou? Não tem jeito. A conclusão é uma só: nós temos que lançar, às vezes, o nosso coração em um regime de sacrifício, em um regime de ousadia. Nós temos que visar o mar alto. O ponto mais de cima tem caracteres que nós não possuímos ainda.

O conteúdo que vai nos projetar para a libertação é um conteúdo que vem de onde? De cima.

É simples de entender. A evolução se desenvolve de modo incessante e sempre seremos desafiados a um passo além da órbita ou do limite dos nossos padrões já conquistados.

Por isso, os grandes cooperadores da humanidade continuamente trabalham para além daquelas faixas relativas de suas conquistas. Estamos estudando porque estamos querendo ir além do parâmetro que cerceia os nossos passos e o processo é abrirmos para além de onde estamos. Até onde exercemos o conhecimento concreto é nosso universo relativo e naquilo que apreendemos e deduzimos nós penetramos no infinito da grandeza de Deus. Está dando para acompanhar?

Mediante a capacidade dedutiva em cima do plano perceptivo nós avançamos e ultrapassamos limites.

Então, o componente daqui (a nossa rede) organiza a instrumentalidade, mas o conteúdo realmente capaz de nos projetar vem de cima (do mar alto). Razão pela qual nós sempre estaremos diante de um desafio. Porque a euforia de nossa vida se expressa em função da nossa capacidade de avançar e abranger sempre.

19 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 2

A REDE

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. 5E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE.” LUCAS 5:1-5

“E ELE LHES DISSE: LANÇAI A REDE PARA O LADO DIREITO DO BARCO, E ACHAREIS. LANÇARAM-NA, POIS, E JÁ NÃO A PODIAM TIRAR, PELA MULTIDÃO DOS PEIXES.” JOÃO 21:6

“IGUALMENTE O REINO DOS CÉUS É SEMELHANTE A UMA REDE LANÇADA AO MAR, E QUE APANHA TODA A QUALIDADE DE PEIXES.” MATEUS 13:47

A entrada de Jesus em nosso barco não se dá de qualquer jeito, não se processa à nossa revelia. 

Isso não acontece. Tem que haver uma preparação e predisposição nossa para que ela ocorra. Sabe por quê? Porque Jesus não entra quando nós estamos ociosos ou desinteressados.

Você observou o texto com atenção? Se observou, o que os pescadores estavam fazendo? Eles estavam lavando as suas redes. Conseguiu acompanhar? E se estavam lavando as suas redes eles estavam em atividade, estavam se preparando, estavam operantes, vigilantes, interessados, portanto aptos a receber.

A rede é um entrelaçamento de fios com aberturas regulares e que forma uma espécie de tecido.

É elaborada para uma atividade específica. É a soma de um conjunto de elementos que, devidamente conjugados formam um instrumento capaz de captar, de arregimentar, de apanhar algo. Espiritualmente falando, a pesca representa os planos seletivos da criaturas que laboram na busca de uma proposta de crescimento. Logo, a rede deve apresentar boa condição de uso e estar sempre pronta para trabalho. Afinal, o espírito humano é um pescador de valores evolutivos nos amplos mares da vida.

E uma coisa é fato: daqui para frente, quem quiser recolher o melhor da vida não pode mais lançar a sua rede de qualquer jeito e em qualquer ambiente. Tem que lançá-la com técnica e sabedoria, o que pressupõe aperfeiçoamento constante, ação inteligente e direcionamento.

E é o que estamos buscando aprender agora. Nós estamos estudando o evangelho para isso. Estamos, com toda a tranquilidade, aprendendo a melhor forma de preparar a nossa rede para a grande viagem ao mar alto. O conhecimento espiritual objetiva promover em nós o aprimoramento, como elaborar essa rede e utilizá-la para recolhermos o melhor da existência. E trabalhar a rede é aprimorar também o nosso sentimento, quer dizer, é arregimentar conhecimento novo de um lado e, ao mesmo tempo, aprimorar o sentimento.

