27 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 11

O AMOR É A BASE

É indiscutível que não podemos negligenciar a educação da inteligência na tarefa a realizar, no entanto, também não podemos esquecer que temos que lidar a todo o tempo com a sensibilidade dos outros. E o nosso processo operacional não pode ser ao nível da insensibilidade nesse particular.

Ao tentar ajudar as pessoas nós temos que trabalhar com os seus sentimentos e as suas emoções, interferindo inclusive, muitas vezes, nas próprias linhas direcionadoras da vida delas. Nós ganhamos muito na faixa de cooperação quando mantemos a capacidade de trabalhar os ângulos de sentimentos das pessoas. Temos que nos lembrar a todo tempo que estamos mexendo na alteração de vida de muitos indivíduos. Por isso, ensinar, esclarecer, transmitir e cooperar envolve um alto grau de sensibilidade, saber o que se passa no coração das criaturas.

Quem tem estudado com profundidade tem compreendido que sempre existe uma fagulha profunda de amor manipulando a capacidade de compreender, de sentir, de amar e de operar. Sem o que fica impossível. De maneira que vamos ter isso em conta. O amor é a base para realizar de forma legítima qualquer coisa. Ele é a força que transforma o destino.

Os grandes expositores, os orientadores, os clareadores da mente, os professores, enfim, todos os que têm um papel importante na linha educacional, tem que ter uma profunda dose desse sentimento. Jesus por exemplo, para se ter uma ideia, o nível de sentimentos dele é tão ampliado que nós sequer conseguimos imaginar o seu alcance. Quando ele falava lá no sermão da montanha, ou em tantos outros que ele fez, ele falava com o quê? Com amor. Então, isso se aplica a todos de uma forma geral, se aplica a nós também. O educador, se ele não amar ele pode ter a melhor técnica do mundo, mas ele não tem autoridade.

E não existe educador efetivo sem amor. Sem amor não se consegue. Só os que amam conseguem atingir as causas profundas. Todo o nosso trabalho com terceiros tem que ter uma alta dose de amor interior. Porque uma coisa é fato: se o conhecimento auxilia por fora, só o amor socorre por dentro. De forma que quem quiser ajudar os outros utilize amor nas suas emissões, porque só o papo, só a conversa, não resolve o problema do nosso plano operacional. Deu para entender o que estamos falando?

É muito comum a gente achar que quando o assunto é auxiliar alguém no crescimento espiritual a conversa é o componente básico e finalístico, capaz inclusive de gerar mudança de parâmetros dentro desse coração. E a coisa não é bem assim. Não é apenas pela utilização da palavra e da persuasão que se vai garantir uma melhora significativa no psiquismo de alguém. É óbvio que a verbalização é um instrumento inarredável. Pela linha verbalizada é possível distribuir sementes valiosas. A palavra é uma porta excelente que se abre. Nós podemos pela utilização positiva dela ajudar, e muito, e até mesmo dar passos importantes com a outra pessoa, todavia nem sempre o processo verbalístico por si só resolve. Percebeu?

É preciso alguma coisa a mais. Alguma coisa que se veicula na palavra, de uma profunda capacidade magnética, de envolvimento. De um magnetismo positivo, sensibilizador e fortalecedor, que direcione em sua essencialidade uma dose de amor.

O sistema mais eficiente para poder despertar os outros não é tanto pela manifestação verbal, mas principalmente pela exteriorização do sentimento profundo, da forma de ser da individualidade, dos padrões que se pode irradiar e que fazem o papel de sensibilização. Então, a proposta deste estudo visa acima de tudo a nossa linha de sensibilização. O magnetismo tem que ser trabalhado e fundamentado em uma profunda disposição de cooperação, de ajuda e de auxílio.

E por que tem que ser assim? Por uma razão muito simples: o caminho para Deus passa pelas portas do coração. Percebeu? Somente um coração tem o poder de tocar um outro coração. E no topo de toda a estratégia de sensibilização vigora os planos vibracionais, que é onde estão situadas as faixas capazes de despertar o ser para a sua proposta de redenção. E tanto é assim que existem criaturas que nós não conseguimos sensibilizar, outro não consegue, o terceiro também não consegue, e o que acontece? Vem um que consegue.

Somente o amor é capaz de tocar e sensibilizar um indivíduo. 

Porque não são as palavras que convencem, o que convence é o sentimento. O conhecimento direcionado por alguém que educa tem que ser direcionado juntamente com uma sensibilização. Está dando para acompanhar? A autoridade capaz de sensibilizar um coração vem da circulação profunda das vibrações de amor. O coração que ama vive cheio de um poder renovador.

