8 de dez de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 15

O PODER DA DECISÃO

Os valores informativos nos chegam ao plano perceptivo de fora para dentro por assimilação, e esse conhecimento se dá de várias formas. Para isso, existe uma enormidade de instrumentos e não há dúvida.

Agora, o que comumente acontece é que nós ficamos postergando decisões e atitudes, jogando para a frente padrões que necessitamos implementar. Todavia, cedo ou tarde chega o momento da decisão.

Vamos pensar no seguinte: Zaqueu decidiu ver Jesus e não hesitou. O que ele fez? Quis ver e foi ver. O jovem rico também teve contato com Jesus, não teve? E qual foi a decisão dele? Quando Jesus lhe disse que vendesse suas coisas ele não fez. Sua decisão foi permanecer como estava. Nós estamos dizendo isso apenas para entender que temos desses momentos na vida. Momentos de decisão.

E a decisão, sem dúvida, é algo decisivo.

É algo que em muitas situações pode mudar todo o contexto da caminhada. Aliás, até dizemos mais: tudo na vida depende da decisão. O êxito consiste na capacidade de se realizar o que está proposto e tudo depende de uma postura de decisão nossa. Todos nós, sem exceção, vivemos esses momentos importantes.

A decisão representa o coroamento daquilo que já temos condições de realizar. Essa palavra define o ápice daquilo que podemos realizar, sintetiza o ponto de ousadia. E resulta, indubitavelmente, da determinação e da fé.

Dizem os amigos espirituais que na hora que esses momentos surgem, sabe o que acontece? Os guias espirituais, os anjos da guarda, os santos, saem tudo de perto. Ninguém de fora atua no momento da decisão. Nós investimos e assimilamos, todavia, no momento da aplicação do padrão assimilado os espíritos começam a sair de perto e nós vamos ter uma decisão sem qualquer interferência exterior.

Eu não sei se você já reparou, mas tem momentos na vida em que nós estamos com determinada coisa para resolver. Abre um livro de auto-ajuda, lê e fecha, abre o evangelho, fecha. Fica no abre e fecha. Nas leituras tem um punhado de valores para nos ajudar a decidir, mas decisão mesmo não tem. Não acontece? Parece que até o amigo espiritual mais próximo desapareceu da gente.

E nessa hora a gente costuma pensar: o que é que eu faço? É a hora da nossa decisão.

Então, vamos ter em conta que nos momentos difíceis, diante das dificuldades mais expressivas da nossa vida, nós costumamos ter a sensação de estarmos sozinhos e não há como ser diferente. Acontece assim com todos. Isso não é um privilégio de poucos. Nos momentos de culminância nos achamos só. Não pode ter ninguém por perto. Nem o guia espiritual. Por isso, lembre-se: mesmo ante a porta estreita, buscando conquistas eternas, iremos também só. E com outro detalhe interessante: durante uma prova o professor está presente, mas está em silêncio.

Isso que eu estou dizendo não é para nos deixar inquietos, mas tem momentos na vida que vamos precisar decidir sem a proteção ostensiva. É dessa forma que a coisa funciona.

Por quê? Por uma razão simples: a decisão é um momento sagrado do espírito. Ninguém pode interferir.

No momento da manifestação pessoal não tem empurrão, não tem cordinha para ajudar, não tem amparo. No plano do nosso crescimento espiritual os espíritos não empurram um centímetro sequer. É problema de nossa opção, a individualidade tem que ir pelos seus próprios passos. E isso não sou eu que estou dizendo, são eles, os espíritos superiores, que dizem. Em suma, no plano decisório espírito nenhum pode interferir, porque tem que ser uma eleição pessoal e intransferível.

E por quê eles não podem interferir? Porque na área das propostas e das escolhas a espontaneidade é componente básico. E se é espontaneidade, tem que haver o quê? Uma decisão livre de dentro para fora. Por isso, a ajuda espiritual nunca vai ter um caráter constrangedor. Está percebendo? A misericórdia divina, para se ter ideia, em hipótese alguma projeta seres ao nível do empurrão. A vida pode empurrar algumas vezes, e empurra; o criador, jamais.

Na hora da decisão o que vigora é a decisão pessoal. Nessa hora a responsabilidade é pessoal. Na hora da aplicação do valor assimilado a decisão é puramente nossa.

Vai ser uma postura totalmente efetuada com base na espontaneidade do ser. Espírito nenhum vai assumir. Está claro? Aquele é um momento de decisão pessoal e na decisão cada qual tem que escolher por si mesmo, sem qualquer interferência.

Tem que vigorar o legítimo plano da espontaneidade. E se alguma entidade espiritual ou qualquer um de nós interferir nessa escolha, o indivíduo que está vivendo esse momento de decidir pode ir no embalo das forças e influências exteriores e não ter o mérito que cabe a ele. Sem contar também que a interferência dos espíritos pode em certas ocasiões cercear a oportunidade do passo à frente.

No instante do testemunho estaremos sempre sozinhos com as nossas aquisições íntimas.

Por isso, não fique triste nem tampouco desanimado, mas vai ter momentos em que nós vamos decidir sem arrimo, sem proteção ostensiva. No entanto, esses momentos de solidão, esses momentos em que nos achamos só, são experiências imprescindíveis nas provas de afirmação para capacitação mais nítida em relação ao trabalho que vamos aceitar e que vai vir por aí. Deu uma ideia?

É um pouco difícil, para não dizer muito difícil, mas é por aí que se opera a mudança definitiva de vida do indivíduo. É essa decisão que possibilita mudar a rota do próprio destino.

Porque sempre iremos evoluir em função da nossa determinação pessoal. Esse é o momento em que a gente realmente é emancipado, em que a gente passa a andar com as próprias pernas. Essa prova de nos sentirmos sozinhos e desamparados é a prova que costuma nos conceder o autocertificado. Daí, pode ter certeza, é exatamente essa sensação de estar só que nos projeta para um plano mais avançado no campo da segurança. Igual aquela criança aprendendo a andar de bicicleta, que em determinado momento o pai ou a mãe tira as rodinhas de apoio.

De forma que é preciso passar bem pelo teste. É preciso manter um certo grau de confiança, pois é por aí que aferimos a maior ou menor extensão de nossa fé.

E mais uma coisa importante. Quantas vezes nesses momentos de culminância nós vivemos sozinho o processo e em volta tem uma equipe de espíritos nos observando, orando e torcendo por nós?! Você já pensou nisso? De fato tem momentos em que a criatura vive a prova dela sozinha e os espíritos se mantém relativamente próximos olhando. Às vezes, pertinho. Observam e torcem. Só não podem interferir.

Porém, quando a criatura vence a etapa, quando ela se sai bem daquela experiência difícil, identifica de pronto o sorriso daqueles corações que estavam junto dela o tempo todo e ela achava que estava sozinha. Logo, vamos ficar tranquilos, manter a serenidade e a confiança, porque isso acontece demais da conta.

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