19 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 2

A REDE

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. 5E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE.” LUCAS 5:1-5

“E ELE LHES DISSE: LANÇAI A REDE PARA O LADO DIREITO DO BARCO, E ACHAREIS. LANÇARAM-NA, POIS, E JÁ NÃO A PODIAM TIRAR, PELA MULTIDÃO DOS PEIXES.” JOÃO 21:6

“IGUALMENTE O REINO DOS CÉUS É SEMELHANTE A UMA REDE LANÇADA AO MAR, E QUE APANHA TODA A QUALIDADE DE PEIXES.” MATEUS 13:47

A entrada de Jesus em nosso barco não se dá de qualquer jeito, não se processa à nossa revelia. 

Isso não acontece. Tem que haver uma preparação e predisposição nossa para que ela ocorra. Sabe por quê? Porque Jesus não entra quando nós estamos ociosos ou desinteressados.

Você observou o texto com atenção? Se observou, o que os pescadores estavam fazendo? Eles estavam lavando as suas redes. Conseguiu acompanhar? E se estavam lavando as suas redes eles estavam em atividade, estavam se preparando, estavam operantes, vigilantes, interessados, portanto aptos a receber.

A rede é um entrelaçamento de fios com aberturas regulares e que forma uma espécie de tecido.

É elaborada para uma atividade específica. É a soma de um conjunto de elementos que, devidamente conjugados formam um instrumento capaz de captar, de arregimentar, de apanhar algo. Espiritualmente falando, a pesca representa os planos seletivos da criaturas que laboram na busca de uma proposta de crescimento. Logo, a rede deve apresentar boa condição de uso e estar sempre pronta para trabalho. Afinal, o espírito humano é um pescador de valores evolutivos nos amplos mares da vida.

E uma coisa é fato: daqui para frente, quem quiser recolher o melhor da vida não pode mais lançar a sua rede de qualquer jeito e em qualquer ambiente. Tem que lançá-la com técnica e sabedoria, o que pressupõe aperfeiçoamento constante, ação inteligente e direcionamento.

E é o que estamos buscando aprender agora. Nós estamos estudando o evangelho para isso. Estamos, com toda a tranquilidade, aprendendo a melhor forma de preparar a nossa rede para a grande viagem ao mar alto. O conhecimento espiritual objetiva promover em nós o aprimoramento, como elaborar essa rede e utilizá-la para recolhermos o melhor da existência. E trabalhar a rede é aprimorar também o nosso sentimento, quer dizer, é arregimentar conhecimento novo de um lado e, ao mesmo tempo, aprimorar o sentimento.

Outro ponto fundamental é que nós não podemos ficar indefinidamente nessa preparação.

Esclarecidos pelos ensinamentos imorredouros do evangelho, somos convidados intimamente a lançar as redes. E lançar a rede sugere uma posição prática dentro do contexto.

Pense comigo: sendo o mar o celeiro abundante de onde podem emergir elementos valiosos, temos que lançar a nossa rede de dentro do nosso barco. Não dá para adquirirmos a autenticidade e a harmonia que idealizamos se não nos lançarmos.

E lançar tem o sentido de ação, de movimento para além. Então, o desafio agora consiste na capacidade de operar com o valor que assimilamos. Porque não existe construção de vida consciente sem a aplicação das nossas possibilidades em busca da realização de alguma coisa útil.

Nessa passagem da pesca encontramos o verbo lançar em duas situações. No primeiro momento, Jesus usa a forma imperiosa: "Lançai as vossas redes." (Lucas 5:4 e João 21:6) O que isso significa em termo aplicativo? Que não há outra forma de evoluir. O conhecimento que chega nos desafia e nós somos convocados a ir além, a fazer, a partir para o processo de lançar. No exercício de sua autoridade moral, Jesus determina que utilizemos nossos valores para "pescar" benefícios espirituais. Determinação para que cada um de nós acione e viva os padrões arregimentados, na prática. É o chamado para que apliquemos o que aprendemos.