Repare em uma coisa: é comum nós lembrarmos de coisas que nos são mostradas, certo? Todavia, nós entendemos mesmo é quando somos envolvidos. 

Percebeu? Existem muitos benfeitores e companheiros que avançam e que basta emitirem uma faixa vibracional positiva ou direcionarem um olhar e nós nos desmanchamos. Não acontece? Por que tem o que nisso? Vigora um poder magnético, uma autoridade capaz de mexer nas nossas fibras mais profundas, convocando-nos a uma posição diferente. Quando a pessoa ama, a gente sente quando ela olha para nós e fala com autoridade. O amor dela canaliza. Quando a gente conversa com alguém que conhece, que tem afetividade e amor dentro de si, é comum esse alguém chegar, soltar umas poucas palavras e mexer na nossa intimidade. Então, vamos pensar nisso.

Outro ponto interessante é que quanto mais uma pessoa nos ama mais ela testemunha em nosso benefício. O testemunho dela representa uma mensagem de sensibilização em nós, nos sensibiliza e cria uma concepção psíquica. É como se algo instaurasse dentro de nós. Aquilo nos toca e começa a fertilizar, começa a dar campo a uma germinação interior. Começamos a sentir a necessidade de corporificar o valor que foi fixado pela assimilação mental e a vivenciá-lo no campo prático da vida. Às vezes, uma emissão simples dessa criatura, como um olhar direcionado para a gente, já comunica e nos dá a coragem para que possamos desvincular determinadas situações menos agradáveis.

E quanto maior for o nosso grau de compreensão e de amor, mais capacidade de entendimento e de penetração nós vamos ter no trato com as coisas, fatos, situações e pessoas. Quanto mais sutil for a nossa expressão de amor, mais ela será capaz de instaurar sistemas e processos de atendimento. Por isso, quando começamos a deixar expandir de nós fatores magnéticos positivos, passamos a ter a capacidade de sensibilizar corações. E quanto mais amor no nosso íntimo, menos envolvimento negativo nas relações interpessoais nós vamos ter, menos sujidade e menos poeira vamos trazer delas.

14 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 10

O VERDADEIRO EDUCADOR

Uma pessoa para ensinar alguma coisa só precisa ter conhecimento intelectual da matéria, certo? Quer dizer, em muitas situações basta somente uma leitura, um pouco de conhecimento e pronto, está resolvido. Razão pela qual o professor muitas vezes não é senão o canal dos ensinamentos.

E o professor pode até ser ótimo, mas pode acontecer dele falar e ninguém entender absolutamente nada. Sem contar que se ele não souber envolver a matéria ele conta caso o tempo todo durante a aula, acha que ensinou e não ensinou nada. Ele chega em casa e diz: "minha aula hoje foi uma beleza." Ele acha que foi, mas não foi nada. Pelo contrário. Foi um saco, foi até difícil de aguentar.

Está percebendo? Então tem que haver uma linha de conexão. Tem muito educador que esclarece, no entanto rodeia e nem sempre mexe no cerne da questão. Ele faz apenas uma abordagem bem periférica. Não tem disso? E não tem tanta gente que manipula multidões e no fritar dos ovos não transmite nada?

Nós que vivemos envolvidos com os estudos temos que fazer nosso trabalho com humildade e tranquilidade, principalmente levando conteúdo, que é o que está sendo exigido nos dias de hoje. E para ensinar com êxito não basta apenas conhecer as matérias do aprendizado e ministrá-las. É preciso mais. Antes de tudo, é preciso senti-las e viver-lhes a substancialidade no coração. Porque ensinar é um ato de amor e não adianta operar em amor usando puramente a base racional.

Assim, pense para você ver: o evangelho trabalha o raciocínio, mas ele tem como sobreviver ou se expressar sem o sentimento? Não tem. Para se sensibilizar alguém é preciso mais do que mostrar conteúdo, é preciso trazer no íntimo a luz do amor. É preciso sentir, é preciso vibrar, é necessário ter a chama da alegria e o calor do entusiasmo. De onde a gente conclui que o educador, se ele não amar, ele pode ter toda a técnica, todo o conteúdo, mas não tem a autoridade.

Por outro lado, o professor sincero permanece sempre com bases seguras e tranquilas. Ele pode até ensinar com com uma certa firmeza pessoal, mas é acessível. Ele será sempre o reservatório seguro da verdade, habilitado a servir às necessidades de outrem sem privar-se da fortuna espiritual de si mesmo.

