23 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 3

O MAR ALTO

“3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR." LUCAS 5:3-4

Quer se acredite, ou não, nós todos morremos e renascemos num processo intérmino. Como o estudante, que ao final do ano letivo descansa e se prepara para retomar o aprendizado no ano seguinte.

Sendo assim, com toda certeza muitos de nós já participamos de inúmeras atividades de estudos lá atrás em reencarnações passadas. Estudos em que os padrões da mensagem crística foram implementados em nossos corações. E é bem possível que o tenhamos aceito com todo o carinho no coração. Todavia, também é provável que tenhamos falhado na dinâmica aplicativa desses valores, deixando que lances da nossa imperfeição se expressassem diante dos acontecimentos.

Mas o bonito disto é que aqueles que não foram felizes no passado, até mesmo aqueles que perderam a chance de serem orientados de forma positiva e segura lá atrás, podem ser orientados novamente por outros personagens hoje. Isto é que é bonito e consolador.

E sabe por quê? Porque a multidão continua nos dias de hoje apertando Jesus para ouvir a palavra de Deus.

Ou você tem dúvida? Existe na atualidade uma necessidade grande, uma carência sem tamanho por parte da multidão quanto ao conhecimento de valores de natureza espiritual. E Jesus continua, na figura da essencialidade do evangelho, entrando nos barcos para ensinar a multidão. Para levar esclarecimento.

Então, ninguém na atualidade pode alegar falta de oportunidade para aprender e evoluir. 

Esse tipo de alegação é inaceitável. É conversa mole. É papo pra boi dormir que tem que ser desconsiderado. Muitos daqueles que não souberam aproveitar a chance ontem, quem sabe a estão aproveitando no dia de hoje. Muitos desses elementos estão arregimentando, estão se preparando, estão crescendo. Eles chegam para serem devidamente orientados por outros companheiros no contexto da oportunidade que se repete para cada um de nós.

E o divino educador assentou-se e ensinava do barco: "E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão." (Lucas 5:3) A bem da verdade, ele continua ensinando do barco, influindo e atuando na alma humana. É assim que funciona a sistemática educativa, é assim que tem que ser. Temos também que ensinar do barco.

Assentando encontramos firmeza. E ensinar do barco equivale ao trabalho realizado com entusiasmo. Porque ninguém consegue ensinar ou operar, o que quer que seja, sem a presença da euforia. Nós estamos empolgados. E a empolgação vem de dentro. Só sente quem vibra. Só sente quem se ilumina. Só sente quem ama. Sem entusiasmo não temos como obter resultados satisfatórios.

Sem euforia ficamos incapacitados de dar o nosso melhor. Por isso, o dia em que alguém começar a falar ou operar em nome do Cristo de qualquer jeito, sem nenhum envolvimento íntimo, sem a alegria nos olhos, sem o sorriso nos lábios, sem entusiasmo, sem qualquer júbilo pessoal, sem o direito de vibrar verdadeiramente com aquilo que está fazendo, sabe o que vai acontecer? Ele simplesmente vai ser uma pessoa neutra, fria, sem sal, destituída de autoridade.

A vida é como se nós estivéssemos num mar aberto. Cada um remando o seu barco, procurando a sua sobrevida. 

Mas precisamos ter em conta, e isso é muito valioso, que acreditemos ou não, existe um plano a nosso respeito no âmago da grandeza de Deus. Às vezes, nós nos lançamos no oceano da vida e achamos que ficamos ali no debatendo ao léu, como se estivéssemos perdidos, à espera de uma salvação. Mas não é por aí. Se nos lançamos de uma margem é óbvio que a outra margem está reservada para nós, para a atingirmos algum dia. Porque nós temos um destino, nos lançamos porque existe uma proposta nossa, delineada e amparada pela bondade do alto.

E depois que Jesus acaba de falar significa o quê? É o mesmo que depois que uma soma informativa visita o ser. 

Quando Jesus acaba de falar equivale ao término da linha teórica, o fim da linha informativa. Ficou claro? E, em seguida, Jesus diz a Simão, no singular: "faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes".

A gente sabe que quando o evangelho fala em mar ele faz referência à reencarnação, no entanto não quer dizer que tem que reencarnar não. Fazer-te ao mar alto é quando o espírito, no ambiente que lhe é peculiar, vai enfrentar as dificuldades na própria luta dele. 

E é assim que os fatos se desenvolvem. Antigamente, desejávamos que a nossa vida fosse calma, mas hoje notamos que a tendência evolucional de fora para dentro é agitar mar. E não tem como ser diferente, a evolução promove a agitação.

É imprescindível ir ao mar alto, porque se não instauramos um sistema de lançamento para pontos mais avançados nós simplesmente não evoluímos. Agora, isso também não significa que tenhamos que ficar lutando constantemente contra a maré. Se fizermos assim, nós nos esgotamos. As pessoas sábias se ajustam à maré da vida. Então, não vamos entrar nessa de desespero ou de inquietação por causa dessa oscilação, dessa dinâmica existente. De forma alguma. Porque a dinâmica e os desafios são o gostoso da vida.

O que acontece com aquele que realiza algo, concretiza e fica parado, coagulado? O que acontece? Ele perde o gostinho da vida. Pense nisso. Como é possível alguém ter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que parou? Não tem jeito. A conclusão é uma só: nós temos que lançar, às vezes, o nosso coração em um regime de sacrifício, em um regime de ousadia. Nós temos que visar o mar alto. O ponto mais de cima tem caracteres que nós não possuímos ainda.

O conteúdo que vai nos projetar para a libertação é um conteúdo que vem de onde? De cima.

É simples de entender. A evolução se desenvolve de modo incessante e sempre seremos desafiados a um passo além da órbita ou do limite dos nossos padrões já conquistados.

Por isso, os grandes cooperadores da humanidade continuamente trabalham para além daquelas faixas relativas de suas conquistas. Estamos estudando porque estamos querendo ir além do parâmetro que cerceia os nossos passos e o processo é abrirmos para além de onde estamos. Até onde exercemos o conhecimento concreto é nosso universo relativo e naquilo que apreendemos e deduzimos nós penetramos no infinito da grandeza de Deus. Está dando para acompanhar?

Mediante a capacidade dedutiva em cima do plano perceptivo nós avançamos e ultrapassamos limites.

Então, o componente daqui (a nossa rede) organiza a instrumentalidade, mas o conteúdo realmente capaz de nos projetar vem de cima (do mar alto). Razão pela qual nós sempre estaremos diante de um desafio. Porque a euforia de nossa vida se expressa em função da nossa capacidade de avançar e abranger sempre.

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