Outro ponto fundamental é que nós não podemos ficar indefinidamente nessa preparação.

Esclarecidos pelos ensinamentos imorredouros do evangelho, somos convidados intimamente a lançar as redes. E lançar a rede sugere uma posição prática dentro do contexto.

Pense comigo: sendo o mar o celeiro abundante de onde podem emergir elementos valiosos, temos que lançar a nossa rede de dentro do nosso barco. Não dá para adquirirmos a autenticidade e a harmonia que idealizamos se não nos lançarmos.

E lançar tem o sentido de ação, de movimento para além. Então, o desafio agora consiste na capacidade de operar com o valor que assimilamos. Porque não existe construção de vida consciente sem a aplicação das nossas possibilidades em busca da realização de alguma coisa útil.

Nessa passagem da pesca encontramos o verbo lançar em duas situações. No primeiro momento, Jesus usa a forma imperiosa: "Lançai as vossas redes." (Lucas 5:4 e João 21:6) O que isso significa em termo aplicativo? Que não há outra forma de evoluir. O conhecimento que chega nos desafia e nós somos convocados a ir além, a fazer, a partir para o processo de lançar. No exercício de sua autoridade moral, Jesus determina que utilizemos nossos valores para "pescar" benefícios espirituais. Determinação para que cada um de nós acione e viva os padrões arregimentados, na prática. É o chamado para que apliquemos o que aprendemos.

No segundo caso, Pedro emprega o verbo referindo-se ao futuro: "Sob tua palavra, lançarei a rede." (Lucas 5:5) Percebeu? Aí vira "lançarei". Pedro sugere a possibilidade de aplicar e investir no que o conhecimento orienta, que significa agir conforme a orientação superior. Diz respeito à vivência do testemunho, que é pessoal. Porque cada qual vai agir individualmente dentro daquilo que pretende. Ou seja, a orientação que chega nos auxilia de fora para dentro e cada ação positiva nossa corresponde a um passo certo dado no esforço ascensional, que tem que ser dado do próprio barco, isto é, de dentro para fora.

Cada criatura tem as suas preferências e escolhas e a cada dia nos levantamos com a nossa rede de interesses.

Cada indivíduo busca, à sua maneira, trabalhar o campo mental tentando direcionar sua rede para as fontes de luz, mas o que acontece? A treva, de algum modo, é algo que permanece embutido em nós pelas nossas experiências do passado. Está dando para acompanhar? E essa treva, por mais inconveniente que seja, acaba se tornando luz para nós em muitos pontos. É como se fosse aquela coisa do está ruim, mas está bom. Percebeu? Dentro dessa treva embutida passa a vigorar uma luminosidade que atende aos nossos caprichos pessoais.

Quer dizer, detectamos um componente negativo em nossa personalidade que precisa ser suplantado, que precisa ser superado, todavia, apesar da identificação ele permanece e continua sendo em muitos casos a nossa forma de agir. E a gente não abre mão dele.

Assim, costumamos gastar inúmeras encarnações mantendo a chama do conhecimento clareando, com a nossa mente determinando o caminho, todavia sentindo que na intimidade falta algo para o alcance da paz. O que eu estou querendo dizer é que perdemos muito tempo, às vezes, inúmeras vidas nas lutas reencarnatórias mantendo padrões antigos que não nos atendem mais. Que continuam em um tempo em que a razão clareada já nos determina a necessidade de superá-los.

Ficou claro agora? Estamos trabalhando o campo mental, estamos tentando direcionar a nossa rede para as fontes de luz, mas a treva continua ainda embutida em nós.