Nem sempre são as palavras que convencem, mas o sentimento irradiante com que elas são estruturadas. 

A conclusão é uma só: o educador quando ele está interessado em ajudar, e não estamos falando apenas em ajudar no plano meramente instrutivo, mas sim no plano educacional, se ele não amar ele não tem autoridade. Percebeu? Ele pode ter a técnica, pode estar perfeitamente dentro do figurino, mas ele não tem autoridade.

Daí a gente nota que o êxito de um professor em muitos casos está no carinho que ele usa para cuidar e direcionar seus alunos. Até hoje, o maior educador de todos os tempos que nós conhecemos é Jesus. E autoridade ele tem porque nos ama. Aliviava os sofrimentos e prendia as criaturas pelo coração. Fazia seguidores numerosos e sinceros com sua autoridade e seu magnetismo sem precedentes, muito mais do que se apenas os maravilhasse com espetáculos para os olhos.

Então, nós precisamos saber o que estamos fazendo e não podemos nos desvincular em hipótese alguma do plano operacional. É simplesmente impossível evangelizar sem testemunho. 

Um ótimo educador, por exemplo, pode ter muito material e potencial técnico, no entanto, a legitimidade do seu conhecimento é pelas experiências que adquiriu no manuseio na área durante anos. Nas linhas aplicativas do conhecimento, das estratégias de controle da turma e como é que ele atua com esse ou com aquele aluno. Perfeito? E essa autoridade só se alcança mesmo no campo da prática.

É por isso que evangelizar é mais do que educar, da mesma forma que educar é mais do que instruir.

Existem pessoas que instruem, pessoas que educam e pessoas que evangelizam. E o educador legítimo, o que ele faz? Vai até a intimidade do educando e o sensibiliza, para que o educando assuma a responsabilidade de sua transformação.

7 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 9

CAMINHO, VERDADE E VIDA

É muito comum da nossa parte em vários momentos usarmos a palavra buscando mostrar caminho para os outros. Não é? Todos nós ficamos uma vez ou outra, sem exceção, tentando mostrar o caminho adequado para as outras pessoas.

Mas uma grande verdade é que o homem para auxiliar no presente é obrigado a viver no futuro da raça. Espero que tenha dado para acompanhar o que eu falei agora. Nós vamos fazendo o caminho à medida em que vamos caminhando no campo do conhecimento, sem termos que ser sábios no conhecimento. Por enquanto, nós ainda precisamos falar para gravar o que é preciso fazer, nós temos que falar para termos forças para fazer o que falamos.

E ninguém pode ensinar caminhos que não tenha percorrido.

Sem essa característica o ensinamento é quase sempre nulo. O companheiro que ensina a virtude, vivendo-lhe as grandezas em si mesmo, tem o verbo carregado de magnetismo positivo, estabelecendo edificações nas almas que o ouvem. E esse contágio pelo exemplo não constitui apenas um fenômeno ideológico, está para além disso. Caracteriza um fato científico da mais alta significação nas manifestações magnéticas e mentais.

Repare que o evangelho tem ensinado que a questão não se resume ao caminho. Certo? É caminho, verdade e vida. A definir que o caminho tem que levar a algo. O caminho tem que ser direcionado para um objetivo. Tem que ser apontado para a verdade. E o que a gente conclui? Que para mostrar caminho para alguém, de forma efetiva, nós já temos que nos situar no patamar da verdade.

Ficou claro? Para poder apontar caminho nós temos que ter uma visualização ou uma identidade com a verdade. Porque caminho para caminho não dá, não chega a lugar nenhum. É um cego guiando outro cego. Está dando para entender? Para poder ensinar tem que ser um, em tese, que já enxerga. Afinal, nenhum de nós em sã consciência pode apontar a outro caminho que não vive ainda.

Em outras palavras, para poder cooperar é preciso ter autoridade. Aí nós entramos em um terreno complexo.

Autoridade é uma condição integrante do processo em que a razão homologa e o plano concreto e aplicativo aponta. Ela, sem dúvida alguma, faz parte do mecanismo educacional do ser humano, e tanto faz que quando nós investimos em um professor o fazemos porque vemos nele autoridade. Só que existem dois fatores que precisam ser analisados nessa questão: a autoridade decorrente da faixa informativa e a autoridade moral conquistada para se atuar em qualquer circunstância.

