7 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 9

CAMINHO, VERDADE E VIDA

É muito comum da nossa parte em vários momentos usarmos a palavra buscando mostrar caminho para os outros. Não é? Todos nós ficamos uma vez ou outra, sem exceção, tentando mostrar o caminho adequado para as outras pessoas.

Mas uma grande verdade é que o homem para auxiliar no presente é obrigado a viver no futuro da raça. Espero que tenha dado para acompanhar o que eu falei agora. Nós vamos fazendo o caminho à medida em que vamos caminhando no campo do conhecimento, sem termos que ser sábios no conhecimento. Por enquanto, nós ainda precisamos falar para gravar o que é preciso fazer, nós temos que falar para termos forças para fazer o que falamos.

E ninguém pode ensinar caminhos que não tenha percorrido.

Sem essa característica o ensinamento é quase sempre nulo. O companheiro que ensina a virtude, vivendo-lhe as grandezas em si mesmo, tem o verbo carregado de magnetismo positivo, estabelecendo edificações nas almas que o ouvem. E esse contágio pelo exemplo não constitui apenas um fenômeno ideológico, está para além disso. Caracteriza um fato científico da mais alta significação nas manifestações magnéticas e mentais.

Repare que o evangelho tem ensinado que a questão não se resume ao caminho. Certo? É caminho, verdade e vida. A definir que o caminho tem que levar a algo. O caminho tem que ser direcionado para um objetivo. Tem que ser apontado para a verdade. E o que a gente conclui? Que para mostrar caminho para alguém, de forma efetiva, nós já temos que nos situar no patamar da verdade.

Ficou claro? Para poder apontar caminho nós temos que ter uma visualização ou uma identidade com a verdade. Porque caminho para caminho não dá, não chega a lugar nenhum. É um cego guiando outro cego. Está dando para entender? Para poder ensinar tem que ser um, em tese, que já enxerga. Afinal, nenhum de nós em sã consciência pode apontar a outro caminho que não vive ainda.

Em outras palavras, para poder cooperar é preciso ter autoridade. Aí nós entramos em um terreno complexo.

Autoridade é uma condição integrante do processo em que a razão homologa e o plano concreto e aplicativo aponta. Ela, sem dúvida alguma, faz parte do mecanismo educacional do ser humano, e tanto faz que quando nós investimos em um professor o fazemos porque vemos nele autoridade. Só que existem dois fatores que precisam ser analisados nessa questão: a autoridade decorrente da faixa informativa e a autoridade moral conquistada para se atuar em qualquer circunstância.

Vamos explicar? O campo informativo soma muito na autoridade de alguém e disso a gente sabe, não é verdade? Aliás, até dizemos mais, é muito bom poder conversar com quem conhece intelectivamente. Só que é preciso atenção, porque a autoridade não é apenas a autoridade do argumento, aquela que o campo racional simplesmente aceita, homologa e pronto. Ela não se encontra estruturada de forma absoluta no plano informativo do candidato que quer operar, porque o conhecimento nem sempre apresenta uma relação direta com a autoridade moral daquele que potencialmente conhece. Deu para acompanhar?

Isso é algo que tem que ficar claro para o nosso entendimento. Apenas é capaz de mostrar caminho quem já está palmilhando o caminho no plano formativo de caracteres novos. Percebeu? O plano formativo, não apenas o plano informativo.

Para que eu mostre o caminho para alguém eu tenho que ter pelo menos, em parte, uma compreensão da verdade. Não é caminho, verdade e vida? Porque se eu não tiver pelo menos a noção de crescimento que eu estou buscando, eu não sou capaz de dar o recado que é de se esperar. E a coisa segue. Para que eu possa auxiliar uma criatura na elaboração da verdade, eu preciso de quê? Preciso já ter conquistado a vida ou, no mínimo, já conseguir discernir o que seja a vida na sua essencialidade.

Então, nós podemos afirmar com toda a certeza que só tem autoridade real aquele indivíduo que trabalha procurando exercer o amor. Aquele que ama, ou que está tentando amar com segurança, que está apontando caminhos de enquadramento em postulados novos.

A nossa autoridade, e isso é importante de entender, por mais que venha a crescer ela sempre vai ser relativa. Ok? Nunca vai chegar ao percentual de cem por cento da autoridade divina do Cristo. Nunca. Então, ela vai ser sempre relativa.

