1 de mar de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 17

A OVELHA DESGARRADA IV

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Infelizmente, o que acontece muito na linha dos relacionamentos é que nós ficamos querendo criar interação sim, mas sabe como? Da maneira errada, da forma distorcida. Não na base da afinidade, que é o certo, mas na base da pancada.

Infelizmente! Nós já chegamos para a pessoa com as armas apontadas para ela.

E com isso nós perdemos inteiramente a autoridade para educar. Quer um exemplo? É comum em um relacionamento de conflito familiar a mãe passar dez vezes pela sala e o filho estar lá sentado assistindo filme, até tarde. E ela logo solta uma: "Você não faz mais nada nessa vida?! Só fica nessa porcaria de televisão o dia todo?!" Ou, então, ela apenas briga e cria caso por causa do programa que ele está assistindo: "Você não vai crescer não? Só assiste besteira?"

Está percebendo a questão? Esse tipo de procedimento não aproxima ninguém. Pelo contrário, é até capaz de criar uma distância ainda maior, porque onde já existe uma barreira instaura-se uma briga ostensiva e oculta no campo dos interesses.

Quer dizer, a criatura até quer chegar perto da outra que está distanciada, mas ela às vezes não tem a facilidade de se aproximar. Não sabe como. E isso ocorre demais da conta.

Para início de conversa, não há como ajudar alguém chegando até ele com uma metralhadora na mão.

Em muitas situações na vida nós somos chamados a buscar entes amados que vez por outra desertam da estrada justa, amigos queridos que abraçam experiências perigosas, afetos da nossa alma perdidos nos despenhadeiros da amargura.

E como ajudar a esses que nos parecem atados às ilusões ou mergulhados no erro?

Não é apontando falhas que nós vamos ajudar quem quer que seja, embora essa seja uma técnica comumente adotada na maioria dos ambientes domésticos. Criticar e censurar é criar mais distância entre eles, ao passo que desprezá-los é perdê-los. E ficar relacionando e evidenciando fatores negativos é algo totalmente fora da didática aplicativa que o evangelho de Jesus propõe. Sem contar que para criticar nós temos que ter um alto grau de interação com esse coração.

Guarde o seguinte: criticar com amor é ajudar, mas criticar sem amor sabe o que é? É Agredir. E toda agressão gera uma resposta negativa da outra parte, cria uma resistência.

A outra pessoa pode pensar consigo mesma ou chegar até ao ponto de dizer: "Espera aí, que conversa é essa? Você está querendo me dar lição de moral? Você não sabe nada da minha vida. Não sabe o que eu estou passando, não sabe o que está acontecendo comigo. Você está me vendo agir assim, mas por acaso você sabe porque eu estou agindo dessa maneira? Você tem ideia, por acaso?"

Notou? E com isso cria-se uma situação ainda mais embaraçosa entre ambos, uma distância maior, porque a própria estrutura íntima da pessoa a leva a reagir.

O que a gente tem aprendido é que todo aquele que tem por norma desautorizar, bombardear e maldizer não está apto a determinados lances educacionais, não está preparado para certos estágios ou ângulos do seu crescimento espiritual.

O primeiro passo para se iniciar esse lance de aproximação é entender o outro. Para alguém amar e conseguir exercer a caridade em sua expressão legítima, esse alguém precisa ter uma dose alta de compreensão do patamar em que o outro está vivendo.

Deu para entender? Se ele não tentar descobrir, diante de uma pessoa que está dando cabeçada, o que está movendo essa criatura a esse estado de vida, ele simplesmente não tem como ajudar, não tenho como atuar de forma efetiva.

O que ama normalmente não fica apontando erros. O que ele faz? Ele chega e argumenta, compreendendo. Porque se ele não compreender a treva, a sua luz nunca será luz. Ficou claro? A sua luz nunca será luz. Será apenas um foco intimidador.

Vamos nos ater ao fato de que a luz não briga com a treva, a luz desativa a treva.

Aproximar, transmitir, ensinar e cooperar envolve um alto grau de sensibilidade. Saber o que se passa no coração das pessoas, saber entender a carência e a a necessidade delas, saber enxergar o semelhante no piso evolucional em que ele está.

Porque a questão é muito simples: nós não vamos lidar com pedras, nós vamos lidar com o sentimento e a sensibilidade de pessoas. E daí não tem outra, temos que ter paciência e tranquilidade nesse processo de pastoreio porque não temos um conhecimento claro do que motivou o afastamento dessa criatura. Ok? Cada qual tem uma faixa de sensibilidade diferente e se nós não tivermos um grau considerável de compreensão, sabendo entendê-las como elas são, nós ficamos desautorizados a cooperar.

Com mais um detalhe interessante: por mais que a gente progrida nessa área do diagnóstico, por mais que nós observemos e analisemos, a gente nunca vê tudo.

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