25 de jun de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 14

A PARTE POSITIVA I

Antes de Jesus pisar no solo deste planeta, Deus era tido como força. Certo? E depois de sua passagem, o apóstolo João, interpretando a sua doutrina, dizia que Deus é amor.

E por que é que  estamos começando falando assim? Porque muitas igrejas não entenderam isto ainda. Ignoram a questão e seguem pregando o medo. Continuam estendendo ameaças infernais como se quisessem deprimir o ânimo de seus seguidores, e mais, incutir-lhes uma fé imposta de fora para dentro. 

Isso acontece demais no âmbito de certas linhas religiosas. É óbvio que essa colocação do medo não se restringe apenas às igrejas, mencionei igreja porque estamos tratando do evangelho, no entanto, muitos educadores de todas as disciplinas agem pela imposição do terror. Certos instrutores, carecendo de meios e recursos próprios à boa pedagogia, não convencem, o que eles fazem é amedrontar.

Querem conduzir os homens guiando-os como se fossem pastores com as suas manadas. Parecem não se lembrar que os seres livres não marcham para a conquista de seus destinos forçados e, sim, atraídos. E se educar é desenvolver os poderes do espírito, de modo a que esses poderes sejam aplicados em conquista de estados cada vez mais elevados em uma ascensão que não finda, é fácil concluir que a sistemática adotada não pode ser alcançada pela imposição do medo.

Pela imposição do medo na linha educativa simplesmente não tem como educar.

Tem muita gente que quer orientar o espírito de fora para dentro martelando, e acha que resolveu o problema. Mas os tempos hoje são outros, não dá mais para se impor crenças. Não é preciso ir longe, basta recordar o que o Mestre disse: "Não temais!"

Não se resolve o problema da treva debatendo com a treva, é preciso convidar as pessoas a raciocinarem. O método para ensinar valores espirituais é o mesmo que se emprega para ensinar as questões científicas: dedução e indução. E apenas o uso da razão também não resolve, é preciso chegar com amor no coração.

O processo educativo se baseia nos alicerces do raciocínio e do sentimento. Ser educador é saber conduzir as inteligências na direção da luz e do bem com critério e carinho, segurança e clareza. O bom educador não critica nem atemoriza, somente constrói, sem usar atitudes que desanimam e que machucam.

Jesus era amado e venerado pelos seus apóstolos. Todos eles se sacrificaram com alegria pela sua doutrina de amor. Se tivessem sido ensinados pela metodologia do medo isso não teria acontecido. Com certeza eles baqueariam diante dos primeiros obstáculos e primeiras perseguições. Concorda? Seriam covardes como são covardes todos aqueles que agem debaixo da influência do medo.

De forma que o educador tem que ser admirado pelos seus discípulos, jamais temido. 

Precisa saber atraí-los em vez de empurrá-los, e a atração é algo que se exerce para a frente, não é algo que leva para trás.

A pesca é nesse sentido, é saber envolver nas redes formadas pelas melhores vibrações.

Vibrações de segurança e acolhimento. O desafio daqueles que se propõe auxiliar é tornarem-se pescadores de homens. Os educadores precisam ser maiores e melhores que seus educandos, e em grau cada vez mais significativo de persuasão.

É impossível ajudar eficientemente sem a presença constante de afetividade e valorização. Daí, o grande segredo no campo educacional não reside em técnicas mirabolantes. Reside, pelo que temos aprendido, na capacidade de saber atrair e incentivar o educando.

Nós ainda somos muito irreverentes no trato com as pessoas. Ficamos batendo de fora para dentro. A maior parte de nós age sem critério: "Que pessoa ignorante! Parece que não entende. Fala com ela, não entende." Às vezes, a criatura está alegre, empolgada, e o que eu faço? Chego lá e pronto, dinamito com a pessoa. E se eu lhe direciono valores de forma violenta ela pode resistir ou apelar.

É uma ação desastrosa que nós adotamos. E esse procedimento repetido pode até nos gerar desilusões futuras. O indivíduo que recebe de nossa parte esses padrões pode se derrubar e eu nem sei se nessa queda ele vai ter forças para se recompor. Pela forma como ele recebe, pode se tornar o elemento revoltado ou irreverente do amanhã, não pode? Como também pode entrar em um processo introspectivo, reprimido e se tornar o paciente a frequentar consultórios para o tratamento da depressão.

Sabe Jesus? Em todos os episódios do evangelho ele jamais foi encontrado em atitude que visava enfraquecer a coragem das pessoas, muito pelo contrário. Entendeu isso? Ele jamais destratou ou diminuiu alguém. Jamais abateu, sequer, o ânimo dos pecadores. Apenas temos conhecimento da utilização de expressões mais contundentes por parte dele quando ele se dirigiu aos hipócritas, sacerdotes, escribas e autoridades que dominavam o povo. Então, vamos ter conosco o seguinte: quem nessa vida não gosta de estímulo?

Às vezes, as pessoas que nós mais amamos são tratadas por nós de maneira irreverente, entristecida e isso nós não podemos fazer. Não podemos ficar apenas evidenciando o lado negativo do outro. É uma coisa que precisa ficar muito nítida para nós.

Pelo que temos depreendido, em razão do muito que recebemos do plano superior, ninguém consegue auxiliar alguém evidenciando ou tentando cortar o que esse alguém faz de errado. Não se ajuda com pedra na mão, combatendo ou criticando o que ele faz. Se ficarmos apontando para as dificuldades que alguém faz, e que cada um de nós traz, o que é que vai acontecer? A Pessoa não progride.

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