9 de out de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 11

A PACIÊNCIA I

O mundo está cheio de pessoas apressadas. Isso é fato. Pessoas que não sabem esperar, que não têm a paciência adequada de construírem a si próprias. Situam-se em um campo imediatista, querem o aperfeiçoamento definitivo e finalístico alcançado de um dia para outro.

Milhões delas pensam assim: "Eu vou na igreja tal ou vou no grupo tal uma vez por semana e resolvo o meu problema espiritual". E acham mesmo que dessa maneira, só com essa atitude, solucionam toda a questão intrínseca.

Mas eu posso ser sincero? A questão não é assim. Essa concepção define um erro muito triste. Aliás, posso até dizer mais, é duro escutar esse tipo de coisa. É uma falha lamentável esse tipo de pensamento. É uma frustração na base. O problema não é solucionado de forma tão periférica e simples assim. A questão é o nosso campo íntimo.

Para se ter ideia, cada reunião espiritual que a gente vai nos dá um peso a mais para conscientizar. À medida em que assimilamos padrões novos que nos são canalizados, passamos a observar que temos que aguardar a maturação deles em nosso íntimo.

Você já deve ter tido aquela sensação de que os dias e as semanas tem passado rápidos. E um dos problemas que tem feito a humanidade sofrer hoje em um mundo em convulsão é essa tentativa de querer erguer a felicidade da noite para o dia.

Pense nisso. Tem criaturas com mentalidade tão objetiva que não sabem esperar.

Sabe o que elas fazem? Saem desembestadas de qualquer jeito que nem um trator, derrubando tudo. É fato que a misericórdia divina nos deu a paciência, mas muitas criaturas humanas simplesmente não trabalham a paciência. Infelizmente, nós todos nos incluímos nisso. E grande percentual de pessoas, por negligenciarem essa questão tão importante, não trabalham a paciência. Transitam pelos caminhos da vida envolvidas em um sistema difícil e complicado chamado impaciência e irritação, para depois, cedo ou tarde, caírem frustradas e em desalento.

A perda energética que ocasionalmente sentimos não resulta tanto do acúmulo de problemas que carregamos. Deriva da ansiedade. A deficiência geralmente nasce da aflição com que aguardamos de forma ansiosa os resultados de nossas ações, desejosos de destaque pessoal no imediatismo da Terra. Porque esperamos resposta do mundo aos nossos anseios e esquecemos que tanto no bem quanto no mal tudo tem o seu tempo: primeiro vem a semente, depois os frutos, e não pode ser diferente.

Então, de que adianta a gente se afligir? A aflição não apressa o resultado das coisas.

É por aí que muitas vezes complicamos nossa jornada, por impaciência ou falta de capacidade de persistir.

E quanto mais nós aprendemos e passamos a entender a dinâmica da própria vida, mais nós descobrimos a dimensão da nossa ignorância e da nossa fragilidade.

Assim, de cara precisamos desativar o fulcro irradiador negativo para que os valores positivos floresçam, porque por ser apressado e aflito nós perdemos momentos felizes, obcecados por uma estratégia que montamos com a nossa visão imediatista, quando na verdade a marcha evolutiva é uma marcha acanhada, gradativa.

Repare para você ver: você pode fazer um projeto e planejar uma casa de um dia para outro, não pode? Todavia, ela com certeza vai ter que ser erguida com determinado plano de bom senso. Quer dizer, você poderá até contar com técnicas capazes de acelerar o processo de construção, mas de qualquer maneira ela vai ter que começar de baixo para se erguer, tijolo a tijolo, bloco a bloco.

Eu não estou aqui para dar lição de moral. Longe disso. Mas muito dos nossos erros, fracassos e lástimas no campo da aprendizagem são decorrentes sabe de quê? Da nossa pressa. Já pensou nisso? Daí, não vamos ficar nessa de torpedear a marcha natural dos acontecimentos. O crescimento pressupõe uma metodologia de continuidade, razão pela qual na nossa estrutura educacional, psíquica e espiritual, é preciso desativar a pressa. Correria não dá, não adianta correr na evolução.

Temos que saber esperar e aproveitar cada momento, saber se manter tranquilo interiormente para aproveitar cada momento que a misericórdia nos concede. Ter a maleabilidade e o jogo de cintura para aproveitar cada instante. Sabe por quê? Porque as oportunidades voltam no tempo, mas o tempo não volta. Perdeu a oportunidade? Aquela não volta mais. Percebeu? Pode voltar uma semelhante, não aquela.

Vamos ser diligentes e determinados, óbvio, mas vamos também saber esperar.

A paciência, antes de qualquer coisa, é a ciência da paz. E a paz representa o quê? Um encaminhamento sem pressa, sem precipitação. E a ideia é essa mesma: ser paciente.

Pense para você ver, para que a espera represente uma conquista efetiva nós temos aprendido em várias lições a importância de saber esperar. Podemos citar alguns exemplos: O fruto que alimenta representa, às vezes, um ano inteiro de trabalho silencioso de uma árvore. E outro detalhe, interessados no fruto de uma árvore, não o colheremos antes do momento justo. Embora nos atormentemos com a escuridão da madrugada, não adianta que a alvorada não brilha antes da hora prevista. E todo o progresso humano surge da paciência divina.

Jesus tinha os olhos voltados para Saulo de Tarso, não tinha? E o que ele fez? Precipitou? Apressou as coisas? Não. Ele teve a paciência de esperar a hora certa de se aproximar, fazer o contato e aguardar a resposta de Saulo. Em suma, essa é a paciência que importa, sem a qual não conseguimos evoluir, não conseguimos crescer.

E outra coisa que nós temos aprendido e que é fundamental levar na caminhada é que nos lances de crescimento não se dá passos efetivos e finalísticos em um espaço curto de tempo. Isso é algo para se ter em conta. Para evoluir a paciência tem que ser chamada. Sem paciência nada importante vai para a frente, qualquer projeto resulta em frustração. De forma que ser quisermos crescer vamos precisar de uma medida de paciência. Não podemos dispensar as soluções vagarosas.

Aliás, a paciência é um componente fundamental para a libertação. Ela é a virtude que afere a legítima conquista. É um sistema vigorante que toda metodologia de elevação pressupõe, motivo pela qual não dá para menosprezá-la.

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