27 de jul de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 17

A POSTURA DO EDUCANDO

Ao nos situarmos na posição de auxiliador, de cooperador, uma coisa é interessante: quando o paciente ou interlocutor entra na linha de absoluta coincidência e de convergência com a nossa opinião, tudo fica mais fácil. Mais simples se torna o processo de ajuda.

Eu não sei se você já pensou nisso, mas o terapeuta, educador ou orientador terá êxito quando o paciente ou o educando começa a namorar as suas linhas informativas e formativas. O caminho se abrevia, o trabalho flui, o resultado aparece, quase que sem percalços.

A questão é que essa convergência nem sempre se dá. Até pelo contrário, é muito comum a gente notar que vamos por uma direção, seguindo com a criatura, tentando auxiliá-la, tentando cooperar com o seu crescimento, e ela vai se desviando para outro lado. A gente pode até pegar na mão dela suavemente e puxar para cá, todavia sentimos que ela vai se esquivando para o lado contrário.

A gente chega com a melhor intenção e ela já se apresenta com uma arma na mão, querendo nos sacrificar e cortar o nosso barato. Viramos adversários intimidadores. 

E não dá para reclamar. Afinal, fizemos isso com Jesus. Ele foi o mestre maior, o educador, e nós, os educandos, fizemos o quê? O crucificamos. Aliás, dizem os entendidos que se o trouxerem outra vez nós vamos crucificá-lo de novo. Provavelmente não na cruz, mas com certeza em algum outro tipo de martírio. E sabe por quê? Resposta simples: porque não entendemos a sua mensagem até hoje.

De forma que precisamos ter uma visão muita clara para que possamos, naqueles lances que representam resistências, saber administrar esses pontos de resistência e criar a relação vibracional positiva de modo a envolver o companheiro.

Imagine uma criatura cristalizada, resistente, impermeável à mudança. Você só chega nela se conseguir encontrar na intimidade dela uma fagulha de luz. É assim que nós temos aprendido. E mais, é por esse pontinho de luz presente no coração que você entra com a sua luz inteira. Se você a tiver, é óbvio. De forma que é preciso encontrar na treva uma réstia de luz, e essa réstia de luz é aquela posição da mente.

Os espíritos superiores têm tido muita benevolência conosco, uma paciência grande conosco, e utilizam aqueles pontos mínimos que a gente é suscetível de irradiar.

Para se ter ideia do que eu estou falando, para poder participar de um estudo como este, por exemplo, em que buscamos a aprendizagem que estamos tentando apropriar, é fundamental termos um lastro íntimo, uma abertura interior.

Se educar é despertar, trata-se de quê? De despertar alguma coisa que já existe.

Educação não se faz só injetando valores de dentro para fora. Educar é tirar do interior. 

E nada pode se tirar de onde nada existe. É preciso esperar a emersão de algo por parte do educando. A parábola do semeador ensina isto de forma clara: na linha de relação entre professor e aluno é fundamental a fertilidade do terreno íntimo.

Pense comigo, a palavra é componente irradiador essencial. Palavra é semente, mas a semente tem que ser lançada em solo fértil. Para o crescimento dela é necessário por parte de quem a recebe uma certa dose de receptividade e interesse.

Para o educador inteligente, aquele momento em que o aluno pergunta é a brecha formidável. Trata-se de um momento peculiar e todo especial no processo educativo. Isso é uma beleza para quem sabe e gosta de ensinar, porque demonstra o interesse do aprendiz. No entanto, existem alguns educadores fracos e insensíveis que desconsideram essa particularidade. Eles acham que nessa hora o aluno atrapalha o bom andamento da aula e incomodam.

E alguns desses professores infelizes, às vezes, fazem uma coisa horrível: eles rechaçam o aluno e o descaracterizam na mesma hora. Nós não acreditamos que essa atitude rude aconteça com tanta frequência nos dias de hoje, mas quando acontece ela pode resultar sabe em quê? Se o aluno é aquele indivíduo tímido, de personalidade acanhada e mentalidade introspectiva, o que ele pode pensar? "Eu nunca mais abro a boca em aula nenhuma". E daí para frente haja conversa com ele, haja paciência e esclarecimento para acabar com a sua inibição.

Outra coisa fantástica é lidar com quem quer crescer, com quem apresenta aquela índole de manifestação dos seus potenciais. Nós podemos dizer sem medo nenhum de errar: quanto mais potencial a criatura manifesta mais alterações positivas vão ocorrendo. 

E visto sob este ângulo, é muito bonito quando alguém que está ensinando sensibiliza uma criatura que já está com o seu anteparo pronto para que a luz apareça. Concorda? É gostoso orientar alguém que demonstra interesse, que pergunta, alguém que quer aprender. O aluno pergunta e o professor está com a instrumentalidade na mão para informar.

O professor, ao orientar, solta o que há de melhor em si e nota da parte receptiva que aquilo vai refletir. Isso é fora de série. O professor dá o seu melhor e no momento em que o educando se expressa ele pode até sair de cena. Tanto que em relação àquele aluno ou aluna que é dado ao estudo, à leitura, o professor fica tranquilo. O rapaz ou a moça, o educando de uma forma geral, dá uma resposta muito bonita em termos de aprendizado. Ele corresponde.

E outro fator interessante: o aluno exterioriza esse entusiasmo na sua própria feição. 

Se é que podemos dizer assim, ele manifesta na sua fisionomia a capacidade perceptiva e de sensibilização. Os espíritos amigos fazem isso conosco. Eles aproveitam nossas disposições íntimas de crescer e de fazer e investem em nosso potencial.

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