13 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 1

O BARCO

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. 5E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE. 6E, FAZENDO ASSIM, COLHERAM UMA GRANDE QUANTIDADE DE PEIXES, E ROMPIA-SE-LHES A REDE.” LUCAS 5:1-6

O mar é componente dentro da própria terra física. Significa todo um sistema em que nós estamos embutidos nele. É o campo experimental físico, o plano experimental nosso, diz respeito ao processo periférico e instrumental de nossa vida.

Enquanto a terra é plano da nossa intimidade mental, da intimidade a nível psíquico, o mar representa o plano operacional dos acontecimentos. De forma que estamos todos imersos nesse oceano, especialmente na área de concretude dos nossos ideais. Ou seja, os nossos ideias se situam na terra e as nossas linhas operacionais no mar da vida. Nós somos moléculas dentro desse mar, gotas de água dentro dele, movendo em função desse todo sob a direção superior.

Nessa passagem do evangelho, o barco de Simão Pedro era o quê? O seu instrumento de trabalho. Certo? Porque a gente sabe que ele era pescador. Então, na acepção espiritual, que é a que realmente nos interessa, o que é barco? Barco é a representação da nossa estrutura íntima no infinito mar da vida. Define o que nós somos e o que trazemos de conquista ao longo das reencarnações.

É a soma dos padrões de que dispomos para nos lançar em busca de novas aquisições. E ele contém todos os valores reunidos que nos caracterizam a individualidade e que temos para utilizar em nossa viagem pelos mares da vida. Afinal de contas, cada um de nós é um espírito que enverga um corpo, viajando hoje nessa trajetória extraordinária que é a regeneração em busca de novos destinos e de novos portos de segurança. Cada individualidade é um espírito com os seus problemas a serem solucionados e os seus objetivos a serem realizados.

Os barcos não se encontram todos no mesmo lugar, o que é óbvio, e por isso também sugerem a ideia de posição.

Quer dizer, barco também significa a nossa posição perante a existência, pois cada um de nós se encontra em um patamar, posicionado num contexto que o torna um espírito único, com um corpo único e desafio único, diante da grandeza de Deus. Assim, cada qual, ajustado na escala do plano físico em que se situa, precisa saber identificar em si mesmo e à sua volta os recursos de ação disponíveis para poder atuar com aproveitamento no campo que lhe é próprio.

Porque a gente sabe, ninguém se lança ao mar com o seu barco sem a devida preparação.

E quem nos leva é o mar da vida. Concorda?

Mas isso não significa que temos que nos deixar levar pelo sabor das circunstâncias.

Nós precisamos saber conduzir o nosso barco, aprender a nos direcionar e nos posicionar. Aprender a nos ajustar para nos manter à tona dentro desse mar. Saber mudar a nossa posição diante do contexto com naturalidade, de maneira a permanecermos equilibrados e estabilizados. Esse é, sem dúvida, o grande segredo da evolução. Posicionados de tal forma a sermos dignos de receber Jesus na embarcação do coração, que nos chega na figura do conhecimento que nos visita.

Diante de um mundo agitado e atribulado como o nosso, constantemente envolvido por desafios de toda ordem, não podemos nos descuidar e deixar o nosso barco correr à deriva. Não tem jeito. Não dá para deixá-lo ficar sem uma proposta, sem um objetivo, sem rumo, sem disciplina, sem leme. A entrada de Jesus no barco significa sua entrada na nossa estrutura íntima, sua entrada em nosso campo mental. E ele continua entrando sempre que criarmos situações favoráveis a isto.

Analisando o assunto com a profundidade que ele exige, fica fácil concluir que para alcançarmos resultados felizes nós temos que ter a presença do Cristo em nós, precisamos da sua presença em nosso barco. 

E olha que não estamos falando aqui na entrada do Jesus homem. Não. Nós estamos fazendo referência à entrada do evangelho em nosso íntimo, a entrada do conhecimento espiritual. Porque sem isso não adianta. Nós não conseguimos nos lançar às conquistas maiores da imortalidade, não conseguimos nos lançar ao mar alto.

Outra coisa interessante é que assim que o mestre entrou no barco de Pedro os discípulos o seguiram. Percebeu? Jesus tem que entrar primeiro, depois os discípulos o seguem.