É por isso que precisamos lutar muito conosco mesmo. Porque mesmo vendo o novo não nos desapegamos sem luta dos padrões velhos. O automatismo fala muito alto dentro de nós. Isso acontece demais da conta. Nós viramos a nossa rede para cá e o condicionamento acaba por retorná-la para lá. Um indivíduo pode, por exemplo, pela utilização da rede, fixar um objetivo para cima, mas sem dúvida ele terá que lutar muito consigo mesmo, porque, sem exagero, a parte da sua instrumentalidade, automatizada, ainda está virada para lado oposto. De forma que ele puxa a rede para cá e o condicionamento volta ela para lá.

O que manda nesse processo, pelo que nós temos aprendido, é algo relacionado com o modo, com o sistema.

É a eleição nossa de vida.

Estamos vivendo um momento que é um momento peculiar na nossa faixa de crescimento. E o entendimento do evangelho imprime em nós um esforço de renovação com Jesus. Quanto a isso, ninguém tem dúvida. Estamos aqui tentando acolher valores que projetem nossa vida em novas bases de crescimento. Estamos arregimentando padrões que nos ofereçam melhores condições no plano operacional.

E repare que diante do insucesso aparente inicial na pesca, Jesus convoca amorosamente os seus discípulos a quê? A nada mais, nada menos, do que lançarem a rede para o outro lado, para o lado oposto. Deu para entender? Entendendo Jesus e nos sintonizando com Ele nós temos que passar a lançar a nossa rede no lado oposto ao que lançávamos antes de nos identificarmos com esses novos padrões. É preciso jogar a rede para o outro lado, para receber o que não recebíamos.

13 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 1

O BARCO

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. 5E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE. 6E, FAZENDO ASSIM, COLHERAM UMA GRANDE QUANTIDADE DE PEIXES, E ROMPIA-SE-LHES A REDE.” LUCAS 5:1-6

O mar é componente dentro da própria terra física. Significa todo um sistema em que nós estamos embutidos nele. É o campo experimental físico, o plano experimental nosso, diz respeito ao processo periférico e instrumental de nossa vida.

Enquanto a terra é plano da nossa intimidade mental, da intimidade a nível psíquico, o mar representa o plano operacional dos acontecimentos. De forma que estamos todos imersos nesse oceano, especialmente na área de concretude dos nossos ideais. Ou seja, os nossos ideias se situam na terra e as nossas linhas operacionais no mar da vida. Nós somos moléculas dentro desse mar, gotas de água dentro dele, movendo em função desse todo sob a direção superior.

Nessa passagem do evangelho, o barco de Simão Pedro era o quê? O seu instrumento de trabalho. Certo? Porque a gente sabe que ele era pescador. Então, na acepção espiritual, que é a que realmente nos interessa, o que é barco? Barco é a representação da nossa estrutura íntima no infinito mar da vida. Define o que nós somos e o que trazemos de conquista ao longo das reencarnações.

É a soma dos padrões de que dispomos para nos lançar em busca de novas aquisições. E ele contém todos os valores reunidos que nos caracterizam a individualidade e que temos para utilizar em nossa viagem pelos mares da vida. Afinal de contas, cada um de nós é um espírito que enverga um corpo, viajando hoje nessa trajetória extraordinária que é a regeneração em busca de novos destinos e de novos portos de segurança. Cada individualidade é um espírito com os seus problemas a serem solucionados e os seus objetivos a serem realizados.

Os barcos não se encontram todos no mesmo lugar, o que é óbvio, e por isso também sugerem a ideia de posição.

Quer dizer, barco também significa a nossa posição perante a existência, pois cada um de nós se encontra em um patamar, posicionado num contexto que o torna um espírito único, com um corpo único e desafio único, diante da grandeza de Deus. Assim, cada qual, ajustado na escala do plano físico em que se situa, precisa saber identificar em si mesmo e à sua volta os recursos de ação disponíveis para poder atuar com aproveitamento no campo que lhe é próprio.

Porque a gente sabe, ninguém se lança ao mar com o seu barco sem a devida preparação.

E quem nos leva é o mar da vida. Concorda?

Mas isso não significa que temos que nos deixar levar pelo sabor das circunstâncias.

