2 de ago de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 18 (Final)

O DESPERTAMENTO

O grande despertar dos corações depende de um processo de reflexo, de refletir a luz.

E nesse assunto nos vem à mente uma experiência em laboratório. Nessa experiência, o cientista, biólogo, químico ou experimentador coloca um ser unicelular numa lâmina de microscópio para examinar. Não é assim? E o que ele faz? Faz uma série de procedimentos para ver se aquele elemento reage. Atua de várias formas para tentar ver se surge um reflexo, para ver se aquele microorganismo reage.

Lança sobre ele um foco de luz e ele está quieto; coloca calor, água quente e ele está quieto; joga água gelada e ele não se mexe; coloca um produto químico e ele continua imóvel; põe ácido e ele permanece lá, estático. Percebeu? Ele joga uma cor, outra cor, joga isso, joga aquilo. Para quê? Para que aquela criatura reaja a algum produto que é colocado.

Então, vamos sair do elemento unicelular colocado na lâmina e falar sobre nós seres humanos. O orientador lança um foco de luz no educando para que ele reaja, o que indica que à nossa volta existe uma enormidade de corações que nos induzem.

O educador faz um papel semelhante a esse experimento. Ele adota estratégias e tenta arrumar instrumentos que possam fazer com que o educando se movimente. Ele tem que encontrar pontos na intimidade do educando que possam fazê-lo interessar-se pela sua comunicação, pela sua orientação, para que ele se mexa e saia do lugar.

Esse processo tem a finalidade de fazer com que o educando alcance outros pisos.

É isso o que a espiritualidade tem feito conosco ao longo dos milênios e que nós temos que aprender a fazer. A espiritualidade, entre outras coisas, está tentando incentivar em nós esse papel de educador. E o educador não faz esse papel? De tentar arrumar instrumentos que possam fazer com que se movimente a intimidade do educando? Então, o nosso objetivo como orientador, se é que nós podemos dizer assim, é o de despertar potenciais.

Pense comigo, o processo educacional visa o quê? Despertar os potenciais do indivíduo. Acompanhou? É despertar. Despertar o quê? Despertar alguma coisa que já existe.

Daí, o lance é trabalharmos de maneira tal junto às pessoas para que essas pessoas se descubram a si mesmas.

Vamos soltar o que há de melhor em nosso coração e tentar encontrar um coração que tenha uma série de componentes que possam refletir. Deu uma ideia? Agora, é evidente que nós não vamos ficar saindo por aí procurando A, B, C ou D e lhes chatear até que eles reflitam. Também não é por aí. Mas vamos pensar.

É por aí que parte o processo que altera a inércia em que a criatura estava, que altera a linha e o posicionamento em que ela repousava.

Na experiência de laboratório a criatura está lá parada, mumificada. Não se mexe. E o que o experimentador faz? Vai trabalhando com ela até ocorrer o reflexo. Perfeito? Em determinado momento ele utiliza um componente que age como indutor e faz o papel de que espécie? De força centrípeta. E consegue penetrar. E a célula se movimenta. Deu uma ideia? Foram sendo feito tentativas. Depois, por exemplo, colocou um determinado componente químico e houve uma mexida, uma alteração. O componente fez com que aquele elemento se movimentasse, quer dizer, ele reagiu em função daquele tipo. E essa reação significa que iniciou o seu mecanismo evolucional.

É o que acontece no plano moral conosco. É por aí que parte um processo que altera a inércia em que a criatura se situa, aquela linha em que ela estava repousada.

E no momento em que a criatura reage, nessa hora, implanta-se uma conexão vibracional. E ela reflete. Ela conseguiu captar aquele valor. O toque mexeu em algum lugar, alterou todo o processo assimilativo e indutivo. E ela mexeu. A partir daí é que começa outra fase.

Nós somente podemos evoluir quando se instaura em nós o mecanismo de reação interna.

É por esse motivo que o processo evolucional depende de uma reação nossa. Sempre há uma linha dualística: um componente que irradia e outro componente que recolhe. 

E dentro desse contexto, os caminhos, os percursos, a atividade, a inércia, o bom senso, o equilíbrio, a insensatez e todos os padrões que experimentamos a cada momento no dia a dia vão depender da postura de cada um de nós. A capacidade de assimilação e de reação ocorre em função de inúmeros componentes que o elemento possui e passa a irradiar gradativamente.

Nós podemos influenciar junto de um coração dando sugestões, aconselhamentos, dando ideias, mas é ele quem tem que dar os passos. É a didática de movimentação dos valores estáticos desse elemento que passa a entrar em ressonância. Quando consegue atingi-lo, ele se mexe. E se movimentou deixa por conta dele, porque ele vai. Se não for nessa fase, nessa etapa, vai na outra, mas vai.

Junto do instrutor o aprendiz quase sempre apenas observa e aprende. À distância, porém, experimenta e age, vivendo que aprendeu. Junto ele observa, assimila e aprende; longe ele aplica.

E tem que deixá-lo ir. A proteção excessiva e inconsciente elimina os germens do progresso e da elevação. Subtrai o protegido do clima de realização que lhe é próprio e do resgate individual. De forma que estabelecer dependência dessa ordem é criar o cativeiro do espírito, que anula a faculdade de improvisação e estimula os vícios do pensamento.

Outro ponto que não podemos esquecer em momento algum é que a sensibilização é nossa, a capacidade de sensibilizar, mas o despertamento é do outro.

