6 de mar de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 18 (Final)

A OVELHA DESGARRADA V

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Temos que lembrar do evangelho, e na sua didática qual é o verdadeiro trabalho do educador? Estimular o indivíduo para que ele possa enveredar por um caminho melhor.

Precisamos de amor para criar algo positivo e no exercício do amor o roteiro é um só: em vez de você empurrar você aproxima.

Comecemos por nos situar na posição do outro, no campo dos problemas em que ele se encontra, e esperemos a chance de fazermos algo a ele. No pensamento, mantenhamos vibrações de entendimento e carinho, na palavra envolvamos-lo na bênção do verbo nobre e na atitude amparemo-lo quanto nos seja possível. Em todo processo de ação o nosso dever é fortalecê-lo para o bem.

Precisamos desenvolver esse tino, aquela autoridade capaz de despertar no ouvinte o interesse para que ele se desperte. 

No começo desse processo, muitas vezes nós temos que trabalhar com o interesse pessoal dele. Concorda? Vai ter casos em que vamos ter que lidar com base no interesse pessoal dele. Pode até parecer estranho, mas vai ter situações em que vamos ter que agir com a própria vaidade do indivíduo. Percebeu? Vamos ter que trabalhar com o princípio da vaidade que ele tem. Em suma, a nossa ação deve se dirigir no sentido de encontrarmos estratégias que possam propiciar sua sensibilização, atingir o seu coração em um grau de confiabilidade e segurança.

É impossível ajudar eficientemente se não houver uma moldura de afetividade e valorização.

Daí, é imprescindível sabermos vencer as resistências. Esse é o grande desafio.

A mudança é pela mente, óbvio, todavia devemos ganhar o coração da pessoa. Sabe por quê? Porque quem não ganha o coração não ganhará o cérebro. Muito simples.

Sabe aquele caso da mãe com o filho que mencionamos na parte anterior? Quem sabe se um dia essa mãe deixar de censurar e criticar e resolver assentar-se perto dele. Chega lá, senta por uns dois minutos na sala, pergunta sobre o filme ou tece um comentário positivo. Surge daí o primeiro sinal de simpatia. Quer dizer, são pontos de aproximação. Quem sabe abre um sinal de simpatia entre os dois.

Esse pode ser o passo inicial. Agora lembre-se: isso é um processo. É uma caminhada. Uma coisa é o primeiro passo, o primeiro lance, mas tem que haver sequência. Então, não basta apenas penetrar, entender, descobrir, diagnosticar. A questão não é ficar centrado somente no diagnóstico. Está entendendo? Porque se bobear ela vai passar todos os dias assistindo filme com ele e não vai sair disso.

Usando um sentido educacional ela pode passar a comentar o filme depois: "Nossa, que cena interessante foi aquela. Eu não pensei que aquele personagem fosse morrer". Daí a pouco ela vai adquirindo autoridade, até para propor: "Que tal a gente hoje, em vez de assistir um filme, fazer uma coisa diferente?"

Então, buscar uma ovelha desgarrada, que na maioria das vezes nós mesmos enxotamos ou descuidamos dela naquilo que era o mínimo que podíamos fazer, realmente é uma situação complexa. Pode ter sido por um descuido nosso, e tanto descuidamos que ela saiu, se desgarrou. Mas à partir do momento em que investimos na compreensão, na linha do discernimento e depositamos amor sem sentimentalismo, a espiritualidade vai nos concedendo os recursos e a instrumentalidade para conseguirmos a solução adequada. Outro desafio que surge é a terapia que queremos dar, a nossa medicação que nem sempre é compatível com a necessidade do outro, e que pode até gerar um efeito contrário.

Observe o seguinte, em  muitas situações é atrás de uma criatura endurecida e complicada que se encontra os legítimos expoentes da atividade doutrinária cristã.

Você já pensou nisso? Normalmente, os indivíduos endurecidos são os que apresentam grandes potenciais, de forma que os espíritos de luz, em todos os planos do orbe, trabalham com esses que tem recursos e que são os grandes incompreendidos da evolução. Porque quase sempre esses desgarrados obtiveram a emersão na intimidade deles, quando da mudança de postura, de ângulos que as noventa e nove não tiveram. Está percebendo? Enxergaram e aprenderam coisas que as outras ainda não alcançaram. Por exemplo, quem não se lembra da imensa alegria que o pai teve com o retorno do filho pródigo? Não é assim? Nós obtemos uma euforia pessoal grande diante das vitórias sobre nós próprios.

E esse prazer é aquela euforia que nos visita o entendimento e o coração e define a verdadeira vitória em que somos convocados ao exercício do sacrifício na recomposição do próprio destino. É muito gratificante. Essa alegria representa a resposta da vida à nossa capacidade de amar. Afinal, tem muitas individualidades que estão reencarnando na busca dessa ovelha, e quem sabe se nós não somos essa ovelha desgarrada que depois de tanta luta está sendo encontrada hoje?!

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