1 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 8

MESTRE E DISCÍPULO II

“24NÃO É O DISCÍPULO MAIS DO QUE O MESTRE, NEM O SERVO MAIS DO QUE O SEU SENHOR. 25BASTA AO DISCÍPULO SER COMO SEU MESTRE, E AO SERVO COMO SEU SENHOR.” MATEUS 10:24-25

Quando Jesus colocou que o discípulo não é mais do que o mestre e que o servo não é mais que o senhor, o que é que ele quis dizer por trás disso? Vamos pensar. O que é que está embutido nisso aí? Que nos situamos em uma chamada bipolaridade. Então, no campo da nossa evolução não tem como separar o mestre do aluno.

A princípio, somos todos educandos. Não ficou claro isso? Não tem como negar. Todavia, precisamos avocar também a posição de educadores. Se, de um lado, nós somos os aprendizes e alunos de uma classe, de outro também temos um papel de cooperação e ajuda efetiva. Além do que, somos discípulos, mas no fundo o que todo mundo está querendo é ser mestre. Certo? Ou nós não estamos entendendo isso? Na grande busca que elegemos, em que cada qual está buscando parâmetros mais ampliados de evolução, a gente não tem que ser só aluno.

Em muitos momentos nós somos o passivo. Porém, para sermos um passivo capaz de captar tudo que o ativo tem para transferir, nós precisamos ter um ideal profundo no coração. Uma vontade grande de ser útil ao semelhante que vai receber de nós parcelas do aprendizado recebido. Temos que sentir uma vontade de transferir aquilo depois a quem necessitar. Temos que ter dentro de nós aquela disposição de trabalhar os valores recebidos ao nível de aplicação desse ensinamento.

Daí, quando buscamos dentro de nós mesmos a vontade de aprender e assimilar, passamos a notar que o êxito efetivo na aprendizagem, como discípulos, encontra-se diretamente na linha direta de capacidade de dinamização.

Dentro de cada um de nós não existe apenas a capacidade de receber o valor de cima. 

O discípulo também tem uma capacidade de operar, embora ele não perca nunca essa condição de discípulo. De forma que o discípulo tem plena condição de operar e deve fazê-lo, embora sem nunca perder essa condição de ser discípulo.

Além do que, nós apenas seremos bons aprendizes se nos capacitarmos a oferecer a nossa cota operacional nessa dinâmica da aprendizagem. Ficou claro?

Ninguém educa a quem quer que seja sem entrar em relação com o ambiente, com as situações, com as coisas e com as paisagens. Para podermos mostrar a nossa posição de bom discípulo, de bom aprendiz, nós temos que saber ativar a parte já incorporada no campo do esclarecimento. Pois o aluno que não se predispõe a praticar jamais penetra o luminoso domínio mental dos grandes mestres.

O que recebemos só vai ser incrustado em nossa personalidade pelo ato de nós fazermos.

Então, tem momentos em que a grandiosidade do discípulo está exatamente naquele postura de mestre. Isso é bonito demais. Por mais que nós tentemos ser discípulos, não há como alcançarmos o estágio seguinte senão investindo nessa posição de mestre. Não tem discípulo eficientemente ajustado sem a devida incorporação da condição de mestre. O verdadeiro discípulo tem que mostrar a sua capacidade de ser bom discípulo utilizando a sua característica mínima de mestre.

E a conclusão é uma só: para ser bom discípulo tem que lutar para ser bom mestre. Para ser bom aprendiz nós temos que sentir uma vontade de fazer, orientando, ajudando e servindo aos outros na pauta que nos é própria realizar.

O processo de educação, toda a metodologia pedagógica que ele envolve, é algo muito bonito e cheio de nuances. Vai pegando cada individualidade no seu respectivo patamar, porque cada um se situa em uma faixa específica. Quando Jesus fala que “não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu Senhor” (Mateus 10:24) ele faz referência a dois componentes: discípulo e servo.

E ele quis definir, pelo que nós conseguimos depreender, que não tem como o discípulo ser mais do que o seu mestre. E isso é uma grande verdade, não é? Não tem como.

Para se ter ideia, por exemplo, um soldado não sabe o pensamento de um general. Sabe? Ele não tem o alcance administrativo e estratégico de um general. Aliás, o dia em que o soldado estiver abrangendo todas as estratégias e toda a base de fundamentação de seu superior é bem possível que debande tudo, que vá tudo por água abaixo. E indica para nós que existe um grau de revelação, quer dizer, que os nossos superiores, os que nos dirigem, conhecem com aprofundamento toda a marcha do progresso ao passo que nós nem sempre podemos conhecer. Serve para evitar a precipitação e a incoerência, atropelos diversos no percurso da jornada. É um ponto muito importante para nós. Tudo tem o seu tempo. Logo, tem pontos nessa marcha que nós temos que vivenciar.

E quando Jesus fala que não pode ser o discípulo mais do que o mestre, entre outras coisas, Ele está dizendo o quê para nós? Que Ele, Jesus, está ajustado na posição de mestre porque Ele é um bom discípulo perante Deus que está no céu.

Conseguiu perceber? Porque a maioria das pessoas não consegue penetrar na grandeza desse ensinamento. Ou melhor, não consegue ou não quer. Então, para ser um bom mestre tem que ser um excelente discípulo. Jamais será um mestre por excelência aquele que não for um excelente discípulo. Só pode ser uma criatura dotada de positividade segura e equilibrada aquela que é positiva na recepção.

Apenas seremos bons mestres se nós formos bons discípulos. Se não formos bons discípulos nunca seremos mestres adequados. Só podemos ser criaturas capazes de auxiliar efetivamente, como mestres, se formos bons alunos e bons servos.

Ficou claro? Porque existe uma linha de relação em que o equilíbrio se dá entre a condição de ser um mestre eficiente em decorrência de se ter uma postura de um bom discípulo. Só é capaz de ensinar aquele que sabe aprender. O dia em que desconectarmos a válvula de discípulo nós perdemos inteiramente o título de mestre. E para sermos bons discípulos, temos que ser o quê? Humildes.

Somente será bom mestre o que for um excelente discípulo. 

Nós temos que ser conscientes na posição de aluno para começarmos a dar uma de professor. O indivíduo, para alcançar altos objetivos na vida, deve reconhecer a sua condição de aprendiz extraindo proveito das experiências. E quanto mais o aprendiz alcança do mestre a esfera da influenciação, mais fica habilitado para constituir-se seu instrumento fiel. Não só como o aluno que ouve e entende, mas que procura agir conforme o que recebe. Porque as atividades vão sendo outorgadas ou conferidas de modo gradativo e continuado segundo o grau de capacidade de cooperar e servir. Eu apenas serei um excelente administrador no campo positivo da vida se for excelente receptor dos valores que vem de mais alto.

E tem também a questão da obediência, porque para podermos atuar de forma positiva em determinado campo ou terreno nós temos que ser criaturas submissas positivamente falando ao centro a que estamos posicionados. Ok? Daí, eu sairei um excelente discípulo se eu estiver sensível à orientação superior.

Tem muita gente, por exemplo, que fica ansiosa e eufórica com a ideia de ser chefe. Não tem? Mas é importante entender que quem não sabe obedecer nunca será um bom chefe. Nunca. Sem exagero, não tem jeito. Apenas será um excelente comandante aquele que for um subalterno confiável. Por outro lado, aquele que sabe obedecer pode ficar tranquilo, porque no dia em que tiver que exercer um comando, uma direção, vai ser feliz porque vai ser ouvido e obedecido.

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