Nós precisamos saber conduzir o nosso barco, aprender a nos direcionar e nos posicionar. Aprender a nos ajustar para nos manter à tona dentro desse mar. Saber mudar a nossa posição diante do contexto com naturalidade, de maneira a permanecermos equilibrados e estabilizados. Esse é, sem dúvida, o grande segredo da evolução. Posicionados de tal forma a sermos dignos de receber Jesus na embarcação do coração, que nos chega na figura do conhecimento que nos visita.

Diante de um mundo agitado e atribulado como o nosso, constantemente envolvido por desafios de toda ordem, não podemos nos descuidar e deixar o nosso barco correr à deriva. Não tem jeito. Não dá para deixá-lo ficar sem uma proposta, sem um objetivo, sem rumo, sem disciplina, sem leme. A entrada de Jesus no barco significa sua entrada na nossa estrutura íntima, sua entrada em nosso campo mental. E ele continua entrando sempre que criarmos situações favoráveis a isto.

Analisando o assunto com a profundidade que ele exige, fica fácil concluir que para alcançarmos resultados felizes nós temos que ter a presença do Cristo em nós, precisamos da sua presença em nosso barco. 

E olha que não estamos falando aqui na entrada do Jesus homem. Não. Nós estamos fazendo referência à entrada do evangelho em nosso íntimo, a entrada do conhecimento espiritual. Porque sem isso não adianta. Nós não conseguimos nos lançar às conquistas maiores da imortalidade, não conseguimos nos lançar ao mar alto.

Outra coisa interessante é que assim que o mestre entrou no barco de Pedro os discípulos o seguiram. Percebeu? Jesus tem que entrar primeiro, depois os discípulos o seguem.

Não pode ser diferente. Com essa entrada nós passamos a abrir novas expressões de trabalho, ao mesmo tempo em que passamos a receber ajuda nas mais diversas frentes. Por mais que a gente tente, nós não somos capazes de imaginar a extensão do amparo maior na solução dos problemas que nos são próprios.

O bonito nessa passagem da pesca é que nós temos nela toda a sequência e a dinâmica do mecanismo da aprendizagem. Isso é interessantíssimo. Para se ter ideia do que estamos falando, qual foi a primeira providência de Jesus com relação a Simão Pedro quando entrou no barco dele? Vamos pensar juntos. Ao entrar no barco, o que Jesus pediu? Pediu a ele que afastasse o barco um pouco.

Percebeu? Pediu que ele afastasse o barco um pouco da terra. Procedimento da maior importância. Tão importante que o primeiro passo para quem quer atingir uma vida mais alta é afastar o barco um pouco. Este é primeiro lance que os aprendizes do evangelho recebem depois que são visitados por uma soma informativa de padrões, independente da escola religiosa a que se afeiçoam.

À partir do momento em que padrões informativos de natureza superior visitam o ser, à medida em que a individualidade se dedica à aquisição de valores espirituais, que é quando o Cristo começa a entrar em sua intimidade, mais se acentua a necessidade da criatura se colocar à disposição dele, do Cristo. E para isso cabe-lhe tão somente atender ao seu pedido.

E o Cristo não pede muito. Pede apenas que ela se afaste um pouco da terra. Que ela se afaste um pouco das cogitações materiais, dos valores transitórios, a fim de que as autênticas expressões de espiritualidade, que partem das esferas superiores, possam circular sobre ela, clareando os seus caminhos e favorecendo-lhe o entendimento da boa nova.

Está acompanhando? Esse é o primeiro lance que o estudioso recebe. Porque ele chega ao evangelho trazendo consigo toda uma soma de conceitos. Chega trazendo toda uma soma decorrente da convenção humana. E começando a estudar ele começa a ouvir falar de quê? De padrões novos de natureza moral, de mudança interior, de necessidade de estudo, de reforma íntima e de muitos outros aspectos. Aí ele faz o quê? Ele afasta um pouco. Sai um pouco da terra, deixa um pouco as questões de natureza material e entra um pouquinho no mar à dentro.

