24 de jul de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 16

APEQUENAR-SE

A luz que Jesus tem irradiado para nós tem o fulgor de um sol que nós não somos capazes de encarar de frente. E o que ele fez foi pegar a força irradiadora do amor, decodificá-la e vir aqui em nosso ambiente físico, reduzindo-a a um plano de adequação.

De forma que essa força é dimensionada por um componente magnético que nós chamamos amor, que chega ao coração de cada criatura na pauta daquilo que esse coração é capaz de perceber. E isso é bonito demais da conta.

Veja para você ver: um indivíduo pode ser um excelente professor, pode ser um orientador excepcional, mas de que valerá o seu conhecimento se ele não souber adequar-se ao plano de solicitação e necessidade do educando?

Ele tem que adequar-se e chegar a um certo nível para que o auxiliado levante-se e se expresse no conhecimento. Está dando para perceber? Daí a gente nota que a adequação é uma das facetas mais lindas do plano pedagógico, e que muito pouca gente adota. O suprimento alimentício tem que ser direcionado dentro de uma linha de adequação. O professor tem que trabalhar utilizando uma linha compatível ao plano assimilativo do educando. E isso não é nenhuma novidade, afinal de contas para que o aluno assimile ele precisa entender o que o professor está falando.

Para se ter ideia, alguém pode ser PHD em certa área teológica, no entanto, para falar de Deus a uma criança tem que falar papai do céu. Percebeu? Não adianta falar que Ele é o estruturador universal ou o criador que ela não vai entender nada.

E vale ressaltar que a própria verdade direcionada muitas vezes, de forma nua e crua, sem uma adequação, é um punhal que apunhala, que machuca, fere e não ajuda.

Quando trabalhamos com o melhor interesse e a melhor intenção junto de uma criatura com a qual queremos cooperar, se nós quisermos ser feliz nessa proposta nós vamos ter que encontrar pontos de referência na linguagem, em nossa forma de canalização, capazes de atingir certos ângulos da personalidade dela que representa, vamos dizer, uma capacidade perceptiva. O que equivale a dizer que somos convocados a fazer ajustes e adequações para alcançarmos o companheiro ou a companheira de acordo com sua capacidade. Ficou claro?

Nossa estrutura de comunicação tem que ser compatível com a linha receptiva do aprendiz. É aí que reside todo o processo da aprendizagem. Então, adequar é encontrar estratégias e nós temos que fazê-la sem perder a fluência normal da irradiação.

A adequação nos é colocada no evangelho pela capacidade que Jesus tinha de inclinar-se.

Então, no sentido do evangelho a palavra adequação significa curvar-se, inclinar-se.

Adequar é saber descer ao nível de capacidade receptiva do educando. Em outras palavras, para ajudar alguém, para ensinar alguém, cooperar com alguém, é preciso ter esse jogo de cintura de saber adequar. É preciso uma profunda disposição de apequenar-se.

E o que é apequenar? Apequenar é aplicar estratégias, é o aspecto prático da adequação. Porque não é o professor que tem que trazer o aluno para a sua órbita. De forma alguma, ele é que tem que descer até a órbita do aluno. E outra coisa interessante é que quando você se inclina você não sai da sua posição. Percebeu? A sua verdade permanece inteira, se mantém intacta. Mas você tem que curvar-se, inclinar-se, apequenar-se até o educando para o ajudar.

Repare que quando investimos em um professor nós o fazermos porque vemos nele uma autoridade.

De forma que quanto mais o educador conhecer mais ele é capaz de tocar e auxiliar o educando. Afinal, como ele pode alcançar os companheiros que se situam em uma faixa ampla, variada, extensa, se ele não tem compreensão abrangente da situação em que se encontram e das necessidades que eles apresentam?

Outro ponto a ser observado é que o professor tem que trabalhar com a linha compatível ao plano assimilativo do aprendiz. Isso é essencial. Ele tem que pegar a luz existente dentro dele, a luz de professor, e adequar à capacidade perceptiva do elemento.