Vamos explicar? O campo informativo soma muito na autoridade de alguém e disso a gente sabe, não é verdade? Aliás, até dizemos mais, é muito bom poder conversar com quem conhece intelectivamente. Só que é preciso atenção, porque a autoridade não é apenas a autoridade do argumento, aquela que o campo racional simplesmente aceita, homologa e pronto. Ela não se encontra estruturada de forma absoluta no plano informativo do candidato que quer operar, porque o conhecimento nem sempre apresenta uma relação direta com a autoridade moral daquele que potencialmente conhece. Deu para acompanhar?

Isso é algo que tem que ficar claro para o nosso entendimento. Apenas é capaz de mostrar caminho quem já está palmilhando o caminho no plano formativo de caracteres novos. Percebeu? O plano formativo, não apenas o plano informativo.

Para que eu mostre o caminho para alguém eu tenho que ter pelo menos, em parte, uma compreensão da verdade. Não é caminho, verdade e vida? Porque se eu não tiver pelo menos a noção de crescimento que eu estou buscando, eu não sou capaz de dar o recado que é de se esperar. E a coisa segue. Para que eu possa auxiliar uma criatura na elaboração da verdade, eu preciso de quê? Preciso já ter conquistado a vida ou, no mínimo, já conseguir discernir o que seja a vida na sua essencialidade.

Então, nós podemos afirmar com toda a certeza que só tem autoridade real aquele indivíduo que trabalha procurando exercer o amor. Aquele que ama, ou que está tentando amar com segurança, que está apontando caminhos de enquadramento em postulados novos.

A nossa autoridade, e isso é importante de entender, por mais que venha a crescer ela sempre vai ser relativa. Ok? Nunca vai chegar ao percentual de cem por cento da autoridade divina do Cristo. Nunca. Então, ela vai ser sempre relativa.

E dentro dessa relatividade o nosso grau de autoridade é variável. O que eu quero dizer? Que na escala de vivência, ele tem um sentido direto e amplo em cima daquilo que a gente faz, tem um sentido menor com base naquilo que a gente não faz ainda mas está querendo fazer, e sentido nulo no que a gente fala, todavia não se esforça nem um pouco e não está nem aí pra fazer. Assim, em termos de autoridade, quando se fala algo que se faz a autoridade é 100%. Quando eu falo aquilo que eu vivo, quando eu falo daquilo que eu faço, a minha autoridade é 100% magneticamente daquilo que eu estou falando. Concorda?

E quando eu falo algo que não faço, mas que eu quero fazer, baixa um pouco o meu percentual.

Está entendendo? Eu posso falar muita coisa que é a minha aspiração de fazer, e nesse caso eu tenho uma semi autoridade. Então, se eu falo aquilo que eu não vivo, mas que estou lutando para viver, vamos supor que eu tenha 50% de autoridade.

Eu posso até estar exagerando, mas a minha palavra pode trazer um percentual de 20% de capacidade operacional no que eu falo, bem como em outros aspectos eu possa ter 80% naquilo que eu estou empenhado em operar.

Deu uma ideia? Então, o que acontece? Ao dialogar com alguém, tentando transmitir um componente novo informativo, eu posso levar sem medo um valor que eu não vivo ainda, mas que eu estou lutando amplamente para viver.

Afinal, tem momentos que a gente fala algo com autoridade, mas que nem sempre é uma autoridade total. Por quê? Porque nós não pisamos no degrau. Percebeu? Nós estamos laborando o degrau. Porém, tem outro aspecto muito importante: é apontando o caminho com autenticidade pessoal que nós conseguimos forças para superar a nossa falha pessoal. E o fato de estarmos laborando o degrau já nos confere uma autoridade capaz de mostrar e indicar a escada, mostrar o estágio ou o local em que ela está situada. Conseguiu acompanhar?

E, por outro lado, o percentual de autoridade é nulo quando eu falo de uma coisa que eu não estou nem aí para fazer. Quer dizer, naquelas coisas que eu fico falando, mas não quero nada com elas. Que não passa de conversa joga fora. Façam os outros, mas eu não quero fazer, não me interessa, eu não quero nem saber.

E à medida em que a nossa autoridade vai se fundamentando e se expressando pela capacidade operacional, o que acontece? A nossa presença passa a ter bem mais força, porque ela passa a embasar-se naquilo que fazemos e não apenas naquilo que nós pensamos e propomos. Ela passa a ser uma autoridade pelo que conquistamos de maneira efetiva, e não somente pelo que detemos de forma provisória.