Agora, muita atenção para um detalhe importantíssimo que não pode ser esquecido em tempo algum: é afastar o barco um pouco. Não pode afastar muito.

Esse afastamento não pode ser demasiado para não se perder as possibilidades valiosas de trabalho e auxílio.

Porque toda faixa operacional tem que se estruturar dentro do plano de concretude. E o plano concreto é fundamental para o crescimento. Ficou claro? Nós não estamos ajustados à terra à toa. As coisas materiais são úteis à ação do espírito.

Uma coisa é eu viver exclusivamente em função das coisas da terra e outra coisa bem diferente é eu me afastar um pouco das coisas da terra. Eu não posso viver exclusivamente apegado às coisas materiais, mas também não posso desconsiderá-las por completo. Está dando para perceber? Então, é preciso achar um meio termo. Esse afastamento relativo sugere saber administrar os recursos disponíveis com tranquilidade, serenidade e aproveitamento.

E repare para você ver: todas as vezes que algumas pessoas se desprendem demais dessa atração que a terra exerce elas costumam entrar em um plano fanatizante ou místico.

Porque nós todos estamos ajustados à terra e não tem como ser diferente.

Se nós afastarmos muito a gente acaba por se fanatizar. Por isso, não dá para colocar uma bíblia debaixo do braço, abandonar o emprego e gritar para o mundo todo que a meta agora é outra, é viver apenas para as coisas espirituais. Se você se alienar totalmente dos padrões que compõem o seu laboratório pleno e essencial provavelmente você encontrará grandes decepções no futuro.

Se quiser abandonar tudo, se afastar por inteiro dos valores tangíveis e materiais à sua volta, para viver um patamar exclusivamente etéreo, você vai acabar por perder o piso da vida e sofrer. E mais, não vai sofrer sozinho. Vai fazer várias outras pessoas à sua volta, próximas e ligadas a você, sofrerem também.

6 de mar de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 18 (Final)

A OVELHA DESGARRADA V

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Temos que lembrar do evangelho, e na sua didática qual é o verdadeiro trabalho do educador? Estimular o indivíduo para que ele possa enveredar por um caminho melhor.

Precisamos de amor para criar algo positivo e no exercício do amor o roteiro é um só: em vez de você empurrar você aproxima.

Comecemos por nos situar na posição do outro, no campo dos problemas em que ele se encontra, e esperemos a chance de fazermos algo a ele. No pensamento, mantenhamos vibrações de entendimento e carinho, na palavra envolvamos-lo na bênção do verbo nobre e na atitude amparemo-lo quanto nos seja possível. Em todo processo de ação o nosso dever é fortalecê-lo para o bem.

Precisamos desenvolver esse tino, aquela autoridade capaz de despertar no ouvinte o interesse para que ele se desperte. 

No começo desse processo, muitas vezes nós temos que trabalhar com o interesse pessoal dele. Concorda? Vai ter casos em que vamos ter que lidar com base no interesse pessoal dele. Pode até parecer estranho, mas vai ter situações em que vamos ter que agir com a própria vaidade do indivíduo. Percebeu? Vamos ter que trabalhar com o princípio da vaidade que ele tem. Em suma, a nossa ação deve se dirigir no sentido de encontrarmos estratégias que possam propiciar sua sensibilização, atingir o seu coração em um grau de confiabilidade e segurança.

É impossível ajudar eficientemente se não houver uma moldura de afetividade e valorização.

Daí, é imprescindível sabermos vencer as resistências. Esse é o grande desafio.

A mudança é pela mente, óbvio, todavia devemos ganhar o coração da pessoa. Sabe por quê? Porque quem não ganha o coração não ganhará o cérebro. Muito simples.

