18 de jul de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 15

A PARTE POSITIVA II

A educação não vem por imposição. E enquanto não enfatizarmos o ângulo positivo da personalidade que queremos sensibilizar nós continuamos sendo elementos de choque, e o choque simplesmente não resolve o problema de ninguém.

Todo processo educacional efetivo tem por objetivo despertar os potenciais do indivíduo.

Então, o grande fator é aquela linha de despertar da individualidade, aquele toque que, às vezes, a gente não vai esquecer nunca. Cada um de nós teve esse toque, e quem não teve provavelmente terá. E a gente leva conosco a lembrança desse toque a vida inteira: "Eu conheci alguém que me despertou. Não mencionou minhas imperfeições, não levantou minhas dificuldades e mexeu no coração."

Eu não vou conseguir despertar ou auxiliar alguém só lhe dando cutucada ou apontando o seu erro sistematicamente. Não é por aí. Com essa atitude eu posso levar a criatura ao desencorajamento. É óbvio que eu não vou ficar passando a mão na cabeça ou estimular alguém que eu sei que podia estar fazendo a coisa certa e não faz por negligência. No entanto, o processo de medicina da alma propõe, na tarefa de edificação do ser, o encaminhamento de mais valores positivos do que tentar tirar o mal que existe, pois o mal vai desaparecer naturalmente. Jesus nos dá a entender que nós devemos ter alta dose de amor e estímulo aos companheiros com quem lidamos. Ele deixa esse recado.

O lance é que no campo de relação eu tenho que transmitir força ao companheiro, o que é diferente de evidenciar o negativo. Vamos pensar juntos? Como age um professor que corrige o exercício de um aluno e nota que ele cometeu erros? Ele entende que o aluno está lutando e através de um incentivo lhe dá um estímulo para que aquele se predisponha a abrir novos componentes de aplicação no curso da vida.

É por isso que educar significa tirar para fora na respectiva área. Educar é tirar potenciais da individualidade. Logo, o educador trabalha no incentivo, na motivação, na indução de fora para dentro. E tanto é assim que quando recebemos uma didática elaborada com amor nós costumamos adotar o conteúdo que recolhemos inspirados na confiança que o professor ou preceptor nos oferece.

Sabe como é que ajudamos o semelhante? Enxertando nele, na árvore íntima dele, padrões positivos para que ele possa sintonizar novos e determinados ângulos.

Daí, nós temos que olhar a criatura com a qual trabalhamos como alguém que tem potenciais extraordinários, que tem recursos e valores de alta expressão. Percebeu?

Nós estamos procurando fazer um trabalho que nos é competente, um trabalho possível de propiciar indução interior de crescimento no outro. De fato, estamos tentando acertar. Agora, você sabe que quando trabalhamos o lado positivo de alguém o que é que acontece? Nós conseguimos entrar no coração desse alguém, mexer lá dentro, fazer o que quiser e ele vai entender que nós o estimamos.

Quando entramos na pauta do semelhante com amor e valorização da personalidade dele, nós podemos até falar de forma mais dura com ele que ele vai entender.

É muito comum, em um aspecto ou outro, algumas pessoas se manterem em estado de defesa. Elas se armam e se fecham em uma redoma relativamente às suas falhas e ninguém consegue penetrar. Igual a muralha da China. Haja pedra e cimento.

Ficam intocáveis. Ninguém penetra. E por que é que eu estou dizendo isto? Porque a criatura que está disposta a auxiliar, se ela não levantar um lado positivo nessa individualidade ela simplesmente não consegue uma penetração. Percebeu?

Isso precisa ficar claro para nós. Tanto que no plano didático o educador tem que trabalhar no campo do incentivo, ao invés de ficar apenas enchendo a cabeça do educando de valores, porque no fundo o educando é quem vai procurar os próprios caminhos dele. O trabalho do educador é de sensibilização e incentivo, mais do que propriamente ficar somando conteúdo. A motivação consiste num sistema de preparar um coração. Por ela você mexe e prepara o íntimo da outra pessoa.

Aquele que ama, sem dúvida nenhuma, consegue aprofundar, consegue entrar e incentivar a criatura a despertar-se e a movimentar os padrões positivos da sua intimidade.

A questão é simples para a nossa análise: o Pai não responde às súplicas de um filho com palavras condenatórias.

Então, quanto mais a nossa fala contrariar o conceito do interlocutor, que está sofrendo e não descobriu, quanto mais a nossa proposta terapêutica e orientadora divergir do conceito do semelhante que nós estamos tentando auxiliar, mais amor nós temos que colocar na nossa dose de cooperação. Isso é fundamental.

Quanto mais a nossa proposta terapêutica contrariar o estado natural do indivíduo no campo da sua ótica, da sua conceituação de vida, das suas concepções, quanto mais contrariar o status dessa criatura, mais amor nós temos que empregar.

Para chegar no fundo e tocar o coração dela nós temos que colocar mais frequência e mais sutileza nas nossas emissões. Para podermos convencer a criatura nós temos que olhar com tranquilidade em espírito nos olhos dela e ela sentir confiança em nós, sentir que pode depositar fé, a fim de mudar o seu direcionamento.

Em outras palavras, para tirar alguém que está no buraco, só uma pessoa que tem amor.

Quem não tem amor não ajuda. Pelo contrário, machuca em nome do próprio amor.

Se alguém quer ajudar o outro e o outro está desnorteado, está perdido, fora do prumo, está fora de órbita, só aplicando muito amor. Senão ele perde segurança na atuação e não consegue êxito algum. E o outro ainda se afasta mais. Se não tiver amor e autoridade ele fica tentando, tentando, insistindo e se desgasta. E acaba caindo cansado, entristecido e até mesmo reclamando que o mundo está contra ele.

Às vezes, a gente vê uma pessoa fazendo uma bobagem de todo tamanho. Uma bobagem tremenda. Não acontece? Ela está afundando e não percebe. O que a gente faz? Comumente já chegamos perto dela com um porrete na mão e pumba! Como se diz na linguagem popular, a gente senta o sarrafo. Sem dó. Solta o verbo e não mede as palavras.

Está certo? isso ajuda alguma coisa? Claro que não. É metodologia ultrapassada, errada, ineficaz. Não é assim que devemos tratar a pessoa. Não é assim que devemos tratar quem quer que seja. Temos que tratar com amizade e carinho:

- Olha, eu estou conhecendo a sua dificuldade. Eu sei que sua luta está grande. Mas tenha força. Ore. Peça auxílio e amparo a Deus. Ele não desampara ninguém. Estamos torcendo por você, estamos te ajudando.

- Você acha que eu vou conseguir vencer?

- Vai! Você consegue.

Esse é o método que nós podemos e devemos usar ao nível da nossa órbita educacional direta. É melhor e mais eficaz do que chegar agredindo e dizendo "você está errando, está errando, está errando, vê se acorda"! Vamos pensar nisso.

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