Não pode ser diferente. Com essa entrada nós passamos a abrir novas expressões de trabalho, ao mesmo tempo em que passamos a receber ajuda nas mais diversas frentes. Por mais que a gente tente, nós não somos capazes de imaginar a extensão do amparo maior na solução dos problemas que nos são próprios.

O bonito nessa passagem da pesca é que nós temos nela toda a sequência e a dinâmica do mecanismo da aprendizagem. Isso é interessantíssimo. Para se ter ideia do que estamos falando, qual foi a primeira providência de Jesus com relação a Simão Pedro quando entrou no barco dele? Vamos pensar juntos. Ao entrar no barco, o que Jesus pediu? Pediu a ele que afastasse o barco um pouco.

Percebeu? Pediu que ele afastasse o barco um pouco da terra. Procedimento da maior importância. Tão importante que o primeiro passo para quem quer atingir uma vida mais alta é afastar o barco um pouco. Este é primeiro lance que os aprendizes do evangelho recebem depois que são visitados por uma soma informativa de padrões, independente da escola religiosa a que se afeiçoam.

À partir do momento em que padrões informativos de natureza superior visitam o ser, à medida em que a individualidade se dedica à aquisição de valores espirituais, que é quando o Cristo começa a entrar em sua intimidade, mais se acentua a necessidade da criatura se colocar à disposição dele, do Cristo. E para isso cabe-lhe tão somente atender ao seu pedido.

E o Cristo não pede muito. Pede apenas que ela se afaste um pouco da terra. Que ela se afaste um pouco das cogitações materiais, dos valores transitórios, a fim de que as autênticas expressões de espiritualidade, que partem das esferas superiores, possam circular sobre ela, clareando os seus caminhos e favorecendo-lhe o entendimento da boa nova.

Está acompanhando? Esse é o primeiro lance que o estudioso recebe. Porque ele chega ao evangelho trazendo consigo toda uma soma de conceitos. Chega trazendo toda uma soma decorrente da convenção humana. E começando a estudar ele começa a ouvir falar de quê? De padrões novos de natureza moral, de mudança interior, de necessidade de estudo, de reforma íntima e de muitos outros aspectos. Aí ele faz o quê? Ele afasta um pouco. Sai um pouco da terra, deixa um pouco as questões de natureza material e entra um pouquinho no mar à dentro.

Agora, muita atenção para um detalhe importantíssimo que não pode ser esquecido em tempo algum: é afastar o barco um pouco. Não pode afastar muito.

Esse afastamento não pode ser demasiado para não se perder as possibilidades valiosas de trabalho e auxílio.

Porque toda faixa operacional tem que se estruturar dentro do plano de concretude. E o plano concreto é fundamental para o crescimento. Ficou claro? Nós não estamos ajustados à terra à toa. As coisas materiais são úteis à ação do espírito.

Uma coisa é eu viver exclusivamente em função das coisas da terra e outra coisa bem diferente é eu me afastar um pouco das coisas da terra. Eu não posso viver exclusivamente apegado às coisas materiais, mas também não posso desconsiderá-las por completo. Está dando para perceber? Então, é preciso achar um meio termo. Esse afastamento relativo sugere saber administrar os recursos disponíveis com tranquilidade, serenidade e aproveitamento.

E repare para você ver: todas as vezes que algumas pessoas se desprendem demais dessa atração que a terra exerce elas costumam entrar em um plano fanatizante ou místico.

Porque nós todos estamos ajustados à terra e não tem como ser diferente.

Se nós afastarmos muito a gente acaba por se fanatizar. Por isso, não dá para colocar uma bíblia debaixo do braço, abandonar o emprego e gritar para o mundo todo que a meta agora é outra, é viver apenas para as coisas espirituais. Se você se alienar totalmente dos padrões que compõem o seu laboratório pleno e essencial provavelmente você encontrará grandes decepções no futuro.

Se quiser abandonar tudo, se afastar por inteiro dos valores tangíveis e materiais à sua volta, para viver um patamar exclusivamente etéreo, você vai acabar por perder o piso da vida e sofrer. E mais, não vai sofrer sozinho. Vai fazer várias outras pessoas à sua volta, próximas e ligadas a você, sofrerem também.

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