Sabe aquele caso da mãe com o filho que mencionamos na parte anterior? Quem sabe se um dia essa mãe deixar de censurar e criticar e resolver assentar-se perto dele. Chega lá, senta por uns dois minutos na sala, pergunta sobre o filme ou tece um comentário positivo. Surge daí o primeiro sinal de simpatia. Quer dizer, são pontos de aproximação. Quem sabe abre um sinal de simpatia entre os dois.

Esse pode ser o passo inicial. Agora lembre-se: isso é um processo. É uma caminhada. Uma coisa é o primeiro passo, o primeiro lance, mas tem que haver sequência. Então, não basta apenas penetrar, entender, descobrir, diagnosticar. A questão não é ficar centrado somente no diagnóstico. Está entendendo? Porque se bobear ela vai passar todos os dias assistindo filme com ele e não vai sair disso.

Usando um sentido educacional ela pode passar a comentar o filme depois: "Nossa, que cena interessante foi aquela. Eu não pensei que aquele personagem fosse morrer". Daí a pouco ela vai adquirindo autoridade, até para propor: "Que tal a gente hoje, em vez de assistir um filme, fazer uma coisa diferente?"

Então, buscar uma ovelha desgarrada, que na maioria das vezes nós mesmos enxotamos ou descuidamos dela naquilo que era o mínimo que podíamos fazer, realmente é uma situação complexa. Pode ter sido por um descuido nosso, e tanto descuidamos que ela saiu, se desgarrou. Mas à partir do momento em que investimos na compreensão, na linha do discernimento e depositamos amor sem sentimentalismo, a espiritualidade vai nos concedendo os recursos e a instrumentalidade para conseguirmos a solução adequada. Outro desafio que surge é a terapia que queremos dar, a nossa medicação que nem sempre é compatível com a necessidade do outro, e que pode até gerar um efeito contrário.

Observe o seguinte, em  muitas situações é atrás de uma criatura endurecida e complicada que se encontra os legítimos expoentes da atividade doutrinária cristã.

Você já pensou nisso? Normalmente, os indivíduos endurecidos são os que apresentam grandes potenciais, de forma que os espíritos de luz, em todos os planos do orbe, trabalham com esses que tem recursos e que são os grandes incompreendidos da evolução. Porque quase sempre esses desgarrados obtiveram a emersão na intimidade deles, quando da mudança de postura, de ângulos que as noventa e nove não tiveram. Está percebendo? Enxergaram e aprenderam coisas que as outras ainda não alcançaram. Por exemplo, quem não se lembra da imensa alegria que o pai teve com o retorno do filho pródigo? Não é assim? Nós obtemos uma euforia pessoal grande diante das vitórias sobre nós próprios.

E esse prazer é aquela euforia que nos visita o entendimento e o coração e define a verdadeira vitória em que somos convocados ao exercício do sacrifício na recomposição do próprio destino. É muito gratificante. Essa alegria representa a resposta da vida à nossa capacidade de amar. Afinal, tem muitas individualidades que estão reencarnando na busca dessa ovelha, e quem sabe se nós não somos essa ovelha desgarrada que depois de tanta luta está sendo encontrada hoje?!

1 de mar de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 17

A OVELHA DESGARRADA IV

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Infelizmente, o que acontece muito na linha dos relacionamentos é que nós ficamos querendo criar interação sim, mas sabe como? Da maneira errada, da forma distorcida. Não na base da afinidade, que é o certo, mas na base da pancada.

Infelizmente! Nós já chegamos para a pessoa com as armas apontadas para ela.

E com isso nós perdemos inteiramente a autoridade para educar. Quer um exemplo? É comum em um relacionamento de conflito familiar a mãe passar dez vezes pela sala e o filho estar lá sentado assistindo filme, até tarde. E ela logo solta uma: "Você não faz mais nada nessa vida?! Só fica nessa porcaria de televisão o dia todo?!" Ou, então, ela apenas briga e cria caso por causa do programa que ele está assistindo: "Você não vai crescer não? Só assiste besteira?"

