8 de jun de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 13

A SENSIBILIZAÇÃO II

Qual é o papel de um evangelizador com seus aprendizes, de um professor com seus alunos, de um terapeuta com seus pacientes? 

Qual é o papel deles junto daqueles com quem lidam e dos quais têm responsabilidade? Vamos pensar? Qual deve ser a postura? O papel do educador junto àqueles com quem se relaciona é transferir componentes educacionais, éticos e morais que poderão favorecê-los amanhã no momento de determinadas decisões no campo da escolha.

Ficou claro? Este é o grande desafio de quem educa. E o que a espiritualidade superior tem feito é incentivar em muitos de nós esse papel.

Imagine uma professora trabalhando com uma turma de trinta crianças. Ela tem grande carinho e dedicação em ensinar e orientar essas crianças. E uma delas, quando tiver seus 18 anos, por exemplo, pode viver um momento de decisão na vida, não pode? E aquilo que ela aprendeu com essa professora lá atrás, aos 7 ou 8 anos de idade, pode emergir como sendo um componente indutor ou de refreamento na decisão que ela vai tomar. Não pode acontecer? Esse aluno, agora com os seus 18 anos, pode perfeitamente se lembrar da professora: "Eu me lembro da professora. Ela me ensinou isso lá atrás, e eu vou fazer assim."

A mãe é um outro exemplo interessante. Ela pode falar com um filho implementando na fala todo amor que ela tem. E o filho pode nem responder. Ou melhor, nem ligar. Ele não está nem aí para o que ouve. Ela desencarna entristecida: "Tudo o que eu fiz e falei com ele foi em vão. Não adiantou nada." Ela acha que não adiantou, mas pode ter adiantado sim. Porque em algum momento na vida desse filho, quando algum desafio ou certa dificuldade lhe surgir de forma mais contundente, ele pode fixar a mente em um determinado componente e tudo aquilo que ele ouviu lá atrás vir à tona.

Isso acontece naqueles casos em que a gente observa que o elemento não tinha conhecimento e em um espaço relativamente curto de tempo ele deu um passo gigante.

Porque ele conseguiu colocar para fora tudo aquilo que estava enclausurado nele sem maiores expressões até então. Em determinado momento aquilo emergiu.

Quer dizer, são potenciais que nós vamos guardando na nossa intimidade. Enquanto esse avançou, por outro lado um outro indivíduo pode passar dez, vinte ou trinta anos sem conseguir dar um passo sequer, sem dar passo algum que o projete.

E o avanço, quando acontece, se dá por um motivo: teve amor na semeadura do componente na cabeça do educando. Teve amor na base no momento do encaminhamento.

Então, a única maneira de jogar a semente adequadamente é com cuidado, protegida, embalada direitinho nas vibrações positivas para que ela seja resguardada no tempo. A semente só permanece intacta quando a embalagem dela é feita nas expressões do amor e do carinho, com determinação e segurança.

Sabe por quê? Porque jogada por jogar, de qualquer jeito, ela vira um componente informativo qualquer, sem maior expressão. E desaparece no contexto das emoções e das atividades cotidianas do dia a dia. Logo, vamos pensar nisso.

Nós somos componentes irradiadores e a irradiação faz o papel de indução ou de sensibilização em volta.

Repare que quem ama não fala para ferir. Fala para acordar. Educar é envolver de dentro para fora, razão pela qual nós temos que ter aquela capacidade e aquela autoridade capaz de despertar, em meio aos padrões que canalizamos, um certo interesse do ouvinte para que ele também se desperte para um processo de aprendizagem. Guarde bem o seguinte: educar é despertar e o educando realmente se beneficia quando o educador faz um trabalho de educação.

O educador semeia caracteres e isso é um trabalho fora de série. É muito bonito. 

Agora, o que ele não deve fazer é manter a pretensão de formar na cabeça do educando uma personalidade a seu critério. Deu uma ideia? O educador, o que ele pode fazer, no final de um período de estudo, é avaliar se ele conseguiu transmitir o que queria. Se, em princípio, o grupo conseguiu assimilar o que ele trouxe.

Só que tem um detalhe: em se tratando de educação da alma, essa avaliação, por mais criteriosa que venha a ser, é precária. Porque a legítima avaliação é o futuro que vai determinar. Entendeu? A avaliação final só se dá pelas obras e pelo resultado prático por parte daquele que recebeu a orientação. De forma que a avaliação finalística o educador não pode fazer.

As mães são um exemplo interessante disso. São muitas que sofrem horrivelmente porque investem tudo nos filhos e os filhos não apresentam retorno. Mas a estabilidade delas não pode depender do retorno dos filhos. Aí já passa a ser um capricho pessoal. A estabilidade delas tem que se estruturar no grau de investimentos que elas desempenharam por ocasião da tarefa, o que elas fizeram para ajudar. Compete a elas dar o melhor. O resultado não depende delas.

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