Então, ele tem que fazer o quê? Analisar, compor e, sobretudo, sintetizar. Aliás, sintetizar é o grande segredo. E que é síntese? Síntese é o grande, pequeno. É o extenso, reduzido. Mas de um poder operacional e de uma projeção inigualável.

A síntese é a soma dos padrões arregimentados e conquistados reduzidos pelas análises feitas.

O educador pode ser chamado a apresentar inúmeras formas de expressão, no entanto, o educando realmente se beneficia quando ele consegue fazer um trabalho de síntese, através do qual consegue penetrar nas linhas da personalidade do que quer aprender. Ficou claro? O educando se beneficia quando o educador sabe ensinar, quando sabe fazer um trabalho de síntese. Isso é tão importante que quando nós não temos essa capacidade de analisar e sintetizar outros fazem por nós.

E quanto maior o conhecimento adquirido, maior a capacidade da criatura sintetizar.

A gente acha que para ser bom professor tem que saber falar. Falar bonito e bem. Os entendidos, por sua vez, defendem que a primeira coisa é aprender a ouvir. Que somente após ouvir com atenção pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva. Não sabendo ouvir não se pode auxiliar com êxito.

Então, o grande mestre sabe ouvir. Ele ouve e pondera, pois não adianta nada ensinar sem ouvir. Quem ouve aprende e quem fala ensina, e sem saber ouvir não se pode ajudar. Assim, se o professor ou educador não souber sintonizar a carência do educando como é que ele vai poder auxiliá-lo na linha instrutiva informativa? Concorda? Não tem como. De forma que é preciso ouvir. Agora, também é preciso ter uma postura segura quanto a isso, afinal de contas nós não vamos ficar por conta, indefinidamente, ouvindo alguém. É necessário ter esse cuidado.

É imperioso notar que só pode haver síntese se houver análise. Porque a síntese é decorrente da análise. 

Daí, antes de qualquer coisa o educador tem que ter uma alta dose de idealismo e de compreensão acerca do educando, para que possa encontrar dentro da síntese um caminho que servirá como base e instrumento didático para operar de forma satisfatória com aquele. É um ponto extremamente essencial. Quando um professor vai trabalhar ele tem que saber os potenciais do aluno. Se ele não sintonizar a carência do educando, sua necessidade, como é que ele vai poder auxiliá-lo?

Se o educador não conseguir perceber o que o aluno está exteriorizando, se não entender as suas dificuldades, as suas reais necessidades, fica muito difícil auxiliar. Se não sintonizar a sua carência ele não tem como ajudar de forma efetiva.

Esse é um fator pelo qual é preciso trabalhar no plano sintético. É necessário, antes de qualquer coisa, saber o nível em que se encontra o indivíduo que se quer ajudar.

Porque pode acontecer do aluno ou do necessitado não aguentar mais do que um palitinho de fósforo ou uma lanterninha e o que vai auxiliar querer acender um farol lá dentro. Não tem jeito.

É por isto que educar não é fácil. Não é fácil. Se achamos que temos que cooperar de alguma forma nesse campo da sensibilização e do aprendizado nós temos que saber trabalhar com inteligência. Com inteligência e com discernimento.

Um grande desafio de quem quer ensinar e cooperar com eficiência é encontrar componentes e instrumentos capazes de despertar interesse. É um verdadeiro desafio àquele que se propõe cooperar. É preciso encontrar estratégias de sensibilização. 

Usar instrumentalidades diferenciadas, linhas de raciocínio diferentes com cada pessoa. Com crianças, por exemplo, é muito comum usar brinquedos porque isso atrai a atenção delas, facilita o aprendizado. E na medida em que vamos avançando nessa tarefa nós temos que ir, gradativamente, conhecendo a personalidade humana.

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