14 de abr de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 6

O NOME II

“O QUE VENCER SERÁ VESTIDO DE VESTES BRANCAS, E DE MANEIRA NENHUMA RISCAREI O SEU NOME DO LIVRO DA VIDA; E CONFESSAREI O SEU NOME DIANTE DE MEU PAI E DIANTE DOS SEUS ANJOS.” APOCALISPSE 3:5

Você sabe como era feito o registro de pessoas naquela época? Era feito mediante a inserção do nome em um livro. Quer dizer, o nome das pessoas era colocado em um livro, era listado. O nome era um processo de identificação pessoal. Está percebendo? Nascia, recebia um nome e alguém colocava esse nome na lista.

O fato do nome estar escrito no registro significava que a pessoa estava viva, que ela tinha determinados direitos. E quando a pessoa morria o nome era retirado. Se procurasse o nome e não o achasse, significava o quê? Que a pessoa morreu. Retirar o nome significava a morte ou a perda de todos os direitos do indivíduo. E, saindo dessa linha literal para o aspecto espiritual abrangente, retirar o nome do livro da vida equivale de alguma forma a perda de direitos.

Vamos tentar clarear o assunto um pouco mais. O apocalipse diz assim: "Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome." (Apocalipse 3:8) 

O nome, no sentido ampliado, essencial, que é o que nos interessa, nós vamos entendê-lo como sendo um conjunto de caracteres já existentes que se encontra presente na própria extensão universal e que a nossa acústica captou e a visão é capaz de perceber. Daí, somos agora convocados a investir nesse nome em cima da verdade. Somos convidados a investir com aproveitamento no sentido aplicativo desses caracteres assimilados.

E o texto diz mais: "O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos." (Apocalipse 3:5)

Nesse caso, vamos ter um nome que já é específico nosso. E não riscará o nome porque o "seu nome" passou a estar em perfeita correlação com o nome daquele que gerencia o amor em todo o universo. Percebeu? O nome se manifestou, passou a estar ligado à corrente natural do amor.

E mudar de nome refletia essa realidade nova, uma nova postura diante da vida. Repare que Saulo mudou de nome. Allan Kardec também precisou de um nome novo. Então, nós passamos a ter um nome específico, não fazemos mais em nome de.

A vida é assim, quando começamos a agir em nome próprio nós passamos a adotar uma decisão de foro amplamente pessoal. Em outras palavras, em nome de nós branqueamos o vestido e com o nosso nome, mas sob a tutela de, passamos a ter a posse efetiva do vestido branco.

O que estamos querendo dizer? Que inicialmente nós investimos em nome de, para depois passarmos a operar como possuidores daqueles caracteres. Por enquanto nós temos que fazer em nome de, até que venhamos a ter o nosso nome devidamente referenciado e aprovado pelas hostes que trabalham ao nível da própria consciência. Eu espero que esteja dando para você entender, porque assunto é complexo.

Tem muita coisa que você faz em seu nome. Não tem? Você atua em nome próprio nas coisas que você domina, que você faz, que você acredita. Assim, tudo aquilo que diz respeito à nossa operação em nome de é algo que nós realizamos fundamentados na fé dos outros, na orientação dos outros, debaixo das instruções ou do encaminhamento dos outros. Até o momento em que podemos dizer em nome do Cristo ou em nome de Deus. Aí sim, passa a ser nossa conquista.

O processo ocorre da seguinte forma: a princípio recebemos um contingente de informações que o nosso plano íntimo avalia ao nível de sentimento e razão. Ele avalia e a gente passa a operar em nome da fé. E operando em nome de uma fé clara e lúcida nós incorporamos o padrão que deixa de ser ao nível da fé, para ser ao nível da clareza, da consciência informativa e da experiência adquirida.

Está certo que ainda temos dificuldade para transformar o que é em nome de em ação realizadora pessoal, no entanto operamos e depois que conquistamos a tranquilidade operacional nós começamos a sentir que se trata de uma movimentação operacional de valores que já entendemos e depreendemos que seja importante. Quer dizer, aquilo surge como uma extensão natural.

Já ficou claro para nós que todo primeiro passo que damos é em nome de. Até aí eu acho que não há nenhuma dúvida. É algo que precisamos entender bem. E você lembra daquela colocação do apóstolo Paulo de que "em parte conhecemos, em parte profetizamos"? Ele sugere isso. Isto é, de certa forma nós operamos em nome de (que corresponde às profecias, aos valores que investimos) e também em nosso nome (que é a ação com base naquilo que conhecemos). 

Então, por enquanto nós temos que fazer em nome de até termos o nosso nome referenciado. Será que deu para entender? Nós temos a pseudo-vivência em nome de e temos a vivência plena, que já não é mais em nome de ninguém, mas dentro da nossa autenticidade pessoal.