E é óbvio que essa autoridade se amplia gradativamente na proporção em que a gente percorre o território da aprendizagem. Porém, uma coisa é interessante: nós não temos que ter uma conquista formativa antes para depois sair apontando. Deu para entender? O regime de apontamento define que eu tenho plenas condições de mostrar onde fica determinada cidade, por exemplo, embora eu não conheça todos os bairros dela. Percebeu? O fazemos porque temos um conhecimento relativo, temos uma visão. É assim que se dá a sistemática e o regime de crescimento. Por isso a gente não tem que se preocupar tanto.

Além do que, qualquer ciência, e nós sabemos disso, quando ela consegue provar um fenômeno qualquer, quando ela alcança certo patamar de esclarecimento, aquele conhecimento prova algo e, por um outro lado, abre uma série de incógnitas.

Por enquanto nós ficamos nessa posição. Falamos o que não é nosso e ficamos pensando em fazer o que estamos querendo aprender. Mas ao passo em que vamos falando o que não é nosso, vamos fixando os padrões na nossa intimidade.

E na proporção em que passamos a colocar em prática o que assimilamos, uma soma de caracteres vai se transformando, ou seja, o que é aprendizado intelectivo passa a ser conquista. De forma que o homem que prega o bem deve praticá-lo, se ele não quiser que as suas palavras sejam carregadas pelo vento como o eco produzido por um tambor vazio ao ser batido. E se eu não fizer aquilo que eu falo, não adianta que eu jamais vou conquistar aquele valor.

1 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 8

MESTRE E DISCÍPULO II

“24NÃO É O DISCÍPULO MAIS DO QUE O MESTRE, NEM O SERVO MAIS DO QUE O SEU SENHOR. 25BASTA AO DISCÍPULO SER COMO SEU MESTRE, E AO SERVO COMO SEU SENHOR.” MATEUS 10:24-25

Quando Jesus colocou que o discípulo não é mais do que o mestre e que o servo não é mais que o senhor, o que é que ele quis dizer por trás disso? Vamos pensar. O que é que está embutido nisso aí? Que nos situamos em uma chamada bipolaridade. Então, no campo da nossa evolução não tem como separar o mestre do aluno.

A princípio, somos todos educandos. Não ficou claro isso? Não tem como negar. Todavia, precisamos avocar também a posição de educadores. Se, de um lado, nós somos os aprendizes e alunos de uma classe, de outro também temos um papel de cooperação e ajuda efetiva. Além do que, somos discípulos, mas no fundo o que todo mundo está querendo é ser mestre. Certo? Ou nós não estamos entendendo isso? Na grande busca que elegemos, em que cada qual está buscando parâmetros mais ampliados de evolução, a gente não tem que ser só aluno.

Em muitos momentos nós somos o passivo. Porém, para sermos um passivo capaz de captar tudo que o ativo tem para transferir, nós precisamos ter um ideal profundo no coração. Uma vontade grande de ser útil ao semelhante que vai receber de nós parcelas do aprendizado recebido. Temos que sentir uma vontade de transferir aquilo depois a quem necessitar. Temos que ter dentro de nós aquela disposição de trabalhar os valores recebidos ao nível de aplicação desse ensinamento.

Daí, quando buscamos dentro de nós mesmos a vontade de aprender e assimilar, passamos a notar que o êxito efetivo na aprendizagem, como discípulos, encontra-se diretamente na linha direta de capacidade de dinamização.

Dentro de cada um de nós não existe apenas a capacidade de receber o valor de cima. 

O discípulo também tem uma capacidade de operar, embora ele não perca nunca essa condição de discípulo. De forma que o discípulo tem plena condição de operar e deve fazê-lo, embora sem nunca perder essa condição de ser discípulo.

Além do que, nós apenas seremos bons aprendizes se nos capacitarmos a oferecer a nossa cota operacional nessa dinâmica da aprendizagem. Ficou claro?

Ninguém educa a quem quer que seja sem entrar em relação com o ambiente, com as situações, com as coisas e com as paisagens. Para podermos mostrar a nossa posição de bom discípulo, de bom aprendiz, nós temos que saber ativar a parte já incorporada no campo do esclarecimento. Pois o aluno que não se predispõe a praticar jamais penetra o luminoso domínio mental dos grandes mestres.

O que recebemos só vai ser incrustado em nossa personalidade pelo ato de nós fazermos.