Na justiça nós somos empurrados. Concorda? Se nós devemos, a vida de alguma forma vai cobrar e nós vamos pagar. Se devemos, de um jeito ou de outro a gente paga! Pode ser chorando, gritando, reclamando, mas paga! Isso é da lei. É da justiça.

No entanto, nós estamos falando em termos de amor, pois a realização de um objetivo pressupõe amor. O início da mudança pode até ser pela justiça, mas a chegada é pelo amor. E nesse aspecto, se não tiver despertamento íntimo, uma luzinha íntima que brilha, não adianta ficar ajuntando equações que não chega.

Às vezes, gastamos tempo e rendemos tempo ao tempo para que esse despertamento se dê, para que ele aconteça. Por exemplo, nós podemos ter ouvido alguma coisa há seis meses atrás, e pode acontecer disso que ouvimos lá atrás nos ser trazido hoje novamente por uma outra pessoa em circunstância diversa. Quer dizer, aquilo que ouvimos nos chegou novamente, trazido por outra pessoa em forma de ajuda, de orientação. Isso não acontece? E eu penso: "Puxa, ouvi isso de novo. Agora sim, eu entendi. Ficou claro. Abriu para mim. Realmente é isso mesmo". Deu uma ideia? A sensibilização é de quem direciona o padrão, de quem encaminha o valor, mas o despertamento é de quem recebe.

E para que o despertamento se dê o toque tem que alcançar lá dentro, tem que chegar lá no fundo. Ele tem que trabalhar o plano de sensibilização com profundidade.

Um indivíduo, por exemplo, em uma situação adversa pode chorar de raiva. Mas na hora que está com tanta raiva ele desabafa: "Eu não aguento mais isso!" E nesse momento em que ele disse "eu não aguento mais", quem sabe a vibração tinha 99% de raiva e 1% de "para onde eu vou, o que é que eu faço". Percebeu? Talvez a criatura não entenda com lucidez e claridade o toque recebido quando ele chegou, mas esse toque recebido pode ficar repousado na intimidade dela como um toque de bem estar. E depois, num período relativo de um, dois, três ou quatro dias, ou uma semana, duas, três semanas, aquilo pode começar a germinar dentro dela e vir à tona o despertamento e favorecer aquele coração. 

E tem outra coisa que acontece demais. O indivíduo passa por situações difíceis, mas não é tocado. Aquilo ainda não mexeu no fundo. As manifestações exteriorizadas por ele de tristeza, inconformação, ou sei lá, são só emoções relacionadas com a experiência difícil que ele está vivendo. Entendeu? Ele está na emoção periférica ainda.

E também pode acontecer dele se sensibilizar de fato, e nessa descida ao seu íntimo ele chegar lá no fundo, no extremo, todavia ele não se resolve. Ele não se dispõe a entrar em um sistema sincero de mudança.

É por isso que tem situações que só a dor resolve. O sofrimento e os impactos são componentes que vão abalando as estruturas de resistência do ser. Vão abalando a tal ponto que quando chega um momento de ser tocado o indivíduo já foi embatido muitas vezes. Os impactos do sofrimento, da dor, da frustração e da dificuldade fazem rachaduras imperceptíveis nessa crosta íntima, e é por essa rachadura que acaba chegando a luz.

Por isso, de quando em quando é necessário deixar o discípulo entregue a si mesmo. Ainda que o nosso carinho e a nossa linha emotiva sugiram o contrário. Porque não cabe na linha de orientação básica fundamental da alma a luta declarada entre a luz e a treva. Além do que, há pessoas em quem a vontade de instruir-se e crescer é apenas aparente, e com estas perde-se tempo. Insistir com elas equivale ao que Jesus disse sobre dar pérolas aos porcos.

Nós também temos aprendido ao longo do tempo que para chegarmos a um grau de compreensão e de  cooperação legítima a primeira coisa que temos que fazer é tirar da cabeça aquela proposta de querer que a pessoa mude a si mesma na nossa frente, bem no momento em que estamos diante dela. Porque na nossa ótica cultivamos isso, esse caráter curto de tempo. Nós achamos que todas as pessoas são capazes de reformular o sistema de vida em um ano, dois anos, quatro anos, cinco anos ou em uma encarnação, e não é por aí.

De nossa parte, precisamos trabalhar com as criaturas com naturalidade. Quantas vezes, em conversa com algumas pessoas, conseguimos observar que está relativamente fácil resolver o problema delas. Elas nos expõe suas lutas, suas dificuldades, e a gente conclui que não está difícil. Não está difícil na nossa ótica. Percebeu?

No lugar delas, nós, quem sabe, conseguiríamos solucionar em um prazo curto de tempo. Mas para elas a barra está pesadíssima. Para elas, puxa vida, ainda vai demorar muito tempo. Para elas, a solução que nós visualizamos ainda é desafio insuperável.

Essas criaturas estão ainda num grau muito grande de desinformação ou estão vinculadas a um sistema de vida muito diferente e que as situam a uma distância enorme da proposta de mudança e da solução. Mas a gente precisa ter calma neste aspecto. Muita calma. Afinal, quantas experiências frustradas e por tão longo tempo nós tivemos que passar para chegarmos até aqui?! E os espíritos amigos sempre se mantiveram ao nosso lado, acompanhando-nos sem agonia. Quantas vezes eles acharam que a nossa mudança seria em determinado tempo e não foi. Que seria no próximo, e não foi. E agora é que estamos mudando. Se é que nós estamos mudando de verdade. É algo para pensar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...