Está percebendo a questão? Esse tipo de procedimento não aproxima ninguém. Pelo contrário, é até capaz de criar uma distância ainda maior, porque onde já existe uma barreira instaura-se uma briga ostensiva e oculta no campo dos interesses.

Quer dizer, a criatura até quer chegar perto da outra que está distanciada, mas ela às vezes não tem a facilidade de se aproximar. Não sabe como. E isso ocorre demais da conta.

Para início de conversa, não há como ajudar alguém chegando até ele com uma metralhadora na mão.

Em muitas situações na vida nós somos chamados a buscar entes amados que vez por outra desertam da estrada justa, amigos queridos que abraçam experiências perigosas, afetos da nossa alma perdidos nos despenhadeiros da amargura.

E como ajudar a esses que nos parecem atados às ilusões ou mergulhados no erro?

Não é apontando falhas que nós vamos ajudar quem quer que seja, embora essa seja uma técnica comumente adotada na maioria dos ambientes domésticos. Criticar e censurar é criar mais distância entre eles, ao passo que desprezá-los é perdê-los. E ficar relacionando e evidenciando fatores negativos é algo totalmente fora da didática aplicativa que o evangelho de Jesus propõe. Sem contar que para criticar nós temos que ter um alto grau de interação com esse coração.

Guarde o seguinte: criticar com amor é ajudar, mas criticar sem amor sabe o que é? É Agredir. E toda agressão gera uma resposta negativa da outra parte, cria uma resistência.

A outra pessoa pode pensar consigo mesma ou chegar até ao ponto de dizer: "Espera aí, que conversa é essa? Você está querendo me dar lição de moral? Você não sabe nada da minha vida. Não sabe o que eu estou passando, não sabe o que está acontecendo comigo. Você está me vendo agir assim, mas por acaso você sabe porque eu estou agindo dessa maneira? Você tem ideia, por acaso?"

Notou? E com isso cria-se uma situação ainda mais embaraçosa entre ambos, uma distância maior, porque a própria estrutura íntima da pessoa a leva a reagir.

O que a gente tem aprendido é que todo aquele que tem por norma desautorizar, bombardear e maldizer não está apto a determinados lances educacionais, não está preparado para certos estágios ou ângulos do seu crescimento espiritual.

O primeiro passo para se iniciar esse lance de aproximação é entender o outro. Para alguém amar e conseguir exercer a caridade em sua expressão legítima, esse alguém precisa ter uma dose alta de compreensão do patamar em que o outro está vivendo.

Deu para entender? Se ele não tentar descobrir, diante de uma pessoa que está dando cabeçada, o que está movendo essa criatura a esse estado de vida, ele simplesmente não tem como ajudar, não tenho como atuar de forma efetiva.

O que ama normalmente não fica apontando erros. O que ele faz? Ele chega e argumenta, compreendendo. Porque se ele não compreender a treva, a sua luz nunca será luz. Ficou claro? A sua luz nunca será luz. Será apenas um foco intimidador.

Vamos nos ater ao fato de que a luz não briga com a treva, a luz desativa a treva.

Aproximar, transmitir, ensinar e cooperar envolve um alto grau de sensibilidade. Saber o que se passa no coração das pessoas, saber entender a carência e a a necessidade delas, saber enxergar o semelhante no piso evolucional em que ele está.

Porque a questão é muito simples: nós não vamos lidar com pedras, nós vamos lidar com o sentimento e a sensibilidade de pessoas. E daí não tem outra, temos que ter paciência e tranquilidade nesse processo de pastoreio porque não temos um conhecimento claro do que motivou o afastamento dessa criatura. Ok? Cada qual tem uma faixa de sensibilidade diferente e se nós não tivermos um grau considerável de compreensão, sabendo entendê-las como elas são, nós ficamos desautorizados a cooperar.

Com mais um detalhe interessante: por mais que a gente progrida nessa área do diagnóstico, por mais que nós observemos e analisemos, a gente nunca vê tudo.

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