No segundo caso, Pedro emprega o verbo referindo-se ao futuro: "Sob tua palavra, lançarei a rede." (Lucas 5:5) Percebeu? Aí vira "lançarei". Pedro sugere a possibilidade de aplicar e investir no que o conhecimento orienta, que significa agir conforme a orientação superior. Diz respeito à vivência do testemunho, que é pessoal. Porque cada qual vai agir individualmente dentro daquilo que pretende. Ou seja, a orientação que chega nos auxilia de fora para dentro e cada ação positiva nossa corresponde a um passo certo dado no esforço ascensional, que tem que ser dado do próprio barco, isto é, de dentro para fora.

Cada criatura tem as suas preferências e escolhas e a cada dia nos levantamos com a nossa rede de interesses.

Cada indivíduo busca, à sua maneira, trabalhar o campo mental tentando direcionar sua rede para as fontes de luz, mas o que acontece? A treva, de algum modo, é algo que permanece embutido em nós pelas nossas experiências do passado. Está dando para acompanhar? E essa treva, por mais inconveniente que seja, acaba se tornando luz para nós em muitos pontos. É como se fosse aquela coisa do está ruim, mas está bom. Percebeu? Dentro dessa treva embutida passa a vigorar uma luminosidade que atende aos nossos caprichos pessoais.

Quer dizer, detectamos um componente negativo em nossa personalidade que precisa ser suplantado, que precisa ser superado, todavia, apesar da identificação ele permanece e continua sendo em muitos casos a nossa forma de agir. E a gente não abre mão dele.

Assim, costumamos gastar inúmeras encarnações mantendo a chama do conhecimento clareando, com a nossa mente determinando o caminho, todavia sentindo que na intimidade falta algo para o alcance da paz. O que eu estou querendo dizer é que perdemos muito tempo, às vezes, inúmeras vidas nas lutas reencarnatórias mantendo padrões antigos que não nos atendem mais. Que continuam em um tempo em que a razão clareada já nos determina a necessidade de superá-los.

Ficou claro agora? Estamos trabalhando o campo mental, estamos tentando direcionar a nossa rede para as fontes de luz, mas a treva continua ainda embutida em nós.

É por isso que precisamos lutar muito conosco mesmo. Porque mesmo vendo o novo não nos desapegamos sem luta dos padrões velhos. O automatismo fala muito alto dentro de nós. Isso acontece demais da conta. Nós viramos a nossa rede para cá e o condicionamento acaba por retorná-la para lá. Um indivíduo pode, por exemplo, pela utilização da rede, fixar um objetivo para cima, mas sem dúvida ele terá que lutar muito consigo mesmo, porque, sem exagero, a parte da sua instrumentalidade, automatizada, ainda está virada para lado oposto. De forma que ele puxa a rede para cá e o condicionamento volta ela para lá.

O que manda nesse processo, pelo que nós temos aprendido, é algo relacionado com o modo, com o sistema.

É a eleição nossa de vida.

Estamos vivendo um momento que é um momento peculiar na nossa faixa de crescimento. E o entendimento do evangelho imprime em nós um esforço de renovação com Jesus. Quanto a isso, ninguém tem dúvida. Estamos aqui tentando acolher valores que projetem nossa vida em novas bases de crescimento. Estamos arregimentando padrões que nos ofereçam melhores condições no plano operacional.

E repare que diante do insucesso aparente inicial na pesca, Jesus convoca amorosamente os seus discípulos a quê? A nada mais, nada menos, do que lançarem a rede para o outro lado, para o lado oposto. Deu para entender? Entendendo Jesus e nos sintonizando com Ele nós temos que passar a lançar a nossa rede no lado oposto ao que lançávamos antes de nos identificarmos com esses novos padrões. É preciso jogar a rede para o outro lado, para receber o que não recebíamos.

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