2 de jun de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 12

A SENSIBILIZAÇÃO I

No campo da ajuda e da orientação, os valores que expressamos, aliados à vibração que dimana de nosso interior, essa combinação, com maior ou menor dose de amor, maior ou menor dose de interesse, de entusiasmo, de justiça, de preocupação, de intransigência e de caracteres outros presentes nas linhas de relação, vai apresentar sempre uma variável.

Essa vibração, associada ao plano de verbalização, que por sua vez é um componente importante e adequado no magnetismo, vai ter um peso e é o que vai possibilitar um êxito maior ou um êxito totalmente sem nenhuma fundamentação.

Isso passa a definir a autoridade que nós possuímos. Não uma autoridade no sentido de conquista de fora para dentro, mas como uma conquista natural de dentro para fora e que a gente não tem ideia de como pode influenciar no toque e no despertamento, na ativação de bom ânimo e de coragem em um outro coração.

Em decorrência disso, às vezes uma coisa simples que a gente fala, uma coisa simples a que a gente se refere, pode representar muito e ter um grau de influenciação grande para outras pessoas.

E um ponto interessante é que ninguém consegue educar uma coletividade inteira de uma vez. Isso mesmo, não tem jeito. Não existe, como se imagina, uma doutrinação efetuada de maneira global. O processo se faz de modo individual, parcelado, fracionado. Quando uma coletividade se educa, a educação coletiva é resultado da educação de seus elementos. Cada indivíduo por vez.

O desafio é buscar o crescimento íntimo. Eu sei que é difícil vencer o nosso grito interior, mas precisamos operar nossa reforma, fazer a mudança. É ela que vai nos propiciar condições até mesmo de fazer de forma adequada o diagnóstico daquele indivíduo a quem propomos auxiliar. Porque o educador tem que entrar na área onde vai cooperar. Se ele não entrar, ele não coopera. E como é que ele vai auxiliar alguém sem ter condições de sindicar, de avaliar, de diagnosticar, de entender os planos falhos que a outra individualidade apresenta? É por meio da sindicância que ele vai penetrar. Isso define o seu grau de sensibilização.

Por isso, se ele não buscar dentro de si mesmo essa iluminação, se não estruturar uma proposta de tolerância, de desarme pessoal, de não resistência, ele simplesmente não consegue encontrar aquela faixa ou aquela brecha pela qual ela vai ser capaz de penetrar no íntimo do companheiro a qual propõe auxiliar.

E uma vez que o diagnóstico foi efetuado, o outro desafio de quem está querendo cooperar vai ser ter a autoridade suficiente para criar um estado de ação terapêutica positiva e eficiente no indivíduo. Porque existe uma diferença grande entre o educador e o educando. Enquanto o educador não sensibilizar o educando para o novo patamar, o educando vai achar que esse educador está totalmente fora do eixo.

Ficou claro? Assim, nós temos que saber penetrar na intimidade do outro que tem um ponto que é capaz de se abrir. No entanto, nem sempre é fácil. Até pelo contrário, muitas vezes é bastante difícil essa entrada, porque aquele é um terreno bloqueado, é um terreno tamponado, resistente, duro, cheio de conceitos.

E quando a gente toca neste assunto pode nos vir à cabeça aqueles cursos de relações humanas tão em moda nos dias de hoje. De características acentuadamente mercantilista, ao nível de marketing, de negócios, onde se aprende que é preciso sorrir para poder vender o produto. No entanto, isso vem alcançando um dimensionamento bem diferente, a definir que para se alcançar o êxito é preciso saber canalizar expressões nas relações de profunda autenticidade.

Ou seja, o lance não é baratear o contato, e sim abrir expressões e fatores positivos no que reporta as linhas de relação. É preciso aprender a valorizar as criaturas como seres da maior importância, lembrando que quando um coração atinge o outro em um grau de confiabilidade, de segurança e de investimento, aquele coração é capaz de comprar não só o produto que você está vendendo no momento, mas também o que você vai comprar ainda e vender num futuro mais distante.

O que significa educar alguém? Você já pensou nisso? Analisando o assunto na sua essencialidade, é importante que a gente entenda o que é educação. Concorda? O que é educar?

A evolução não incrusta tantos valores, a evolução abre instrumentos de percepção.

O que estamos querendo dizer? Que a gente costuma achar que o aluno está aprendendo com aquilo que o professor está dando para ele, ao passo que na verdade o que o professor está lhe dando é apenas um instrumento de despertamento.

Será que deu uma ideia? Em outras palavras, ensinar é educar e educar é instrumento de despertamento. A própria expressão latina "educare" literalmente significa tirar para fora. Então, educar é tocar, é mexer, é despertar. É revolver a estrutura potencial do educando, fazê-lo ficar interessado em conhecer. O trabalho da educação é tirar de dentro da individualidade.

E falando nisso a gente se lembra de Jesus: "Resplandeça a vossa luz". Percebeu? O que ele quis dizer? Que já existe luz em nós. Que a luz está dentro de cada um de nós, incubada, em estado latente, mas existe. E vai ter que sair.

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