16 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 3

A ARBITRARIEDADE

Nós já estamos começando a entender que não se pode interferir negativamente no processo evolucional de ninguém. E isso é algo tão importante, tão essencial, que nós vamos até repetir: não se pode interferir negativamente na dinâmica evolucional de quem quer que seja. Afinal, a liberdade de alguém sempre termina onde começa outra.

Às vezes, nós queremos interferir de maneira radical na linha evolucional dos outros e é preciso não complicar o interesse do semelhante. Nós não podemos de forma alguma brincar com a vida dos outros, com o caminho que os outros estão seguindo.

Não podemos, em nome do nosso livre-arbítrio, querer impedir o determinismo superior quanto às outras individualidades com quem nós convivemos ao longo da vida.

Tem muita gente que confunde livre-arbítrio com arbitrariedade. Arbitrário é aquela decisão que independe de lei ou regra e resulta do arbítrio ou capricho pessoal. Aliás, o livre-arbítrio é livre até o momento em que ele passa para a arbitrariedade, porque aí já deixou de ter aquele sentido extraordinário de livre-arbítrio.

Todos nós sabemos que o livre-arbítrio às vezes é cerceado, especialmente quando ele tem uma conotação distorcida que pode gerar complicações para os nossos corações ou aquela tonalidade que tange para uma proposta fechada de arbitrariedade. 

O indivíduo vai usando e transformando o seu livre-arbítrio em arbitrariedade e ele acaba por entrar no campo de situações exteriores menos felizes que são providências que visam a conduzi-lo às mudanças necessárias pelo cerceamento de determinadas posturas. Deu uma ideia? De modo que os abusos da razão e da autoridade constituem faltas graves ante o eterno governo dos nossos destinos.

Em um planeta de provas e expiações, que é o que nós estamos vivendo, desmandos acontecem, não é? E quando a pessoa apronta, muitas vezes não se sabe se é livre-arbítrio ou se é arbitrariedade. Quer dizer, o elemento sai aprontando dentro do contexto social em que orbita, dentro do ambiente em que se situa.

Realiza desmandos com uma extrema indiferença e insensibilidade. Tem aqueles que saem aprontando de tudo quanto é jeito. Uns menosprezam aqui, outros agridem ali. Tem os que assaltam, ferem, outros matam um, matam dois, três. Todavia, cada individualidade responderá por si um dia, diante da verdade maior.

E vamos entender uma coisa para início de conversa: apesar das conturbações ambientes, dentro do universo existem leis sublimes que funcionam numa linha absolutamente inteligente e correta. Daí, sabe até onde a ação de cada criatura vai? Até onde não estiver complicando. É isso mesmo, nós vamos até onde não estivermos complicando.

Quando nossas atitudes se tornam inconsequentes, a grandeza de Deus com as suas leis não permitem.

O equilíbrio no contexto universal não pode ceder à arbitrariedade dos indivíduos.

Imagine o seguinte: o indivíduo chega em nosso ambiente e começa a aprontar. Isso não pode acontecer? Ele elege uma vida criminosa e sai aprontando. Daí, vamos analisar, quem está sendo vítima desse elemento? Os que tem débitos passados. Percebeu? Porque na hora em que esse agente começar a ameaçar inocentes, será que o criador vai concordar e aceitar seus desmandos? Impossível. 

Não se pode afligir quem não deve. Você se lembra de Saulo quando ele iniciou as primeiras perseguições aos cristãos? Pois então, ele afligiu alguns, mas quando foi atrás de Ananias a história mudou. Afinal, foi mexer com quem não devia.

Em nosso planeta, onde não existem vítimas, a arbitrariedade somente é aceita e tolerada enquanto os seres ultrajados estão sob o jugo da lei, enquanto estiverem recebendo as ações menos felizes aqueles que têm dívidas com o destino. 

Será que deu para entender? A criatura vai adotando atitudes desvirtuadas e nocivas até o momento em que a espiritualidade entende que aquilo está sendo de alguma forma útil para muitos. Inclusive para muitos que estão recebendo essas forças negativas tentarem retemperar o próprio mecanismo do destino. O indivíduo vai complicando o meio social em que ele vive enquanto as vítimas são devedoras.

De forma que muitas vezes o que está recebendo as ações está quitando a sua fatura, ao passo que outro está criando. Criando nova dívida para pagar no dia de amanhã.

O livre-arbítrio é respeitado, mas a arbitrariedade pode ser cerceada. Não é permitida a arbitrariedade dentro de uma área que não compete às vítimas ou pacientes receberem a arbitrariedade. Deu para entender? O indivíduo está aprontando, assaltando, maltratando, matando. Por enquanto, ele está tirando a vida de quem tem provas a cumprir. De quem tem débitos. Na hora que começar a ameaçar quem não tem nada a ver, daí a pouco, por exemplo, vem um tiro e pronto. Morreu fulano. Perfeito? Tirou do circuito. Ele é tirado fora do contexto.

Na hora que começar a complicar para além das fronteiras que interessam a nós e aos que nos circunvolvem, o barato dele é cortado. Na hora que o agente começa a entrar no terreno de quem não tem nada a ver, o plano superior tira ele de lá. 

Daí, nós não temos que ficar preocupados, porque na hora em que a espiritualidade notar que ele passou ou está passando da linha, corta a condição dele.

É da lei que cada individualidade responda pelos seus atos. E o detentor de certa autoridade que exige mais do que lhe compete, transforma-se em um déspota que o Senhor corrigirá através das circunstâncias que lhe expressam os desígnios, no momento oportuno. Essa certeza deve ser o suficiente para funcionar como alento e fator de tranquilidade para que o seguidor do evangelho, em hipótese alguma, quebre o ritmo da harmonia, a fim de manter a sua consciência em paz.

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