13 de jun de 2018

Cap 62 - A Caridade (3ª edição) - Parte 4

A CADA QUAL A SUA COTA

Enquanto não levantarmos a bandeira da mudança e começarmos a fazer algo de concreto nós ficamos como mendigos da evolução.

Isso mesmo, como mendigos. Cheios de ideias, cheios de informação, cheios de conhecimento e reclamando de tudo. Reclamando disso, reclamando daquilo, que o mundo está errado, que isso está errado, que aquilo não presta, e daí por diante.

De onde observamos que a luta de redenção, que é de uma beleza extraordinária, exige cooperação, determinação e amor. Aliás, essa faixa operacional que se estende para além da justiça espera um pouco mais de cada um de nós.

E as pessoas à nossa volta representam o quê? São componentes que nós precisamos delas e elas de nós. Isso é fato. E tanto é que muitos já entendem o sentido científico da caridade em termos de bem viver. É o que a gente precisa saber: o porque temos que exercê-la, o que ela pode nos proporcionar de bom, o que nos propicia de positivo, qual o seu significado prático na nossa vida.

E para início de conversa, caridade é um exercício espiritual e quem a pratica movimenta forças da alma.

Outro ponto interessante é que o serviço de Jesus é infinito. O que significa isso? Que na sua órbita há lugar para todos. Sem exceção. Cada criatura recebe determinado talento da providência divina para servir no mundo. Velho ou moço, com saúde física ou sem ela, ninguém é tão pobre que nada possa dar de si mesmo.

Não existe aquele que não tenha alguma informação. Já observou? E por menor que seja essa informação, é uma informação que nos convida à serenidade, ao equilíbrio, à capacidade de operar no bem, ao chamado para respeitar o semelhante e ajudar naquilo que for possível, em maior ou menor escala. O necessário é movimentar o dom que recebemos do Supremo criador para avançarmos na direção da grande luz. Porque se a gente pensar bem, receber da vida nós sempre recebemos, e continuamos recebendo. O momento agora é  de doar.

Pensar em caridade pode parecer algo filosófico para muitas pessoas, mas no fundo representa reverter o mecanismo dos nossos desejos e interesses. Está dando para acompanhar? Quem está pensando em crescer, quem está querendo seguir adiante, mudar o rumo da caminhada e encontrar uma parcela maior de reconforto pessoal, isolado da caridade e do interesse de cooperação, vai ter uma grande frustração.

Vai se frustrar.

Todos nós vamos concluir, mais dia ou menos dia, que a prática do bem é apenas simples dever.

Esse é o conceito que temos aprendido e a opinião que temos recolhido dos espíritos elevados. Quando começarmos a sair dessa massa dos atritos e dos movimentos naturais de vinculação à retaguarda, e passarmos a entrar em uma proposta de melhoria pessoal, quando utilizarmos essa compreensão e melhorarmos a nossa linha de interação, começaremos a encontrar um estado de maior equilíbrio interior. É só experimentar para sentir. O amor é algo que flui ao nível da misericórdia. E nós não temos como adquirir a harmonia íntima se não buscarmos a paz exercendo, ao mesmo tempo, a misericórdia com os semelhantes.

A vida não exige o meu sacrifício integral em favor dos outros. De forma alguma. Mas eu também não posso esquecer do minuto de apreço aos outros. Quer dizer, eu não posso deixar a minha vida para buscar viver uma vida exclusiva em função do semelhante. Isso eu não devo fazer. Se assim fizer, eu posso me alienar. Por outro lado, eu tenho que pensar nas necessidades do outro. Ficou claro?

E isso também não significa que eu tenho que sair por aí procurando os outros para auxiliar. Não precisa. Porque os outros chegam à nossa porta a toda hora. Importante é fazer um levantamento das nossas possibilidades, pois no trabalho cristão cada seguidor contribui conforme a sua posição evolutiva. Cada qual deve estar situado na sua faixa de serviço, fazendo o melhor dentro do seu alcance.

Sem o lubrificante da cooperação a máquina da vida não funciona. É da lei! Cedamos algo de nós mesmos em favor dos outros em razão do muito que outros fazem por nós.

E mais, sem reclamar. Afinal, felizes são os que buscam na revelação nova o lugar de serviço que lhes compete na Terra. Um cristão sem atividade no bem é um doente de mau aspecto pesando na economia da vida social. Por isso, procuremos exercer a bondade e a misericórdia em patamares cada vem mais avançados.

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