Então, tem momentos em que a grandiosidade do discípulo está exatamente naquele postura de mestre. Isso é bonito demais. Por mais que nós tentemos ser discípulos, não há como alcançarmos o estágio seguinte senão investindo nessa posição de mestre. Não tem discípulo eficientemente ajustado sem a devida incorporação da condição de mestre. O verdadeiro discípulo tem que mostrar a sua capacidade de ser bom discípulo utilizando a sua característica mínima de mestre.

E a conclusão é uma só: para ser bom discípulo tem que lutar para ser bom mestre. Para ser bom aprendiz nós temos que sentir uma vontade de fazer, orientando, ajudando e servindo aos outros na pauta que nos é própria realizar.

O processo de educação, toda a metodologia pedagógica que ele envolve, é algo muito bonito e cheio de nuances. Vai pegando cada individualidade no seu respectivo patamar, porque cada um se situa em uma faixa específica. Quando Jesus fala que “não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu Senhor” (Mateus 10:24) ele faz referência a dois componentes: discípulo e servo.

E ele quis definir, pelo que nós conseguimos depreender, que não tem como o discípulo ser mais do que o seu mestre. E isso é uma grande verdade, não é? Não tem como.

Para se ter ideia, por exemplo, um soldado não sabe o pensamento de um general. Sabe? Ele não tem o alcance administrativo e estratégico de um general. Aliás, o dia em que o soldado estiver abrangendo todas as estratégias e toda a base de fundamentação de seu superior é bem possível que debande tudo, que vá tudo por água abaixo. E indica para nós que existe um grau de revelação, quer dizer, que os nossos superiores, os que nos dirigem, conhecem com aprofundamento toda a marcha do progresso ao passo que nós nem sempre podemos conhecer. Serve para evitar a precipitação e a incoerência, atropelos diversos no percurso da jornada. É um ponto muito importante para nós. Tudo tem o seu tempo. Logo, tem pontos nessa marcha que nós temos que vivenciar.

E quando Jesus fala que não pode ser o discípulo mais do que o mestre, entre outras coisas, Ele está dizendo o quê para nós? Que Ele, Jesus, está ajustado na posição de mestre porque Ele é um bom discípulo perante Deus que está no céu.

Conseguiu perceber? Porque a maioria das pessoas não consegue penetrar na grandeza desse ensinamento. Ou melhor, não consegue ou não quer. Então, para ser um bom mestre tem que ser um excelente discípulo. Jamais será um mestre por excelência aquele que não for um excelente discípulo. Só pode ser uma criatura dotada de positividade segura e equilibrada aquela que é positiva na recepção.

Apenas seremos bons mestres se nós formos bons discípulos. Se não formos bons discípulos nunca seremos mestres adequados. Só podemos ser criaturas capazes de auxiliar efetivamente, como mestres, se formos bons alunos e bons servos.

Ficou claro? Porque existe uma linha de relação em que o equilíbrio se dá entre a condição de ser um mestre eficiente em decorrência de se ter uma postura de um bom discípulo. Só é capaz de ensinar aquele que sabe aprender. O dia em que desconectarmos a válvula de discípulo nós perdemos inteiramente o título de mestre. E para sermos bons discípulos, temos que ser o quê? Humildes.

Somente será bom mestre o que for um excelente discípulo. 

Nós temos que ser conscientes na posição de aluno para começarmos a dar uma de professor. O indivíduo, para alcançar altos objetivos na vida, deve reconhecer a sua condição de aprendiz extraindo proveito das experiências. E quanto mais o aprendiz alcança do mestre a esfera da influenciação, mais fica habilitado para constituir-se seu instrumento fiel. Não só como o aluno que ouve e entende, mas que procura agir conforme o que recebe. Porque as atividades vão sendo outorgadas ou conferidas de modo gradativo e continuado segundo o grau de capacidade de cooperar e servir. Eu apenas serei um excelente administrador no campo positivo da vida se for excelente receptor dos valores que vem de mais alto.

E tem também a questão da obediência, porque para podermos atuar de forma positiva em determinado campo ou terreno nós temos que ser criaturas submissas positivamente falando ao centro a que estamos posicionados. Ok? Daí, eu sairei um excelente discípulo se eu estiver sensível à orientação superior.

Tem muita gente, por exemplo, que fica ansiosa e eufórica com a ideia de ser chefe. Não tem? Mas é importante entender que quem não sabe obedecer nunca será um bom chefe. Nunca. Sem exagero, não tem jeito. Apenas será um excelente comandante aquele que for um subalterno confiável. Por outro lado, aquele que sabe obedecer pode ficar tranquilo, porque no dia em que tiver que exercer um comando, uma direção, vai ser feliz porque vai ser ouvido e obedecido.

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