14 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 10

O VERDADEIRO EDUCADOR

Uma pessoa para ensinar alguma coisa só precisa ter conhecimento intelectual da matéria, certo? Quer dizer, em muitas situações basta somente uma leitura, um pouco de conhecimento e pronto, está resolvido. Razão pela qual o professor muitas vezes não é senão o canal dos ensinamentos.

E o professor pode até ser ótimo, mas pode acontecer dele falar e ninguém entender absolutamente nada. Sem contar que se ele não souber envolver a matéria ele conta caso o tempo todo durante a aula, acha que ensinou e não ensinou nada. Ele chega em casa e diz: "minha aula hoje foi uma beleza." Ele acha que foi, mas não foi nada. Pelo contrário. Foi um saco, foi até difícil de aguentar.

Está percebendo? Então tem que haver uma linha de conexão. Tem muito educador que esclarece, no entanto rodeia e nem sempre mexe no cerne da questão. Ele faz apenas uma abordagem bem periférica. Não tem disso? E não tem tanta gente que manipula multidões e no fritar dos ovos não transmite nada?

Nós que vivemos envolvidos com os estudos temos que fazer nosso trabalho com humildade e tranquilidade, principalmente levando conteúdo, que é o que está sendo exigido nos dias de hoje. E para ensinar com êxito não basta apenas conhecer as matérias do aprendizado e ministrá-las. É preciso mais. Antes de tudo, é preciso senti-las e viver-lhes a substancialidade no coração. Porque ensinar é um ato de amor e não adianta operar em amor usando puramente a base racional.

Assim, pense para você ver: o evangelho trabalha o raciocínio, mas ele tem como sobreviver ou se expressar sem o sentimento? Não tem. Para se sensibilizar alguém é preciso mais do que mostrar conteúdo, é preciso trazer no íntimo a luz do amor. É preciso sentir, é preciso vibrar, é necessário ter a chama da alegria e o calor do entusiasmo. De onde a gente conclui que o educador, se ele não amar, ele pode ter toda a técnica, todo o conteúdo, mas não tem a autoridade.

Por outro lado, o professor sincero permanece sempre com bases seguras e tranquilas. Ele pode até ensinar com com uma certa firmeza pessoal, mas é acessível. Ele será sempre o reservatório seguro da verdade, habilitado a servir às necessidades de outrem sem privar-se da fortuna espiritual de si mesmo.

Nem sempre são as palavras que convencem, mas o sentimento irradiante com que elas são estruturadas. 

A conclusão é uma só: o educador quando ele está interessado em ajudar, e não estamos falando apenas em ajudar no plano meramente instrutivo, mas sim no plano educacional, se ele não amar ele não tem autoridade. Percebeu? Ele pode ter a técnica, pode estar perfeitamente dentro do figurino, mas ele não tem autoridade.

Daí a gente nota que o êxito de um professor em muitos casos está no carinho que ele usa para cuidar e direcionar seus alunos. Até hoje, o maior educador de todos os tempos que nós conhecemos é Jesus. E autoridade ele tem porque nos ama. Aliviava os sofrimentos e prendia as criaturas pelo coração. Fazia seguidores numerosos e sinceros com sua autoridade e seu magnetismo sem precedentes, muito mais do que se apenas os maravilhasse com espetáculos para os olhos.

Então, nós precisamos saber o que estamos fazendo e não podemos nos desvincular em hipótese alguma do plano operacional. É simplesmente impossível evangelizar sem testemunho. 

Um ótimo educador, por exemplo, pode ter muito material e potencial técnico, no entanto, a legitimidade do seu conhecimento é pelas experiências que adquiriu no manuseio na área durante anos. Nas linhas aplicativas do conhecimento, das estratégias de controle da turma e como é que ele atua com esse ou com aquele aluno. Perfeito? E essa autoridade só se alcança mesmo no campo da prática.

É por isso que evangelizar é mais do que educar, da mesma forma que educar é mais do que instruir.

Existem pessoas que instruem, pessoas que educam e pessoas que evangelizam. E o educador legítimo, o que ele faz? Vai até a intimidade do educando e o sensibiliza, para que o educando assuma a responsabilidade de sua transformação.

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