E dentro dessa relatividade o nosso grau de autoridade é variável. O que eu quero dizer? Que na escala de vivência, ele tem um sentido direto e amplo em cima daquilo que a gente faz, tem um sentido menor com base naquilo que a gente não faz ainda mas está querendo fazer, e sentido nulo no que a gente fala, todavia não se esforça nem um pouco e não está nem aí pra fazer. Assim, em termos de autoridade, quando se fala algo que se faz a autoridade é 100%. Quando eu falo aquilo que eu vivo, quando eu falo daquilo que eu faço, a minha autoridade é 100% magneticamente daquilo que eu estou falando. Concorda?

E quando eu falo algo que não faço, mas que eu quero fazer, baixa um pouco o meu percentual.

Está entendendo? Eu posso falar muita coisa que é a minha aspiração de fazer, e nesse caso eu tenho uma semi autoridade. Então, se eu falo aquilo que eu não vivo, mas que estou lutando para viver, vamos supor que eu tenha 50% de autoridade.

Eu posso até estar exagerando, mas a minha palavra pode trazer um percentual de 20% de capacidade operacional no que eu falo, bem como em outros aspectos eu possa ter 80% naquilo que eu estou empenhado em operar.

Deu uma ideia? Então, o que acontece? Ao dialogar com alguém, tentando transmitir um componente novo informativo, eu posso levar sem medo um valor que eu não vivo ainda, mas que eu estou lutando amplamente para viver.

Afinal, tem momentos que a gente fala algo com autoridade, mas que nem sempre é uma autoridade total. Por quê? Porque nós não pisamos no degrau. Percebeu? Nós estamos laborando o degrau. Porém, tem outro aspecto muito importante: é apontando o caminho com autenticidade pessoal que nós conseguimos forças para superar a nossa falha pessoal. E o fato de estarmos laborando o degrau já nos confere uma autoridade capaz de mostrar e indicar a escada, mostrar o estágio ou o local em que ela está situada. Conseguiu acompanhar?

E, por outro lado, o percentual de autoridade é nulo quando eu falo de uma coisa que eu não estou nem aí para fazer. Quer dizer, naquelas coisas que eu fico falando, mas não quero nada com elas. Que não passa de conversa joga fora. Façam os outros, mas eu não quero fazer, não me interessa, eu não quero nem saber.

E à medida em que a nossa autoridade vai se fundamentando e se expressando pela capacidade operacional, o que acontece? A nossa presença passa a ter bem mais força, porque ela passa a embasar-se naquilo que fazemos e não apenas naquilo que nós pensamos e propomos. Ela passa a ser uma autoridade pelo que conquistamos de maneira efetiva, e não somente pelo que detemos de forma provisória.

E é óbvio que essa autoridade se amplia gradativamente na proporção em que a gente percorre o território da aprendizagem. Porém, uma coisa é interessante: nós não temos que ter uma conquista formativa antes para depois sair apontando. Deu para entender? O regime de apontamento define que eu tenho plenas condições de mostrar onde fica determinada cidade, por exemplo, embora eu não conheça todos os bairros dela. Percebeu? O fazemos porque temos um conhecimento relativo, temos uma visão. É assim que se dá a sistemática e o regime de crescimento. Por isso a gente não tem que se preocupar tanto.

Além do que, qualquer ciência, e nós sabemos disso, quando ela consegue provar um fenômeno qualquer, quando ela alcança certo patamar de esclarecimento, aquele conhecimento prova algo e, por um outro lado, abre uma série de incógnitas.

Por enquanto nós ficamos nessa posição. Falamos o que não é nosso e ficamos pensando em fazer o que estamos querendo aprender. Mas ao passo em que vamos falando o que não é nosso, vamos fixando os padrões na nossa intimidade.

E na proporção em que passamos a colocar em prática o que assimilamos, uma soma de caracteres vai se transformando, ou seja, o que é aprendizado intelectivo passa a ser conquista. De forma que o homem que prega o bem deve praticá-lo, se ele não quiser que as suas palavras sejam carregadas pelo vento como o eco produzido por um tambor vazio ao ser batido. E se eu não fizer aquilo que eu falo, não adianta que eu jamais vou conquistar aquele valor.

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