Começamos a operar em nome de. Sempre é assim. Nós sempre operamos em nome de. 

Por enquanto a gente reza e opera em nome de Jesus, pois ele nos ensinou que pedindo assim e fazendo assim dá certo. E na hora em que operamos em nome de, e uma resposta nos chega homologando a proposta, aí deixa de ser em nome de. Quer dizer, com a experiência da prática a gente sai do nome de e passa a viver em função do nosso próprio nome. Adiante, após aprendermos a operar, tiramos o nome de fora e passamos a operar com o nosso próprio valor conquistado para lá na frente, almejando novas conquistas, voltarmos a operar em nome de novamente. Deu uma ideia? É o lance da ida e do retorno, do fluxo e do refluxo.

É assim que funciona.

Diante da linha de conhecimento que nos visita, o mecanismo da evolução é esse.

Agora, para sermos bem sucedidos no investimento temos que fazer sabe o quê? Não negar o nome. ("Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome". Apocalipse 3:8) E não negar o nome significa investir na fé.

No momento em que recebemos uma informação em nome de, e nos lançamos ao processo de vivência, que nos lançamos ao plano aplicativo dessa informação, passamos a ser componentes irradiadores desses valores. Percebeu a responsabilidade?

E quando o texto diz "guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome", sabe o que ele está querendo dizer? Que a mensagem não foi corrompida, não foi distorcida, ela não foi desvirtuada, não foi maculada. Que o valor superior que chegou (porque se trata de padrão superior), a sua consciência já admite como correto e você tem se esforçado a nível prático para conquistá-lo. Que o investimento tem sido feito por meio de uma ação coerente naquilo que você, às vezes, não faz, mas a sua clareza mental endossa.

Deu para entender? Em outras palavras, você não negou o nome. Isto é, não agiu de modo hipócrita, não agiu de modo distorcido, você não mentiu, não enganou e não feriu consciencialmente a sua intimidade. Muito pelo contrário, pela sua ação coerente você depositou um grau de confiabilidade no nome exercendo aquilo que, embora não seja a expressão concreta dos seus valores, é a soma de padrões que o seu campo mental examinou e homologou como sendo válido.

E o inverso dessa atitude positiva é negar o nome.

Porque esse ensinamento se refere ao sentido aplicativo, a como se vive a palavra assimilada.

"E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e está morto." (Apocalipse 3:1)

Repare a expressão "tens nome de que vives e está morto". Parece complicado, não parece? Mas vamos explicar. Ter o nome de que vive e estar morto quer dizer que a criatura conhece apenas o nome. Certo? Conhece o nome, mas somente na teoria. 

Ela pode ter o conhecimento de determinada filosofia com as suas regras e os seus direcionamentos, pode conhecer o evangelho e até entender as suas passagens, todavia ela vive, ainda, fora de uma realidade de vida que esse nome propõe. 

Ficou claro? Porque no que diz respeito ao plano de vivência, à faixa aplicativa, a vida dele pode ser uma vida boa para ele, mas para quem tem um aperfeiçoamento maior, para quem já tem uma visão mais abrangente, para quem observa de uma ótica mais elevada, ele está morto. Quer dizer, o que ele vive no fundo não é vida, é morte!

Ele acha que está vivendo, mas não está. Quantas pessoas nós observamos nessa situação. Falta aquela linha de coerência necessária entre o que sabe e o que faz. 

E esse lance de conhecer apenas na linha teórica não é conhecimento, é pseudo-conhecimento. O indivíduo conhece apenas o nome, não tem a vivência efetiva, e só a vivência efetiva é que solidifica. Então, no fundo ele não vive, ele está morto.

Jesus, o maior amigo da humanidade, conhecedor das nossas fraquezas e dos nossos ideais, nos ensina o modo de nos elevarmos. Pois à medida em que vamos usando de discernimento nós passamos a operar em um plano mais elástico, mais extenso, o que fala alto em nosso coração acerca da necessidade de operarmos com confiança em cima do conhecimento legítimo recebido.

Nessa passagem da pesca é fácil notar que após receber a linha teórica Simão Pedro titubeou. Não foi? Ele ficou receoso em lançar novos esforços após os primeiros insucessos.

Os discípulos achavam que estavam sozinhos, mas não estavam, porque o texto revela que sob a orientação decisiva do mestre eles "colheram uma grande quantidade de peixes". Deu para perceber o verbo? Colheram. No plural.

Logo, o que a gente conclui? Que seguindo os ensinamentos superiores com firmeza e dedicação a gente chega, a gente colhe, a gente conquista. Nós podemos até achar que em determinados momentos estamos sozinhos, mas não estamos. Esse é o grande detalhe: a gente acha que está sozinho, mas não está.

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